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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

4. REENCONTRAR DEUS, ESSE DESCONHECIDO





Deus Criador

Eis a primeira verdade a que é preciso chegar: Deus Criador. Quando dizemos Criador, não se entende como algo do passado, num determinado momento e que Deus tenha abandonado o mundo á sua existência e se tenha desinteressado por ele.
Neste caso seria como o Relojoeiro que faz o relógio, vende e não mais se interessa por ele.
A Criação é um processo e não apenas um momento.
A Criação continua, por que o Ser necessário faz existir a cada instante, tudo o que não tem em si a razão de ser.
(Tal como criar um filho não é um instante, mas um processo de muitos anos…).
Eu existo, neste momento, porque Deus me cria, me dá a existência, me sustenta a mim e a tudo aquilo que me rodeia.
“Eu sou Aquele que sou, Tu és aquele que não és…”
Mas nós não somos fantoches nas mãos de Deus.
Deus deu à sua criação uma existência coerente, permanente, autónoma, livre.
Nós não somos escravos.
Deus não tinha necessidade de escravos.
Ele não tinha necessidade de criar.
O Seu desígnio é a generosidade, é a comunicação da Sua bondade, do Seu próprio Amor, a parceiros criados à Sua imagem.
Deus criou criaturas inteligentes e livres, senhores da sua existência, com poder para gerar outros humanos, outras criaturas.
Deus não se fecha em si mesmo.
Ele é comunicação, efusão.
Mas porque é que Deus cria seres livres, rivais, algo perigoso para o homem e para Deus?
Perigoso para o homem que pode perder-se por meio dessa liberdade e perigoso para Deus pois o homem que Ele criou pode ignorá-l’O, negligenciá-l’O, degradar a Sua criação e até erguer-se contra Ele, blasfemá-l’O, desafiá-l’O, odiá-l’O.
O homem com a sua liberdade pode tornar-se Deus de si próprio e o ídolo dos outros. Como tolera Deus esse mal com o qual caminhamos lado a lado?
Eis-nos no centro do mistério.
Deus criou o homem livre, porque Ele cria por amor e para o amor.
Só o homem livre é capaz de amar.
Se Deus criasse robots não seriam capazes de amar.
Sem liberdade seriam capazes de prazer, mas não capazes de amar, pois não há amor sem uma certa autonomia e um dom de si mesmo.
Deus correu o risco de criar a liberdade.
É o risco do amor. É o risco de Deus, é o nosso risco.
Devemos tomar consciência do nosso risco.
Deus concedeu-nos a escolha e deveríamos fazer uma boa escolha: escolher Deus = Amor.
Se nos crispamos egoisticamente sobre a nossa existência, para vivermos sem Deus, destruir-nos-emos a nós próprios: cortamos a raiz gratificante da nossa existência.
Se aceitarmos Deus Criador, então a nossa existência encontrará o seu sentido e irá de plenitude em plenitude.

Pe. Albano Nogueira

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

3. BUSCA DE SENTIDO PARA A VIDA



albanosousanogueira@sapo.pt


http://operfumededeus.blogspot.com/



O imaginário humano postula (requer, necessita) a vida eterna e o Amor na origem e no termo de todas as coisas, pois, Deus inscreveu em nós a Sua sede.


Essa polarização (atracção) ultrapassa-nos, ela não tem sentido senão em Deus.
A inteligência metafísica pode conhecer um certo tipo de conceito de Deus.
Existe o ser e o SER. O ser humano e o SER DIVINO.
Através da via humilde e real do realismo, pela sua inteligência, o homem pode reencontrar Deus, não para O “ver”, mas como a Necessidade primeira; como a Origem dinâmica e termo da viagem: Aquele que dá um sentido harmonioso a tudo o que existe.
Sim, alguma existe, há a existência e que maravilhosa que ela é.

A existência vem de longe, ela dá testemunho de um absoluto da EXISTÊNCIA a que se chama Deus.
O universo narra as maravilhas de Deus, diz a Bíblia.

Isto é bem verdadeiro. A criação reflecte a luz original do Criador.

O homem inteligente pode chegar à evidência da existência de um Criador. Se não tem fé, chama-lhe "Acaso..." ou outros nomes.


Porém, esta dimensão torna-se muito difícil no meio cultural em que vivemos, afirmar a existência dum criador, quando a ciência quer explicar tudo naturalmente.

A razão humana, orgulhosa e pretensiosa faz cada vez mais gala do seu agnosticismo e ateísmo.
A razão pode conhecer o Criador, mas as forças do homem pecador são medíocres e voam muito baixo e os filósofos só chegam a Deus muito imperfeitamente.
Foi necessária a Revelação para tomar consciência disso.

A Revelação é a iniciativa divina que nos vem dizer quem é Deus.

Revelação que Deus fez na Criação e Revelação que Deus fez na História Humana, especialmente na História da Salvação narrada na Bíblia.

História da Salvação que começa com Abraão séc XVIII a.C. e torna-se revelação plena na Encarnação do Verbo, o Filho de Deus que se torna carne na pessoa de Jesus de Nazaré e revelação plena na Redenção ou seja, na Paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo na ocasião da Páscoa e continuada na Vida da Igreja Católica, Apostólica, Romana, a Única Igreja fundada por Jesus Cristo.

Porém, sabemos que não basta a revelação divina para Deus ser aceite.

É preciso a aceitação humana que acolhe esta revelação e diz: "Eu creio", "eu acredito", "eu confio", "eu abandono-me a este Deus bíblico Criador e Salvador".
"Mas ter fé" não é só acreditar em Deus. Não é só acreditar na divindade de Jesus Cristo.
"Ter fé" é também deixar-se transformar pela graça divina que actua em nós pelo poder do Divino Espírito Santo.
Deixar que Deus transforme o nosso pensar, o nosso olhar, o nosso ouvir, o nosso sentir, o nosso falar, o nosso agir.
Isso permite-nos ver a realidade, os acontecimentos e as pessoas com um olhar sobrenatural, ou seja, ver tudo do ponto de vista de Deus.
VER TUDO COMO DEUS VÊ...
COM UM OLHAR DE BONDADE, DE DOÇURA...
UM OLHAR DE AMOR, DE COMPAIXÃO...
UM OLHAR DE TERNURA, DE SOLIDARIEDADE...

Pe. Albano Nogueira

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

ADVENTO







Advento tem dois aspectos: a vinda definitiva do Senhor e a preparação para o Natal, mantendo a tradição das 4 semanas.

A Igreja entendeu que não podia celebrar a
liturgia, sem levar em consideração a sua essencial dimensão escatológica - futuro.
Advento quer dizer: “VINDA” e esta vinda tem 3 dimensões:

Cristo veio (passado. Vinda histórica há 2009 anos),

Cristo vem (presente, espiritual na Palavra, na Comunhão, nos acontecimentos, nos irm ãos),

Cristo virá (futuro, Parusia, fim dos tempos...).

O tempo do advento e suas características
O tempo do Advento é para toda a Igreja, momento de forte mergulho na
liturgia e na mística cristã.
É tempo de espera e esperança, de estarmos atentos e vigilantes, preparando-nos alegremente para a vinda do Senhor, como uma noiva que se enfeita, se prepara para a chegada de seu noivo, seu amado.
O Advento começa às vésperas do Domingo mais próximo do dia 30 de Novembro e vai até as primeiras vésperas do Natal de Jesus contando quatro domingos.
Esse tempo possui duas características:

Nas duas primeiras semanas, a nossa expectativa se volta para a segunda vinda definitiva e gloriosa de Jesus Cristo,

Salvador e Senhor da história, no final dos tempos.
As duas últimas semanas, dos dias 17 a 24 de Dezembro, visam em especial, a preparação para a celebração do Natal, a primeira vinda de Jesus entre nós.

Por isto, o Tempo do Advento é um tempo de piedosa e alegre expectativa.

Teologia do advento
O Advento recorda a dimensão histórica da
salvação (passado),
Evidencia a dimensão escatológica do mistério cristão (futuro) e
Insere-nos no carácter
missionário da vinda de Cristo (presente).

Ao serem aprofundados os textos litúrgicos desse tempo, constata-se na história da humanidade o mistério da vinda do Senhor, Jesus, que de facto se encarna e se torna presença salvífica na história, confirmando a promessa e a aliança feita ao povo de Israel.

Deus que, ao fazer-se carne, plenifica o tempo (Gl 4,4) e torna presente o Reino de Deus(Mc 1,15).
O Advento recorda também o Deus da
Revelação.

Aquele que é, que era e que vem (Ap 1, 4-8), que está sempre realizando a salvação, mas cuja consumação se cumprirá no "dia do Senhor", no final dos tempos.
O carácter missionário do Advento se manifesta na
Igreja pelo anúncio do Reino e a sua acolhida pelo coração do homem até a manifestação gloriosa de Cristo.

As figuras de João Baptista e Maria são exemplos concretos da vida missionária de cada cristão, quer preparando o caminho do Senhor, quer levando o Cristo ao irmão para o santificar.

Não se pode esquecer que toda a humanidade e a criação vivem em clima de advento, de ansiosa espera da manifestação cada vez mais visível do Reino de Deus.
A celebração do Advento é, portanto, um meio precioso e indispensável para nos ensinar sobre o mistério da salvação e assim termos a Jesus como referência e fundamento, dispondo-nos a "perder" a vida em favor do anúncio e instalação do Reino.

Espiritualidade do advento
A liturgia do Advento nos impulsiona a reviver alguns dos
valores essenciais cristãos, como a alegria expectante e vigilante, a esperança, a pobreza, a conversão.


P. Albano Nogueira


terça-feira, 24 de novembro de 2009

2. PORQUÊ O ESQUECIMENTO DE DEUS?




2. A ciência moderna nunca chegará a perceber a perceber que o cosmos existe por acto de amor livre e gratuito de Deus que deu o ser ao não-ser.
O homem progride no aspecto científico, mas regride na sua referência ao essencial, a sua dimensão espiritual ligada a Deus.
O homem sem Deus (agnóstico ou ateu) é um homem desestabilizado, deformado, destronado, pois perdeu a sua raiz e o seu fim; a sua razão de ser o o seu futuro.
O que há de mais essencial no Homem (a sua dimensão espiritual e religiosa) atrofiou-se pela cultura moderna e então, porque não pode viver sem isso, procuram-se substitutos para a falta de Deus: nas canções sensoriais, na música agressiva e violenta (hard-rock), nos divertimentos, no dinheiro, no consumismo, nas ideologias, no poder, nos prazeres excessivos, na droga, no sexo sem amor que leva à desilusão e à frustração, no alcoolismo, nos medicamentos, na violência, jogos de azar, etc.
O homem precisa de amor purificado, de poesia, de ternura, de carinho humano fruto da consciência do amor de Deus por nós.
Sem Deus que é Amor e sem o amor humano que se entende à luz do Amor de Deus, o homem é um super-animal, reduzido a tomar consciência do seu absurdo pela sua inteligência.
O amor subsiste, mas muitas vezes, é impulsivo, irracional.

Uma vida sem amor não é possível e torna-se um inferno.
Mas hoje o amor é caricaturado, ridicularizado, desprezado, coisificado, deturpado e temos dificuldade em encontrá-lo nos dias de hoje.
Outros substitutos de Deus são as ideias bizarras, as modas, a obsessão pela novidade, a bruxaria, a astrologia, o espiritismo, os videntes, as superstições, as crendices, os horóscopos, etc.
São os novos mitos que a sociedade moderna criou para adorar em vês de adorar o verdadeiro Deus.
O homem, sem a sua dimensão metafísica, transcendente (o que vai para além da natureza física) relacionada com o ser e a sua dimensão religiosa, relacionada com Deus, seria um animal poderoso, acompanhado de uma infelicidade: o amargo privilégio de saber que vem do nada e que caminha para a morte (para o nada).

A solução, desta maneira de pensar sem Deus) é fechar-se na sua felicidade animal, viver no instante sem procurar mais longe (sem futuro).

O homem viveria apenas olhando para o seu umbigo, de forma egoísta, num activismo sem qualquer finalidade.

P. Albano Nogueira

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A EDUCAÇÃO DOS FILHOS





Há alguns anos a polícia de Houston, no Texas, Estados Unidos, publicou o que chamou de “Dez Regras Fáceis de Como Criar um Delinquente”.

É interessante reflectir sobre elas, especialmente os pais e os educadores. Para isso, vamos transcrevê-las:
1. Comece na infância a dar ao seu filho tudo o que ele quiser.

Assim, quando crescer, ele acreditará que o mundo tem obrigação de lhe dar tudo o que ele deseja.
2. Quando ele disser nomes feios, ache graça.

Isso o fará considerar-se interessante.
3. Nunca lhe dê qualquer orientação religiosa.

Espere até que ele chegue aos 21 anos, e “decida por si mesmo”.
4. Apanhe tudo o que ele deixar jogado: livros, sapatos, roupas.

Faça tudo para ele, para que aprenda a jogar sobre os outros toda a responsabilidade.
5. Discuta com frequência na presença dele.

Assim não ficará muito chocado quando o lar se desfizer mais tarde.
6. Dê-lhe todo o dinheiro que ele quiser.
7. Satisfaça todos os seus desejos de comida, bebida e conforto.

Negar pode acarretar frustrações prejudiciais.
8. Tome partido dele contra vizinhos, professores, policiais (Todos têm má vontade para com o seu filho).
9. Quando ele se meter em alguma encrenca séria, dê esta desculpa: Nunca consegui dominá-lo.
10. Prepare-se para uma vida de desgosto.


O aumento da delinquência juvenil é directamente proporcional à destruição dos lares e das famílias.

Na grande maioria dos casos, o “jovem problema” tem atrás de si “pais problemas”.
Quanto mais, portanto, as santas leis de Deus, em relação à família, forem desrespeitadas e pisadas pelos homens, tanto mais famílias destroçadas teremos, e tanto mais lágrimas rolarão dos olhos dos pais e dos filhos.
Ninguém será feliz desobedecendo às leis de Deus.

Antes de serem leis divinas elas são leis naturais.
E a natureza não sabe perdoar quem se põe contra ela.
Livro do Eclesiástico diz: “Aquele que ama o seu filho corrige-o com frequência, para que se alegre com isso mais tarde” (30,1).
Infelizmente são muitos os pais que não corrigem os seus filhos: ou porque são faltosos como pais ou porque também precisam de correcção, já que também não foram educados.
Mais à frente esse mesmo livro diz: “Aquele que estraga seus filhos com mimos terá que lhes curar as feridas” (30,7). Essa palavra é pesada: “estraga com mimos”.

A criança mimada torna-se problema; pensa que o mundo é dela e que todos devem servi-la. Não há coisa pior para um filho.

Isso ocorre muito com o filho único, objecto de “todas” as atenções e cuidados dos pais, avós e tios.
Não pode haver mal maior do que deixar uma criança abandonada, materialmente, mas principalmente na sua educação.
Muitos pais, vendo os filhos errarem, não os corrigem.

Temos que ensiná-los a usar a liberdade com responsabilidade.

E não lhes dar “toda” liberdade.
Se não conquistarmos os nossos filhos com amor, carinho e correcção sadia, eles poderão ir buscar isso nos braços de alguém que não convém. É preciso que cada lar seja acolhedor para o jovem, para que ele não seja levado a buscar consolo na rua, na droga, na violência... fora de casa.
O factor mais importante na educação é que os pais saibam conquistar os filhos; não com dinheiro, roupa da moda, ténis de marca, mas com aquilo que eles são; isto é, a sua conduta, a sua moral íntegra, a sua vida honrada e responsável. O filho precisa ter “orgulho” do pai, ter “admiração” pela mãe, ter prazer de estar com eles, ser amigo deles. Assim ele ouvirá os seus conselhos e as suas correcções com facilidade.
Sobretudo é importante o respeito para com os filhos; levá-los a sério, respeitar os seus amigos, as suas iniciativas boas.
Se você quer ser amigo do seu filho, então deve tornar-se amigo dos seus amigos e nunca rejeitá-los. Acolha-os em sua casa.
Diante dos filhos os pais não devem ser super-heróis que nunca erram. Ao contrário, os filhos devem saber que os seus pais também erram e que também têm o direito de ser perdoados.
E, para isso, os progenitores precisam aprender a pedir perdão para os filhos quando erram. Não há fraqueza nisso, e muito menos isso enfraquecerá a autoridade deles de pais.
Ao contrário, diante da humildade e da sinceridade dos pais, a admiração do filho por eles crescerá.
Tudo isso faz o pai “conquistar” o filho.
Os defeitos dos pais são os pais dos defeitos dos filhos.
As virtudes dos pais são os pais das virtudes dos filhos.
É importante que os pais saibam corrigir os filhos adequadamente, com firmeza é certo, mas sem os humilhar. Não se pode bater no filho, não se pode repreendê-lo com nervosismo nem o ofender na frente dos amigos e irmãos. Isso tudo humilha o filho e o faz odiar os pais.
Conquiste o filho, não com dinheiro, mas com amor, vida honrada e presença na sua vida. E, sobretudo, leve-o para Deus, consigo.

(tirado da net)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

PORQUÊ O ESQUECIMENTO DE DEUS?






2. O Porquê do esquecimento de Deus
Porque é que Deus, tão essencial, o único essencial, o Único a existir por Ele próprio e a Fonte permanente de toda a existência, é tão esquecido?
Isto tem a ver com as ideias que se foram espalhando e com a cultura.
Eu penso, Eu existo – Esta lógica tendia a fazer do homem a medida de todas as coisas, a esvaziar tudo aquilo que o transcende.

Assim, tudo descambou para o racionalismo: o que vale é a razão humana, a sua inteligência.

A razão pode alcançar toda a verdade.

Só se deve confiar na razão e não confiar nos dogmas religiosos. Depois passa-se ao subjectivismo: o que conta é o sujeito.

As realidades são todas subjectivas quer para o sujeito, quer em si mesmas. Não há realidades objectivas. Depois segue-se o agnosticismo (diz que o ser humano não consegue alcançar um conhecimento absoluto sobre certos fenómenos, tal como Deus e o sobrenatural) ou ateísmo (nega a existência de Deus, valoriza só a vida terrestre) e materialismo dialéctico (tudo se reduz à matéria.
Os valores supremos são os bens materiais, o dinheiro, o prazer).
Toda esta mentalidade foi afastando Deus da vida das pessoas que passaram a dar mais importância à ciência, à técnica, ao progresso.
Tudo isso é bom e Deus quer que o homem progrida, que domine a terra e o universo com a inteligência que é um dom de Deus.
O problema é que a ciência e a técnica entusiasmaram ou concentraram o homem na matéria.
Toda a preocupação e sabedoria foram ter mais meios para dominar a matérias. E só a sabedoria e ciência que dominam a matéria é que foi valorizada.
Até o homem passou a ser entendido apenas no seu aspecto técnico, material. A eficácia material desagregou o Homem porque lhe faltou uma Sabedoria.
O progresso tornou-se ambivalente (mistura de bem e de mal).
Os humanismos não criaram um paraíso na terra.
A violência, a insegurança, as guerras, o terrorismo, as doenças, a destruição da natureza (poluição dos mares, rios, lagos, incêndios, destruição da camada protectora do ozono, aquecimento global, destruição das florestas) aumentam cada vez mais.
O esforço e o progresso humano são admiráveis em muitos aspectos, mas são mesquinhos porque esquecem o essencial: Deus.
A nossa civilização ocupa-se dos “mecanismos”, mas esquece o “ser”. Ocupa-se do “como”, mas esquece o ”porquê”.
Porque é que existem as coisas em vez do nada. Onde está a razão de ser do mundo e das pessoas?
Este mundo não tem a razão de ser nele mesmo. Tudo nele é contingente, tudo nele é dependente.
Se este mundo vem do não-ser (não existia antes de existir).
Logo, alguém lhe deu o ser e Esse alguém nós católicos chamamos Deus; e vai para o não-ser através da degradação progressiva da energia.

P. Albano Nogueira

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

REENCONTRAR DEUS, ESSE DESCONHECIDO

René Laurentin, A Igreja do Futuro, ed Paulistas, Lisboa, 1991.

Hoje assiste-se a um certo vazio de Deus e quando se fala em Deus, fala de um Deus distorcido e deturpado pelo desconhecimento e ignorância.
Os cristãos deveriam ser ensinados a OLHAREM O MUNDO COM O OLHAR DE DEUS, que é bem diferente do homem entregue a si mesmo. Só Deus nos concede a graça de contemplar a VERDADE segundo a Sua luz que é Amor.
Na verdade, tudo vem do Amor (Deus) e tudo se encaminha para o Amor (Deus): Amor do Criador (Deus Pai), amor do Salvador (Deus Filho – Jesus Cristo) que deu a Sua vida pelos seus amigos.
Que faremos nós deste amor? É a questão que Deus nos põe.
Um cristão tem de saber olhar o mundo (e as pessoas) como Deus o olha, mas, para isso, tem de saber olhar para Deus, na Sua relação connosco, com o mundo que Ele criou.
Porém, tudo isto é muito estranho ao nosso mundo e à nossa cultura, mas é algo de muito essencial: olhar o mundo com o olhar de Deus e olhar Deus, na sua relação connosco.
Deus não é um mito, uma abstracção, uma energia.
Ele é uma FORÇA, Ele é uma FONTE. Ele é ALGUÉM.
Ele está mais próximo de nós do que nós pensamos.
Ao reencontrá-l’O como Princípio (Origem) e Termo (Meta) de todas as coisas, nós alargamos a nossa perspectiva mesquinha até ao mais longínquo passado e até ao mais longínquo futuro para o qual Deus nos chamou.

O importante não é apenas ver e dizer (julgar) que o mundo está mal e que se afastou de Deus. O importante não é só fazer o diagnóstico e dizer que uma pessoa está doente com tal doença. Isso é importante, mas depois deve-se fazer todo o possível para se curar e salvar o doente.
O mesmo se diga do Homem de hoje que precisa de Cura e de Salvação.

1- O homem, resposta para tudo?
A mentalidade moderna é que o homem tem e é resposta para tudo.
Só o homem, diz a época moderna, libertado pela “morte de Deus”.
São os humanismos que já vêm do tempo da Renascença – séc. XIV-XVI. Deu-se um regresso ao paganismo. Colocou o homem no centro do mundo (antropocentrismo) e não já Deus (teocentrismo).
Depois vem o séc. XVII e XVIII com novos filósofos que instalou a dúvida metódica, com o século das luzes, onde a Enciclopédia proclamou um novo saber universal que desembocou em violências irracionais, como a Revolução Francesa que proclamou os direitos do Homem, mas massacrou, sem escrúpulos, muitas vezes sem julgamento, os homens que pareciam incómodos a esta causa.
O século XIX é outra etapa na tentativa da “morte de Deus” com o marxismo. Com a ideia da libertação de Deus e da religião a revolução marxista trouxe, perseguições, prisões e morte aos milhões.
O homem moderno encerrou-se num humanismo fechado. Libertou-se de Deus e tentou encontrar em si mesmo a resposta aos seus problemas. O homem passou a adorar-se a si mesmo.
(continua)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

RAZÕES PARA ACREDITAR EM DEUS

albanosousanogueira@sapo.pt


São várias as razões que nos levam a acreditar que Deus existe.

Temos a natureza criada (criação), onde se inclui o Homem e temos a revelação bíblica.
A natureza, o cosmos, o universo, para quem tem fé, é uma revelação de que Deus existe.

O cosmos é uma criatura que reclama um criador.

Todas as criaturas reclamam um criador.

Uma criatura só pode existir se alguém a criou, alguém a originou.
A ciência diz que tudo começou com o big bang, uma grande explosão.
Wikipedia: “Em
cosmologia, Big Bang é a teoria científica que defende surgimento do universo a partir de um estado extremamente denso e quente há cerca de 13,7 bilhões de anos, já que toda a matéria e energia estariam comprimidas em um único ponto. Ela baseia-se em diversas observações que indicam que o universo está em expansão baseado na teoria da Relatividade Geral.
Em sentido mais estrito, o termo "Big Bang" designa a fase densa e quente pela qual passou o universo.
Não vamos entrar na compreensão científica do big bang que é muito complexa.
Mas fica a questão: o que é que explodiu? Se nada existia, como é que explodiu?

Foi uma singularidade que os cientistas não sabem dizer qual a especificidade dessa singularidade.
Os cientistas dizem que foi obra do acaso.

Antes do big bang nada existia, nem o tempo nem o espaço. Se nada existia, como é que explodiu? O nada não explode porque não existe.
Nenhum ser dá o “ser” a si mesmo. Nenhum ser existe por si mesmo.

Nenhum ser se cria a si mesmo. Nenhum ser se origina a si mesmo.

Um ser vem de outro ser, ainda que venha a evoluir para algo diferente.

Nenhum ser tem em si a razão de ser. Logo, a razão de ser e de existir de um ser tem de vir de fora de si mesmo.
Tem de haver um ser que não tenha noutro a sua razão de existir, que não dependa de outro para existir. A esse ser chamamos de “DEUS”.
Outra questão importante é esta: a ciência fala do “começo” do universo que teria acontecido há 13,7 biliões de anos. Mas falta a pergunta: onde está a “origem” do universo?

Quem é que deu origem ao universo. É que “começo” e “origem” não são a mesma coisa.
Eu tive um começo na primeira célula: ovo, mas a origem de mim não está em mim mesmo, mas fora de mim: está nos meus pais. Nenhum ser se gera a si mesmo, nenhuma ser dá o ser a si mesmo. O mesmo se diga do universo.

O Universo teve um começo, um início, mas a origem não está nele mesmo, mas fora dele mesmo. Toda a criatura (criada no tempo e no espaço) exige um criador.
Ora o criador do universo, para quem tem fé, não é obra do acaso, mas Deus.

Deus é o Criador que dá origem a todas as criaturas.
Tudo o que existe, não existe por si mesmo. Nada dá o ser a si mesmo.

O universo não se criou a si mesmo.

O universo é criatura, criado, tem um começo no tempo e no espaço.
Portanto, se é criatura, se teve um começo, alguém lhe deu origem e isso é uma “prova” (indirecta) de que Deus existe.

É uma reflexão que leva a uma conclusão lógica. Todas as criaturas exigem um criador.
A natureza, o universo criado é uma “prova” de que Deus existe.

Claro que quem quiser dizer que o big bang é obra do acaso, pode dizer…

Para quem não tem fé o universo não prova que Deus existe.
Além deste “livro” (o universo) que nos “fala” de Deus, existe a REVELAÇÃO BíBLICA que nos revela a acção de Deus, a presença de Deus no mundo e na história. Mas revela a quem tem fé… Porque a quem não tem fé, tudo é natural.
Cristo é Deus, mas foi morto porque não revelou de forma clara, evidente e irrefutável a sua natureza divina. Porque se por um lado Jesus revelou Deus, também escondeu Deus quando aceitou a sua fragilidade ao ser preso e morto na cruz.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

IMAGENS DISTORCIDAS DE DEUS


Sete imagens distorcidas de Deus

Escrito por Neves Amado – Enviado por Rosa Maria Silva

“Deus”. Quando dizemos esta palavra temos alguma ideia na cabeça, uma “imagem” de Deus. Claro que qualquer ideia que tivermos de Deus, por melhor que ela seja, será sempre incompleta (Deus é sempre muito maior que a nossa cabeça). Mas, por vezes, para além de incompleta, a ideia que temos de Deus está distorcida. Aqui vão algumas dessas imagens distorcidas de Deus:
1. O DEUS-ENERGIA.
Algumas pessoas pensam que Deus é uma “energia positiva”, talvez a energia do amor. De facto, Deus dá muita energia a quantos dele se aproximam. Mas a energia não é Deus. A energia é impessoal - e Deus é pessoal.
Ou seja: Deus é um Alguém que nos conhece e com quem podemos falar e ter uma relação de amizade. Ninguém fala com a energia eléctrica! (a não ser num hospital psiquiátrico!).
2. O DEUS-UNIVERSO.
Algumas pessoas pensam que Deus é o conjunto do universo. De facto, o universo reflecte um pouco de quem é Deus. Mas Deus não é o universo: Deus é o criador do universo.
O universo reflecte quem é Deus - tanto quanto uma obra de arte reflecte a personalidade do artista que a criou. Uma coisa é o quadro que representa a Mona Lisa e outra é Leonardo Da Vinci, o autor do quadro.
3. O DEUS DAS MARIONETAS.
Algumas pessoas pensam que Deus é como um manipulador de marionetas. As marionetas seríamos nós!! Ou seja: pensam que o nosso destino está traçado e controlado por Deus. Mas não é assim: Deus dá e respeita a liberdade que deu ao mundo e a cada um de nós.
Está sempre connosco mas não nos controla, nem mesmo quando nós decidimos negá-Lo ou não Lhe dar importância.
4. O DEUS-POLÍCIA.
Algumas pessoas pensam que Deus anda atrás de nós como um polícia, para ter a certeza de que é cumprida a lei (a ordem moral, os mandamentos).
De facto, Deus anda atrás de nós e persegue-nos - mas não por causa de lei, apenas porque nos ama. Ele anda atrás de nós como um rapaz apaixonado anda atrás da rapariga por quem se apaixonou. Não está interessado em que a lei seja mantida, Deus está interessado em nós porque nos ama. Se nos dá mandamentos é para nos indicar o caminho da nossa verdadeira felicidade. Essa é a única coisa que lhe interessa…
5. O DEUS-COMPANHIA-DE-SEGUROS.
Algumas pessoas esperam que a sua fé funcione como um seguro: se tiverem “as contas em dia” com Deus ficarão protegidas dos perigos e problemas que mais temem (a doença, o fim do namoro ou casamento, etc). De facto, uma boa relação com Deus dá-nos força e um sentimento grande de “abrigo” - mas não nos protege das dificuldades da vida.
Mais: uma relação séria com Deus desafia-nos, puxa por nós e convida-nos a ir mais longe na maneira de estarmos na vida. Leva-nos até, por vezes, a enfrentar riscos que não teríamos sem Ele (como aconteceu aos primeiros cristãos no circo de Roma).
6. O DEUS RELOJOEIRO.
Algumas pessoas pensam que - há muito, muito tempo - Deus criou o mundo e depois ficou simplesmente a observar. Como um relojoeiro depois de ter acabado de fabricar um relógio ao qual já deu corda…
De facto o mundo tem a sua autonomia mas Deus não Se limita a observar: está sempre presente e activo, encontrando mil e uma maneiras discretas de nos bater à porta para intervir na nossa vida.
Ou seja: continua a criar-nos (tal como um pai anda a criar um filho) falando-nos e dando-nos continuamente oportunidades e meios de crescimento.
7. O DEUS PRINCIPEZINHO.
Algumas pessoas associam Deus ao lado adolescente da vida: às emoções fortes, à poesia, à intimidade, à música, ao “pôr-do-sol”…
É um Deus que só está presente nos “momentos mágicos”. De facto, há momentos “mágicos” e poéticos na vida de quem tem fé. Mas também há momentos duros. E Deus continua a estar lá…
O mesmo Deus que criou o pôr-do-sol também deu a Sua vida por nós numa cruz.
Deus revela-se na poesia mas também está presente nos momentos duros, inspirando-nos fidelidade e capacidade de superação de nós mesmos.…
É assim o Deus que Jesus revelou e tratava por “Pai”.
Pe Nuno Tovar de Lemos, sj

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

DIA DE TODOS OS SANTOS








Um de Novembro, dia de memória, dia de saudade, dia de esperança, dia de reflexão.
Donde venho? O meu PASSADO, as minhas raízes.
O que sou? O meu presente, a minha identidade – Tronco a que estou unido.
Para onde vou? O meu futuro relativo (este mundo) e futuro absoluto.
– Depois desta terra. São frutos que devo dar, para Deus colher.
Estas perguntas são importantes para o nosso desenvolvimento humano e cristão.

1- Donde venho? Onde está a minha origem? O meu Passado - As minhas raízes…
Quem me deu o ser, a vida. Meus pais e a eles, avós e a eles, bisavós… … Chegamos a um momento que algo tem um começo, mas falta saber qual a sua origem. Quem lhe deu o ser? Tudo o que existe é criatura, implica um criador. A ciência fala do começo de tudo por meio de uma grande explosão há quase 14 biliões de anos- Big Bang. Mas se nada existia, como é que explodiu? Nada tem em si a sua razão de ser. Tudo o que existe é criado por outro. A ciência diz-nos que algo explodiu, mas como é que o nada explode, se nada existia e se existia quem criou isso que explodiu? A ciência não sabe. Nós também não, mas se temos fé, a fé cristã diz-nos que no princípio, na origem de tudo está Deus.
Deus existe, tem o ser, a vida e dá a vida a todas as coisas. Deus é Criador.
Por isso donde vim eu?

Se tenho fé, vim de Deus que criou o universo e tudo o que existe.

Deus também me criou e continua a criar. A criação não é só algo do passado, mas é algo que continua pelo tempo fora (como criar um filho – demora 20, 30 anos…).

2- Quem sou eu? No presente, aqui e agora.

Numa perspectiva natural, biológica: o Homem é um animal racional.
É animal, nasce, cresce, tem sensibilidade, reproduz-se, trabalha, envelhece e morre.
Mas sou um animal racional que pensa, reflecte, que ama, que é criativo, cria coisas.

Na perspectiva biológica, natural, materialista eu sou apenas uma máquina que tem a sua constituição, a sua utilidade, a sua duração e que está destinada a morrer e a desaparecer.

Matéria, natural, racional – Define o homem por baixo. Sem uma dimensão espiritual e sobrenatural.

Como tal, devo sobreviver a qualquer custo, procurar o prazer, gozar a vida de todas as maneiras.

Não há moral, não há leis, não há regras, vale tudo: é o egoísmo desenfreado. É a lei do mais forte.
Numa perspectiva da fé cristã, o Homem é imagem e semelhança de Deus. Participa de muitas qualidades de Deus: bondade, beleza, poder, amor, inteligência, liberdade.
Uma definição por cima que diz que cada pessoa é uma criatura de Deus, um filho de Deus, digno, que se deve relacionar com Ele pela fé, pela confiança, pelo amor.
Isso implica viver dignamente e respeitar todas as pessoas como filhos e filhas de Deus.
Viver obedecendo aos 10 mandamentos e a viver a mensagem das Bem-aventuranças. Desejo viver, desejo ser feliz e um dia irei ter tudo isso a que agora aspiro, já vou tendo um pouco, mas ainda não na plenitude.
Este relacionamento com Deus, não é algo isolado, individualista, mas inserido numa comunidade: temos o povo de Deus no A.T. e temos a Igreja, o Novo povo de Deus do N.T. A minha fé tem de ser vivida em grupo, em sociedade, em comunidade onde eu tenho direitos e deveres.
Eu não posso querer ter apenas direitos, mas tenho também de cumprir os meus deveres.

Só quem cumpre os seus deveres tem autoridade a pedir e a exigir os seus direitos.

3- Para onde vou? Para onde vou no futuro absoluto?
A visão natural, materialista, biológica da pessoa humana diz que eu vou para um buraco escuro onde tudo acaba.

O homem nasceu para morrer.
A perspectiva cristã católica diz-nos que a pessoa morre para viver, para reviver, para renascer.

A morte não é o fim, mas é um reviver, um renascimento para uma vida nova completamente diferente. Tal como o grão, a semente lançada á terra, morre para dar uma v ida nova, assim acontece com a morte do cristão.

NÃO NASCEMOS PARA MORRER. MORREMOS, SIM, MAS PARA RENASCER, REVIVER.
A pessoa morre toda, mas não acaba. Morre toda para ressuscitar toda e não apenas o corpo.

Nós acreditamos que Aquele Deus é Criador, que ao criar gera Vida e gera Vida por Amor, nos criou no passado, nos sustenta no presente e nos chama a uma amizade com Ele no aqui e agora, tem para nos oferecer uma vida nova de plenitude onde não haverá mais lágrimas, nem dor, nem sofrimento, nem morte, mas a felicidade.
Quem tem fé e sobretudo a fé cristã alicerçada na morte e ressurreição de Jesus Cristo, acredita que a vida é uma caminhada para uma meta, um sentido: a meta não é o fim no cemitério, mas a plenitude de vida abundante e feliz no Céu onde já se encontra Deus, Nossa Senhora, os Anjos, os Santos. Todos os Santos.
Viver é caminhar para Deus.
Donde vim? Vim de Deus que é a minha origem e o meu Criador.
Quem sou eu? Sou pessoa humana, mas também um filho de Deus e irmão dos outros. Devo viver amando a Deus, meu Pai e amando os outros como irmãos.
Para onde vou? Vou para Deus que é a minha meta final, vida Feliz para sempre.
Com Deus tudo tem sentido, rumo, direcção: passado, presente, futuro.
Sem Deus, tudo tem pouco sentido. Agora cabe a cada um escolher. Sem Deus nem sei de onde vim, nem quem sou, nem para onde vou…
Dia de todos os Santos é dia de reflectir e de rezar agradecendo a Deus o dom da fé que os antepassados nos transmitiram e agradecer tudo o que eles fizeram por nós.



Pe. Albano Nogueira

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

SERÁ QUE DEUS EXISTE? - 1



albanosousanogueira@sapo.pt
http://operfumededeus.blogspot.com/

Vou aproveitar este meu espaço no blog para ajudar as pessoas a entenderem melhor o mistério de Deus e tentar dar as razões da nossa fé, da nossa esperança e do amor que nos devia envolver e praticar.
Durante muito tempo nunca se questionou Deus ou os deuses.

Os homens de todos os tempos (se calhar nem todos os homens), a grande maioria dos homens no passado, acreditaram em Deus. Se bem que a Bíblia já faz referência aos ímpios, aos que não crêem que até chegam a perguntar: “onde está o teu Deus?”.
A possibilidade de ateísmo e incredulidade é bem real nas páginas da Bíblia, pois a inteligência humana quer compreender tudo e Deus não se consegue compreender.
Não se vê, parece que muitas vezes não age e deixa tudo acontecer sem interferir.
Ora esta forma de Deus ser e agir, ou não agir de forma visível e à maneira humana, torna Deus incompreensível aos olhos de muita gente.
A questão da existência de Deus e o fenómeno do ateísmo, tem muita a ver com as descobertas científicas e com a possibilidade de tudo se explicar naturalmente e dispensar Deus para aquilo que dantes não se compreendia.
A ciência e a técnica parece que explicam tudo ou ainda irão explicar no futuro e, então, Deus torna-se cada vez menos necessário.
A ciência explica a origem do mundo, a origem da vida, a origem das espécies, a origem dos terramotos, secas, inundações, furacões.
Explica a origem das doenças e a morte.
Parece que Deus ficou a mais, nada sobra para Ele.
Será que Ele existe mesmo, ou é criação, invenção humana?
No campo da razão é sempre possível um SIM a Deus e um NÃO a Deus. Posso dizer: “sim creio em Deus” e dizer: “não, não creio em Deus”.
Deus é um mistério muito grande.

Para muitos Deus é incompreensível; para outros Deus é desnecessário, não faz falta.

Tudo se explica naturalmente.

Tudo é natural e o sobrenatural não existe.

Será mesmo assim?
A ciência não pode falar de Deus porque Deus é de outro nível diferente do nível natural que a ciência estuda.
A ciência não tem autoridade para dizer se Deus existe ou não.
Ainda que explique tudo o que existe, a questão de Deus fica sempre num outro nível de abordagem e que a ciência não pode atingir, a não ser a ciência teológica que não é apenas racional, mas também emoção, fé, amor, esperança, ciência fruto da revelação.
Deus não se pode provar totalmente pela inteligência, pela razão humana.
Apesar disso a fé em Deus não é irracional, ilógica, absurda, sem sentido.
A fé na existência de Deus é racional, razoável, isto é, existem razões e argumentos lógicos, do pensamento que levam a concluir que Deus existe, que tem razão de ser.

COMO SABEMOS QUE DEUS EXISTE?


Absolutamente falando, não sabemos.
Não se pode provar que Deus existe.
Como não se pode provar que Deus não existe.
Se provássemos que Deus existe, Deus deixaria de ser Deus ou os humanos deixariam de ser humanos para ter uma inteligência divina e compreenderem o mistério de Deus.
Só quando morrermos (nessa ocasião deixaremos de ser humanos) iremos ter a certeza daquilo em que acreditamos ou não.


ENTÃO, QUE PODEMOS DIZER DE DEUS?


Deus existe, mas não se pode provar.
É uma questão de fé.
Quem tem fé acredita que Deus existe, quem não tem fé, não acredita que Deus existe.
Deus é CRIADOR, Cria por AMOR porque DEUS é AMOR.
Ao criar dá a VIDA, como os pais criam os filhos gerando vida.
Deus é VIDA.

(continua)

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

CONSOLAÇÃO E DESOLAÇÃO




albanosousanogueira@sapo.pt


No tempo da desolação que devemos fazer?
- Não mudar os propósitos feitos no tempo da consolação (tempo da fidelidade)
- Devemos atacar e combater a desolação, fazer o contrário do que sentimos
- Devemos pensar que precisamos da ajuda de Deus, que sem Ele nós nada podemos, mas com a sua graça tudo podemos.
- Devemos procurar as causas da desolação para tentar resolvê-las


No tempo da consolação que fazer?

- Devemos estar vigilantes para ser fiéis e não nos julgarmos o máximo. Não pensar que Deus me dá a consolação porque sou bom e mereço.
- Devemos anotar as luzes, graças e experiências que Deus nos dá para recordá-las e recorrer a elas em tempo de desolação.
- Dar-Lhe graças pelo seu amor eterno e gratuito.
- Recordar quão débeis e cobardes somos na desolação.
- Pedir a Deus forças para os momentos de desolação.
Todos os dias à noite deveríamos pensar se o nosso dia foi de consolação, de fidelidade ao Senhor e às suas orientações ou se tivemos momentos de egoísmo, de desolação, de infidelidade ao Senhor.
Aproveitar a consolação para agradecer ao Senhor pela generosidade, entrega e fidelidade; aproveitar a desolação para sermos humildes e perceber que pouco podemos sem a ajudar de Deus, ter paciência e acreditar que contamos com a sua graça para resistir, pois Deus venceu o mal em Jesus.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

DISCERNIMENTO NA ORAÇÃO 2







O discernimento permite escolher seguir a lógica, os critérios de Cristo ou seguir a lógica e os critérios do mundo.
Os impulsos de Deus impelem-nos a ter atitudes de serviço a Deus e aos outros o que nos leva a vencer o egoísmo. Dá sempre quietude, paz, força interior, alento, satisfação profunda.
=== Os movimentos interiores que o Senhor nos dá, manifestam-se de vários modos de uma forma mais consoladora:
- Como luz para entender a verdade.
- Como alegria e facilidade em estar com Deus.
- Como compaixão ante o sofrimento de Jesus e dos outros
- Como tristeza pela minha vida frouxa de pecado.
=== Quando seguimos os impulsos egoístas que nos afastam de servir os irmãos, ou nos impelem ao desleixo e ao pecado, temos o tempo de desolação.
As satisfações superficiais por seguir as inclinações do mundo misturam-se com a desolação de sermos infiéis ao Senhor,
- Justificando as nossas atitudes egoístas, vivendo confusos e na escuridão
- Tendo um certo aborrecimento e desânimo pela oração,
- Uma indiferença e afastamento de Jesus.
- Seguimento de uma certa vida frouxa e de pecado.
- E um desejo de viver apenas para mim – egoísmo.
Deus tem um sonho para nós, seus filhos e vai-nos guiando no tempo da consolação, da fidelidade aos seus caminhos;
No tempo de desolação e de afastamento dos caminhos de Deus quem nos guia é o nosso egoísmo.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

DISCERNIMENTO NA ORAÇÃO









Discernir é ir entrando no mistério da vontade de Deus.

Discernimos para buscar a vontade de Deus que é mistério e cujos caminhos não são os nossos.
Discernir não é ver claramente, mas ser dóceis para “deixar-se levar” pelos impulsos de Deus, que, muitas vezes, não entendemos.
Ao discernir não escolhemos entre o bem e o mau (para isso temos os mandamentos), mas discernimos para escolher entre o bom e o melhor: o que Deus quer para mim em cada momento e isto intuído através da Sua Palavra, dos outros, dos acontecimentos e das moções que sentimos dentro de nós.
O critério de discernimento deve ser este: Que faria Jesus se estivesse no meu lugar?
Discernir é conhecer os impulsos do Senhor e deixar-se levar por Ele.

Isso exige uma confiança cega e descansada na força de Deus, que não falha.
Quando fazemos um discernimento, permitimos Deus intervir e estar no mundo.

Discernir é descobrir a força de Deus e do mal em cada um.
Discernir é reconhecer as reacções pessoais entre o bom e o mau impulso.

É optar pelo meio mais eficaz para seguir a Cristo.
Discernir é estar com o olhar colocado em Jesus, que morreu, ressuscita e me chama a colaborar com a sua tarefa, mas dentro da sua própria lógica:
A lógica de Cristo (pensar, falar, sentir, agir) é diferente da lógica do mundo:
Ser último, ser manso, ser humilde, ser puro, ser simples, ser desprendido, servir, ajudar, amar, perdoar, altruísmo.

Esta lógica não se aprende na escola, na televisão, nos filmes, nas revistas, nos exemplos do mundo dos famosos.

Aprende-se na oração e no conhecimento de Jesus Cristo.
A lógica do mundo: ser o primeiro, ser o maior, ganhar, ter muita riqueza, vencer, ser famoso, ser importante, ser servido, odiar, vingar-se.

Soberba, avareza, luxúria, ira, gula, gozar a vida ao máximo, inveja.

EGOÍSMO.
A lógica de Cristo é a morte que traz a vida.

Morte não no sentido de ir para o cemitério, mas morte ao egoísmo, ao mal, à avareza, ao orgulho, à soberba, à vaidade, para vivermos pela bondade, pela verdade, pela humildade, pela simplicidade, pela mansidão.

Perder para ganhar…

Ser fraco, para ser forte.
Discernir é estar sempre atento, vigilante, prudente, como num jogo para que a equipa adversária não marque golo.

Num jogo é preciso evitar que se sofre um golo e se marque um golo.

Há um adversário sempre a atacar-nos (o mal que está dentro e fora de nós). Temos de vencer o mal (não sofrer golos): não fazer o mal; e fazer o bem (marcar golos).


sábado, 3 de outubro de 2009

EIS ALGUNS EFEITOS DA ORAÇÃO







Nós deveríamos imaginar uma árvore e pensar:

1- Raiz o que segura a árvore.

Qual é a tua missão: que vais fazer da vida? Para quê?

2- Tronco - Os valores, as crenças que necessitas de ter como prioritários para cumprires a tua missão.

3- Nos ramos, folhas e flores - Atitudes mediante as quais vais expressar os teus valores.

4- Nos frutos – As tuas metas a nível espiritual, mental, social, física.

Se não fizermos um plano de vida, nada vamos conseguir.

Jesus disse: “Sede perfeitos como o meu Pai é perfeito”.

Isso quer dizer que temos de nos esforçar continuamente.

Nós deveríamos ser uma versão de Jesus inacabada, mas capaz de se aperfeiçoar cada vez mais.


Nenhum cristão está chamado a ser igual ao outro.

Todos os santos são diferentes.

Cada um identifica-se com Jesus a seu modo e com o seu estilo.

Assim deveríamos ser nós.

Que traço de Jesus queres viver de modo especial?

Que valor é o que mais te atrai na Sua pessoa?

Programa-te para o viver e fazeres teu.





Eis alguns efeitos da oração:

- Amor aos outros

- Serviço e ajuda à comunidade

- Alegria interior

- Compreensão dos outros e das situações próprias.

- Misericórdia (capaz de perdoar)

- Verdade nas palavras e nas atitudes

- Paz interior e paz exterior.

- Solidariedade, partilha com os outros.



A meta é que ao ver-me, as pessoas possam dizer: assim era Jesus.

Esta pessoa tem “algo” que me recorda Jesus e O faz sentir perto.


sábado, 26 de setembro de 2009

EFEITOS DA ORAÇÃO


“A melhor oração é a que deixa desejos confirmados com obras” (Santa Teresa)
O critério para saber se a nossa oração é autêntica são as obras que gera em nós.
A árvore conhece-se pelos frutos. Árvore boa dá bons frutos…
A conversão é, quase sempre um processo muito lento e as melhorias na nossa vida moral são vagarosas, aos poucos. Mesmo determinados a seguir Jesus, continuam a existir em nós incoerências, contradições.
O Eu ideal demora tempo a ser alcançado e se impedimos a acção transformadora de Deus mais difícil é chegar àquilo que devíamos ser.
Aquilo que somos, não é aquilo que devíamos ser…
Somos uns e devíamos ser outros.
A oração é o melhor meio de conseguirmos ser aquilo que devemos ser e que Deus espera de nós.
A oração vai-nos tornando parecidos com Jesus, adquirindo os seus critérios, sentimentos, atitudes.
Conhecemos Jesus através da oração.
O conhecimento faz-nos amá-l’O e o amor leva-nos a servir-l’O. Continuamos a ser os mesmos, com os mesmos defeitos, mas podemos melhorar para deixar transparecer Deus em nós.
Se trabalhássemos uma virtude por ano, conseguiríamos alcançar muitas virtudes.
Quando não sabemos o que queremos, quando não fazemos um projecto de vida, a vida passa e o tempo torna-se estéril.
Deveríamos fazer um projecto de vida: a curto prazo (um ano), concreto, exigente, realista, para melhorarmos a nossa vida.
Teríamos de crescer e viver a dinâmica de crescimento como as árvores para cima e para dentro.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

DIVERSOS MODOS DE ORAR


Tudo pode ser motivo de oração: um bom momento, um mau momento, uma boa notícia, uma má notícia, um acontecimento alegre, um acontecimento triste, a natureza, um texto bíblico, uma canção, a presença de Jesus Sacramentado.

ORAR COM A PALAVRA DE DEUS

1- Leitura: de um texto. Que diz este texto que eu li?

2- Meditação: que diz o texto para mim?
Compreender o texto e trazê-lo para dentro de nós e da nossa vida. Através da meditação, Deus comunica-se connosco, inspira-nos e cria em nós os sentimentos de Cristo.
3- Oração: quando percebemos o que Deus nos pede passamos à oração de petição.
Oração de gratidão pelo que Deus faz por nós.
Que me leva este texto a dizer a Deus? Deus fala para nós, mas também nos toca.

4- Contemplação: é o que fica nos olhos e no coração depois da oração. Começamos a ter olhos novos para observar e avaliar a vida.
Pela contemplação descobrimos e saboreamos a presença activa e criativa de Deus e comprometemo-nos com o processo de transformação que esta Palavra provocou na história.

Ler a Palavra, conservar a Palavra, relê-la, pedindo a Deus luz e levá-la, durante o dia como um tesouro no coração.
Permanecer na Palavra que levamos para a vida nos nossos gestos e projectos alicerçados na Palavra de Deus.
Viver a Palavra: na vida, nos acontecimentos.

ORAR UM ACONTECIMENTO

Deus revela-se na natureza, na Bíblia e também se revela nos acontecimentos.
Devemos descobrir a Sua presença e pôr-nos à escuta.
Os hebreus viam os acontecimentos como teofanias (manifestações) de Deus:
O Mestre está aqui e chama-te.

1= O primeiro acontecimento sou eu mesmo: o meu corpo, a minha idade, a minha saúde, as minhas penas, as minhas alegrias, os meus êxitos, os meus fracassos.

2= Um acontecimento exterior é o meu próximo, reflexo de Jesus e todas as criaturas através das quais Deus se comunica connosco.
Olhar é mais do que ver…
Escutar é mais do que ouvir…
Fazer um momento de silêncio e com paz e amor ver o que sucedeu, porquê, onde, quando, como.
Depois de assimilar o acontecimento, iluminá-lo com a luz do evangelho.
Daí passar à oração de súplica, gratidão, louvor.

Concretizar como devo agir à luz da fé em Deus.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

JESUS, MESTRE DE ORAÇÃO




Em Jesus encontramos a vida abundante, encontramos a fonte de Água Viva.

Nele podemos sentir-nos saciados e ser uma fonte para os outros beberem.
Jesus reza: os evangelhos mostram Jesus a rezar várias vezes.

Oração e vida eram essenciais na relação de Jesus com Deus Pai.
Jesus expressa na oração a Sua vida interior
Acção de graças pela sua missão, angústia de morrer por fazer a vontade do Pai, amizade e testamento espiritual, despedida dos seus amigos mais íntimos.
Jesus ilumina com a oração o sentido da Sua missão.
A sua oração orientada para o Pai, não se volta sobre si m/, não é individualista.

Apoia-se na sua missão e abre-se aos outros.

Os outros são a Sua razão de ser da sua oração.
Jesus ensina a rezar. O Pai Nosso.

Diz que a oração deve ter várias características:

= Ser sóbria. Deus sabe o que precisamos, não precisamos muitas palavras


= Discreta e íntima. Não é para sermos vistos pelos outros. Intimidade: eu e Deus


= Atenta e recolhido.

Entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai no segredo


= Vigilante.

Atenção positiva, não de medo.

O Mestre está aqui e chama-te. Atenção


=Humilde.

Conhecer seus limites e pecados.

Deitar fora o orgulho.

Fariseu e publicano


= Coerente.

Leva a viver segundo o que se descobre na oração, critérios de Jesus.


= Solidária.

Oração tem de nos aproximar dos outros, tem de levar à solidariedade. Jesus está presente em nós e nos outro:“O que fizestes aos outros, a mim o fizestes”.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

VI SIMPOSIO DO CLERO DE PORTUGAL- CONCLUSÕES


albanosousanogueira@sapo.pt
http://operfumededeus.blogspot.com/

VI Simpósio do Clero de Portugal - Conclusões
……..
4.- Todos os oradores abordaram o tema-lema do Simpósio: «Reaviva o dom que há em ti».
5.- (…) A espiritualidade não é redutível à psicologia, mas que uma espiritualidade não assente em correctas bases psicológicas, facilmente se transforma em moralismo vazio e autoritário.
6.- As pessoas não se seduzem nem se cativam verdadeiramente com a acomodação do Evangelho aos seus desejos e gostos pessoais. Só quando o sacerdote se deixou, primeiro, seduzir no encontro pessoal com Cristo, poderá falar de tal maneira que as pessoas o descobrem possuído de uma luz e beleza que ele mesmo desconhece. Como Moisés, depois de falar com Deus.
7.- O sacerdote não é um anjo. Junto com qualidades e luzes, tem defeitos e sombras. Só reconhecendo humildemente também as sombras se poderá abrir ao Amor que o plenifica, transforma e transfigura.
8.- A formação sacerdotal ou é permanente ou não é verdadeira formação sacerdotal.
O Senhor é fiel. Ao chamar sempre aquele que escolheu, não pára de o chamar todos os dias da sua vida. A Formação Permanente é a experiência de vocação permanente, como resposta agradecida e repleta de fidelidade ao Deus que ama e chama.
9.- Esta autêntica mudança de paradigma na concepção de formação permanente implica que se crie uma cultura de formação permanente na Igreja, pois ainda não existe.
A nossa vida, ou é formação permanente, ou é frustração permanente, repetitividade, desleixo geral, inércia, apatia, perda de credibilidade, ineficácia apostólica.
10.- A Formação Permanente é essencialmente psicológico-espiritual; um processo de conformação-assimilação aos sentimentos do Filho obediente, do Servo sofredor, do Cordeiro inocente.
11.- Ter uma cultura de Formação Permanente para aprender da vida, durante toda a vida. Até ao último dia.

13.- A espiritualidade do presbítero deve ser nutrida cada dia. Os grandes meios são:
- manter um contacto assíduo com a Palavra de Deus;
- amar a Deus e deixar-se amar por Ele;
- viver uma vida de oração autêntica que inclui a Liturgia das Horas e a devoção mariana;
- celebrar diariamente a Eucaristia, como centro da vida ministerial;
- recorrer regularmente ao Sacramento da Confissão;
- viver a comunhão eclesial, principalmente com o Papa, o bispo e o presbitério;
- doar-se total e incansavelmente ao ministério pastoral, ao empenho missionário e evangelizador; ser o homem da caridade, da fraternidade e da bondade, do perdão, da misericórdia para com todos;
- ser solidário com os pobres, sendo seu defensor e amigo, vendo neles os preferidos de Deus».
14.- Uma atenção cuidada aos vários programas de formação dos seminários levar-nos-á à opção pelo modelo de integração, polarizado no dinamismo da Cruz como ícone do Mistério Pascal, onde o amor entregado nos convida incessantemente, iluminando-nos e aquecendo-nos, a recebermos agradecidos o dom que a vida sacerdotal é, e a oferecermo-la alegremente como dom.
15.- Este Modelo de Integração fará que nos sintamos abençoados por Deus e ajudar-nos-á a tornarmo-nos uma feliz bênção para os outros.
Uma vida espiritual intensa, iluminada pelo guia fiável que é o Vaticano II, permitirá ao sacerdote entrar mais profundamente em comunhão com o Senhor e ajudá-lo-á a deixar-se possuir pelo amor de Deus, tornando-se sua testemunha em todas as circunstâncias, mesmo difíceis e obscuras. (SC, 89)
16.- Os caminhos a percorrer para a Igreja responder aos novos desafios do mundo de hoje não estão ainda bem definidos e traçados. Temos de utilizar a lucidez na análise do que se apresenta, e a paciência misericordiosa para enfrentar as incompreensões.
17.- Foi bom ouvir que a Igreja ama os seus sacerdotes, os admira e reconhece a sua insubstituível e incansável participação pastoral na missão e na vida eclesiais.
18.- E que, à semelhança de São Francisco, encontrando no caminho um sacerdote e um anjo, saudaria primeiro o sacerdote, mesmo se fosse grande pecador, porque o sacerdote é quem nos dá o pão eucarístico.
19.- O Santo Cura D’Ars reconforta-nos ainda mais ao afirmar: «Deus obedece-lhes. Depois de Deus, o sacerdote é tudo».
Ser padre é viver todos os dias a Consagração: consagrando as espécies eucarísticas e consagrando-se aos irmãos (...).
...
21.- Como bem recorda Bento XVI: «É preciso sempre partir de Cristo. Mas isso supõe tê-lo encontrado, ter-se deixado por Ele transformar inteiramente, ou seja, ter-se tornado seu discípulo fiel. Tudo começa ali. Encontrar-se com Cristo e deixar-se por ele transformar»
Só assim reavivaremos continuamente o dom que há em nós, e responderemos gozosamente ao desafio incessantemente renovado de o oferecer aos outros, porque do povo de Deus vimos e só para o servir existimos.

Fátima, 4 de Setembro de 2009

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

ORAÇÃO VOCAL, MENTAL, CONTEMPLATIVA





O fim da oração é descobrir e fazer a vontade de Deus em mim.

“Teu sou, para Ti nasci.

Que queres, Senhor, de mim?”.
A oração é feita uma parte por nós e outra parte por Deus.

Há um momento em que o esforço é nosso (ascese) para nos dispor ao encontro com Deus e outro momento em que é um dom de Deus que actua em nós, gratuitamente (mística), mesmo sem estarmos preparados.


ETAPA ASCÉTICA – ESFORÇO HUMANO


1-Oração Vocal

É falar com Jesus como falamos com outras pessoas. Podemos servir-nos de orações conhecidas: Pai-Nosso, Avé Maria, Credo, Glória, Salmos, ou de orações que outros fizeram, jaculatórias ou frases orantes tiradas do evangelho para manter a presença de Deus.

Meditar em cada palavra do Pai Nosso, da Ave –Maria, etc.

Saborear palavra por palavra já faríamos uma grande oração.
Representar Jesus diante de nós: imagem, estátua, cruz…



2-Oração Mental

Pensar, reflectir, meditar o que Jesus passou por nós., quem é Ele, como é Ele? Quem sou eu, como sou eu?
Pensar tudo quanto Deus faz por nós para nos despertar a amar, que “amor gera amor”. Podemos partir de um texto da Bíblia, de um acontecimento, deixar que a Palavra de Deus nos interpele e confronte, descobrir que nos diz Deus através dela.
Entender quem é Jesus, quem é Deus Pai, o que me oferece, como O poderei contentar e como conformar a minha condição com a Sua.



3-Oração de Recolhimento

É a meta das duas anteriores. É a oração que recolhe toas as potências: inteligência, memória (imaginação), vontade e ajuda a pessoa a entrar dentro de si mesma, onde Deus habita.
O Mestre está próximo e não precisamos de falar para que nos ouça. É importante descobrir quem é Jesus (o Mestre que nos ensina a orar), não nos afastarmos d’Ele para orar como convém.
Trabalhar nas virtudes, decidir-se a levar a cruz desde o princípio e fazer actos de amor por Deus.


»»» Nesta etapa ascética dá-se a oração de generosidade, o conhecimento próprio, orar a própria história da salvação, tratar a vida de Cristo, a oração do olhar, descobrir o próprio método de oração.


sábado, 29 de agosto de 2009

AJUDA-TE A TI MESMO (A)


albanosousanogueira@sapo.pt
http://operfumededeus.blogspot.com/

O sofrimento faz parte da vida, mas há muito sofrimento desnecessário que não fazia falta existir e que Deus não quer.
Nós sofremos, muitas vezes porque não sabemos orientar bem o nosso pensamento e as nossas emoções. Somos maus para nós mesmos.
Muito sofrimento vem porque nós pensamos e damos valor a coisas que não devíamos dar e amamos coisas ou pessoas de forma incorrecta.
O nosso pensar é muito importante. Se pensarmos em coisas boas, no bem, na bondade, na amizade, teremos alegria e felicidade.
Se não dermos importância ao mal, se não dermos importância ao que os outros pensam ou dizem de nós, não ocupamos o pensamento com isso e se dermos valor à nossa pessoa, o nosso sofrimento será muito menor.
O primeiro passo a dar é: PURIFICAR O NOSSO PENSAMENTO. Ter boas ideias, não pensar no mal, nem se preocupar com o que os outros dizem ou pensam de nós. Ignorar isso. Não dar importância nenhuma a isso.
O segundo passo é PURIFICAR AS NOSSAS EMOÇÕES: os nossos sentimentos, o nosso coração: AMAR DE FORMA CORRECTA.
Amar-se a si mesmo, amar os outros, a começar pelos pais, marido, esposa, filhos, irmãos, parentes.
Ter um BOM CORAÇÃO. TER BONS SENTIMENTOS. Gostar, amar a começar por si mesmo (a).
Por isso, eu digo-te ajuda-te a ti mesmo (a). Gosta de ti mesmo (a). Respeita-te a ti mesmo (a).
Só assim SERÁS FELIZ A SÉRIO.
A causa da maior parte do teu sofrimento não vem de fora, mas de dentro de ti mesmo: do teu pensar e do teu sentir.
Pede luz a Deus para teres boas ideias e um bom coração, bens sentimentos. Não desejes o mal a ninguém; faz o bem aos outros, ama-te a ti mesmo e toda a tua vida será luminosa, pacífica, serena.
Como Jesus e Maria de Nazaré, sê manso, humilde, bom, puro, pacífico, generoso, casto, paciente, caridoso, moderado. E SERÁS FELIZ e o teu sofrimento será muito menor.
Não te iludes, não te enganes. A culpa do teu sofrimento não é dos outros, o mal que te faz sofrer não vem de fora, mas de dentro de ti mesmo.
O mal não vem do demónio, nem dos espíritos, nem das almas do outro mundo, nem dos maus-olhados, nem dos males de inveja, nem das pragas que os outros te rogam. Não acredites nisso. Tudo isso é conversa mentirosa, engano, ilusão.
O mal que te faz sofrer, na maior parte das vezes, vem de dentro de ti mesmo: do teu pensamento e das tuas emoções: pensas mal e sentes mal. Pensas o que não deves e amas o que não deves…
A luta que tens de travar na tua vida não é contra os outros, mas contra o mal que há em ti mesmo: na tua cabeça e no teu coração.
Quando essas duas realidades estiverem livre de lixo, de porcaria, de veneno, de maldade, eu garanto-te que TU SERÁS MUITO FELIZ.

Teu amigo Pe. Albano Nogueira