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quinta-feira, 30 de abril de 2009

TOMA AS MINHAS MÃOS





Senhor, meu Deus, depois de 26 anos de sacerdócio, sinto a mesma frescura do primeiro momento,

Sinto o mesmo entusiasmo do começo,

Sinto a mesma paixão e amor por Ti, Senhor, quando percebi o teu chamamento, quando percebi que precisavas de mim e me decidi a dizer SIM.

A todos aqueles que me lerem eu gostaria de dizer que a vida consagrada a Deus e à Igreja é uma vida bela, grandiosa, muito importante e muito necessária.

Aos adolescentes e jovens que me lerem, eu quero dizer: não tenhas medo de arriscar. Ser consagrado a Deus como sacerdote, religioso(a) ou missionário é algo de muito maravilhoso, se te sentires chamado por Deus.


Jovem, entra no teu quarto, entra numa Igreja, entra dentro de ti, fecha os olhos e pede luz ao Divino Espírito Santo para que Ele te ilumine, te mostre o caminho.


Não orientes a tua vida só a pensar em ti de forma egoísta. Pensa que podes fazer muito pelos outros numa vida consagrada a Deus e a tua vida terá um sentido muito mais grandioso.


Por isso, te peço que rezes esta oração e que Deus te ajude a descobrires a vocação a que Deus te chama:



Toma as minhas mãos, Senhor e usa-as como se fossem tuas.
Sejam instrumento de amor a iluminar e a aquecer.


Toma os meus pés, Senhor, e usa-os como se fossem Teus.
Sejam mensageiros do amor no caminho dos irmãos.


Toma meu coração, Senhor e usa-o como se fosse Teu.
Seja expressão do Teu amor, Senhor, do Teu Infinito amor.


Toma tudo o que sou, Senhor.


Renovo com amor a minha entrega
Seja sinal da minha gratidão, minha vida em Tuas mãos.


P. Albano Nogueira

segunda-feira, 27 de abril de 2009

O QUE É A VOCAÇÃO



Na linguagem de cada dia, quando falamos de VOCAÇÃO referimo-nos fundamentalmente a um modo de existência particularmente entregue aos outros que exige da parte do sujeito que a realiza uma atitude muito decidida e clara para a levar a cabo.

Geralmente quando falamos de pessoas vocacionadas subentendemos que se trata de pessoas que enveredaram por um caminho que, em termos mais técnicos se denomina de especial consagração.

Em ambientes religiosos emprega-se este termo para nos referirmos ora a religiosos e religiosas, ora a leigos consagrados, ora a sacerdotes, ou seja, pessoas totalmente dedicados à Evangelização e à missão da Igreja.

O uso habitual deste termo geralmente faz referência à firmeza e estabilidade da decisão pessoal que sustenta uma forma de existência especialmente dedicada ao serviço dos outros.

Neste sentido, uma pessoa vocacionada é aquela que se entrega a uma tarefa fortemente convencida relativamente àquilo que faz e firmemente decidida a levá-la a cabo. Segundo esta perspectiva o sinónimo de vocação é decisão.

Esta compreensão tem certamente elementos de contacto com a compreensão teológica da existência humana. No entanto, o conceito vocação usado com propriedade tem um significado diferente. Refere-se, antes de mais, à iniciativa que o mistério do amor de Deus inicia com cada homem e cada mulher que chama a existir neste mundo. Esta iniciativa de amor é, por sua vez, universal e absolutamente singular porque é o fundamento da própria emergência da existência humana e a sua finalização numa existência definitiva e plena. É um acto originário de amor divino que fundamenta a absoluta singularidade do ser humano e o convoca a uma existência de amor e liberdade na relação com os outros.Isto significa que a vocação não é tanto um plano do homem mas plano de Deus.

E não é tanto, propriedade de uma existência singular mas o chamamento de cada pessoa em Jesus Cristo a uma existência de amor e liberdade.

VOCAÇÕES NA IGREJA CATÓLICA


Nesta semana, de 26 de Abril a 3 de Maio, a Igreja olha e reza pelas vocações de todos os tipos.
Em sentido geral, "vocação" é a inclinação da pessoa para determinado ofício ou profissão.
Num sentido mais específico, na Igreja, "vocação" quer dizer chamamento, o apelo que Deus faz a cada pessoa para cumprir uma função ou serviço ou missão no mundo. A iniciativa vocacional é sempre de Deus, mas Ele pode se servir das mediações: acontecimentos, outras pessoas. Cabe ao homem escutar, descobrir o chamado de Deus e estar disponível para seguir este chamado, seja ele qual for. O chamado fundamental é o
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CHAMAMENTO
À EXISTÊNCIA:
Deus nos chamou à vida e nos criou à sua imagem e à sua semelhança.
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VOCAÇÃO CRISTÃ:
Pelo Sacramento do Baptismo, a pessoa é chamada a seguir Jesus Cristo, vivendo unida a Deus como filho e aos outros como irmãos, formando a família de Deus que é a IGREJA. Esta é a vocação cristã fundamental que é válida para todos os cristãos indistintamente. Além da vocação fundamental à existência, os cristãos têm, cada um uma ~
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VOCAÇÃO ESPECÍFICA,
isto é, um é padre, um é leigo, outro religioso, casado, solteiro, etc.
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VOCAÇÃO AO MATRIMÓNIO,
casamento, é um chamamento bem definido dentro da Igreja. Instituído pelo próprio Jesus Cristo, o matrimónio é uma íntima comunidade de vida e de amor.
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VOCAÇÃO SACERDOTAL:
O padre é alguém escolhido por meio do povo e consagrado a Deus para o serviço deste mesmo povo nas coisas que se referem a Deus e a construção do Reino de Deus na Comunidade. Seu papel é continuar a missão de Jesus Cristo, o único e eterno sacerdote. O padre é o representante de Deus junto ao povo e do povo junto a Deus.
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VOCAÇÃO RELIGIOSA.
Religiosos são cristãos que dedicam sua vida toda a Deus e aos irmãos, através da vida comunitária e vivendo a consagração dos votos de pobreza, obediência e de castidade. O grande amor que os religiosos têm a Deus se reverte num grande amor ao próximo especialmente os mais pequeninos, com os quais Jesus se identifica.
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LEIGOS CONSAGRADOS
Há pessoas que vivem na sua família, têm a sua profissão, mas consagram-se a Deus fazendo votos de castidade, inseridos em certos institutos de vida consagrada.
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VOCAÇÃO LEIGA.
Leigo é toda pessoa baptizada que segue Jesus Cristo na Igreja e escolhe unir e testemunhar sua fé no mundo secular: na família, na escola, nas profissões, na política... O leigo actua não de fora, mas de dentro das várias instituições do mundo como fermento, luz e sal.

P. Albano Nogueira

sexta-feira, 24 de abril de 2009

ORAÇÃO







SALMO 120

“Levanto os meus olhos para os montes: donde me virá o auxílio?
O meu auxílio vem do Senhor que fez o céu e a terra”...
O Senhor é quem te guarda, o Senhor está a teu lado, Ele é o teu abrigo…
O Senhor vela pela tua vida…
Ele te protege quando vais e quando vens agora e para sempre”.

Bendito sejas, meu bom Pai do Céu, por esta certeza:

Tu vens eu meu auxílio,
Eu creio, ó Deus, que Tu estás sempre comigo: Tu me vês, me conheces, me amas, me aceitas, me compreendes, me perdoas.
Obrigado meu bom Pai do Céu, por esta certeza de saber que sou teu filho, que cuidas de mim, que me enches de vida, de paz, de esperança, de confiança.
Tudo me vem de Ti, ó Pai, tudo é dom, dádiva do Teu amor.
Eu acredito que tudo recebo do Tua generosidade, da Tua bondade.
Obrigado, meu Pai do Céu.

Quero agradecer-te tudo o que tenho, faço e sou.
Ajuda-me a crescer na fé, na confiança, no abandono à Tua vontade para que a minha vida tenha sempre sentido: na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, nas vida e na morte.
Obrigado Meu Pai do Céu, porque me criaste, me sustentas na vida e iluminas a minha existência com o Teu amor e me convidas a amar-te, a escutar-te, a seguir-te na vida, a receber-te na oração, nos sacramentos, na sagrada comunhão; a visitar-te na igreja, no sacrário e nas pessoas onde Tu também estás vivo.
Quero amar -Te, ó Deus e louvar o Teu nome para sempre porque sei que vim de Ti, por meio dos meus pais e vou para Ti.
Viver é percorrer um caminho e eu quero que o meu caminho vá na Tua direcção, ó Pai do Céu, Senhor da vida e Senhor da morte.


P. Albano Nogueira

quarta-feira, 22 de abril de 2009

A RESSURREIÇÃO DE JESUS E A NOSSA



http://operfumededeus.blogspot.com

O centro da nossa fé cristã é esta: Jesus Cristo morreu na sexta-feira santa, mas ressuscitou no dia de Páscoa.
A ressurreição de Jesus não é o regresso à vida que tinha antes de morrer, não é um simples reviver. A ressurreição é uma modificação e transformação total da pessoa de Jesus que é o mesmo, mas diferente. É uma total transformação da pessoa de Jesus que deixou de ter as limitações de tempo e de espaço que tinha antes de morrer.
É um mistério de fé. Por um lado, é uma realidade histórica na medida em que aconteceu mesmo; por outro lado escapa à confirmação histórica porque ninguém viu, ninguém assistiu ao momento da ressurreição.
As pessoas viram a pedra do sepulcro retirada da porta de entrada, viram o sepulcro vazio, viram os lençóis que envolviam o corpo de Jesus e tiveram aparições de Cristo ressuscitado.
Jesus apresenta as marcas dos cravos nas mãos e nos pés e até come com os Apóstolos, mas trata-se de uma condescendência de Cristo que está diferente, glorioso, ressuscitado, não tem um corpo físico, mas cede a esta curiosidade dos apóstolos e torna-se um pouco material, embora Ele seja totalmente espiritual.
As aparições de Cristo ressuscitado dizem-nos que o ressuscitado é o mesmo que foi crucificado, mas tem agora uma aparência totalmente diferente: aparece e desaparece; entra em casa com as portas fechadas, faz milagres.
Jesus tornou-se o Cristo, o Messias, o Salvador pela ressurreição.
Esta ressurreição de Jesus é motivo de esperança para nós. Nós também morreremos e ressuscitaremos. Esta é a nossa esperança.
Jesus venceu a morte. Jesus matou a morte. A morte continua a existir. Continua a ser um problema para todos, mas adquiriu um tom de esperança.
A morte deixou de ser desespero um momento de esperança. Uma porta que se abre para uma vida nova, uma vida diferente.
Não nascemos para morrer. Nascemos, temos de morrer; mas morremos para viver em Deus e com Deus.
Perante a morte dos outros, é legítimo o luto, as lágrimas, a dor, a tristeza o sofrimento de perder um ente querido. Mas a esperança da ressurreição dá um sentido novo ao morrer.
A morte não é o fim. A morte é uma passagem dolorosa (ou não…) para outra forma de vida.
Esta é a fé cristã baseada na ressurreição de Jesus.
Estamos salvos… Estamos ressuscitados… Em esperança.
Um dia tomaremos pose dessa luminosa esperança…

P. Albano Nogueira

domingo, 19 de abril de 2009

A MISERICÓRDIA DIVINA



http://operfumededeus.blogspot.com


Segundo Domingo da Páscoa chama-se agora, Domingo da Misericórdia Divina.
Foi na Sexta Feira Santa, dia da morte de Jesus Cristo que se manifestou essa misericórdia divina.
Misericórdia= miséria+ cordis= miséria + coração. Coração= pessoa que vê a miséria humana, as necessidades dos outros e se compadece dela.
Esta palavra vem do latim e compreende duas palavras. Trata-se não apenas de um sentimento, mas de uma atitude prática de quem tem bom coração e vê as misérias e as necessidades dos outros e faz tudo o que pode para as aliviar. Não se fica em palavras.
O bom cristão católico não é só pessoa de palavras, mas também de acção concreta em favor dos outros.
A misericórdia divina levou Jesus a ser solidário connosco, levou-o a unir-se a nós na carne humana, no sofrimento humano, na morte humana para dar sentido a tudo isso, para o levar a uma plenitude transformadora pela total confiança em Deus Pai que O levou à ressurreição, à vitória sobre toda a espécie de mal.
Trata-se de uma atitude prática em favor dos outros: solidariedades com os que sofrem no corpo ou na alma.
As obras de misericórdia são 14: 7 corporais (fazer bem ao corpo dos outros: dar de comer, dar de beber, vestir os nus, dar pousada aos peregrinos, assistir aos enfermos (doentes), visitar os presos, enterrar os mortos) e 7 obras de misericórdia espirituais: dar um bom conselho, ensinar os ignorantes, corrigir os que erram, consolar os tristes, perdoar as injúrias, sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo, rogar a Deus pelos vivos e defuntos).
Num tempo de tanto egoísmo e individualismo, precisamos de recordar estas atitudes para sermos solidários com os que sofrem e precisam de ajuda e ver neles o rosto de Cristo sofredor e fazer o que depende de nós para aliviar a sua dor.

P. Albano Nogueira

domingo, 12 de abril de 2009

A PÁSCOA DE JESUS CRISTO


albanosousanogueira@sapo.pt


Páscoa quer dizer “passagem”


1. A natureza passa do Inverno para a primavera e renasce
2. O Povo hebreu passou da escravidão estrangeira do Egipto para a Liberdade na Terra Prometida - Israel.
3. Cristo passou da morte para a vida pela ressurreição.
4. Viver de um jeito cristão é viver em Páscoa permanente: passar do mal para o bem, do pecado para a graça, da escravidão dos vícios para a liberdade da virtude, passar do egoísmo para o amor, passar da vingança para o perdão, passar do isolamento e solidão para a comunhão e fraternidade com os outros.

UMA SANTA E FELIZ PÁSCOA PARA TI, MEU IRMÃO E MINHA IRMÃ DE ABRIL


P. Albano Nogueira

quinta-feira, 9 de abril de 2009

PÁSCOA CRISTÃ



Páscoa Cristã, Católica, quer dizer Passagem.
1- Passagem de Jesus da morte (sexta feira santa - 15h00) para a vida ressuscitada (dia de Páscoa).
2- Passagem da natureza do inverno (morte aparente das árvores) para a renovação pujante na primavera.
3- Deus passou no Egipto no tempo de Moisés – 1250 anos antes de Cristo mais ou menos Passagem do povo hebreu da escravidão do Egipto pela mão de Moisés, instrumento de Deus, para a terra prometida – Canaã, Israel, terra de liberdade.
4- Passagem dos cristãos católicos da vida velha do pecado para a vida nova da graça.
5- Toda a vida é uma passagem, uma Páscoa, que deveria ser para uma vida melhor. Sabemos que no aspecto físico, a partir de uma certa idade, vamo-nos degradando, envelhecendo, ficando mais fracos, mais doentes, mas no aspecto psíquico e espiritual, deveríamos passar para uma vida mais abundante, mais intensa de fé, de esperança e de caridade (amor desinteressado).
Páscoa - É Luz, é Vida, é Esperança, é Amor, é Verdade, é Redenção, é Resgate, é Salvação, é Perdão, é Reconciliação, é Fé, é Ternura, é Compreensão, é Alegria, é Festa, é Solidariedade, é Vida Nova, é Vitória, é Ressurreição, é Felicidade.
Páscoa é o Amor de Deus e o Deus Amor em acção, manifestando-se de uma forma total, plena, intensa.
Este Deus Amor que ama todos os homens e mulheres como seus filhos e filhas, espera ser amado por todos eles. Quem ama, quer ser amado.
Deus ama-nos a todos de forma universal, incondicional, total. A Sua felicidade está em amar-nos e em ser amado por nós.
Deus ama-nos na Criação. Deus ama-nos na Antiga Aliança com o Povo Hebreu. Deus ama-nos na Nova Aliança com toda a humanidade por meio de Jesus Cristo. Deus ama-nos na Igreja Católica, una, santa, apostólica; a única fundada por Jesus Cristo. Todas as outras Igrejas foram fundadas por homens e mulheres.
Deus ama-nos na vida de cada dia.
Deus ama-nos em todos os acontecimentos, mesmo naqueles que, a nossos olhos e entendimento, nos parecem maus, mas que no plano de Deus podem servir para o nosso bem maior: a nossa salvação eterna.
Vive com fé em Deus a tua vida, meu irmão e perceberás esse amor de Deus por ti em todos os momentos e circunstâncias. Vive a fé como amizade, como encontro pessoal entre ti e Deus Pai Criador, Deus Filho – Jesus Salvador e Deus Espírito Santo Santificador que te habita.
Faz da tua vida, meu irmão, uma Páscoa passagem até chegares um dia à Páscoa (passagem) definitiva que será a hora da morte em que passaremos desta dimensão terrena para a dimensão espiritual e eterna.
O OVO é um símbolo da Páscoa porque tal como o pintainho está encerrado dentro do ovo e quebra a casca para nascer, assim Jesus morto estava encerrado no sepulcro, mas quebrou a barreira da morte, destruiu a porta de entrada do túmulo, ressuscitou e apareceu vivo no primeiro dia da semana - Domingo de Páscoa.

P. Albano Nogueira

sábado, 4 de abril de 2009

A LIÇÃO DE DOMINGO DE RAMOS




O Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor Jesus, apresenta uma lição de vida para todas as pessoas que deveríamos todos aprender.
Este domingo tem dois momentos opostos na liturgia que são um símbolo da vida e da pessoa humana.
1.O primeiro momento é a procissão de Ramos que se faz nas paróquias católicas (Minho - Portugal): o povo de Deus reúne-se no exterior das igrejas, faz-se a proclamação do evangelho em que Jesus foi aclamado como Messias (salvador, libertador) e aplaudido pelas pessoas com ramos de palmeira e de oliveira, cânticos, hossanas, vivas a Jesus, bênção dos ramos de palmeira e de oliveira.
É o momento do aplauso, do elogio, do louvor, do agradecimento, do reconhecimento, do sucesso. Jesus teve esse momento, nós também o temos algumas vezes. É o momento em que a família está connosco, os amigos estão connosco e o nosso trabalho é reconhecido e aplaudido.
2. O segundo momento é a Eucaristia no interior da igreja em que se lê o evangelho da condenação à morte, paixão, sofrimento e execução da morte de Jesus Cristo na cruz na sexta-feira santa pelas 15h00.
É o momento do fracasso, da crítica, da murmuração, da rejeição, da condenação, da ingratidão, só ficar só.
Jesus teve este momento e nós também o temos algumas vezes.
A vida é assim mesmo. Há momento para tudo. Há tempo para tudo.
Muitos dos que aplaudiram Jesus no Domingo de Ramos, seriam também do grupo daqueles que pediram a sua condenação na Sexta-Feira Santa. Foi assim com Jesus, é assim connosco. Umas vezes somos nós assim para os outros, outras vezes são assim eles para nós.
Lições a tirar:
1.Nem nos devemos engrandecer ou envaidecer quando disserem bem de nós; nem devemos ficar desiludidos, humilhados ou derrotados quando disserem mal de nós e nos acusarem ou condenarem.
A vida é esta mistura: aplausos e condenações. Nós também temos este pecado: umas vezes dizemos bem dos nossos familiares e amigos; outras vezes dizemos mal. Eles fazem o mesmo connosco.
2.O nosso valor não está naquilo que os outros dizem ou pensam de nós: se disserem muito bem é porque (talvez) não nos conhecem bem; e se disserem muito mal de nós talvez aconteça o mesmo.
Cada um é o que é e vale por si mesmo. Não vale por aquilo que os outros dizem ou pensam de nós.
Importante mesmo é olhar para Jesus e tentar ser como ele fazendo sempre o bem, sabendo nós que neste mundo é mais recompensado quem faz o mal, o pecado, do que quem faz o bem, do que quem é virtuoso.

Pe. Albano Nogueira

terça-feira, 31 de março de 2009

VIVER ACORDADO, CONSCIENTE


Somos filhos deste mundo, mas não devemos ser seus escravos, vivendo apenas com os olhos postos no chão, esquecidos do transcendente, do divino.
Vivemos num mundo de contínua mudança, mas nem tudo é transitório. Existe o necessário, o definitivo e último.
Sofremos a tentação de nos apegarmos aos falsos absolutos, e adorá-los. Só Deus é o Absoluto que liberta. Aquilo e aqueles que pretendem ser absolutos neste mundo tiram-nos a liberdade com fanatismos.
Deus é esse Outro libertador, com quem nos podemos encontrar, amigo com amigo, Alguém que nos sorri dos céus.
Não devemos viver a vida a dormir, desinteressados das coisas espirituais, viver apenas voltados para o visível, o sensível, as horas vulgares, o cinzento do nosso dia-a-dia.
Toda a gente, mais dia, menos dia, põe a si mesma a questão do sentido ou do fracasso da sua existência.
É preciso ter tempo para fazer silêncio, fugir das horas vulgares da existência, escutar uma voz no íntimo de nós mesmos que nos convida a "ser o que devemos ser". Perguntemos a nós mesmos: será que eu sou quem devo ser?
É preciso estar acordado, atento, vigilante em relação à totalidade da nossa vida, ao sentido ou ao fracasso da nossa existência.
Uma voz diz-nos cá dentro da alma: "Sê quem és", quer dizer: sê verdadeiro, sê honesto, sê sério, sê um filho de Deus, um católico. Só tens uma vida, não brinques com ela...
Pergunta a ti mesmo: quem sou eu? O que faço aqui na terra? Para que é que eu vivo? Qual o valor do que faço e do que sou?
Com o passar dos anos as dimensões mais profundas da nossa vida ficam distorcidas, desfocadas, adulteradas pelo verdete da rotina. Muita gente não vive a vida, arrasta-a pela rotina.
Para que a vida seja bem vivida é preciso criar algo de novo no pensar e no ser, no ser para Deus. O silêncio, a meditação é uma oportunidade para ouvirmos Deus a dizer-nos: "Sê quem és"; "sê quem deves ser".
As mesmas coisas que vemos todos os dias se as olharmos com atenção, com um olhar fixo, elas parecem diferentes e ganham um novo interesse, uma nova importância. Isto vale para coisas, acontecimentos, pessoas, estados de vida.
Este olhar atento leva-nos a perceber o desgaste da monotonia rotineira.
O hábito, a rotina, a preguiça, o comodismo, a resignação são outros amores que estragam o primeiro amor puro e original.
A vida não é uma peça de teatro, não pode ser ensaiada. Só temos uma oportunidade e não podemos "falhar". Não podemos brincar com a vida.
Cada vida humana é única, irrepetível, como a pessoa que a vive. Cada um vai fazendo o seu caminho ao caminhar. Não há caminho feito, não há destino traçado para nós. Somos nós que traçamos o nosso destino.

José Rogério Almeida

quarta-feira, 25 de março de 2009

25 DE MARÇO ANUNCIAÇÃO DO ANJO A MARIA



albanosousanogueira@sapo.pt

De 25 de Março a 25 de Dezembro, são precisamente nove meses antes do Natal. Nove meses é o tempo de gestação de um filho na barriga da mãe.
Assim, 25 de Março é o dia da Anunciação do Anjo S. Gabriel a Maria de Nazaré para lhe fazer a proposta de poder ter um filho de uma forma excepcional e extraordinária: sem o auxílio de um homem. Esse filho seria filho de Deus e seria o Salvador do Mundo.
Maria não entende muito bem esta proposta, faz uma pergunta: “com será isso, se eu não conheço homem?”. Aqui a palavra “conheço”, significa: “não conheço no aspecto sexual, não tenho envolvimento sexual com nenhum homem, como posso ser mãe…
Maria era noiva de S. José. Conhecia o homem José, mas na Bíblia “conhecer”, muitas vezes, significa: “conhecer sexualmente”.
O Anjo Gabriel diz-lhe que isso é obra de Deus, será Ele o Pai da criança e Maria aceita, dá o seu “Sim”. A partir do seu sim, o filho começa a ser gerado no seu seio.
O Filho de Deus, eterno, invisível, omnipotente, torna-se filho de homem, temporal, visível, mortal, finito, frágil, assumindo a natureza humana.
O Filho de Deus tornou-se igual a nós em tudo, menos no pecado.
Podemos dizer que o dia 25 de Março é como que o começo da nossa total libertação e salvação que Jesus veio realizar pelo mistério da Encarnação.
É assim que se chama este fenómeno da vinda de Jesus ao mundo: ENCARNAÇÃO. Aquele que era Espírito, tornou-se carne humana.
Trata-se da iniciativa de Deus que decide vir ao nosso encontro para indicar uma forma nova de viver, para elevar a natureza humana degradada pelo pecado.
É iniciativa da graça divina. Do amor divino, da misericórdia divina que teve pena da miséria que a humanidade vivia e decidiu intervir para elevar a natureza humana estragada pelo pecado.
Jesus é o homem novo, o homem santo, bom, puro, santo, sem pecado.
Jesus encarnou para nos mostrar o que nós podemos e devemos ser para sermos felizes neste mundo e no mundo que há-de vir com a morte.
Jesus deu-nos o exemplo de como devemos viver para agradar a Deus, agradar aos outros e agradar a nós mesmos:
- viver como FILHOS DE DEUS (filiação divina)
- viver como IRMÃOS DE TODOS (fraternidade universal).
Jesus é o modelo de vida. Não são os cantores, os artistas, os desportistas, os políticos, se calhar nem sequer os religiosos e os consagrados (padres também) que devem ser nossos modelos.
Jesus Cristo é o EXEMPLO, o MODELO.
Jesus Cristo é TUDO…
Meu irmão de Março, procura descobrir a beleza do rosto e da mensagem de Jesus Cristo e a tua vida será iluminada e encontrará verdadeiro sentido...

P. Albano Nogueira


terça-feira, 24 de março de 2009

QUEM SOU EU?


Quem sou eu perante mim mesmo?
Quem sou eu perante os outros?
Quem sou eu perante Deus?
Quem sou eu em mim mesmo?

Nós temos muitas identidades na única identidade que nós somos. Somos uns para nós mesmos (temos uma imagem de nós mesmos); somos diferentes para os outros (eles têm outra imagem diferente daquela que nós temos de nós mesmos) e mais ainda diferentes para Deus a quem não enganamos, nem escondemos nada. Ele que conhece a nossa verdadeira e total identidade. Para mim posso pensar que sou um e ser diferente; para os outros posso parecer um e ser diferente; para Deus sou quem sou… Não há máscaras, não há mentiras, não há enganos…
A nossa identidade (o saber “quem sou eu?”) é muito importante quer nesta parte da nossa vida antes da morte, quer na parte da nossa vida depois da morte.
A nossa vida é uma só. Há só uma vida. Na dimensão corporal, terrena e na dimensão futura depois da morte. A minha identidade é a mesma. Sou o mesmo, mas sou diferente antes de morrer e depois de morrer. Mas é importante dizer: “sou o mesmo, mas estou diferente”. Aliás até neste mundo, sou o mesmo, mas estou diferente hoje do que era há dez, 20, 30 anos atrás. O mesmo poderei dizer daqui a 10, 20, 30 anos e depois da morte. Sou o mesmo, mas estou diferente.
O SER permanece, o ESTAR mudar.
Saber quem sou é muito importante. Quem me dá a minha identidade? Quem me diz quem sou? Serei eu mesmo, será a minha auto-consciência? Será a minha memória? Será o meu corpo biológico, as minhas células? Será aquilo que faço? Será aquilo que tenho? Será aquilo que conheço que me dá a minha identidade? Será o meu carácter e personalidade? Tudo isto é aceitável, mas incompleto, como uma verdade parcial.
Numa perspectiva antropológica cristã,
NÃO SOU EU QUE DOU A MINHA IDENTIDADE A MIM MESMO, porque não sou eu que dou a vida e o ser a mim mesmo.
A minha identidade é RECEBIDA em relação com os outros e com Aquele que é totalmente OUTRO porque radicalmente diferente dos outros humanos. Este OUTRO, eu chamo de Deus. O ser humano é um ser que se relaciona com o mundo, consigo mesmo, com os outros e se relaciona com Deus (aceitando, rejeitando, ignorando).
O bebé e a criança descobre-se a si mesmo e à sua identidade na sua relação com os outros e com o mundo à sua volta.
O ser humano é um ser Dado por Deus, criado por Deus (naturalmente servindo-se dos pais), chamado por Deus a relacionar-se com Ele.
A nossa identidade e a permanência da nossa identidade depende Daquele que nos dá a vida – Deus e depende dos outros como instrumentos de Deus.
Nós somos e existimos enquanto Deus nos der a vida e a existência e nos relacionamos com os outros.
Quaresma é tempo de pensar a sério
Quem sou eu?
Para que serve a minha vida?
Como estou a gastar a minha vida?
Qual o sentido da minha vida?
Qual o sentido da minha morte?
Que significa para mim viver?
Que significa para mim morrer?


P. Albano Nogueira

quinta-feira, 19 de março de 2009

EGOÍSMO E PECADO

albanosousanogueira@sapo.pt

O egoísmo (ego) é a origem de todos os males da sociedade. Origem de todos os pecados.
Egoísmo é outro nome de soberba, orgulho (mau, porque existe um orgulho bom), vaidade (exagerada, porque um pouco de vaidade e amor próprio é necessário).
Egoísmo é uma pessoa estar centrada em si. Fazer de si mesmo o centro do mundo e querer que os outros girem à sua volta.
Egoísmo é a pessoa pensar que está sempre certa, pensar que tem sempre razão, que nunca deve ceder e que os outros é que devem ceder.
O egoísta não faz o que Deus quer, mas o que ele quer.
O egoísta não ouve os outros, mas só se ouve a si mesmo.
O egoísta só pensa em si e não se preocupa com os outros: ou é indiferente, ou é contra os outros.
O egoísta não partilha, não ajuda, não se preocupa com os outros.
O egoísta quer o que é seu e até o que é dos outros.
O Egoísta só olha para os seus direitos e esquece os seus deveres. Porque só pensa em si, o egoísta busca o seu prazer, o que lhe agrada, o que lhe convém, sem ter em conta as necessidades e interesses dos outros.
O contrário do egoísmo, é o altruísmo (alter= outro), o fazer bem aos outros.
O egoísta peca porque não faz a vontade de Deus, mas apenas a sua; não é solidário com os outros, não ama os outros e, por isso, peca por falta de amor aos outros.
Uma pessoa egoísta desagrada a todos (e se calhar até desagrada a si mesmo).
Um egoísta desagrada a Deus porque Deus é comunhão e o egoísta é solidão;
O egoísta desagrada aos outros porque só pensa em si mesmo, nos seus direitos e não cumpre os seus deveres, não se pode contar com ele para nada.
Um egoísta é uma pessoa que, mais tarde ou mais cedo, até desagrada a si mesmo e é um infeliz porque fica sozinho, isolado.
Quaresma é tempo de sermos solidários com os outros, de fazermos bem aos outros, de escutarmos a voz de Deus e seguirmos os seus ensinamentos e os seus caminhos.
Quaresma é tempo de cada um se corrigir a si mesmo, ponde de parte esse egoísmo, esvaziar-se um pouco de si mesmo e preocupar-se mais com os outros.
A felicidade consiste mais em fazer feliz os outros, fazer bem aos outros do que procurar apenas a sua própria felicidade.
Quem se preocupa em ser feliz sozinho, não o será. Poderá ter algum prazer na vida, mas não terá a felicidade profunda que é bem diferente de ter prazer.
P. Albano Nogueira

terça-feira, 10 de março de 2009

RECONCILIAR-SE

Consulte o meu outro blog
albanosousanogueira@sapo.pt


Quaresma é tempo de cada um se reconciliar, pacificar, renovar, se comprometer com o Reino de Deus. Isso passa muito pelo sacramento da confissão, reconciliação ou penitência.
Confessamo-nos porque somos pecadores, como dizemos na confissão: “pequei muitas vezes por pensamentos, palavras, actos e omissões”.
Pecar é ofender a si mesmo, aos outros e a Deus.
A pessoa (homem e mulher) é um ser de relações. A sua identidade humana e cristã está no seu relacionamento com os outros e com Aquele que é Totalmente Outro (Deus) por ser totalmente diferente de nós.
A criança só se descobre a si mesma na medida em que se relaciona com a mãe, o pai, os irmãos, os outros, etc. Descobre o seu “EU” em contacto com os outros “EU”. Somos seres sociais que nos relacionamos uns com os outros.
O mesmo se diga em relação a Deus: o ser humano foi criado por Deus para se relacionar com Ele. Deus criou cada pessoa (por meio dos nossos pais), mas a vida é uma dádiva de Deus que ao criar-nos quer estabelecer laços de relação entre nós e Deus e a nossa identidade mais completa implica o relacionamento com Deus.
Estas relações comigo mesmo, com os outros e com Deus podem ser afectadas pelo pecado e eu deixo de ter uma relação harmoniosa e serena comigo, com os outros e com Deus e, pelo pecado, passo a ter uma relação de conflito ou até uma ruptura de relações.
Cada um devia progredir espiritualmente como quer progredir materialmente. Para haver progressão implica ascética, esforço, decisão, compromisso com o bem, luta contra o mal, propósito firme de emenda.
A nossa saúde espiritual é um pouco como a nossa saúde corporal: ou melhora ou piora. Quando vem uma doença, ou temos uma ferida, ou isso passa e melhoramos ou não passa e a doença agrava-se e pioramos.
O mesmo se diga na saúde espiritual. O pecado torna-nos doentes. A graça divina renova-nos. Se fazemos uma acção má, ou uma má palavra, ou um mau pensamento, se não melhoramos e cortamos com esse mal, o mal vai agravar-se e vamos passar a ter mais más palavras, maus pensamentos, más acções.
Por isso, é que não nos devíamos alegrar com a nossa mediocridade espiritual.
A Igreja apresenta sete pecados capitais: soberba, avareza (ganância), luxúria, ira, gula, inveja e preguiça.
1- Pecado da Soberba, orgulho, vaidade, considerar-se superior aos outros, não precisar deles, nem de Deus (máxima soberba)... Virtude da humildade…
2- Pecado da Avareza, ganância, egoísmo, nada partilhar com os outros, guerras entre famílias por heranças, guerras com vizinhos… Virtude da liberalidade, generosidade.
3- Pecado da Luxúria, abuso da sexualidade no namoro, no matrimónio, infidelidades, homossexualidade, aborto… Virtude da castidade, pureza…
4- Pecado da Ira, zangas permanentes, rivalidades, violências, guerras, vinganças, atentados à vida, homicídios, terrorismo… Virtude da paciência…
5- Pecado da Gula, abuso da comida, da bebida, dos bens materiais, das compras… Virtude da moderação, da temperança…
6- Pecado da Inveja. Rivalidade com os outros, sentir-se mal com o bem e o progresso dos outros, querer aquilo que é dos outros. Virtude da caridade, amor desinteressado aos outros.
7- Pecado da Preguiça. Não querer trabalhar, mediocridade de vida, indiferença. Virtude da diligência, do trabalho, do esforço pessoal.
Destes pecados capitais vêm todos os outros.

P. Albano Nogueira

sábado, 28 de fevereiro de 2009

QUARESMA, PECADO E CONFISSÃO

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A quaresma é um tempo especial para a Igreja Católica como caminho de preparação para a grande festa cristã católica- a Páscoa.
O centro de toda a fé cristã é a PÁSCOA: passagem da morte para a vida de Jesus Cristo. Libertação de todos os males humanos. É daí que vem toda a nossa fé, toda a nossa esperança e toda a nossa caridade.
A quaresma é um tempo de preparação interior de libertação e aperfeiçoamento cristão.
Os católicos são convidados a fazer um corte com tudo o que é mau: egoísmo, vícios, defeitos, falhas, pecados. Recorrendo ao sacramento da confissão (ou reconciliação ou penitência), fazendo um propósito firme de emenda para tentar mudar o rumo da sua vida e remediar (compensar) o mal que se fez, caso tenhamos prejudicado alguém.
O mais importante não é a abstinência de carne às sextas-feiras da quaresma (cortar com a carne), mas a conversão da alma e do coração, cortar com o pecado, com o que não presta, como se podam nas videiras os ramos que não deixam a árvore dar bom fruto. O sacramento da confissão pode ajudar a essa mudança de vida seguindo os critérios do Reino de Deus.
O problema é que hoje, muitos católicos já não sabem o que é pecado e para alguns nada é pecado, tudo é permitido, tudo é lícito, tudo se pode fazer… Perdeu-se a consciência do pecado.
O maior pecado da humanidade é ter perdido a noção de pecado.
Segundo o Novo Testamento, o pecado é uma falta de amor em quatro direcções:
1- Pecado é falta de amor a Deus. Não rezar, não praticar a religião. Faltar à missa ao sábado ou ao domingo. Não dialogar com Deus. Ignorar Deus. Viver como se Deus não existisse, sem a Sua influência na nossa vida.
2- Pecado é falta de amor aos outros. Palavrão que ofende os outros, indelicadezas, ingratidões, criticar, desobedecer, murmurar, mentir, magoar, insultar, roubar, prejudicar, explorar, abusar, infidelidades sexuais, destruir, vingar-se, odiar, matar.
3- Pecado é falta de amor a mim mesmo. Palavrão, abusar de comidas, bebidas, vícios e excessos que põem em risco a saúde e a vida nossa e a dos outros, abusar da sexualidade. Estragar, distorcer ou sujar a imagem e semelhança que eu devia ser de Deus e não sou.
4- Pecado é falta de amor à natureza. Poluição, atentados contra o ambiente, incendiar a natureza.
Não se trata de uma lista completa, mas apenas muitos exemplos.
PECAR É NÃO AMAR. Falo de AMOR de verdade. Hoje quando se fala em amor, muitos pensam logo em sexo.
Quando eu não amo a Deus, não amo os outros, não me amo a mim mesmo e não amo a natureza, estou a pecar.
Claro que o pecado tem graus, como uma ferida pode ser mais ou menos grave.
Pecado venial ou leve, pecado grave e pecado mortal.
Diz-se mortal porque corta (mata) a relação com Deus, com os outros, comigo mesmo e com a natureza.
Quem começa por pecar de forma venial, se não se corrigir, corre o risco de pecar de forma grave e até mortal. Uma ferida ou sara ou tende a agravar-se e degenerar em cancro e ser mortal. O mesmo se passa no campo da moral.
Quem começa com um palavrão ou se corrige, ou vai aumentar. O mesmo se diga de quem rouba, de quem mente, de quem engana, de quem abusa.
Meu irmão e minha irmã católicos, procuremos aproveitar este tempo favorável da quaresma. Aproximemo-nos de um sacerdote, reconciliemo-nos, confessemo-nos, façamos um propósito firme de emenda, remendemos o mal feito aos outros (compensando-os ou restituindo se for caso disso) e ficaremos aliviados de tanto lixo que carregamos dentro de nós, que nos intoxica e não nos deixa ter alegria, nem ser felizes. Não nos deixa sermos imagens da beleza, da bondade e da santidade de Deus.


P. Albano Sousa Nogueira

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

OLHAR A QUARESMA POR DENTRO

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A sociedade de hoje e muitos cristãos católicos não conseguem ver por dentro as orientações da Igreja Católica e só conseguem ver por fora certos ensinamentos e práticas religiosas porque vivemos numa sociedade muito superficial e banal.
É uma visão e um entendimento muito pobre de quem não consegue passar do exterior, do visível, para o interior das coisas e das pessoas.
“É por dentro que as coisas e as pessoas são o que são”.
Esta introdução vem a propósito do tempo litúrgico da quaresma que se inicia nesta quarta feira de cinzas: “lembra-te Homem que és pó da terra e ao pó da terra hás-de voltar…”.
As cinzas são um símbolo visível que apontam para outra realidade mais profunda: o Homem é caduco, passageiro, mortal. Não é Deus, não é imortal, não poder de dizer tudo, não pode fazer tudo, não pode experimentar tudo. Há coisas que pode, mas não deve fazer...
Há limites porque o ser humano é limitado.
Hoje muita gente não admite limites ao ser humano, pensa que tudo se pode experimentar, tudo se pode fazer, tudo se pode pensar… Muita gente admite que o Homem é como Deus, todo-poderoso, que tem direito a fazer todas as leis que quiser, seguir todos os comportamentos que quiser, a experimentar tudo o que quiser, sem limites. Muitos dizem: Não há limites. Tudo é permitido, vale tudo… Todos os meios servem para se atingirem os fins…
Quem falar em limites do ser humano, é criticado, mal interpretado, rejeitado, rotulado de antiquado, conservador, ultrapassado, retrógrado, etc… (veja-se agora a lei que querem fazer permitindo o casamento entre pessoas do mesmo sexo...).
Esta ideia de não haver limites ao ser humano tem trazido muitas desgraças para a humanidade.
As cinzas são um símbolo de que o homem é mortal e apontam para Alguém que é Imortal, Infinito, Eterno – Deus.
Quarta-feira de cinzas. Dia de jejum e abstinência. Jejum consiste em tomar uma refeição principal e na outra tomar algo de muito ligeiro. A abstinência na tradição da Igreja consiste em não comer carne na quarta-feira de cinzas e nas sextas-feiras da quaresma. O jejum e a abstinência são um símbolo visível que aponta para outra realidade invisível: domínio de si mesmo, domínio dos apetites, dos desejos, domínio das tentações, domínio de excessos e vícios…
A saúde começa na boca...
A minha opinião é que os católicos devem conservar esta tradição de não comer carne na quarta-feira de cinzas e nas sextas-feiras da quaresma, embora haja outras formas de se fazer abstinência.
Uma pessoa, nas sextas-feiras da quaresma, pode, por exemplo, não beber bebidas alcoólicas, não fumar, reduzir o tempo dado à TV, não tomar café, diminuir uso e dependência do telemóvel, ler bons livros, ler a Bíblia, rezar mais, visitar doentes, idosos, fazer voluntariado, etc.
Outras pessoas podem abster-se do palavrão, da crítica, da murmuração, da mentira, das injustiças, de outros pecados.
Não se trata apenas de não comer carne, mas de dominar o mal que há em nós…
O que se trata é de DOMINAR-SE, não ser escravo da boca, da barriga, dos apetites, dos desejos, das coisas que usamos no dia-a-dia. A razão de ser destas práticas penitenciais da quaresma pretendem levar a pessoa a dominar-se, a controlar-se, a não ser escravo da boca, nem da barriga, das coisas, mas ser senhor das coisas…
Cortar o mal, como se podam as videiras e deixar ficar apenas o bem em nós.
Estas práticas pretendem ajudar os católicos a fazerem um esforço de se dominarem, de se aperfeiçoarem, de serem mais livres, de serem mais perfeitos, mais santos, para chegarem ao dia de Páscoa (passagem) tendo feito esta passagem do mal para o bem.

Pe. Albano Nogueira

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

A IGREJA CATÓLICA E O CASAMENTO ENTRE HOMOSEXUAIS

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Começou a discussão acerca do casamento dos homosexuais. Aparecem os que estão a favor e os que estão contra.
A posição da Igreja Católica é clara (contra), como é clara a posição em relação ao aborto (contra).
A posição da Igreja Católica é a favor da pessoa humana e defende a pessoa humana como imagem e semelhança de Deus. Uma imagem digna, bela, elevada, justa, harmoniosa. Por isso, defende a vida contra o aborto (violência e morte de uma vida humana) e defende o casamento entre um homem e uma mulher.
A Igreja vai buscar o fundamento para as suas posições em dois lugares, ambos vindos de Deus que é a base, o alicerce, o fundamento de tudo o que ensina. Esses dois lugares são a lei natural e a lei revelada (Bíblia e tradição).
Por aquilo que é a Lei Natural e a Lei revelada (cuja origem os cristãos reconhecem como ambas vindas de Deus) a posição da Igreja só podia ser contra o casamento entre homosexuais.
1- A Lei Natural, para a Igreja Católica é de origem divina está gravada intimamente nos seres (como que no código genético). Deus é o Supremo Legislador e ao criar os seres fez com que os seres vivos precisem do masculino e do feminino para se atraírem, seduzirem, se apaixonarem, se completarem e se reproduzirem. Até no magnetismo (íman) há a atracção entre o positivo e o negativo. Pólos iguais repelem-se. A atracção é entre os diferentes.
A Lei Natural diz que é o masculino que atrai o feminino, isto é, são os diferentes que se atraem tanto no magnetismo (positivo e negativo), como nas plantas (androceu e gineceu), como nos animais (macho e fêmea), como nos humanos (homem e mulher).
Por isso, a lei que poderá permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo está a violentar e a violar a Lei Natural que o ser humano não deveria alterar, mas deveria respeitar. Esta lei que a existir, vai legalizar a atracção sexual entre os iguais do mesmo sexo, vai contra a natureza das coisas, é contra a natureza.
São os opostos, os contrários, os diferentes, que, segundo a lei natural, se atraem, se seduzem, se apaixonam, se completam e permitem a procriação.
Dois homens não se completam, não procriam; duas mulheres também não.
Quando o ser humano quer contrariar a lei natural está a exercer uma violência: veja-se, por exemplo a lei natural da gravidade e a violência que se tem de fazer para que um corpo não caia, mas suba, contrariando a lei da gravidade. Precisa de um motor violento, como os foguetes, os foguetões, os aviões e similares…
O mesmo se dá aqui: fazer e aceitar a lei que permite o casamento entre os homosexuais é contrariar a lei da natureza e significa exercer uma certa violência, tal como a lei do aborto implica uma violência contra a vida de um ser humano indefeso…
A violência que o humano exerce (qualquer que seja o contexto) é o contrário da lei divina que é doçura e amor e é a revelação de que o homem se está a deixar dominar pela animalidade que há em si e que o rebaixa e degrada em vez de o elevar e dignificar…
Esta é outra questão: a Igreja Católica prega e aponta o caminho que eleva a pessoa humana como imagem e semelhança de Deus; a sociedade segue e aponta, tantas vezes, caminhos inversos que rebaixam e degradam a pessoa humana.
2- A revelação divina é o segundo lugar onde a Igreja Católica vai buscar o fundamento para as suas posições: Bíblia e tradição. Ora tanto a Bíblia, como a Tradição dizem abertamente que o casamento é entre um homem e uma mulher. A atracção, a sedução e o envolvimento sexual dos iguais é condenada sem qualquer margem para dúvida.
O homem pode fazer muitas coisas, mas não deve, nem tudo lhe convém… Aqui entra a ética, a moral. Uma sociedade sem Deus é uma sociedade sem ética, sem moral. É a lei da selva, a lei do mais forte: vale tudo…
Quando se rejeita a base, o fundamento, o alicerce sólido que é Deus e a revelação divina na Lei Natural e na Bíblia, os alicerces seguros da sociedade são destruídos e depressa a casa vem abaixo: é o que estamos a assistir na derrocada da nossa sociedade sem Deus, sem ética, sem moral, sem valores.
Porque se não se respeita esta e outras leis naturais, tudo se torna relativo, tudo se torna permitido e não há moral, nem ética para se respeitar a verdade, a justiça, os bens dos outros, o bom nome dos outros, etc.
Se se viola esta lei natural, perde-se a razão para defender outras leis naturais e por isso, é que a sociedade é cada vez mais uma selva em que os homens são lobos para os outros homens porque não se respeitam nem sequer as leis naturais…
O Homem destrona Deus fazendo leis contrárias à Lei Natural e coloca-se ele mesmo no lugar de Deus dizendo o que está bem e o que está mal. Deus não conta, só conta o Homem. O problema é que o Homem com Deus diviniza-se, eleva-se, engrandece-se. O Homem sem Deus, rebaixa-se, degrada-se, animaliza-se, bestializa-se…
P. Albano Nogueira

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

SE NÃO QUISER ADOECER

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A ARTE DE NÃO ADOECER

1. Se não quiser adoecer… FALE DE SEUS SENTIMENTOS
Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna. Com o tempo a repressão dos sentimentos degenera até em câncer.
Então vamos desabafar, confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos “segredos”, nossos erros... mas com a(s) pessoa(s) certa(s)… O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia!

2. Se não quiser adoecer… TOME DECISÕES
A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia. A indecisão acumula problemas, preocupações, agressões. A história humana é feita de decisões.
Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder vantagem e valores para ganhar outros. As pessoas indecisas são vítimas de doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.

3. Se não quiser adoecer… BUSQUE SOLUÇÕES
Pessoas negativas não encontram soluções e aumentam os problemas. Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo. Melhor é acender o fósforo que lamentar a escuridão.
Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce existe. Somos o que pensamos. O pensamento negativo gera energia negativa que se transforma em doença.

4. Se não quiser adoecer… NÃO VIVA DE APARÊNCIAS
Quem esconde a realidade finge, faz pose, quer sempre dar a impressão que está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho etc., está acumulando toneladas de peso... uma estátua de bronze, mas com pés de barro.
Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas. São pessoas com muito verniz e pouca raiz. Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.

5. Se não quiser adoecer… ACEITE-SE… GOSTE DE SI MESMO (A)
A rejeição de si próprio, a ausência de auto-estima, faz com que sejamos algozes de nós mesmos. Ser eu mesmo é o núcleo de uma vida saudável.Os que não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos, destruidores. Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é sabedoria, bom senso e terapia.

6. Se não quiser adoecer… CONFIE
Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se relaciona, não cria ligações profundas, não sabe fazer amizades verdadeiras.
Sem confiança, não há relacionamento. A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em Deus.

7. Se não quiser adoecer… NÃO VIVA TRISTE… SORRIA
O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida longa. A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive. "O bom humor nos salva das mãos do doutor". Alegria é saúde e terapia!

P. Albano Nogueira

sábado, 7 de fevereiro de 2009

VALE A PENA CONFIAR EM DEUS?














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Cristiane disse:

É verdade Elisa. É muito difícil. Eu, no meu problema, estou me sentindo envergonhada por confiar em Deus e estar sofrendo tanto agora. Pensei que quem confiasse não passaria por estes tipos de sofrimentos. Parece tão fácil entregar tudo a Deus e deixar que Ele cuide. Mas não foi verdade, senão estaria tudo perfeito. Não sei o que pensar de tudo isso, é tão contraditório...”.

Cristiane, eu compreendo a tua posição. Quem sofre pode ficar um pouco desiludido(a) por rezar, confiar em Deus, pedir ajuda e solução para o seu problema e não ver solução, não ver melhorias.
Vou falar em geral porque não sei qual o problema da Cristiane, nem o da Elisa, pois só falaram em abstracto.

1- Uma regra de vida para todos: “faz as coisas como se tudo dependesse de ti e, depois, confia como se tudo dependesse de Deus”.

Não esperes que a solução caia do Céu. Procura tu a solução dos problemas. Não sejas passivo(a). Não te limites a rezar... Sê activo(a).

2- Por vezes, o mal acontece-nos porque nós (ou os outros) temos a culpa, a responsabilidade quando tomamos opções pouco correctas.
E, neste caso, a culpa não é de Deus, mas nossa. Por isso, também temos de ser responsáveis por encontrar a solução para os problemas que nós ou os outros criaram. Não esperar que seja Deus e resolver os nossos problemas. O que nós pudermos fazer, Deus não o fará.

3- Os fracassos da vida e até as doenças são, muitas vezes, da nossa responsabilidade. Não devemos culpar Deus de absolutamente nada. Deus é puro AMOR, não tem culpa de nada.

4- Nem tudo o que nos parece mal num determinado momento é, de facto, um mal no conjunto da nossa vida. E nem tudo o que nos parece ser um bem num determinado momento, é um bem no conjunto da nossa vida… Por isso, não devemos ficar tão desanimados com o mal que nos acontece. Tudo passa. Há certos males que purificam a pessoa, amadurecem-na, levam-na a ter mais energia, a lutar mais, a ser mais activa e a encontrar uma energia interior que a leva a um crescimento que não aconteceria se tudo corresse bem…

Até do mal podemos tirar o bem, aprender, crescer, amadurecer…

5- Por vezes, temos de PURIFICAR A NOSSA IDEIA DE DEUS. O problema não está em Deus, mas na ideia que temos de Deus. Quantas vezes a ideia que temos de Deus é errada, é a ideia de um ídolo e não do Deus verdadeiro revelado por Jesus Cristo. Então temos de purificar a nossa ideia de Deus, lendo, conhecendo, sabendo mais, rezando...

Deus não existe para resolver TODOS os nossos problemas. Deu-nos sabedoria, inteligência, força, poder para nós os resolvermos. Somos e responsáveis...

A fé em Deus não resolve os nossos problemas. Eu direi até que quem quiser levar a sério a sua fé no Deus de Jesus Cristo, tem muitos mais problemas, do que quem não tem essa fé...

A fé em Deus não resolve problemas, a fé em Deus traz ainda mais problemas... Os problemas de quem quer seguir o Deus do Evangelho e de Jesus Cristo, aumentam… Porque Deus é exigente, é radical, não se contenta com meias palavras, meio termos, meias medidas. Aponta a perfeição, a plenitude, a santidade e nós sabemos que para alcançarmos a plenitude, a perfeição e a santidade humana temos de lutar muito, cortar com muita coisa, vencer muitos vícios e defeitos em nós. Significa fazer da vida uma luta contínua contra os meus defeitos, vícios e pecados e isso não resolve os nosso problemas, pelo contrário, se quisermos seguir a Deus 100% aumentam mais os nossos problemas...
Veja-se os atletas de 1º lugar o que eles têm de sofrer…

6- Deus também não impediu que seu filho morresse na cruz injustamente. Não resolveu os seus problemas... Jesus curou algumas pessoas, sarou, fez milagres, mas não veio ao mundo para resolver os nossos problemas. Os milagres de Jesus eram "sinais" do poder de Deus, sinais do amor de Deus e do Seu Reino, convites para acreditar, convites à fé. Jesus não fez milagres para nos desresponsabilizar, nos tornar passivos e esperar que Deus resolva todos os nossos problemas. Esse não é o Deus da Bíblia. Essa é a ideia de um ídolo, um deus criado por nós.

7- Jesus não veio resolver todos os males da humanidade. Ele próprio foi um inocente morto na cruz, vítima do mal, do ódio, da inveja, da vingança.

QUE FEZ JESUS?

Jesus fez-se solidário connosco: nasceu como nós, chorou, cansou-se, teve fome, frio, sede, sofreu muito mais que nós (na paixão e morte) para dizer que o sofrimento pode ter sentido, pode ter o seu valor, o seu significado. Veio combater o mal e o sofrimento curando, sarando, perdoando, ajudando, aliviando. Veio ser solidário connosco.

8- Penso que a nossa atitude deve ser igual à de Jesus: lutar contra o mal, fazer o bem, fazer as melhores escolhas não apenas para nós, mas para todos, escolher o bem comum e se algo correu mal, recomeçar, não cruzar os braços, resistir, não desanimar, não desesperar, ser solidário e ajudar os que sofrem com a nossa presença e a nossa amizade.
E continuar a confiar em Deus rezando como Jesus: “Pai, se for possível, afasta de mim este cálice, mas não se faça como eu quero, mas como Tu queres…”.

9- Aquilo que eu puder mudar para melhorar a minha vida, eu devo fazer tudo para mudar. O que eu não puder mudar (se é uma doença incurável, por exemplo), devo aceitar, recorrer à ajuda da medicina e entregar-me nas mãos de Deus como Sua criatura.

DEUS AMA-ME COMO O MELHOR DOS PAIS E A MELHOR DAS MÃES.
Deus ama-me e quer o melhor para mi. Isso nunca eu deveria duvidar, ainda que eu sofra e tenha problemas ao longo da vida.
Deus não existe para resolver os nossos problemas, embora nos possa ajudar e ajuda dando-nos sabedoria, inteligência, poder, força, meios para melhorar a nossa vida confiando em nós e nos outros e também confiando em Deus.
Deus está sempre presente na nossa vida, vê-nos, conhece-nos, ama-nos, mas não interfere tanto na nossa vida como nós gostaríamos e temos de aceitar a vontade de Deus. Não é Deus que tem de aceitar a nossa vontade... É ao contrário: eu é que tenho de aceitar o querer de Deus.
Que Deus te abençoe, meu irmão de Fevereiro

P. Albano Nogueira



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

FALAR DE DEUS HOJE



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Falar do mistério de Deus é dizer sempre imperfeições porque quando nós compreendêssemos Deus, Deus deixaria de ser Deus.
A inteligência humana é limitada e o seu falar de Deus pode ser comparado ao falar da criança que poucas palavras sabe dizer.
Nós aplicamos a Deus categorias e conceitos humanos porque são os que temos, mas Deus ultrapassa todos esses conceitos e categorias.
Deus existe, mas não existe como nós. O seu existir é necessário, o nosso é contingente (existimos, mas podíamos não existir). Deus é a Vida, mas não é vida como nós. Deus é vida necessariamente, nós temos vida, mas podemos deixar de ter (pelo menos a vida biológica); Deus é Amor, mas não ama como nós. O seu Amor é infinito, gratuito, universal, o nosso amor é muito limitado; Deus é bom, mas não é bom como nós. Deus é a própria bondade, nós somos umas vezes bons, outras vezes maus. Deus é todo-poderoso, mas não do jeito que nós entendemos este conceito.
Se dissermos que alguém é todo-poderoso, imaginamos alguém prepotente, autoritário, ditador, vingativo, que subjuga e domina os outros, com poder absoluto. Deus é todo-poderoso mas não desta maneira. O seu poder é o poder do Amor que pede correspondência do amor humano, mas não impõe o seu amor, nem obriga a amá-lo, como fazem os senhores deste mundo.
O Deus todo-poderoso tornou-se todo fraqueza na pessoa do Seu Filho que encarnou, se fez criança frágil (sem poder), se deixou matar na cruz (sem poder e humilhado). Este é o Deus todo-poderoso em quem eu creio: o Deus encarnado em Jesus Cristo.
Deus é um mistério muito grande que se revela e se esconde. E revela-se sobretudo na fé, na confiança e no amor de quem acredita.
1- Deus revelou o Seu poder na Criação quando deu origem a todo o universo que depois foi evoluindo e se transformou.
2- Deus revelou o seu poder na Encarnação do Verbo no seio da Virgem Maria, fez-se homem sem o concurso de um varão. Encarnou por obra do poder de Deus que fez gerar Jesus no seio da Maria Virgem.
Jesus Cristo revelou o poder de Deus não impondo-se, mas amando e perdoando.
3- Deus revela o Seu poder na Redenção em que o ser humano é reconciliado, recriado e renovado pela morte e ressurreição de Jesus Cristo e pode ser o Homem Novo, fiel à graça e ao amor de Deus.
A ressurreição de Jesus revela o poder de Deus, mas apenas para quem acredita, pois para quem não acredita, não se pode provar nada.
Se Deus se pudesse provar, a pessoa humana tinha que aceitar Deus necessariamente, deixava de ter liberdade para dizer SIM e dizer NÃO, deixava de ter mérito. Ao ter liberdade (porque Deus apesar de ser todo-poderoso não se impõe), a pessoa também fica com a responsabilidade da sua opção em acreditar ou não acreditar.
Se acreditar em Deus e viver de acordo com a sua fé, pode ganhar tudo.
Se não acreditar em Deus e fizer o mal, pode perder tudo…

P. Albano Nogueira

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

DEUS PODE TUDO?



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Um dos artigos do credo diz que Deus é Todo-Poderoso.
Mas será que Deus pode mesmo tudo?
Há coisas contraditórias que Deus não pode fazer: Deus não pode fazer um círculo quadrado…
Deus não altera as condições atmosféricas e as leis da natureza… (A não ser por milagre…).
Deus age como Deus e não pode agir de outra maneira. Deus não pode fazer o mal. Deus também não quer ir contra a liberdade humana que é uma característica do ser homem e que Deus respeita até às últimas consequências…
Deus é Todo-Poderoso, mas renunciou ao seu poder, para permitir aos humanos existirem de modo verdadeiramente livres. Para serem livres, Deus como que teve de renunciar ao seu poder… Deus não se impõe aos humanos de forma evidente para os levar a aceitarem a Sua existência e nada impõe, apenas propõe e os humanos até têm a liberdade de dizer que “Deus não existe…”.
O todo poder de Deus tem de ser entendido naquilo que o Amor pode fazer.
Deus só pode aquilo que o AMOR pode. Deus ama, mas não obriga os humanos a amá-l’O.
Nós não somos só amor. Em nós também há ódio, maldade.
Às vezes pergunta-se: “Porque é que Deus permite que uma pessoa faça tanto mal no mundo (um grande criminoso) e não tira a vida a essa pessoa?”
Deus não o faz porque respeita a liberdade humana totalmente. Se Deus agisse como nós gostaríamos, Deus deixaria de ser Deus e seria como nós O imaginamos… Um ídolo. Deus é Deus porque age de forma diferente de nós, diferente do nosso jeito de pensar e diferente das nossas conveniências!
O mal não vem de Deus, mas dos humanos que usam mal a sua liberdade e Deus respeita absolutamente o Homem livre, pois sendo livre, a pessoa também é responsável perante a justiça humana e um dia perante a justiça divina…
Deus faz silêncio, cala-se (embora fale pela boca dos humanos que denunciam toda a espécie de mal), para um dia, no além, poder falar e revelar-se plenamente aos humanos.

P. Albano Nogueira

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

PEDI E RECEBEREIS



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Alguém me interpelou:


"Está escrito na Bíblia que Deus disse: "pedi e recebereis...".


Neste contexto, eu então pergunto: como ficaremos quando perante o sofrimento, pedimos a Deus alívio para os nossos males e as nossas orações não são ouvidas?".


As palavras de Jesus "pedi e recebereis" são um convite à confiança na bondade e no amor de Deus. Jesus não diz que vamos receber tudo e quando nós quisermos nem como nós quisermos.


Deus sempre nos ouve, talvez não responda como nós desejaríamos.


Há certas situações tão dolorosas em nós e nos outros que nesses momentos não adianta falar muito. Adianta estarmos unidos e presentes a quem sofre. Estar prontos para aliviar o sofrimento se pudermos. Dizer ao outro que pode contar connosco.


Recorrer aos médicos para ajudar no sofrimento e quando não houver mais nada a fazer da nossa parte, abandonar-se ao amor e bondade de Deus sem se revoltar porque isso nada resolve.


Fazer do sofrimento uma oração e entregar-se nas mãos de Deus dizendo: "Senhor, eu não entendo o porquê deste sofrimento, mas quero ficar em paz. Aceito o que me está a acontecer e em que eu nada posso fazer. Dá-me, Senhor a Tua paz, a Tua confiança e a aceitação serena deste sofrimento".


Nós às vezes pedimos coisas que pensamos serem boas para nós; mas Deus na Sua Sabedoria conhecedora de tudo (passado, presente e futuro), sabe que isso até pode ser mau para nós.


Veja-se este exemplo: uma criança brinca com uma faca ou com uma garrafa de lixívia. O pai e a mãe sabem que essas coisas são um perigo para a criança. A criança pensa que isso é bom para ela e chora e grita se o pai ou a mãe lhe tira a faca ou garrafa de lixívia porque não entende mais. Mas o pai e mãe entendem, e por isso, lhe tiram esses objectos. O que a criança pensava ser bom para si mesma, os pais sabiam que era um mal.


Passando para outra realidade assim acontece entre Deus e nós. O que para nós é um bem e nós pedimos a Deus, pode ser um mal no ponto de vista do Amor de Deus e o que é mau para nós, pode ser um bem no ponto de vista de Deus.


Outro exemplo: às vezes vejo um jogador de futebol benzer-se e rezar antes de entrar em jogo. Ele está a pedir: "Senhor Deus, ajuda-me a vencer este jogo". Mas se Deus o ajudar está ser mau, injusto. Porque está a tomar partido por uma equipa contra a outra equipa e todos são filhos de Deus. Como um bom pai e uma boa mãe não devem tomar partido por um filho contra o outro.


Por isso, rezar e pedir, neste e noutros casos, é em vão pois Deus seria injusto de ajudasse um jogador (seu filho) contra outro jogador (também seu filho) ou uma equipa contra a outra.


O mais importante é purificar o nosso conceito sobre Deus e entender que DEUS QUER SEMPRE O MELHOR PARA NÓS. SABER QUE DEUS NOS AMA SEMPRE COMO O MELHOR DOS PAIS E A MELHOR DAS MÃES. NUNCA DUVIDAR DO AMOR DE DEUS POR NÓS.


Sabendo isto, eu devo ficar em paz, mesmo que me aconteçam contrariedades, desgraças, sofrimentos e confiar sempre em Deus.


Fazer tudo o que depende de mim e dos outros, e confiar em Deus que fará o resto, segundo a sua vontade e os seus desígnios de Amor de Pai.


P.Albano Sousa Nogueira

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

SABER OLHAR PARA DENTRO DE SI MESMO










"- Porque é que estão todos felizes, menos eu?
- Porque aprenderam a ver a bondade e a beleza em todo o lado, respondeu o mestre.
- E porque é que eu não consigo ver a bondade e a beleza em todo o lado?
- Porque não podes ver fora de ti o que não vês dentro de ti".

(Antony de Mello)


Este diálogo entre discípulo e mestre diz-nos uma grande verdade: o nosso olhar sobre as coisas e os outros depende da forma como olhamos para nós.
Muitas vezes não damos valor ao que somos, ao que fazemos, ao que temos; desprezamo-nos, desvalorizamo-nos e não damos o justo valor a nós mesmos; não nos amamos de forma correcta.
Deus ama-nos tal como somos, mas nós não...
Jesus ensinou a amar os outros como a si mesmos. Quando nos amarmos de forma justa e equilibrada e nos valorizarmos a nós mesmos, na mesma medida vamos valorizar os outros e viver mais em paz com eles.
As guerras que fazemos com os outros, são, muitas vezes, sinal do mal estar que se dá dentro de nós mesmos.
Quem estiver em paz consigo mesmo, com o que tem, com o que faz, com o que é, com o seu ambiente, com as circunstâncias que o rodeiam, mais facilmente ficará em paz com os outros.
Por isso, em vez de pedirmos e exigirmos que os outros mudem, cada devia COMEÇAR POR SI MESMO A MUDAR.
Quase sempre nos queixamos dos outros. mas se quisermos a paz, temos de começar por mudar nós mesmos, evitar as pequenas e as grandes guerras sem esperar que os outros mudem.


EM VEZ DE CORTAR OS ESPINHOS QUE HÁ NOS OUTROS, O MELHOR É CALÇAR SAPATOS E LUVAS para que esses espinhos não magoem.

Eu mudo se calçar sapatos e luvas, em vez de querer mudar os outros, cortando os seus espinhos.
E se eu já mudei e me protegi com luvas e sapatos, os espinhos dos outros já não me magoam.
Assim eles não mudaram. Continuam com os espinhos. Mudei eu usando luvas e sapatos e a paz existe entre todos...


P. Albano Nogueira