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quarta-feira, 3 de junho de 2009

O SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

http://operfumededeus.blogspot.com

Liturgia

A liturgia é o culto público, quer dizer, os actos sagrados que por instituição de Cristo ou da Igreja, em seu nome, são realizados seguindo os livros litúrgicos oficiais.
Reflectem de modo autêntico o sentir e a fé da Igreja.
Quando o magistério propõe aos fiéis como devem render culto a Deus, tem uma particular assistência do Espírito Santo para não equivocar-se e oferecer um caminho certo e seguro de santificação, já que se trata da mais importante finalidade da Igreja.

Onde principalmente se ensina aos fiéis a doutrina e a vida cristã, é na Missa ou também chamada de Eucaristia.
Pois, bem, o culto público ao Sagrado Coração, foi canonizado em 1765 por Clemente XIII, ao introduzir sua festa litúrgica, com Missa e ofícios próprios.

Este ensinamento, mediante a liturgia, é dado pela Igreja com frases suas ou com frases tomadas da Escritura (quer em seu sentido próprio, quer em seu sentido ajustado). Nas recentes modificações introduzidas com novas leituras e o evangelho na nova missa do Sagrado Coração , o tema bíblico dominante é o do amor a Cristo que se apresenta como Bom Pastor.

A importância que a Igreja concede actualmente ao Sagrado Coração, esta sublinhada pela categoria de sua festa, solenidade de primeira classe, das quais há somente 14 ao ano no calendário universal.

Além disso, a festa de Cristo Rei, também solenidade de primeira classe, esta estreitamente unida à espiritualidade do Sagrado Coração. Pio XI declarou ao instituí-la que precisamente a Cristo é reconhecido como Rei, por famílias, cidades e nações, mediante a consagração a seu Coração. E determinou que em tal festa fosse renovado todos os anos a consagração do mundo ao Coração de Cristo.

Toda esta atitude litúrgica da Igreja tem a finalidade de estimular nossa prática cristã pondo especial interesse em celebrar sua festa: comungando, assimilando seus ensinamentos, utilizando as orações litúrgicas, a consagração, etc.

PROMESSAS

Principais promessas feitas pelo Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida de Alacoque:

1- Às almas consagradas a meu Coração, lhes darei as graças necessárias para seu estado.

2- Darei paz às famílias.
3- As consolarei em todas suas aflições.
4- Serei seu amparo e refúgio seguro durante a vida, e principalmente na hora da morte.
5- Derramarei bênçãos abundantes sobre seus projectos.
6- Os pecadores encontrarão em meu Coração a fonte e o oceano infinito de misericórdia.
7- As almas tíbias se tornarão fervorosas.
8- As almas fervorosas serão rapidamente elevadas a grande perfeição.
9- Abençoarei as casas em que a imagem de meu Sagrado Coração estiver exposta e for honrada.
10- Darei aos sacerdotes a graça de mover os corações empedernidos.
11- As pessoas que propagarem esta devoção, terão escrito seu nome em meu Coração e jamais será apagado dele.
12- A todos os que comungarem nove primeiras Sextas-feiras do mês contínuos, o amor omnipotente de meu Coração lhes concederá a graça da perseverança final.

Quando um católico descobrir e saborear o quanto é amado por Deus Pai, por Deus Filho (Jesus Cristo) e por Deus Espírito Santo, a sua vida espiritual e religiosa mudará muito para melhor e saberá aceitar muitas contrariedades da vida como as doenças, as desgraças, o sofrimento e até a morte, pois, se Deus me ama infinitamente, nada de mal me pode acontecer... Tudo o que me acontece, se eu souber ver, entender, aceitar, tudo pode concorrer para a minha salvação efelicidade neste mundo e depois da morte.


Catolicanet

quarta-feira, 27 de maio de 2009

AO ESPÍRITO SANTO

albanosousanogueira@sapo.pt
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Vem, criador Espírito de Deus,
Visita o coração dos teus fiéis
E com a graça do alto os purifica.

Paráclito do Pai, Consolador,
Sê para nós a fonte de água viva,
O fogo do amor e a unção celeste.

Nos sete dons que descem sobre o mundo,
Nas línguas que proclamam o evangelho,
Realiza a promessa de Deus Pai.

Ilumina, Senhor, a nossa mente,
Acende em nós a Tua caridade
Infunde em nosso peito a fortaleza.

Livra-nos das ciladas do inimigo,
Dá-nos a Tua paz, e evitaremos
Perigos e incertezas no caminho.

Dá-nos a Conhecer o amor do Pai,
E o coração de Cristo nos revela,
Espírito de ambos procedente.

Louvemos a Deus Pai e a Seu Filho,
Dêmos glória ao Espírito Paráclito
Agora e pelos séculos sem fim. Amen.

(Hino da Liturgia das horas)

sexta-feira, 22 de maio de 2009

DIMENSÕES DO ESPÍRITO SANTO


albanosousanogueira@sapo.pt

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O E.Santo é Aquele que age em nós, na Igreja e nos conduz a Deus. Vejamos a acção do E.Santo na nossa vida:
1- Santificador - Na vida cristã nada é santo sem a acção do E.Santo. Sem Ele nada é divino, sobrenatural, evangélico.
Jesus é chamado Santo porque é gerado pela acção do E.Santo. Maria é Santa porque é habitada plenamente pela graça divina, obra do E.Santo.
A nossa santificação, o nosso crescimento em santidade e virtude é trabalho, é obra do E.Santo em nós. É Ele quem nos faz crescer na perfeição, que nos vai fazendo ser parecidos com Jesus, que vai gerando Cristo em nós, cristificando-nos, ou ainda, divinizando-nos.
2- Purificador - Um dos símbolos dos E.Santo é o fogo do Pentecostes. Como sabemos o fogo purifica. Ora o cristão é um doente que precisa de ser curado. Em nós há trevas, pecado, marcas do pecado original e do pecado pessoal: orgulho, vaidade, amor próprio desordenado, ódio, impureza, soberba, avareza, sensualidade, etc.
O Espírito pode curar-nos, sarar-nos, purificar-nos, lavar-nos de todo o mal. A acção do E.Santo dentro de nós vai-nos lavando, libertando, tornando-nos, limpos, purificados.
O pecado escraviza, acorrenta e corrompe. O E.Santo pode fazer de nós pessoas novas, restauradas, com alma, coração, vida, purificados.
Mas o E. Santo só trabalha em nós se nós deixarmos, se quisermos, se nós colaborarmos. Se nós não colaborarmos e não quisermos o E.Santo nada faz. A liberdade do homem tem de colaborar com a iniciativa de Deus porque Deus não força a nossa liberdade. Ninguém progride na vida espiritual se não colaborar com a acção do E.Santo. O coração humano é como uma porta que só se abre por dentro...
Se formos como a argila, o barro, o papel, Deus trabalha-nos, molda-nos. Se formos como uma pedra, será muito difícil Deus trabalhar-nos.
3- Mestre de Oração - É o E.Santo que em nós reza. É Ele que nos faz chamar Pai. É Ele que nos dá o gosto pela oração, a alegria pela contemplação e meditação das verdades da fé. É Ele quem nos ensina a rezar e nos faz conhecer mais e melhor os mistérios divinos.
4- Hóspede divino - O E. Santo habita o cristão baptizado. Cada cristão é um consagrado porque o Espírito o ungiu, daí a necessidade de fazer uma liturgia interior, isto é, fazer do nosso ser, um santuário onde Deus habita e aí louvá-l' O, bendizê-l' O, adorá-l' O. Daí o respeito pelo nosso corpo e pelo corpo dos outros. Deus tem de ser não apenas hóspede, convidado, mas o dono da casa.
Para tal, temos de nos deixar conduzir pelo E.Santo. Deixá-lo agir, actuar, mandar em nós para podermos proclamar os louvores de Deus.
Deus mora em mim, mora nos outros, daqui o respeito sagrado que devemos ter por cada pessoa vendo nelas a presença de Deus.

5- Compreender a Palavra - Jesus disse aos Apóstolos que quando viesse o E.Santo os faria compreender os seus ensinamentos.
Por isso, ainda hoje, é o mesmo Espírito quem nos faz compreender a Palavra e os ensinamentos de Jesus.
Foi Ele quem inspirou os escritores sagrados a escrever a Bíblia e nos ajuda agora a perceber a Sagrada Escritura e a saborear as coisas divinas.
Sem o E.Santo, o Evangelho seria letra morta. Cristo pertenceria ao passado. mas no Espírito Cristo ressuscitado torna-se presente, o Evangelho faz-se poder e vida.
6- Força e sabedoria para Anunciar o Reino - Depois do Pentecostes, Pedro e os Apóstolos perderam o medo e saíram de casa, começando a pregar o Reino de Deus e tudo o que tinha acontecido a Jesus morto e ressuscitado.
É o E.Santo quem age no coração do ouvinte e o abre à Palavra escutada. A adesão pela fé aos mistérios pregados é obra do E.Santo que toca levemente os corações e os abre à Palavra salvadora.
Um pregador pouco faz sozinho. Ele semeia a palavra de Deus, mas quem a faz frutificar na vida de cada um é o E.Santo.
Só o E.Santo converte, só Ele dá fé e abre os corações. Sem Ele tudo fica oculto.
O E.Santo faz com que a Igreja seja missionária e vá pelo mundo pregar Jesus salvador.
7- Gerar Cristo - Jesus é gerado pelo poder do E.Santo no seio da Virgem Maria. Esta acção no coração do Cristão e na comunidade continua a ser feita por Ele. Gerar, isto é, fazer nascer, crescer em nós os sentimentos, os gostos, a vontade de Cristo.
Levar o cristão a pensar como Jesus Cristo: amar, sentir, pensar, agir, sorrir, sofrer, rezar, trabalhar com Jesus. Ter os mesmos sentimentos, as mesmas atitudes, o mesmo coração.
8- Agente nos sacramentos - Os sacramentos são acção e obra de Cristo e do Espírito Santo. É o E.Santo quem dá eficácia, força aos sacramentos.
No baptismo gera filhos de Deus; une no matrimónio os esposos; converte no altar o pão e o vinho no corpo e sangue de Jesus; perdoa na confissão; consagra os jovens na Ordem
Os sacramentos são como que canais da graça e são obra do E.Santo.
Quanto mais abertos ao Espírito, mais os sacramentos são eficazes em nós.
9- Fogo e água - Fogo e água são dois grandes símbolos do E.Santo, além da pomba que apareceu no Baptismo de Jesus.
O fogo foi a maneira do E.Santo se manifestar no Pentecostes. Fogo que ilumina, aquece, queima, purifica, mas sem destruir. É essa acção do E.Santo em nós.
Água divina que Jesus falou antes da paixão. Água que prometeu à Samaritana; água que brota daqueles que acreditam.
Água que lava, purifica, dá fertilidade natural e sobrenatural; que mata a sede de paz, de alegria interior, de felicidade.Água que faz gerar filhos para a vida divina.

A pomba também um símbolo do Espírito Santo - Símbolo de paz, de mansidão, de amor.


sábado, 16 de maio de 2009

IMAGENS DE DEUS (II)

2. O DEUS FRACO QUE PRECISA DE SER DEFENDIDO

albanosousanogueira@sapo.pt
http://operfumededeus.blogspot.com

Às vezes Deus aparece-nos sem força, sem poder e então nós sentimos necessidade de defender Deus contra os que estão fora da Igreja.
Porém, nós sabemos que neste mundo, a fraqueza de Deus é a sua força e que a loucura de Deus neste mundo é a sua sabedoria.
Deus parece que nunca intervém no mundo, que se ausentou, foi viajar, nos deixou sozinhos. Então, nós sentimo-nos na obrigação de defender o Deus que parece ausente.
Deus não precisa de ser defendido por nós. Quando o fazemos podemos correr o risco de nos estarmos a defender a nós mesmos.
Isto acontece quando nós criticamos alguma pessoa por não rezar, por não praticar a sua religião, criticamos a sua falta de fé, vemos esse defeito dos outros, mas não vemos que, se calhar, nós temos defeitos maiores, tal como o egoísmo e não o vemos.
Jesus disse-nos que Deus não precisa de ser defendido, mas sim a pessoa humana. Essa é que precisa de ser defendida. A verdadeira defesa de Deus é a defesa do homem, obra de Deus, dom de Deus, filho amado de Deus.
Em vez de nos preocuparmos em defender Deus contra os que não têm fé, nós devemos comportamo-nos como quem tem uma fé autêntica que renova e converte a pessoa. Devemos defender o mundo como mundo de Deus para que nele se desenvolva o Reino de Deus.


3. IMPOR DEUS


Deus não é apenas uma Verdade, uma realidade exterior a nós. Deus é também acolhimento dessa Verdade e dessa realidade no nosso interior pela acção do Espírito Santo. Claro que Deus é maior do que nós, mas o E.Santo ajuda-nos a receber J.Cristo em nós como o Senhor crucificado e ressuscitado.
A verdade de Deus não se pode impor pela força, mas impõe-se por ela mesma. Deus é a Suprema Liberdade. Logo não se pode impor a liberdade tirando essa mesma liberdade.
É o Espírito Santo que trabalha o coração das pessoas para elas aceitarem Deus, saborearem a verdade de Deus e o Seu Amor. Essa acção do E.Santo é um gozo consolador para que a aceita.
Então, o que é preciso é rezar ao E.Santo para que a verdade de Deus não fique reduzida a uma verdade exterior, mas seja aceite pela pessoa na liberdade, na livre aceitação de Verdade que é Deus.
Deus não se pode impor pela força. Deve-se ensinar a verdade, a doutrina recta, mas respeitando a decisão de cada um. O crente é que deve sentir a responsabilidade de viver de tal modo a sua fé que ela seja um exemplo de paz, de bondade, de alegria, de amizade de forma a que outros tenham gosto em partilhar a sua fé.
É preciso pensar de forma correcta no sentido de se dar glória a Deus, mas também no sentido de ajudar as pessoas a viverem uma vida feliz ajudando-as nas nuas dificuldades.
Não basta o culto exterior a Deus, ou confessar o nome e a fé em Deus por palavras. É preciso viver Deus, acreditar em Deus e isso tem de levar ao compromisso com as outras pessoas, sobretudo os mais necessitados.

domingo, 10 de maio de 2009

IMAGENS DE DEUS (I)

1- ACREDITAR EM DEUS

A forma como nós acreditamos em Deus vai manifestar-se nos nossos comportamentos religiosos relativos a Deus. A imagem que temos de Deus vai concretizar-se em comportamentos.
Assim, cada um deve interrogar-se acerca da maneira como vive a sua fé em Deus, já que esse comportamento vai indicar a ideia que temos de Deus.
Jesus não fazia discursos sobre Deus. Há algumas passagens em que Jesus fala de Deus, mas isso é para justificar comportamentos.
Jesus não fazia discursos sobre Deus.
Jesus praticava Deus e invocava Deus.
O comportamento de Jesus foi sempre o de acreditar em Deus.
Diz o Concílio Vaticano II que nós, os crentes, temos culpas na falta de fé de muita gente hoje, porque temos apresentado uma falsa imagem de Deus, não a nível de ideias, de teorias, de ensinamentos; mas uma falsa ideia de Deus a nível de comportamentos: a nossa vida religiosa, moral e social.
Quando falamos de Deus a nossa linguagem é sempre imperfeita porque Deus é Santo, Deus ultrapassa tudo o que possamos dizer Dele. O que sabemos é que Deus é Misericórdia, Deus é Alguém que se aproxima de nós e nos envolve com o seu amor paterno e materno.
Nós falamos muito de Deus, falamos muito para Deus. Porém, é muito importante deixar Deus falar, escutar Deus, fazer silêncio exterior e interior.
Deus é Alguém em quem se deve acreditar. Não se pode compreender Deus, mas pode-se confiar, amar, adorar, louvar.


Imagens falsas de Deus

O Deus que mete medo
Jesus Cristo libertou-nos desta falsa imagem do Deus que mete medo. Não podemos ter medo de Deus. Deus é purificador, é exigente, mas trata-se de uma exigência libertadora.
Há muitos católicos que têm medo do "castigo de Deus". Olham para Deus como se Ele fosse um polícia disposto a dar cacetada à primeira infracção.
As dificuldades, a dureza, o sofrimento, as doenças da vida não são castigos de Deus. Há gente que pratica a religião por medo: vai à missa por medo, pois se não for, pode ser castigado. Há gente que tem sempre as contas acertadas, cumpre os seus deveres com Deus por medo do inferno. A fidelidade a Deus não pode vir do medo. Este é um comportamento infantil. As crianças agem muito por causa do medo de serem castigadas. Nós temos de ser adultos na fé. Temos de praticar a religião por amor, cumprir os deveres religiosos por amor a Deus, não por medo de Deus.
Nestes tempos há seitas que falam no fim do mundo e procuram explorar o medo das pessoas. Não podemos dar importância a essas vozes.
Deus concedeu-nos a liberdade para a usarmos bem. Nós não somos donos absolutos da nossa vida, nem das coisas. Somos administradores, responsáveis pela vida, pelas coisas e devemos saber usá-las bem, sabendo que Deus nos acompanha com a sua força para sabermos viver bem os acontecimentos e transformá-los em momentos de crescimento e de santificação.
Um dia teremos de dar contas a Deus, mas isso não nos deve meter medo. Devemos usar bem a nossa liberdade porque é assim que seremos felizes neste mundo e no mundo que há-de vir.
Deus que é amor não pode meter medo. Quem nos ama infinitamente, não pode meter medo...
O Amor que é Deus atrai, seduz, acarinha, abraça.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

SEMANA DA VIDA

10 a 17 DE MAIO

Desde 1994 a Conferência Episcopal Portuguesa organiza a Semana da Vida para se meditar sobre o valor e a inviolabilidade da vida humana, ao propor uma celebração que tenha por objectivo «suscitar nas consciências, nas famílias, na Igreja e na sociedade, o reconhecimento do sentido e valor da vida humana em todos os seus momentos e condições, concentrando a atenção de modo especial na gravidade do aborto e da eutanásia, sem contudo menosprezar os outros momentos e aspectos da vida…» (EV 85).

Tema: VIDA COM VALORES, FORMAÇÃO NA FAMÍLIA.
A defesa da vida é fundamental, num tempo em que os valores éticos são cada vez mais abandonados pelas pessoas que se dizem cristãs católicas.

1. Toda a pessoa abriga no seu íntimo um SIM à vida. A vida é valor inviolável em todos os momentos e condições. Todos deviam defender a vida.

2. Encontramo-nos, este ano, num novo contexto social. Mas a família deve ser sempre formadora dos valores humanos e cristãos.

3. Família, escola única de humanidade e de vida cristã para todos os seus membros, com benefícios para todos: pessoas, sociedade e Igreja Católica.
A família deve ser um evangelho vivo para todos lerem: vivendo a confiança, a obediência filial a Deus, a fidelidade e o acolhimento generoso dos filhos, o cuidado pelos mais frágeis e a prontidão em perdoar.

4. Pessoa e família, duas realidades inseparáveis
A defesa da vida está intimamente ligada à defesa da família. Tal como a vida está desvalorizada, depreciada e atacada, assim a família.
Defender e apoiar a família a fim de que as pessoas sejam livres e ricas de valores humanos e evangélicos é o caminho mais directo e eficaz para garantir a dignificação da vida.
A fé, a confiança em Deus, a escuta da Palavra de Deus são ajudas para a família saber responder aos desafios que hoje se colocam na defesa da vida.

5. Criados para a comunhão, à imagem de Deus revelado em Jesus Cristo
Jesus corrigiu o descaminho do divórcio dizendo: “Não separa o homem o que Deus uniu” (Mt19,6) e apontou para a verdade da pessoa humana: “Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança… Ele os criou homem e mulher”.
Deus uno e único, é uma família de 3 pessoas divinas.
O Eu (Pai), o Tu (Filho) dão o nós (Espírito Santo).
A família é uma comunidade de pessoas que comunicam entre si, fazendo de todos um dom para os outros: o cônjuge um para o outro e os pais para os filhos e os filhos para os pais.
O contrário desta doação, é o egoísmo e o narcisismo.

5.1. Dois modos de exprimir e viver o mistério da aliança de Deus com o seu povo: matrimónio e celibato.
O matrimónio é um sinal de amor fiel de Deus com o seu povo. O amor total e fiel entre os cônjuges é uma imagem do amor de Deus pelo povo eleito. Mas não é só no matrimónio que esta aliança se dá.
A virgindade e o celibato também são propostos por Jesus, por amor do Reino dos céus.
No tempo de Jesus não se valorizava o celibato, por isso, com Jesus esta opção ganha um valor muito nobre.

5.2. Jamais dispensados de amar.
Toda a pessoa é chamada a viver em comunhão com Deus, seja no matrimónio, seja na vida celibatária de consagração.
Além deste amor a Deus, Jesus pede e exige também o amor ao próximo com inseparável do amor a Deus.
Jesus tornou-se um modelo de amor a Deus e ao próximo seja na família de Nazaré, seja na vida social, política, económica, religiosa.

6. Na família, o homem pode nascer com dignidade, crescer e desenvolver-se.
A famíli é uma verdadeira escola de humanidade e de valores perenes.
Ninguém se deu a vida a si mesmo. Recebemos de outros a vida, que se desenvolve e amadurece com as verdades e os valores que aprendemos no relacionamento e na comunhão com os demais.
A família, fundada no matrimónio indissolúvel entre um homem e uma mulher é o âmbito onde as pessoas podem nascer com dignidade, crescer e desenvolver-se de maneira integral.
A verdadeira liberdade da pessoa criada à imagem e semelhança de Deus implica responsabilidade, optando sempre pelo bem verdadeiro, a fim de se transformar em amor, em dom de si mesmo.
É no lar que se aprende a viver verdadeiramente, a valorizar a vida e a saúde; a liberdade e a paz; a justiça e a verdade; o trabalho, a concórdia e o respeito.
É na família que se aprende a agir bem e a cair na conta do Belo, do Verdadeiro, do Bom, do Justo.

sábado, 2 de maio de 2009

PASSEIO DA CATEQUESE


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O dia 1 de Maio de 2009, vai ficar na memória de muitas crianças, adolescentes e jovens de Fornelos, Aboim, Lagoa e Pedraído – Fafe- Portugal pelo passeio paroquial da catequese em que participaram cerca de 80 crianças, mais de 20 catequistas e 70 adultos, enchendo 3 autocarros, num lindo dia de sol.
Realizámos uma visita ao Seminário Conciliar de S. Pedro e S. Paulo de Braga inserido na semana das vocações e no Ano Paulino que estamos a viver.
Dentro do Seminário escutamos textos das cartas de S. Paulo, vimos uma DVD sobre a vida do Apóstolo, visitamos o edifício do Seminário onde existem ruínas de uma casa romanas do tempo de S. Paulo, rezámos, cantámos, meditámos sobre a vocação consagrada, vimos uma exposição da pintora Ilda David acerca da vida de S. Paulo com os quadros a serem muito bem explicados pelos teólogos presentes.
Foram cerca de 3 horas de muita profundidade, muita cultura religiosa, muita mensagem e oração orientada pelo Sr. Reitor Cónego Victor Novais.

Ainda tivemos tempo de ver a Sé Catedral, que fica mesmo à beira do Seminário. A Sé Catedral que é a igreja Mãe, a sede do senhor Arcebispo Primaz, que, neste momento, se chama D. Jorge Ferreira da Costa Ortiga. Sé Catedral que começou a ser construída há mais de 900 anos.
Depois fomos até ao lugar do Sameiro onde almoçámos e visitámos o grande Santuário e a Cripta do Sameiro dedicados a Nossa Senhora. Subimos ao zimbório que tem muitas dezenas de escadas de onde se podia avistar um pouco algumas zonas de Fafe.
Para terminar em beleza, fomos até ao Bom Jesus do Monte onde havia cavalos para passear, barcos para remar no lago, Igreja do Bom Jesus Crucificado, peixes nos diversos lagos, parque infantil com muitos divertimentos para a pequenada e muitos gelados para saborear…
Vi a alegria e a satisfação de grandes e pequenos por este passeio da catequese paroquial que terminou pelas 19h30 em que chegámos a casa e no fim do dia pude rezar, depois de ainda ter celebrado a Eucaristia e presidido ao Mês de Maria com o terço, reflexões e cânticos:
“Obrigado Senhor, por todo este dia. Pela sementeira da Tua Palavra no coração destas pessoas que este dia proporcionou. Que ela produza frutos de um amor cada maior a Ti, Jesus e à Igreja. Muito obrigado Senhor pela Tua grande bondade que tens para connosco. Muito obrigado, Senhor pelo teu grande amor”.

P. Albano Nogueira

quinta-feira, 30 de abril de 2009

TOMA AS MINHAS MÃOS





Senhor, meu Deus, depois de 26 anos de sacerdócio, sinto a mesma frescura do primeiro momento,

Sinto o mesmo entusiasmo do começo,

Sinto a mesma paixão e amor por Ti, Senhor, quando percebi o teu chamamento, quando percebi que precisavas de mim e me decidi a dizer SIM.

A todos aqueles que me lerem eu gostaria de dizer que a vida consagrada a Deus e à Igreja é uma vida bela, grandiosa, muito importante e muito necessária.

Aos adolescentes e jovens que me lerem, eu quero dizer: não tenhas medo de arriscar. Ser consagrado a Deus como sacerdote, religioso(a) ou missionário é algo de muito maravilhoso, se te sentires chamado por Deus.


Jovem, entra no teu quarto, entra numa Igreja, entra dentro de ti, fecha os olhos e pede luz ao Divino Espírito Santo para que Ele te ilumine, te mostre o caminho.


Não orientes a tua vida só a pensar em ti de forma egoísta. Pensa que podes fazer muito pelos outros numa vida consagrada a Deus e a tua vida terá um sentido muito mais grandioso.


Por isso, te peço que rezes esta oração e que Deus te ajude a descobrires a vocação a que Deus te chama:



Toma as minhas mãos, Senhor e usa-as como se fossem tuas.
Sejam instrumento de amor a iluminar e a aquecer.


Toma os meus pés, Senhor, e usa-os como se fossem Teus.
Sejam mensageiros do amor no caminho dos irmãos.


Toma meu coração, Senhor e usa-o como se fosse Teu.
Seja expressão do Teu amor, Senhor, do Teu Infinito amor.


Toma tudo o que sou, Senhor.


Renovo com amor a minha entrega
Seja sinal da minha gratidão, minha vida em Tuas mãos.


P. Albano Nogueira

segunda-feira, 27 de abril de 2009

O QUE É A VOCAÇÃO



Na linguagem de cada dia, quando falamos de VOCAÇÃO referimo-nos fundamentalmente a um modo de existência particularmente entregue aos outros que exige da parte do sujeito que a realiza uma atitude muito decidida e clara para a levar a cabo.

Geralmente quando falamos de pessoas vocacionadas subentendemos que se trata de pessoas que enveredaram por um caminho que, em termos mais técnicos se denomina de especial consagração.

Em ambientes religiosos emprega-se este termo para nos referirmos ora a religiosos e religiosas, ora a leigos consagrados, ora a sacerdotes, ou seja, pessoas totalmente dedicados à Evangelização e à missão da Igreja.

O uso habitual deste termo geralmente faz referência à firmeza e estabilidade da decisão pessoal que sustenta uma forma de existência especialmente dedicada ao serviço dos outros.

Neste sentido, uma pessoa vocacionada é aquela que se entrega a uma tarefa fortemente convencida relativamente àquilo que faz e firmemente decidida a levá-la a cabo. Segundo esta perspectiva o sinónimo de vocação é decisão.

Esta compreensão tem certamente elementos de contacto com a compreensão teológica da existência humana. No entanto, o conceito vocação usado com propriedade tem um significado diferente. Refere-se, antes de mais, à iniciativa que o mistério do amor de Deus inicia com cada homem e cada mulher que chama a existir neste mundo. Esta iniciativa de amor é, por sua vez, universal e absolutamente singular porque é o fundamento da própria emergência da existência humana e a sua finalização numa existência definitiva e plena. É um acto originário de amor divino que fundamenta a absoluta singularidade do ser humano e o convoca a uma existência de amor e liberdade na relação com os outros.Isto significa que a vocação não é tanto um plano do homem mas plano de Deus.

E não é tanto, propriedade de uma existência singular mas o chamamento de cada pessoa em Jesus Cristo a uma existência de amor e liberdade.

VOCAÇÕES NA IGREJA CATÓLICA


Nesta semana, de 26 de Abril a 3 de Maio, a Igreja olha e reza pelas vocações de todos os tipos.
Em sentido geral, "vocação" é a inclinação da pessoa para determinado ofício ou profissão.
Num sentido mais específico, na Igreja, "vocação" quer dizer chamamento, o apelo que Deus faz a cada pessoa para cumprir uma função ou serviço ou missão no mundo. A iniciativa vocacional é sempre de Deus, mas Ele pode se servir das mediações: acontecimentos, outras pessoas. Cabe ao homem escutar, descobrir o chamado de Deus e estar disponível para seguir este chamado, seja ele qual for. O chamado fundamental é o
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CHAMAMENTO
À EXISTÊNCIA:
Deus nos chamou à vida e nos criou à sua imagem e à sua semelhança.
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VOCAÇÃO CRISTÃ:
Pelo Sacramento do Baptismo, a pessoa é chamada a seguir Jesus Cristo, vivendo unida a Deus como filho e aos outros como irmãos, formando a família de Deus que é a IGREJA. Esta é a vocação cristã fundamental que é válida para todos os cristãos indistintamente. Além da vocação fundamental à existência, os cristãos têm, cada um uma ~
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VOCAÇÃO ESPECÍFICA,
isto é, um é padre, um é leigo, outro religioso, casado, solteiro, etc.
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VOCAÇÃO AO MATRIMÓNIO,
casamento, é um chamamento bem definido dentro da Igreja. Instituído pelo próprio Jesus Cristo, o matrimónio é uma íntima comunidade de vida e de amor.
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VOCAÇÃO SACERDOTAL:
O padre é alguém escolhido por meio do povo e consagrado a Deus para o serviço deste mesmo povo nas coisas que se referem a Deus e a construção do Reino de Deus na Comunidade. Seu papel é continuar a missão de Jesus Cristo, o único e eterno sacerdote. O padre é o representante de Deus junto ao povo e do povo junto a Deus.
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VOCAÇÃO RELIGIOSA.
Religiosos são cristãos que dedicam sua vida toda a Deus e aos irmãos, através da vida comunitária e vivendo a consagração dos votos de pobreza, obediência e de castidade. O grande amor que os religiosos têm a Deus se reverte num grande amor ao próximo especialmente os mais pequeninos, com os quais Jesus se identifica.
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LEIGOS CONSAGRADOS
Há pessoas que vivem na sua família, têm a sua profissão, mas consagram-se a Deus fazendo votos de castidade, inseridos em certos institutos de vida consagrada.
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VOCAÇÃO LEIGA.
Leigo é toda pessoa baptizada que segue Jesus Cristo na Igreja e escolhe unir e testemunhar sua fé no mundo secular: na família, na escola, nas profissões, na política... O leigo actua não de fora, mas de dentro das várias instituições do mundo como fermento, luz e sal.

P. Albano Nogueira

sexta-feira, 24 de abril de 2009

ORAÇÃO







SALMO 120

“Levanto os meus olhos para os montes: donde me virá o auxílio?
O meu auxílio vem do Senhor que fez o céu e a terra”...
O Senhor é quem te guarda, o Senhor está a teu lado, Ele é o teu abrigo…
O Senhor vela pela tua vida…
Ele te protege quando vais e quando vens agora e para sempre”.

Bendito sejas, meu bom Pai do Céu, por esta certeza:

Tu vens eu meu auxílio,
Eu creio, ó Deus, que Tu estás sempre comigo: Tu me vês, me conheces, me amas, me aceitas, me compreendes, me perdoas.
Obrigado meu bom Pai do Céu, por esta certeza de saber que sou teu filho, que cuidas de mim, que me enches de vida, de paz, de esperança, de confiança.
Tudo me vem de Ti, ó Pai, tudo é dom, dádiva do Teu amor.
Eu acredito que tudo recebo do Tua generosidade, da Tua bondade.
Obrigado, meu Pai do Céu.

Quero agradecer-te tudo o que tenho, faço e sou.
Ajuda-me a crescer na fé, na confiança, no abandono à Tua vontade para que a minha vida tenha sempre sentido: na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, nas vida e na morte.
Obrigado Meu Pai do Céu, porque me criaste, me sustentas na vida e iluminas a minha existência com o Teu amor e me convidas a amar-te, a escutar-te, a seguir-te na vida, a receber-te na oração, nos sacramentos, na sagrada comunhão; a visitar-te na igreja, no sacrário e nas pessoas onde Tu também estás vivo.
Quero amar -Te, ó Deus e louvar o Teu nome para sempre porque sei que vim de Ti, por meio dos meus pais e vou para Ti.
Viver é percorrer um caminho e eu quero que o meu caminho vá na Tua direcção, ó Pai do Céu, Senhor da vida e Senhor da morte.


P. Albano Nogueira

quarta-feira, 22 de abril de 2009

A RESSURREIÇÃO DE JESUS E A NOSSA



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O centro da nossa fé cristã é esta: Jesus Cristo morreu na sexta-feira santa, mas ressuscitou no dia de Páscoa.
A ressurreição de Jesus não é o regresso à vida que tinha antes de morrer, não é um simples reviver. A ressurreição é uma modificação e transformação total da pessoa de Jesus que é o mesmo, mas diferente. É uma total transformação da pessoa de Jesus que deixou de ter as limitações de tempo e de espaço que tinha antes de morrer.
É um mistério de fé. Por um lado, é uma realidade histórica na medida em que aconteceu mesmo; por outro lado escapa à confirmação histórica porque ninguém viu, ninguém assistiu ao momento da ressurreição.
As pessoas viram a pedra do sepulcro retirada da porta de entrada, viram o sepulcro vazio, viram os lençóis que envolviam o corpo de Jesus e tiveram aparições de Cristo ressuscitado.
Jesus apresenta as marcas dos cravos nas mãos e nos pés e até come com os Apóstolos, mas trata-se de uma condescendência de Cristo que está diferente, glorioso, ressuscitado, não tem um corpo físico, mas cede a esta curiosidade dos apóstolos e torna-se um pouco material, embora Ele seja totalmente espiritual.
As aparições de Cristo ressuscitado dizem-nos que o ressuscitado é o mesmo que foi crucificado, mas tem agora uma aparência totalmente diferente: aparece e desaparece; entra em casa com as portas fechadas, faz milagres.
Jesus tornou-se o Cristo, o Messias, o Salvador pela ressurreição.
Esta ressurreição de Jesus é motivo de esperança para nós. Nós também morreremos e ressuscitaremos. Esta é a nossa esperança.
Jesus venceu a morte. Jesus matou a morte. A morte continua a existir. Continua a ser um problema para todos, mas adquiriu um tom de esperança.
A morte deixou de ser desespero um momento de esperança. Uma porta que se abre para uma vida nova, uma vida diferente.
Não nascemos para morrer. Nascemos, temos de morrer; mas morremos para viver em Deus e com Deus.
Perante a morte dos outros, é legítimo o luto, as lágrimas, a dor, a tristeza o sofrimento de perder um ente querido. Mas a esperança da ressurreição dá um sentido novo ao morrer.
A morte não é o fim. A morte é uma passagem dolorosa (ou não…) para outra forma de vida.
Esta é a fé cristã baseada na ressurreição de Jesus.
Estamos salvos… Estamos ressuscitados… Em esperança.
Um dia tomaremos pose dessa luminosa esperança…

P. Albano Nogueira

domingo, 19 de abril de 2009

A MISERICÓRDIA DIVINA



http://operfumededeus.blogspot.com


Segundo Domingo da Páscoa chama-se agora, Domingo da Misericórdia Divina.
Foi na Sexta Feira Santa, dia da morte de Jesus Cristo que se manifestou essa misericórdia divina.
Misericórdia= miséria+ cordis= miséria + coração. Coração= pessoa que vê a miséria humana, as necessidades dos outros e se compadece dela.
Esta palavra vem do latim e compreende duas palavras. Trata-se não apenas de um sentimento, mas de uma atitude prática de quem tem bom coração e vê as misérias e as necessidades dos outros e faz tudo o que pode para as aliviar. Não se fica em palavras.
O bom cristão católico não é só pessoa de palavras, mas também de acção concreta em favor dos outros.
A misericórdia divina levou Jesus a ser solidário connosco, levou-o a unir-se a nós na carne humana, no sofrimento humano, na morte humana para dar sentido a tudo isso, para o levar a uma plenitude transformadora pela total confiança em Deus Pai que O levou à ressurreição, à vitória sobre toda a espécie de mal.
Trata-se de uma atitude prática em favor dos outros: solidariedades com os que sofrem no corpo ou na alma.
As obras de misericórdia são 14: 7 corporais (fazer bem ao corpo dos outros: dar de comer, dar de beber, vestir os nus, dar pousada aos peregrinos, assistir aos enfermos (doentes), visitar os presos, enterrar os mortos) e 7 obras de misericórdia espirituais: dar um bom conselho, ensinar os ignorantes, corrigir os que erram, consolar os tristes, perdoar as injúrias, sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo, rogar a Deus pelos vivos e defuntos).
Num tempo de tanto egoísmo e individualismo, precisamos de recordar estas atitudes para sermos solidários com os que sofrem e precisam de ajuda e ver neles o rosto de Cristo sofredor e fazer o que depende de nós para aliviar a sua dor.

P. Albano Nogueira

domingo, 12 de abril de 2009

A PÁSCOA DE JESUS CRISTO


albanosousanogueira@sapo.pt


Páscoa quer dizer “passagem”


1. A natureza passa do Inverno para a primavera e renasce
2. O Povo hebreu passou da escravidão estrangeira do Egipto para a Liberdade na Terra Prometida - Israel.
3. Cristo passou da morte para a vida pela ressurreição.
4. Viver de um jeito cristão é viver em Páscoa permanente: passar do mal para o bem, do pecado para a graça, da escravidão dos vícios para a liberdade da virtude, passar do egoísmo para o amor, passar da vingança para o perdão, passar do isolamento e solidão para a comunhão e fraternidade com os outros.

UMA SANTA E FELIZ PÁSCOA PARA TI, MEU IRMÃO E MINHA IRMÃ DE ABRIL


P. Albano Nogueira

quinta-feira, 9 de abril de 2009

PÁSCOA CRISTÃ



Páscoa Cristã, Católica, quer dizer Passagem.
1- Passagem de Jesus da morte (sexta feira santa - 15h00) para a vida ressuscitada (dia de Páscoa).
2- Passagem da natureza do inverno (morte aparente das árvores) para a renovação pujante na primavera.
3- Deus passou no Egipto no tempo de Moisés – 1250 anos antes de Cristo mais ou menos Passagem do povo hebreu da escravidão do Egipto pela mão de Moisés, instrumento de Deus, para a terra prometida – Canaã, Israel, terra de liberdade.
4- Passagem dos cristãos católicos da vida velha do pecado para a vida nova da graça.
5- Toda a vida é uma passagem, uma Páscoa, que deveria ser para uma vida melhor. Sabemos que no aspecto físico, a partir de uma certa idade, vamo-nos degradando, envelhecendo, ficando mais fracos, mais doentes, mas no aspecto psíquico e espiritual, deveríamos passar para uma vida mais abundante, mais intensa de fé, de esperança e de caridade (amor desinteressado).
Páscoa - É Luz, é Vida, é Esperança, é Amor, é Verdade, é Redenção, é Resgate, é Salvação, é Perdão, é Reconciliação, é Fé, é Ternura, é Compreensão, é Alegria, é Festa, é Solidariedade, é Vida Nova, é Vitória, é Ressurreição, é Felicidade.
Páscoa é o Amor de Deus e o Deus Amor em acção, manifestando-se de uma forma total, plena, intensa.
Este Deus Amor que ama todos os homens e mulheres como seus filhos e filhas, espera ser amado por todos eles. Quem ama, quer ser amado.
Deus ama-nos a todos de forma universal, incondicional, total. A Sua felicidade está em amar-nos e em ser amado por nós.
Deus ama-nos na Criação. Deus ama-nos na Antiga Aliança com o Povo Hebreu. Deus ama-nos na Nova Aliança com toda a humanidade por meio de Jesus Cristo. Deus ama-nos na Igreja Católica, una, santa, apostólica; a única fundada por Jesus Cristo. Todas as outras Igrejas foram fundadas por homens e mulheres.
Deus ama-nos na vida de cada dia.
Deus ama-nos em todos os acontecimentos, mesmo naqueles que, a nossos olhos e entendimento, nos parecem maus, mas que no plano de Deus podem servir para o nosso bem maior: a nossa salvação eterna.
Vive com fé em Deus a tua vida, meu irmão e perceberás esse amor de Deus por ti em todos os momentos e circunstâncias. Vive a fé como amizade, como encontro pessoal entre ti e Deus Pai Criador, Deus Filho – Jesus Salvador e Deus Espírito Santo Santificador que te habita.
Faz da tua vida, meu irmão, uma Páscoa passagem até chegares um dia à Páscoa (passagem) definitiva que será a hora da morte em que passaremos desta dimensão terrena para a dimensão espiritual e eterna.
O OVO é um símbolo da Páscoa porque tal como o pintainho está encerrado dentro do ovo e quebra a casca para nascer, assim Jesus morto estava encerrado no sepulcro, mas quebrou a barreira da morte, destruiu a porta de entrada do túmulo, ressuscitou e apareceu vivo no primeiro dia da semana - Domingo de Páscoa.

P. Albano Nogueira

sábado, 4 de abril de 2009

A LIÇÃO DE DOMINGO DE RAMOS




O Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor Jesus, apresenta uma lição de vida para todas as pessoas que deveríamos todos aprender.
Este domingo tem dois momentos opostos na liturgia que são um símbolo da vida e da pessoa humana.
1.O primeiro momento é a procissão de Ramos que se faz nas paróquias católicas (Minho - Portugal): o povo de Deus reúne-se no exterior das igrejas, faz-se a proclamação do evangelho em que Jesus foi aclamado como Messias (salvador, libertador) e aplaudido pelas pessoas com ramos de palmeira e de oliveira, cânticos, hossanas, vivas a Jesus, bênção dos ramos de palmeira e de oliveira.
É o momento do aplauso, do elogio, do louvor, do agradecimento, do reconhecimento, do sucesso. Jesus teve esse momento, nós também o temos algumas vezes. É o momento em que a família está connosco, os amigos estão connosco e o nosso trabalho é reconhecido e aplaudido.
2. O segundo momento é a Eucaristia no interior da igreja em que se lê o evangelho da condenação à morte, paixão, sofrimento e execução da morte de Jesus Cristo na cruz na sexta-feira santa pelas 15h00.
É o momento do fracasso, da crítica, da murmuração, da rejeição, da condenação, da ingratidão, só ficar só.
Jesus teve este momento e nós também o temos algumas vezes.
A vida é assim mesmo. Há momento para tudo. Há tempo para tudo.
Muitos dos que aplaudiram Jesus no Domingo de Ramos, seriam também do grupo daqueles que pediram a sua condenação na Sexta-Feira Santa. Foi assim com Jesus, é assim connosco. Umas vezes somos nós assim para os outros, outras vezes são assim eles para nós.
Lições a tirar:
1.Nem nos devemos engrandecer ou envaidecer quando disserem bem de nós; nem devemos ficar desiludidos, humilhados ou derrotados quando disserem mal de nós e nos acusarem ou condenarem.
A vida é esta mistura: aplausos e condenações. Nós também temos este pecado: umas vezes dizemos bem dos nossos familiares e amigos; outras vezes dizemos mal. Eles fazem o mesmo connosco.
2.O nosso valor não está naquilo que os outros dizem ou pensam de nós: se disserem muito bem é porque (talvez) não nos conhecem bem; e se disserem muito mal de nós talvez aconteça o mesmo.
Cada um é o que é e vale por si mesmo. Não vale por aquilo que os outros dizem ou pensam de nós.
Importante mesmo é olhar para Jesus e tentar ser como ele fazendo sempre o bem, sabendo nós que neste mundo é mais recompensado quem faz o mal, o pecado, do que quem faz o bem, do que quem é virtuoso.

Pe. Albano Nogueira

terça-feira, 31 de março de 2009

VIVER ACORDADO, CONSCIENTE


Somos filhos deste mundo, mas não devemos ser seus escravos, vivendo apenas com os olhos postos no chão, esquecidos do transcendente, do divino.
Vivemos num mundo de contínua mudança, mas nem tudo é transitório. Existe o necessário, o definitivo e último.
Sofremos a tentação de nos apegarmos aos falsos absolutos, e adorá-los. Só Deus é o Absoluto que liberta. Aquilo e aqueles que pretendem ser absolutos neste mundo tiram-nos a liberdade com fanatismos.
Deus é esse Outro libertador, com quem nos podemos encontrar, amigo com amigo, Alguém que nos sorri dos céus.
Não devemos viver a vida a dormir, desinteressados das coisas espirituais, viver apenas voltados para o visível, o sensível, as horas vulgares, o cinzento do nosso dia-a-dia.
Toda a gente, mais dia, menos dia, põe a si mesma a questão do sentido ou do fracasso da sua existência.
É preciso ter tempo para fazer silêncio, fugir das horas vulgares da existência, escutar uma voz no íntimo de nós mesmos que nos convida a "ser o que devemos ser". Perguntemos a nós mesmos: será que eu sou quem devo ser?
É preciso estar acordado, atento, vigilante em relação à totalidade da nossa vida, ao sentido ou ao fracasso da nossa existência.
Uma voz diz-nos cá dentro da alma: "Sê quem és", quer dizer: sê verdadeiro, sê honesto, sê sério, sê um filho de Deus, um católico. Só tens uma vida, não brinques com ela...
Pergunta a ti mesmo: quem sou eu? O que faço aqui na terra? Para que é que eu vivo? Qual o valor do que faço e do que sou?
Com o passar dos anos as dimensões mais profundas da nossa vida ficam distorcidas, desfocadas, adulteradas pelo verdete da rotina. Muita gente não vive a vida, arrasta-a pela rotina.
Para que a vida seja bem vivida é preciso criar algo de novo no pensar e no ser, no ser para Deus. O silêncio, a meditação é uma oportunidade para ouvirmos Deus a dizer-nos: "Sê quem és"; "sê quem deves ser".
As mesmas coisas que vemos todos os dias se as olharmos com atenção, com um olhar fixo, elas parecem diferentes e ganham um novo interesse, uma nova importância. Isto vale para coisas, acontecimentos, pessoas, estados de vida.
Este olhar atento leva-nos a perceber o desgaste da monotonia rotineira.
O hábito, a rotina, a preguiça, o comodismo, a resignação são outros amores que estragam o primeiro amor puro e original.
A vida não é uma peça de teatro, não pode ser ensaiada. Só temos uma oportunidade e não podemos "falhar". Não podemos brincar com a vida.
Cada vida humana é única, irrepetível, como a pessoa que a vive. Cada um vai fazendo o seu caminho ao caminhar. Não há caminho feito, não há destino traçado para nós. Somos nós que traçamos o nosso destino.

José Rogério Almeida

quarta-feira, 25 de março de 2009

25 DE MARÇO ANUNCIAÇÃO DO ANJO A MARIA



albanosousanogueira@sapo.pt

De 25 de Março a 25 de Dezembro, são precisamente nove meses antes do Natal. Nove meses é o tempo de gestação de um filho na barriga da mãe.
Assim, 25 de Março é o dia da Anunciação do Anjo S. Gabriel a Maria de Nazaré para lhe fazer a proposta de poder ter um filho de uma forma excepcional e extraordinária: sem o auxílio de um homem. Esse filho seria filho de Deus e seria o Salvador do Mundo.
Maria não entende muito bem esta proposta, faz uma pergunta: “com será isso, se eu não conheço homem?”. Aqui a palavra “conheço”, significa: “não conheço no aspecto sexual, não tenho envolvimento sexual com nenhum homem, como posso ser mãe…
Maria era noiva de S. José. Conhecia o homem José, mas na Bíblia “conhecer”, muitas vezes, significa: “conhecer sexualmente”.
O Anjo Gabriel diz-lhe que isso é obra de Deus, será Ele o Pai da criança e Maria aceita, dá o seu “Sim”. A partir do seu sim, o filho começa a ser gerado no seu seio.
O Filho de Deus, eterno, invisível, omnipotente, torna-se filho de homem, temporal, visível, mortal, finito, frágil, assumindo a natureza humana.
O Filho de Deus tornou-se igual a nós em tudo, menos no pecado.
Podemos dizer que o dia 25 de Março é como que o começo da nossa total libertação e salvação que Jesus veio realizar pelo mistério da Encarnação.
É assim que se chama este fenómeno da vinda de Jesus ao mundo: ENCARNAÇÃO. Aquele que era Espírito, tornou-se carne humana.
Trata-se da iniciativa de Deus que decide vir ao nosso encontro para indicar uma forma nova de viver, para elevar a natureza humana degradada pelo pecado.
É iniciativa da graça divina. Do amor divino, da misericórdia divina que teve pena da miséria que a humanidade vivia e decidiu intervir para elevar a natureza humana estragada pelo pecado.
Jesus é o homem novo, o homem santo, bom, puro, santo, sem pecado.
Jesus encarnou para nos mostrar o que nós podemos e devemos ser para sermos felizes neste mundo e no mundo que há-de vir com a morte.
Jesus deu-nos o exemplo de como devemos viver para agradar a Deus, agradar aos outros e agradar a nós mesmos:
- viver como FILHOS DE DEUS (filiação divina)
- viver como IRMÃOS DE TODOS (fraternidade universal).
Jesus é o modelo de vida. Não são os cantores, os artistas, os desportistas, os políticos, se calhar nem sequer os religiosos e os consagrados (padres também) que devem ser nossos modelos.
Jesus Cristo é o EXEMPLO, o MODELO.
Jesus Cristo é TUDO…
Meu irmão de Março, procura descobrir a beleza do rosto e da mensagem de Jesus Cristo e a tua vida será iluminada e encontrará verdadeiro sentido...

P. Albano Nogueira


terça-feira, 24 de março de 2009

QUEM SOU EU?


Quem sou eu perante mim mesmo?
Quem sou eu perante os outros?
Quem sou eu perante Deus?
Quem sou eu em mim mesmo?

Nós temos muitas identidades na única identidade que nós somos. Somos uns para nós mesmos (temos uma imagem de nós mesmos); somos diferentes para os outros (eles têm outra imagem diferente daquela que nós temos de nós mesmos) e mais ainda diferentes para Deus a quem não enganamos, nem escondemos nada. Ele que conhece a nossa verdadeira e total identidade. Para mim posso pensar que sou um e ser diferente; para os outros posso parecer um e ser diferente; para Deus sou quem sou… Não há máscaras, não há mentiras, não há enganos…
A nossa identidade (o saber “quem sou eu?”) é muito importante quer nesta parte da nossa vida antes da morte, quer na parte da nossa vida depois da morte.
A nossa vida é uma só. Há só uma vida. Na dimensão corporal, terrena e na dimensão futura depois da morte. A minha identidade é a mesma. Sou o mesmo, mas sou diferente antes de morrer e depois de morrer. Mas é importante dizer: “sou o mesmo, mas estou diferente”. Aliás até neste mundo, sou o mesmo, mas estou diferente hoje do que era há dez, 20, 30 anos atrás. O mesmo poderei dizer daqui a 10, 20, 30 anos e depois da morte. Sou o mesmo, mas estou diferente.
O SER permanece, o ESTAR mudar.
Saber quem sou é muito importante. Quem me dá a minha identidade? Quem me diz quem sou? Serei eu mesmo, será a minha auto-consciência? Será a minha memória? Será o meu corpo biológico, as minhas células? Será aquilo que faço? Será aquilo que tenho? Será aquilo que conheço que me dá a minha identidade? Será o meu carácter e personalidade? Tudo isto é aceitável, mas incompleto, como uma verdade parcial.
Numa perspectiva antropológica cristã,
NÃO SOU EU QUE DOU A MINHA IDENTIDADE A MIM MESMO, porque não sou eu que dou a vida e o ser a mim mesmo.
A minha identidade é RECEBIDA em relação com os outros e com Aquele que é totalmente OUTRO porque radicalmente diferente dos outros humanos. Este OUTRO, eu chamo de Deus. O ser humano é um ser que se relaciona com o mundo, consigo mesmo, com os outros e se relaciona com Deus (aceitando, rejeitando, ignorando).
O bebé e a criança descobre-se a si mesmo e à sua identidade na sua relação com os outros e com o mundo à sua volta.
O ser humano é um ser Dado por Deus, criado por Deus (naturalmente servindo-se dos pais), chamado por Deus a relacionar-se com Ele.
A nossa identidade e a permanência da nossa identidade depende Daquele que nos dá a vida – Deus e depende dos outros como instrumentos de Deus.
Nós somos e existimos enquanto Deus nos der a vida e a existência e nos relacionamos com os outros.
Quaresma é tempo de pensar a sério
Quem sou eu?
Para que serve a minha vida?
Como estou a gastar a minha vida?
Qual o sentido da minha vida?
Qual o sentido da minha morte?
Que significa para mim viver?
Que significa para mim morrer?


P. Albano Nogueira

quinta-feira, 19 de março de 2009

EGOÍSMO E PECADO

albanosousanogueira@sapo.pt

O egoísmo (ego) é a origem de todos os males da sociedade. Origem de todos os pecados.
Egoísmo é outro nome de soberba, orgulho (mau, porque existe um orgulho bom), vaidade (exagerada, porque um pouco de vaidade e amor próprio é necessário).
Egoísmo é uma pessoa estar centrada em si. Fazer de si mesmo o centro do mundo e querer que os outros girem à sua volta.
Egoísmo é a pessoa pensar que está sempre certa, pensar que tem sempre razão, que nunca deve ceder e que os outros é que devem ceder.
O egoísta não faz o que Deus quer, mas o que ele quer.
O egoísta não ouve os outros, mas só se ouve a si mesmo.
O egoísta só pensa em si e não se preocupa com os outros: ou é indiferente, ou é contra os outros.
O egoísta não partilha, não ajuda, não se preocupa com os outros.
O egoísta quer o que é seu e até o que é dos outros.
O Egoísta só olha para os seus direitos e esquece os seus deveres. Porque só pensa em si, o egoísta busca o seu prazer, o que lhe agrada, o que lhe convém, sem ter em conta as necessidades e interesses dos outros.
O contrário do egoísmo, é o altruísmo (alter= outro), o fazer bem aos outros.
O egoísta peca porque não faz a vontade de Deus, mas apenas a sua; não é solidário com os outros, não ama os outros e, por isso, peca por falta de amor aos outros.
Uma pessoa egoísta desagrada a todos (e se calhar até desagrada a si mesmo).
Um egoísta desagrada a Deus porque Deus é comunhão e o egoísta é solidão;
O egoísta desagrada aos outros porque só pensa em si mesmo, nos seus direitos e não cumpre os seus deveres, não se pode contar com ele para nada.
Um egoísta é uma pessoa que, mais tarde ou mais cedo, até desagrada a si mesmo e é um infeliz porque fica sozinho, isolado.
Quaresma é tempo de sermos solidários com os outros, de fazermos bem aos outros, de escutarmos a voz de Deus e seguirmos os seus ensinamentos e os seus caminhos.
Quaresma é tempo de cada um se corrigir a si mesmo, ponde de parte esse egoísmo, esvaziar-se um pouco de si mesmo e preocupar-se mais com os outros.
A felicidade consiste mais em fazer feliz os outros, fazer bem aos outros do que procurar apenas a sua própria felicidade.
Quem se preocupa em ser feliz sozinho, não o será. Poderá ter algum prazer na vida, mas não terá a felicidade profunda que é bem diferente de ter prazer.
P. Albano Nogueira

terça-feira, 10 de março de 2009

RECONCILIAR-SE

Consulte o meu outro blog
albanosousanogueira@sapo.pt


Quaresma é tempo de cada um se reconciliar, pacificar, renovar, se comprometer com o Reino de Deus. Isso passa muito pelo sacramento da confissão, reconciliação ou penitência.
Confessamo-nos porque somos pecadores, como dizemos na confissão: “pequei muitas vezes por pensamentos, palavras, actos e omissões”.
Pecar é ofender a si mesmo, aos outros e a Deus.
A pessoa (homem e mulher) é um ser de relações. A sua identidade humana e cristã está no seu relacionamento com os outros e com Aquele que é Totalmente Outro (Deus) por ser totalmente diferente de nós.
A criança só se descobre a si mesma na medida em que se relaciona com a mãe, o pai, os irmãos, os outros, etc. Descobre o seu “EU” em contacto com os outros “EU”. Somos seres sociais que nos relacionamos uns com os outros.
O mesmo se diga em relação a Deus: o ser humano foi criado por Deus para se relacionar com Ele. Deus criou cada pessoa (por meio dos nossos pais), mas a vida é uma dádiva de Deus que ao criar-nos quer estabelecer laços de relação entre nós e Deus e a nossa identidade mais completa implica o relacionamento com Deus.
Estas relações comigo mesmo, com os outros e com Deus podem ser afectadas pelo pecado e eu deixo de ter uma relação harmoniosa e serena comigo, com os outros e com Deus e, pelo pecado, passo a ter uma relação de conflito ou até uma ruptura de relações.
Cada um devia progredir espiritualmente como quer progredir materialmente. Para haver progressão implica ascética, esforço, decisão, compromisso com o bem, luta contra o mal, propósito firme de emenda.
A nossa saúde espiritual é um pouco como a nossa saúde corporal: ou melhora ou piora. Quando vem uma doença, ou temos uma ferida, ou isso passa e melhoramos ou não passa e a doença agrava-se e pioramos.
O mesmo se diga na saúde espiritual. O pecado torna-nos doentes. A graça divina renova-nos. Se fazemos uma acção má, ou uma má palavra, ou um mau pensamento, se não melhoramos e cortamos com esse mal, o mal vai agravar-se e vamos passar a ter mais más palavras, maus pensamentos, más acções.
Por isso, é que não nos devíamos alegrar com a nossa mediocridade espiritual.
A Igreja apresenta sete pecados capitais: soberba, avareza (ganância), luxúria, ira, gula, inveja e preguiça.
1- Pecado da Soberba, orgulho, vaidade, considerar-se superior aos outros, não precisar deles, nem de Deus (máxima soberba)... Virtude da humildade…
2- Pecado da Avareza, ganância, egoísmo, nada partilhar com os outros, guerras entre famílias por heranças, guerras com vizinhos… Virtude da liberalidade, generosidade.
3- Pecado da Luxúria, abuso da sexualidade no namoro, no matrimónio, infidelidades, homossexualidade, aborto… Virtude da castidade, pureza…
4- Pecado da Ira, zangas permanentes, rivalidades, violências, guerras, vinganças, atentados à vida, homicídios, terrorismo… Virtude da paciência…
5- Pecado da Gula, abuso da comida, da bebida, dos bens materiais, das compras… Virtude da moderação, da temperança…
6- Pecado da Inveja. Rivalidade com os outros, sentir-se mal com o bem e o progresso dos outros, querer aquilo que é dos outros. Virtude da caridade, amor desinteressado aos outros.
7- Pecado da Preguiça. Não querer trabalhar, mediocridade de vida, indiferença. Virtude da diligência, do trabalho, do esforço pessoal.
Destes pecados capitais vêm todos os outros.

P. Albano Nogueira

sábado, 28 de fevereiro de 2009

QUARESMA, PECADO E CONFISSÃO

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A quaresma é um tempo especial para a Igreja Católica como caminho de preparação para a grande festa cristã católica- a Páscoa.
O centro de toda a fé cristã é a PÁSCOA: passagem da morte para a vida de Jesus Cristo. Libertação de todos os males humanos. É daí que vem toda a nossa fé, toda a nossa esperança e toda a nossa caridade.
A quaresma é um tempo de preparação interior de libertação e aperfeiçoamento cristão.
Os católicos são convidados a fazer um corte com tudo o que é mau: egoísmo, vícios, defeitos, falhas, pecados. Recorrendo ao sacramento da confissão (ou reconciliação ou penitência), fazendo um propósito firme de emenda para tentar mudar o rumo da sua vida e remediar (compensar) o mal que se fez, caso tenhamos prejudicado alguém.
O mais importante não é a abstinência de carne às sextas-feiras da quaresma (cortar com a carne), mas a conversão da alma e do coração, cortar com o pecado, com o que não presta, como se podam nas videiras os ramos que não deixam a árvore dar bom fruto. O sacramento da confissão pode ajudar a essa mudança de vida seguindo os critérios do Reino de Deus.
O problema é que hoje, muitos católicos já não sabem o que é pecado e para alguns nada é pecado, tudo é permitido, tudo é lícito, tudo se pode fazer… Perdeu-se a consciência do pecado.
O maior pecado da humanidade é ter perdido a noção de pecado.
Segundo o Novo Testamento, o pecado é uma falta de amor em quatro direcções:
1- Pecado é falta de amor a Deus. Não rezar, não praticar a religião. Faltar à missa ao sábado ou ao domingo. Não dialogar com Deus. Ignorar Deus. Viver como se Deus não existisse, sem a Sua influência na nossa vida.
2- Pecado é falta de amor aos outros. Palavrão que ofende os outros, indelicadezas, ingratidões, criticar, desobedecer, murmurar, mentir, magoar, insultar, roubar, prejudicar, explorar, abusar, infidelidades sexuais, destruir, vingar-se, odiar, matar.
3- Pecado é falta de amor a mim mesmo. Palavrão, abusar de comidas, bebidas, vícios e excessos que põem em risco a saúde e a vida nossa e a dos outros, abusar da sexualidade. Estragar, distorcer ou sujar a imagem e semelhança que eu devia ser de Deus e não sou.
4- Pecado é falta de amor à natureza. Poluição, atentados contra o ambiente, incendiar a natureza.
Não se trata de uma lista completa, mas apenas muitos exemplos.
PECAR É NÃO AMAR. Falo de AMOR de verdade. Hoje quando se fala em amor, muitos pensam logo em sexo.
Quando eu não amo a Deus, não amo os outros, não me amo a mim mesmo e não amo a natureza, estou a pecar.
Claro que o pecado tem graus, como uma ferida pode ser mais ou menos grave.
Pecado venial ou leve, pecado grave e pecado mortal.
Diz-se mortal porque corta (mata) a relação com Deus, com os outros, comigo mesmo e com a natureza.
Quem começa por pecar de forma venial, se não se corrigir, corre o risco de pecar de forma grave e até mortal. Uma ferida ou sara ou tende a agravar-se e degenerar em cancro e ser mortal. O mesmo se passa no campo da moral.
Quem começa com um palavrão ou se corrige, ou vai aumentar. O mesmo se diga de quem rouba, de quem mente, de quem engana, de quem abusa.
Meu irmão e minha irmã católicos, procuremos aproveitar este tempo favorável da quaresma. Aproximemo-nos de um sacerdote, reconciliemo-nos, confessemo-nos, façamos um propósito firme de emenda, remendemos o mal feito aos outros (compensando-os ou restituindo se for caso disso) e ficaremos aliviados de tanto lixo que carregamos dentro de nós, que nos intoxica e não nos deixa ter alegria, nem ser felizes. Não nos deixa sermos imagens da beleza, da bondade e da santidade de Deus.


P. Albano Sousa Nogueira

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

OLHAR A QUARESMA POR DENTRO

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A sociedade de hoje e muitos cristãos católicos não conseguem ver por dentro as orientações da Igreja Católica e só conseguem ver por fora certos ensinamentos e práticas religiosas porque vivemos numa sociedade muito superficial e banal.
É uma visão e um entendimento muito pobre de quem não consegue passar do exterior, do visível, para o interior das coisas e das pessoas.
“É por dentro que as coisas e as pessoas são o que são”.
Esta introdução vem a propósito do tempo litúrgico da quaresma que se inicia nesta quarta feira de cinzas: “lembra-te Homem que és pó da terra e ao pó da terra hás-de voltar…”.
As cinzas são um símbolo visível que apontam para outra realidade mais profunda: o Homem é caduco, passageiro, mortal. Não é Deus, não é imortal, não poder de dizer tudo, não pode fazer tudo, não pode experimentar tudo. Há coisas que pode, mas não deve fazer...
Há limites porque o ser humano é limitado.
Hoje muita gente não admite limites ao ser humano, pensa que tudo se pode experimentar, tudo se pode fazer, tudo se pode pensar… Muita gente admite que o Homem é como Deus, todo-poderoso, que tem direito a fazer todas as leis que quiser, seguir todos os comportamentos que quiser, a experimentar tudo o que quiser, sem limites. Muitos dizem: Não há limites. Tudo é permitido, vale tudo… Todos os meios servem para se atingirem os fins…
Quem falar em limites do ser humano, é criticado, mal interpretado, rejeitado, rotulado de antiquado, conservador, ultrapassado, retrógrado, etc… (veja-se agora a lei que querem fazer permitindo o casamento entre pessoas do mesmo sexo...).
Esta ideia de não haver limites ao ser humano tem trazido muitas desgraças para a humanidade.
As cinzas são um símbolo de que o homem é mortal e apontam para Alguém que é Imortal, Infinito, Eterno – Deus.
Quarta-feira de cinzas. Dia de jejum e abstinência. Jejum consiste em tomar uma refeição principal e na outra tomar algo de muito ligeiro. A abstinência na tradição da Igreja consiste em não comer carne na quarta-feira de cinzas e nas sextas-feiras da quaresma. O jejum e a abstinência são um símbolo visível que aponta para outra realidade invisível: domínio de si mesmo, domínio dos apetites, dos desejos, domínio das tentações, domínio de excessos e vícios…
A saúde começa na boca...
A minha opinião é que os católicos devem conservar esta tradição de não comer carne na quarta-feira de cinzas e nas sextas-feiras da quaresma, embora haja outras formas de se fazer abstinência.
Uma pessoa, nas sextas-feiras da quaresma, pode, por exemplo, não beber bebidas alcoólicas, não fumar, reduzir o tempo dado à TV, não tomar café, diminuir uso e dependência do telemóvel, ler bons livros, ler a Bíblia, rezar mais, visitar doentes, idosos, fazer voluntariado, etc.
Outras pessoas podem abster-se do palavrão, da crítica, da murmuração, da mentira, das injustiças, de outros pecados.
Não se trata apenas de não comer carne, mas de dominar o mal que há em nós…
O que se trata é de DOMINAR-SE, não ser escravo da boca, da barriga, dos apetites, dos desejos, das coisas que usamos no dia-a-dia. A razão de ser destas práticas penitenciais da quaresma pretendem levar a pessoa a dominar-se, a controlar-se, a não ser escravo da boca, nem da barriga, das coisas, mas ser senhor das coisas…
Cortar o mal, como se podam as videiras e deixar ficar apenas o bem em nós.
Estas práticas pretendem ajudar os católicos a fazerem um esforço de se dominarem, de se aperfeiçoarem, de serem mais livres, de serem mais perfeitos, mais santos, para chegarem ao dia de Páscoa (passagem) tendo feito esta passagem do mal para o bem.

Pe. Albano Nogueira

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

A IGREJA CATÓLICA E O CASAMENTO ENTRE HOMOSEXUAIS

Consulte o meu outro blog:

http://operfumededeus.blogspo.com/

albanosousanogueira@sapo.pt

Começou a discussão acerca do casamento dos homosexuais. Aparecem os que estão a favor e os que estão contra.
A posição da Igreja Católica é clara (contra), como é clara a posição em relação ao aborto (contra).
A posição da Igreja Católica é a favor da pessoa humana e defende a pessoa humana como imagem e semelhança de Deus. Uma imagem digna, bela, elevada, justa, harmoniosa. Por isso, defende a vida contra o aborto (violência e morte de uma vida humana) e defende o casamento entre um homem e uma mulher.
A Igreja vai buscar o fundamento para as suas posições em dois lugares, ambos vindos de Deus que é a base, o alicerce, o fundamento de tudo o que ensina. Esses dois lugares são a lei natural e a lei revelada (Bíblia e tradição).
Por aquilo que é a Lei Natural e a Lei revelada (cuja origem os cristãos reconhecem como ambas vindas de Deus) a posição da Igreja só podia ser contra o casamento entre homosexuais.
1- A Lei Natural, para a Igreja Católica é de origem divina está gravada intimamente nos seres (como que no código genético). Deus é o Supremo Legislador e ao criar os seres fez com que os seres vivos precisem do masculino e do feminino para se atraírem, seduzirem, se apaixonarem, se completarem e se reproduzirem. Até no magnetismo (íman) há a atracção entre o positivo e o negativo. Pólos iguais repelem-se. A atracção é entre os diferentes.
A Lei Natural diz que é o masculino que atrai o feminino, isto é, são os diferentes que se atraem tanto no magnetismo (positivo e negativo), como nas plantas (androceu e gineceu), como nos animais (macho e fêmea), como nos humanos (homem e mulher).
Por isso, a lei que poderá permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo está a violentar e a violar a Lei Natural que o ser humano não deveria alterar, mas deveria respeitar. Esta lei que a existir, vai legalizar a atracção sexual entre os iguais do mesmo sexo, vai contra a natureza das coisas, é contra a natureza.
São os opostos, os contrários, os diferentes, que, segundo a lei natural, se atraem, se seduzem, se apaixonam, se completam e permitem a procriação.
Dois homens não se completam, não procriam; duas mulheres também não.
Quando o ser humano quer contrariar a lei natural está a exercer uma violência: veja-se, por exemplo a lei natural da gravidade e a violência que se tem de fazer para que um corpo não caia, mas suba, contrariando a lei da gravidade. Precisa de um motor violento, como os foguetes, os foguetões, os aviões e similares…
O mesmo se dá aqui: fazer e aceitar a lei que permite o casamento entre os homosexuais é contrariar a lei da natureza e significa exercer uma certa violência, tal como a lei do aborto implica uma violência contra a vida de um ser humano indefeso…
A violência que o humano exerce (qualquer que seja o contexto) é o contrário da lei divina que é doçura e amor e é a revelação de que o homem se está a deixar dominar pela animalidade que há em si e que o rebaixa e degrada em vez de o elevar e dignificar…
Esta é outra questão: a Igreja Católica prega e aponta o caminho que eleva a pessoa humana como imagem e semelhança de Deus; a sociedade segue e aponta, tantas vezes, caminhos inversos que rebaixam e degradam a pessoa humana.
2- A revelação divina é o segundo lugar onde a Igreja Católica vai buscar o fundamento para as suas posições: Bíblia e tradição. Ora tanto a Bíblia, como a Tradição dizem abertamente que o casamento é entre um homem e uma mulher. A atracção, a sedução e o envolvimento sexual dos iguais é condenada sem qualquer margem para dúvida.
O homem pode fazer muitas coisas, mas não deve, nem tudo lhe convém… Aqui entra a ética, a moral. Uma sociedade sem Deus é uma sociedade sem ética, sem moral. É a lei da selva, a lei do mais forte: vale tudo…
Quando se rejeita a base, o fundamento, o alicerce sólido que é Deus e a revelação divina na Lei Natural e na Bíblia, os alicerces seguros da sociedade são destruídos e depressa a casa vem abaixo: é o que estamos a assistir na derrocada da nossa sociedade sem Deus, sem ética, sem moral, sem valores.
Porque se não se respeita esta e outras leis naturais, tudo se torna relativo, tudo se torna permitido e não há moral, nem ética para se respeitar a verdade, a justiça, os bens dos outros, o bom nome dos outros, etc.
Se se viola esta lei natural, perde-se a razão para defender outras leis naturais e por isso, é que a sociedade é cada vez mais uma selva em que os homens são lobos para os outros homens porque não se respeitam nem sequer as leis naturais…
O Homem destrona Deus fazendo leis contrárias à Lei Natural e coloca-se ele mesmo no lugar de Deus dizendo o que está bem e o que está mal. Deus não conta, só conta o Homem. O problema é que o Homem com Deus diviniza-se, eleva-se, engrandece-se. O Homem sem Deus, rebaixa-se, degrada-se, animaliza-se, bestializa-se…
P. Albano Nogueira