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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A SALA QUE POUCO USAMOS (4)

albanosousanogueira@sapo.pt
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2- A INTELIGÊNCIA HUMANA E A RESPONSABILIDADE (3)
A propósito da liberdade humana, vejamos o que nos diz o Catecismo da Igreja Católica: Deus criou o homem racional, conferindo-lhe a dignidade de pessoa dotada de iniciativa e do domínio dos seus próprios actos. «Deus quis deixar o homem entregue à sua própria decisão, de tal modo que procure por si mesmo o seu Criador e, aderindo livremente a Ele, chegue à total e beatífica perfeição».

I.Liberdade e responsabilidade
A liberdade é o poder, radicado na razão e na vontade, de agir ou não agir, de fazer isto ou aquilo, praticando assim, por si mesmo, acções deliberadas. A liberdade é, no homem, uma força de crescimento e de maturação na verdade e na bondade. E atinge a sua perfeição quando está ordenada para Deus, nossa bem-aventurança.
Enquanto se não fixa definitivamente no seu bem último, que é Deus, a liberdade implica a possibilidade de escolher entre o bem e o mal, e portanto, de crescer na perfeição ou de falhar e pecar. É ela que caracteriza os actos propriamente humanos. Torna-se fonte de louvor ou de censura, de mérito ou de demérito.
Quanto mais o homem fizer o bem, mais livre se torna. Não há verdadeira liberdade senão no serviço do bem e da justiça. A opção pela desobediência e pelo mal é um abuso da liberdade e conduz à escravidão do pecado.
A liberdade torna o homem responsável pelos seus actos, na medida em que são voluntários. O progresso na virtude, o conhecimento do bem e a ascese aumentam o domínio da vontade sobre os próprios actos.
Toda a pessoa humana, criada à imagem de Deus, tem o direito natural de ser reconhecida como ser livre e responsável.

II. A liberdade humana e pecado
A liberdade do homem é finita e falível. E, de facto, o homem falhou. Livremente, pecou. Rejeitando o projecto divino de amor, enganou-se a si mesmo; tornou-se escravo do pecado. Esta primeira alienação gerou uma multidão de outras. A história da humanidade, desde as suas origens, dá testemunho de desgraças e opressões nascidas do coração do homem, como consequência de um mau uso da liberdade.
O exercício da liberdade não implica o direito de tudo dizer e fazer. É falso pretender que «o homem, sujeito da liberdade, se basta a si mesmo, tendo por fim a satisfação do seu interesse próprio no gozo dos bens terrenos».
Afastando-se da lei moral, o homem atenta contra a sua própria liberdade, agrilhoa-se a si mesmo, quebra os laços de fraternidade com os seus semelhantes e rebela-se contra a verdade divina.
Libertação e salvação. Pela sua cruz gloriosa, Cristo obteve a salvação de todos os homens. Resgatou-os do pecado, que os retinha numa situação de escravatura. «Foi para a liberdade que Cristo nos libertou».
Foi-nos dado o Espírito Santo e, como ensina o Apóstolo, «onde está o Espírito, aí está a liberdade» (2 Cor 3, 17). Já desde agora nos gloriamos da «liberdade dos filhos de Deus».
Liberdade e graça. A graça de Cristo não faz concorrência de modo nenhum, à nossa liberdade, quando esta corresponde ao sentido da verdade e do bem que Deus colocou no coração do homem. Pelo contrário, e como o certifica a experiência cristã sobretudo na oração, quanto mais dóceis formos aos impulsos da graça, tanto mais crescem a nossa liberdade interior e a nossa segurança nas provações, como também perante as pressões e constrangimentos do mundo exterior. Pela acção da graça, o Espírito Santo educa-nos para a liberdade espiritual, para fazer de nós colaboradores livres da sua obra na Igreja e no mundo:

(continua)
Padre Albano Nogueira

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A SALA QUE (QUASE) NUNCA USAMOS 3

2.2. A INTELIGÊNCIA (2)
htt://operfumededeus.blogspot.com
Há uma visão cristã do corpo humano como templo, morada do Espírito Santo.
O corpo como algo de sagrado, de muito digno.
S. Paulo, nas suas cartas, diz que o corpo não é para a imoralidade, mas merece todo o respeito porque é um lugar onde Deus mora, onde Deus habita.
Infelizmente, há muitas situações em que a pessoa não reconhece nem a sua própria dignidade, nem a dignidade dos outros.
Não reconhece que Deus mora em nós e nos outros.
Em muitos casos não se respeita a vida, não se respeita a saúde, a integridade física, não se respeitam os idosos, não se respeitam os bens dos outros, não se respeita a dignidade humana, não se respeitam os direitos humanos, etc.
Há uma visão cristã do corpo e uma visão cristã da inteligência.
Esta tanto pode ser usada para o bem, como para o mal.
É a fé cristã e o evangelho que iluminam a pessoa e o seu pensar para que ele seja usado para o bem.
No sinal da cruz fazemos uma cruz na testa.
Nessa altura estamos a pedir a Deus que nos ajude a ter boas ideias, bons pensamentos, para escolhermos o melhor bem.
A filosofia diz: “O Homem é um animal racional”.
É uma definição insuficiente, pobre, limitada.
O que é que ajuda a distinguir e a perceber quando se usa a inteligência para o bem ou a inteligência para o mal?
A inteligência humana só por si, não consegue distinguir o bem e o mal.
Ela precisa de uma luz superior que a ética e a moral (cristã) dão para se saber usar a inteligência para o bem e não para o mal.
A pessoa é naturalmente egoísta, centrada em si mesma, preocupada em primeiro lugar consigo mesma.
A preocupação pelos outros não é natural. Fazer bem aos outros e esquecer-se de si mesmo, não é natural. Há uma tendência ontológica, essencial para o egoísmo, para a sobrevivência e a luta por si mesmo, por vezes, passando por cima dos direitos dos outros.
A Bíblia diz: “O Homem é uma imagem e semelhança de Deus”.
Ou seja, não basta ser racional, inteligente.
Não basta desenvolver o corpo e a inteligência.
É preciso ser imagem e semelhança de Deus, parecido com Deus, com Jesus Cristo que passou a vida fazendo o bem.
É preciso ser mais que inteligente: SER SÁBIO, ter a sabedoria da vida, ter a sabedoria cristã que leva a entender a vida e a pessoa humana mais profundamente como imagem e semelhança de Deus.
Meu irmão, minha irmã, estamos a começar a quaresma.
Aproveita este tempo favorável para te absteres do mais importante.
O mais importante não é abster-se de carne às sextas-feiras da quaresma.
O mais importante é a abstinência do egoísmo, do pecado, de todo o mal.
Usa a tua inteligência para o bem, não apenas o teu próprio bem, porque isso é egoísmo, mas para o bem comum e o bem dos outros.
Lê a Bíblia, a Palavra de Deus, lê bons livros de formação humana e cristã para seres inteligente, culto, mas também para ganhares sabedoria que te leva a compreender a tua pessoa e a pessoa dos outros, compreender a tua vida e a vida dos outros.
Para compreenderes que precisas de Deus, da fé, do divino Espírito Santo, da Igreja Católica para te saberes conduzires nos caminhos da vida de forma verdadeiramente LIVRE…
Não como a sociedade diz, mas como Jesus Cristo diz: não basta ter liberdade.
É preciso que sejas LIVRE.
Usa a tua inteligência para perceberes sabiamente esta distinção.
Esse é uma dos maiores desejos de Deus a teu respeito: quer que tu sejas VERDADEIRAMENTE SÁBIO E VERDADEIRAMENTE LIVRE.

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Não te esqueças:
QUANTO MAIS EXTERIORIDADE, MENOS PESSOAS SOMOS
E MAIS OBJECTO (COISA) SOMOS OU NOS TORNAMOS.
QUANTO MAIS INTERIORIDADE, MAIS PESSOA SOMOS.
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(continua)
Padre Albano Nogueira

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A SALA QUE (QUASE) NUNCA USAMOS 2


2- A INTELIGÊNCIA

Uma das características do ser humano é ser racional, inteligente, criador e criativo, inovador.
O seu cérebro é uma maravilha difícil de compreender.
Além de ser corpo, o ser humano é inteligente, pensa, raciocina.
É outro “andar” do edifício humano, outra “sala” da casa única que é cada pessoa.
O ser humano deve desenvolver a inteligência.
Aprender, ler, estudar.
Mas não se devia só estudar por obrigação, ler por obrigação, aprende por obrigação.
Devia desenvolver-se a inteligência, o conhecimento, de forma livre, voluntária e aprender a conhecer a pessoa humana.
Estudar para conhecer a sua psicologia, a sua forma de ser e pensar como homem, como mulher nos seus momentos e idades de diferentes desenvolvimentos.
Seria bom que as pessoas lessem livros e revistas boas de ciências humanas e religiosas.
Conhecer a fé, a religião, o Deus revelado, etc.
Ler livros e revistas de espiritualidade, ler a Bíblia.
Ter cultura religiosa. Há tanta ignorância religiosa.
Esta é uma “sala”, uma dimensão da nossa vida da qual se usa apenas uma parte. Estuda-se na escola para passar, por obrigação, de forma contrariada.
O que eu sugiro é que as pessoas aproveitem este tempo litúrgico da Quaresma para leir bons livros de formação integral ao longo de toda a vida. Não ler apenas as revistecas baixas e ditas “cor-de-rosa” que vasculham a vida da pessoa.
Ler livros e revistas que elevem a pessoa e não aquelas que despem a pessoa da sua dignidade e a degradam cada vez mais.
Ler, estudar, meditar no silêncio do seu quarto, da sua sala.
As pessoas têm cada vez mais cultura científica, escolar, mas têm cada vez menos conhecimento de si mesmo, dos outros e de Deus, da religião, da fé cristã católica.
Há muita ignorância de coisas essenciais, fundamentais e muitos conhecimentos exteriores, do mundo.
Há gente que passa pela vida sem saber "quem é ele mesmo", “quem é o outro”, sem saber como “funciona” (como é, pensa, age e reage) um homem, sem saber como “funciona” (como é, pensa, age e reage) uma mulher, sem saber “quem é Deus”, “quem é Jesus Cristo”, “quem é a Igreja”, etc…
Um das descobertas mais fascinantes da nossa vida é CONHECERMO-NOS A NÓS MESMOS.
Hoje há muita INFORMAÇÃO nas pessoas, mas pouca FORMAÇÃO.
Então a nível religioso, há uma grande ignorância e desconhecimento nos cristãos católicos do que é ser cristão, seguidor de Jesus Cristo veiculado, transmitido pela Igreja Católica.
A Inteligência é um dom de Deus e fruto do desenvolvimento da pessoa humana. Participação da inteligência divina e, como tal, devia ser usada sempre para o bem.
Meu irmão, minha irmã, aproveita o teu corpo e a tua inteligência durante este tempo da quaresma e da tua vida
PARA FAZERES SEMPRE O BEM SEGUNDO A VONTADE DE DEUS E O EVANGELHO e não tanto segundo a tua vontade.

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Não te esqueças:
QUANTO MAIS EXTERIORIDADE, MENOS PESSOAS SOMOS
E MAIS OBJECTO (COISA) SOMOS OU NOS TORNAMOS.
QUANTO MAIS INTERIORIDADE, MAIS PESSOA SOMOS.
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Padre Albano Nogueira

sábado, 13 de fevereiro de 2010

CARNAVAL

CARNAVAL – A CARA QUE SE ESCONDE, O CORPO QUE SE MOSTRA

O Carnaval é uma festa pagã e como tal, tem muito sucesso.
Tudo o que é tradição pagã é cada vez mais recordado, vivido e desenvolvido pelas pessoas.
É que o paganismo não tinha respeito pelo corpo, pela pessoa, por Deus.
O paganismo é uma crença em diversos deuses, tal como nos tempos do Império Grego e Império Romano.
Crença essa que levava, tantas vezes, a comportamentos que mais tarde foram rejeitados e condenados pelo cristianismo porque não conheciam a novidade trazida por Jesus Cristo que ensinava que o Homem é uma imagem e semelhança de Deus, com uma dignidade excepcional.
O paganismo era um sistema de crenças em deuses cheio de defeitos e pecados (à semelhança dos humanos) que permitiam todos os excessos humanos em todos os campos: excessos no comer, no beber, nos divertimentos, no campo sexual…
O Carnaval são 3 dias de excessos, orgias, escondidos atrás das máscaras. Esconde-se a cara, mas mostra-se o corpo, como se faz, sobretudo nos países quentes.
A festa do Carnaval não é uma festa típica do Brasil. Toda essa farra existe desde a Antiguidade e vem de muito longe.
O Carnaval originário tem início nos cultos agrários da Grécia, de 605 a 527 a.C. Com o surgimento da agricultura, os homens passaram a comemorar a fertilidade e produtividade do solo.
O Carnaval Pagão começa quando Pisistráto oficializa o culto a Dioniso na Grécia, no século VII a.C. e, termina, quando a Igreja Católica adopta a festa em 590 d.C.
O primeiro foco de concentração carnavalesca se localizava no Egipto.
A festa era nada mais que dança e cantoria em volta de fogueiras.
Os foliões usavam máscaras e disfarces simbolizando a inexistência de classes sociais.
Depois, a tradição se espalhou por Grécia e Roma, entre o século VII a.C. e VI d.C. A separação da sociedade em classes fazia com que houvesse a necessidade de válvulas de escape.
É nessa época que sexo e bebidas se fazem presentes na festa.
Em seguida, o Carnaval chega em Veneza para, então, se espalhar pelo mundo. Diz-se que foi lá que a festa tomou as características actuais: máscaras, fantasias, carros alegóricos, desfiles...
O Carnaval Cristão passa a existir quando a Igreja Católica oficializa a festa, em 590 d.C. Antes, a instituição condenava a festa por seu carácter “pecaminoso”.
No entanto, as autoridades eclesiásticas da época se viram num beco sem saída.
Não era mais possível proibir o Carnaval.
Foi então que houve a imposição de cerimónias oficiais sérias para conter a libertinagem.
Mas esse tipo de festa batia de frente com a principal característica do Carnaval: o riso, a brincadeira...
É só em 1545, no Concílio de Trento, que o Carnaval é reconhecido como uma manifestação popular de rua. Em 1582, o Papa Gregório XIII transforma o Calendário Juliano em Gregoriano e estabelece as datas do Carnaval.
O motivo da mobilidade da data é não coincidir com a Páscoa Católica.
Carnaval: carne + vale, quer dizer que se ia entrar num tempo (a Quaresma) em que ia embora a carne, uma vez que era proibido comer carne durante a Quaresma.
Então comia-se em três dias muita carne (daqui Domingo gordo) para depois de fazer abstinência.
Brincar não faz mal. Faz até bem.
O problema é quando as pessoas jogam o Carnaval o tempo todo… Usando máscaras… Escondendo o bem (tendo vergonha do bem) e mostrando o mal (sem vergonha de fazer o mal) …

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QUANTO MAIS EXTERIORIDADE,
MENOS PESSOAS SOMOS E MAIS OBJECTO SOMOS.
QUANTO MAIS INTERIORIDADE, MAIS PESSOA SOMOS.
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p. Albano Nogueira

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A SALA QUE (QUASE) NUNCA USAMOS


CONHECER-SE A SI MESMO(A)

Em quase todas as casas há uma divisão bonita, bem mobilada, larga, espaçosa, com luz solar, boa mobília, boa loiça, bons cortinados, bons quadros, televisão, música, sofás, etc.
Mas há muitas famílias que quase nunca usam essa divisão: é a sala de jantar.
Usa-se a cozinha, os quartos, a garagem, às vezes o sótão, mas raramente usam a sala.
Se calhar é a sala mais bonita, mais cómoda, mas fica quase sempre vazia, por usar…
Temos, mas não usamos…
Somos ricos, mas não usamos a riqueza que temos…
Não damos valor ao que temos e ao que somos…
Este exemplo, nós podemos passá-lo para a nossa vida, para a nossa pessoa.
Na nossa vida pode passar-se algo um pouco parecido.
A nossa pessoa é como uma casa com várias divisões, vários andares, várias dimensões, mas há algumas que usamos pouco ou nada e se calhar falta-nos usar as melhores, mas mais bonitas.

Nós somos corpo (matéria), pensamento, afectividade, interioridade, espiritualidade.

1- O CORPO é a expressão visível de todas as outras dimensões.
Vivemos num mundo muito materialista que valoriza muito (até demais) o corpo: comer, beber, dormir, trabalhar, divertir-se, prazer, desporto, gozar (onde entra a sexualidade, a droga), beleza.
Mas em relação ao corpo esquece-se a dimensão mais espiritual do corpo: a linguagem do corpo de forma mais profunda: olhar, sorriso, carinho, ternura.
Hoje, adora-se o corpo, faz-se tudo para bem do corpo na sua dimensão materialista.
Procura-se os prazeres corporais, tantas vezes até ao excesso que correm o risco de degradar a pessoa humana e a tornar dependente de vícios.
O corpo é importante, devemos cuidar dele se estiver doente, devemos protegê-lo, defendê-lo, evitar os vícios e as dependências, mas não se pode fazer sempre a vontade ao corpo.
Muitas vezes tem de se contrariar os apetites corporais.
Não podemos ser escravos do corpo e dos seus apetites.
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QUANTO MAIS EXTERIORIDADE,
MENOS PESSOAS SOMOS E MAIS OBJECTO SOMOS.
QUANTO MAIS INTERIORIDADE, MAIS PESSOA SOMOS.
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(CONTINUA)

Pe. Albano Nogueira

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

6. A EXPERIÊNCIA DE DEUS


A nossa experiência de Deus é dupla:
a) Presença transcendente e imanente de Deus Criador.
b) Presença misericordiosa, cujo amor total nos estabelece num pé de igualdade com Deus: “Já não vos chamo servos, mas amigos” (Jo 15,15), pois o amor cria igualdade: e o amor de Deus, sem limites, foi para isso até à morte e à Eucaristia.
Esta experiência de Deus é mais discreta que a experiência de Deus Criador, pois o amor de Deus esconde-se durante a peregrinação de fé em que Ele nos acompanha.
Ele está junto de nós como uma fonte escondida.
Se Ele se revelasse nós já não seríamos desta terra: “ninguém pode ver a Deus sem morrer”, diz a Bíblia
A experiência de Deus Criador, podemos de alguma maneira aceder a ela, através dos nossos recursos humanos; mas o Amor Salvador é o fruto de um dom gratuito.
Nós temos de realizar em nós a verdade do Amor Salvador.
- Isto supõe a ordem da nossa vida, a sua rectidão, pois os nossos pecados, obscurecem a experiência do Amor misericordioso que nos salva, donde a insistência de Cristo sobre a importância de realizar os seus mandamentos.
- Esta verdade realiza-se pela caridade, pelo serviço dos outros.
- Realiza-se nos actos de culto, onde Cristo constrói e alimenta o Seu Corpo que é a Igreja e o faz frutificar.
- Esta experiência de Deus realiza-se na experiência da fé e quem faz essa experiência aproxima-se da luz.

René Laurentin, A Igreja do Futuro, ed Paulistas, Lisboa, 1991.

sábado, 23 de janeiro de 2010

5. A EXPERIÊNCIA DO DEUS SALVADOR (2)

albanosousanogueira@sapo.pt

a) Primeiramente, a “admirável permuta” da Encarnação.

O Filho de Deus quis nascer da Virgem Maria, para assumir a nossa humanidade e nos comunicar em troca a Sua divindade.
Tomou a nossa fraqueza, para nos dar a Sua força.
Partilha a nossa temporalidade para fazer aceder à Sua eternidade.
A pessoa divina encarnada tornou-se a célula regeneradora e cabeça da humanidade.
b) Mas era preciso uma outra permuta, um outro trabalho: a Redenção (salvação, libertação).

Cristo fez-se pecado por nós, diz S. Paulo em 2 Cor 5, 21, para nos comunicar a Sua justiça, a Sua santidade divina: “sede santos como Eu sou santo” (Lv 19,2).
Cristo morreu de morte humana, para nos dar em troca a Sua vida divina.
Ele comprometeu a Sua Mãe nesta nova permuta.
Pela morte, Ela perdia esse Filho Santíssimo e recebia, em seu lugar, filhos pecadores. Assim, a Mãe de Deus torna-se Mãe dos homens.
Nós acedemos, por pura bondade, a esse mistério: a nossa divinização.
É para alimentar essa vida, que o Salvador nos dá o Seu Corpo em alimento, numa nova e misteriosa permuta em que o nosso corpo assimila o sinal material do pão, enquanto o nosso ser é transformado, divinizado em Jesus Cristo, sem perda da sua personalidade.
Jesus Cristo inseriu-se no tronco genealógico dos homens e, depois disso, fez de nós, por meio da Sua morte de amor e da Sua Ressurreição, um só corpo místico: divino e humano.


René Laurentin, A Igreja do Futuro, ed Paulistas, Lisboa, 1991.


domingo, 17 de janeiro de 2010

5. A EXPERIENCIA DO DEUS SALVADOR






A experiência ontológica (interior) de Deus Criador é apenas uma primeira verdade e uma primeira etapa da mensagem revelada.

Mas Deus não criou o homem apenas para a terra onde ele reina.

Ele convida-o para a sua refeição: para uma partilha eterna com Ele.

É uma festa, é o banquete de Deus, anuncia Jesus no evangelho.

Eis porque Ele nos criou.
E porque o homem, rei da terra, falhou no seu destino pelo pecado, Deus Criador fez-se Deus Salvador.

Tudo isto sabemos não pela nossa razão, mas através da Revelação.
Nós perdemos muito esse sentido de Deus Salvador porque se perdeu o sentido de pecado e o sentido do novo nascimento para a vida de Deus.
Existe nos humanos a concupiscência, isto é, a atracção pelos desejos materiais ou sensuais, desejo sexual intenso, a desordem dos desejos, desorientados pelo pecado.

O homem traz em si os gérmenes (sementes) da sua própria perda.

Ele tem necessidade de um Salvador para emergirmos do afundamento do pecado, de sermos salvos da morte, de encontrar “a vida depois da vida”.
Para nos fazer partilhar da sua vida divina, depois de nos ter libertado do pecado, o próprio Criador fez-se criatura.

Ele deixou-se imergir, submergir, neste mundo de pecado, que Lhe deu a morte.

Ele fez brotar aqui em baixo a divina fonte de amor, capaz de resolver o drama humano de finitude, do pecado, da morte, da sede insaciável, portanto, infinita, inscrita no coração do homem.
A aventura de Cristo é um mistério de partilha e tem duas etapas: Encarnação e Redenção.

Deus assume a nossa vida humana e dá-nos a Sua vida divina.

Ele tomou sobre si a morte, preço do pecado, a dá-nos a Sua vida eterna. Este mistério da partilha de Cristo tem duas etapas: a Encarnação e a Redenção.

Ele tomou a nossa fraqueza, os nossos males, para nos dar o melhor de Si próprio.


René Laurentin, A Igreja do Futuro.

domingo, 10 de janeiro de 2010

4. Deus Criador (2)


A maravilha da nossa existência é que ela nos vem de Deus que é Amor, a cada instante e temos, por isso, razão para nos enchermos de alegria.
Deus cria-nos com tantos recursos e tantos desejos que nos ultrapassam, porque Ele os quer satisfazer e só Ele os pode satisfazer.
Fora de Deus, contra Deus, nós dispersamo-nos, destruímo-nos, tornamo-nos escravos do pecado, vítimas da sua desintegração.
- Com Deus, em Deus (pois Ele está em nós e nós n’Ele), nós ficamos cheios, seguros de um futuro maravilhoso, para o qual Ele nos convida a todos.
Deus Criador, que nos fez existir, está mais próximo de nós do que nós estamos de nós mesmos. E essa proximidade é amor.
Se tomarmos consciência dela a resposta deverá ser a adoração do Criador, reconhecimento e a acção de graças por esse dom gratuito que nos foi concedido.
E ao dar acção de graças, não perdemos a graça que damos a Deus, pois Ele no-la devolve multiplicada.
Ele intensifica esse vínculo feliz da criatura com o Criador que desemboca também na súplica confiante daquilo que nos faz falta e que Ele nos quer dar.
Esse dom radical e permanente apela à oblação de nós mesmos, pois é dando-nos que nos realizamos.
O amor não se realiza senão no dom e na reciprocidade.
Deus é o nosso princípio, a nossa origem, Ele é a verdadeira raiz do nosso ser.
Somos carnais, animais e, por acréscimo, pecadores.
Deveríamos ter esta consciência ontológica d’Aquele que nos faz existir como nos conta a Bíblia e desperta em nós a oração, se nos deixarmos guiar pelo Espírito Santo.
- É importante tomar consciência luminosa e frutuosa do Criador que nos cumula dos seus bens.
- E pela graça, quando Deus nos comunica generosamente o Seu amor, quando lhe abrimos o coração.
A espiritualidade reequilibra o Homem e constrói a paz em Deus.
Hoje, muitos afastaram-se desses segredos de Deus por causa das ciências humanas. Muitos cristãos deixam de fazer uma auto-análise: a que a luz da graça realmente suscita.
Fazendo esta auto-análise aprendemos melhor a viver esta relação com Deus Criador.
As explicações científicas são importantes, mas elas não excluem a visão da fé em Deus Criador.
Aliás, todas as realidades podem ser vistas de vários pontos de vista que se completam e nem sempre se opõem.
O mesmo se diga da visão da ciência que não vai contra a visão da fé em Deus como CRIADOR.
(René Laurentin, A Igreja do Futuro, ed Paulistas, Lisboa, 1991).
P. Albano Nogueira

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

FELIZ ANO NOVO 2010



FELIZ ANO DE 2010

AOS MEUS AMIGOS(AS) E LEITORES(AS)
DESEJO UM FELIZ ANO NOVO DE 2010
--
NÃO SE ESQUEÇA QUE A FELICIDADE DEPENDE
MAIS DE TI DO QUE DOS OUTROS
--
NÃO ESPERES QUE SEJAM OS OUTROS
A TORNAREM A TUA VIDA MELHOR
ELA DEPENDE SOBRETUDO DE TI
A FELICIDADE MAIOR NÃO ESTÁ FORA DE NÓS,
MAS DENTRO DE NÓS MESMOS.
--
NÃO CRITIQUES OS OUTROS SE A TUA VIDA NÃO CORRE TÃO BEM COMO GOSTARIAS
FAZ TUDO O QUE DEPENDE DE TI.
--
1-CONFIA EM TI MESMO.
ACREDITA EM TI MESMO
PORQUE DEUS TAMBÉM ACREDITA EM TU MESMO
--
2- CONFIA NOS OUTROS,
EMBORA COM CUIDADO PARA NÃO SERES ENGANADO
--
3- CONFIA EM DEUS
--
VIVA A VIDA.
NÃO TE DEIXES ARRASTAR PELA VIDA
PROCURA TU CONDUZIRES A TUA VIDA
SEGUNDO A VONTADE DE DEUS
FAZENDO O BEM E EVITANDO O MAL
BENDITO SEJA DEUS QUE NOS DÁ O DOM DA VIDA

Um forte abraço meu irmão

Pe. Albano Nogueira

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

CONTO DE NATAL




Enquanto espero pela Ceia de Natal, decidi, escrever este conto de Natal que li alguma vez, há algum tempo…

“Há muito, muito tempo, um casal ainda jovem, morava na floresta.
Ele era cortador de lenha e ela era doméstica.
Não tinham filhos e eram muito pobres. Tão pobres, que o marido metia o seu cachimbo vazio na boca sem tabaco e a esposa nem sequer tinha um pente para se pentear.
Certo ano, estando próximo o Natal cada um começou a pensar numa prenda a dar ao outro.
A esposa, como não tinha pente para se pentear, decidiu cortar as suas tranças e comprar tabaco para o cachimbo vazio do seu marido.
O marido, por sua vez, como não tinha tabaco, decidiu vender o cachimbo para comprar um pente para a sua esposa pentear o seu longo cabelo comprido.
Nenhum sabia nada da intenção do outro.
Na noite de Natal, cada um trouxe o seu presente embrulhado.
A esposa disse:
- Tenho um presente para ti.
O marido respondeu:
- É muito engraçado. Eu também tenho um presente para ti.
A esposa disse:
- Vendi as minhas tranças do cabelo para te comprar tabaco para o teu cachimbo. Aqui tens um pacote de tabaco.
O marido um pouco desolado exclamou:
- Muito azar o nosso. Eu vendi o meu cachimbo para te comprar um pente para te penteares e agora nem tu tens tranças, nem eu tenho cachimbo…
Os dois abraçaram-se muito longamente soltando cada qual uma lágrima de felicidade e ficaram muito felizes porque cada um, por amor, tinha sacrificado o que de melhor tinha para dar um presente ao outro.
Cada um guardou o presente do outro porque veio o dia em que o cabelo cresceu e a esposa pôde usar o pente que o marido lhe dera e o marido, ganhou dinheiro e comprou um novo cachimbo para dar umas fumaradas, de vez em quando…”.
E assim viveram felizes para sempre…

Esta história de Natal ensina-nos que quem ama faz coisas lindas como esta: esquece-se de si, sacrifica o que de melhor tem para fazer feliz o outro.
Deus Pai deu-nos o que melhor tinha para nos fazer felizes: deu-nos o Seu Filho Jesus Cristo e este sacrificou o que de melhor tinha – a sua vida – para nos salvar, nos dar vida e vida abundante.
Aprende, meu irmão, minha irmã, esta lição do Natal:
- AMAR É FAZER FELIZES OS OUTROS.

Pe. Albano Nogueira

SEJA UM PRESENTE PARA OS OUTROS




Meu irmão, minha irmã.
Neste Natal de 2009, pense que mais importante do que dar presentes, é
VOCÊ SER UM BOM PRESENTE de Deus para os outros.
Tal como Jesus Cristo é um presente de Deus para nós, assim cada um de nós deve ser um presente para os outros.
NATAL é acolher Jesus como o maior presente que Deus tinha para nos dar.

O marido deveria ser um bom presente para a esposa.
A esposa deveria ser um bom presente para o marido.
Os pais deveriam ser um bom presente para os filhos.
Que os filhos sejam um bom presente para os pais.
Que todos sejamos bons presentes para os outros.
Faça um exame de consciência e veja de está a ser uma prenda, um presente, uma bênção de Deus para a sua família, para a Igreja, para a sociedade...
Se não é, procure ser.
Você será mais feliz e fará mais felizes os outros.
Se isto acontecer é sinal que somos bons uns para os outros, os amamos, os aceitamos, os ajudamos, os compreendemos, os servimos...

Procure que a sua presença seja um bem para os outros e que todos da sua presença, sinal de que é alguém muito positivo, muito amigo, compreensivo, bom...
Problema é quando não somos presentes para os outros
e somos FARDO, PESO, CRUZ...

Não te esqueças:

NÃO FAÇAS AOS OUTROS O QUE NÃO QUERES QUE TE FAÇAM A TI...

FAZ AOS OUTROS O QUE GOSTARIAS QUE TE FIZESSEM A TI.


UM SANTO E FELIZ NATAL DE 2009 E UMA FELIZ ANO DE 2010.

E não te esqueças que a tua felicidade depende mais da bondade que há em ti do que das coisas e dos outros...

Pe. Albano de Sousa Nogueira

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

OS MEUS VOTOS





UM SANTO E FELIZ NATAL DE JESUS NASCIDO HÁ 2009 ANOS...

PARA TODOS OS QUE ME COSTUMAM LER

E COMUNICAR COMIGO

NOS MEUS BLOGUES

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UM FELIZ ANO DE 2010

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UM GRANDE ABRAÇO
MUITA PAZ, ALEGRIA, ESPERANÇA
E AMOR PARA TODOS

SÃO OS MEUS VOTOS:
PADRE ALBANO SOUSA NOGUEIRA

sábado, 19 de dezembro de 2009

ENTRA EM TI, FAZ SILÊNCIO, ADORA



Meu irmão, minha irmã,
Estamos às portas do natal.
Lembra-te que Jesus nasceu no silêncio de uma gruta, um palheiro na presença de Maria e de José.
Por isso, Natal CRISTÃO A SÉRIO implica silêncio, meditação, oração, contemplação.
- Não deixes que o Natal Pagão, te roube o verdadeiro significado do Natal cristão: recordar o nascimento de Jesus Cristo.
- Não te deixes enredar nas correrias loucas desta sociedade materialista nestes dias;
- Não te deixes sufocar pelo desperdício de compras, de presentes, de comidas, de bebidas, esquecendo que o melhor não custa dinheiro.
O amor não custa dinheiro.
Um sorriso não custa dinheiro.
Um abraço não custa dinheiro
Um beijo não custa dinheiro.
Faz silêncio, meu irmão, minha irmã.
Habitua-te a pensar, a esperar, a meditar, a fazer silêncio, a orar, a adorar.
Entra no teu quarto, fecha os olhos, respira fundo, faz silêncio absoluto e tenta encontrar Deus aí dentro de ti mesmo e fala com Ele.
Deus mora fora de ti, mas também dentro de ti. Fala com esse Deus de Vida, de Amor.
Fala a teu Pai do Céu da tua vida, fala do teu amor, ou da falta dele.
Fala a Deus Pai e a Jesus acerca dos teus planos e dos planos de Deus sobre ti.
Uma vida cristã bem acertada deveria levar a que os teus planos para a tua vida futura deviam ser rezados para coincidirem com os planos de Deus sobre ti.
Meu irmão, minha irmã, aprende o essencial da vida: AMAR.
A vocação do homem e da mulher é ser imagem e semelhança de Deus e Deus é Amor. Por isso, a vocação do homem e da mulher é AMAR.
Falo de AMOR- ÁGAPE, CARIDADE, NÃO FALO DE SEXO…
Que amas tu, meu irmão, minha irmã?
Quem amas tu, meu irmão, minha irmã?
Amas as coisas materiais, os bens deste mundo?
Amas as pessoas, todas as pessoas?
Amas-te a ti mesmo?
Amas a Deus que te criou, te sustenta, te ama e te dá todos os dons que tens?
PÁRA, PENSA, MEDITA, CONTEMPLA, ORA, ADORA…
QUE AMAS TU?… … … QUEM AMAS TU?... … …

Um santo e feliz natal são os votos deste vosso amigo Pe. Albano Nogueira

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

COMO ESTÁS A PREPARAR O TEU NATAL?





COMO ESTÁS A PREPARAR O TEU NATAL?
A QUE DÁS MESMO IMPORTÂNCIA?
À DIMENSÃO INTERIOR DO NATAL OU APENAS AO EXTERIOR:
- COMPRAS, PRESENTES, ROUPAS, COMIDAS,
PINHEIROS, LUZES, PRESÉPIO?
- O EXTERIOR SEM O INTERIOR VALE MUITO POUCO.
Pensa numa pessoa muito bonita por fora, mas com um cancro.
O exterior pouco vale, se o interior está estragado.
Não te contentes com um Natal pagão simplesmente de comidas, bebidas, presentes, luzes, árvores enfeitadas...
O exterior vale se for acompanhado pela dimensão afectiva, amiga, carinhosa e solidária do Natal.
A dimensão interior do Natal é também a fé no verdadeiro Deus revelado em Jesus Cristo, o Filho de Deus.
Uma fé que implica compromisso com esse Deus que se dá a conhecer.
Natal Cristão é acolher Jesus Cristo, o Salvador do mundo.
Peço-te que, na tua casa, neste Natal, haja menos presentes, mas mais carinho, mais ternura, mais diálogo, mais ajuda mútua, mais compreensão, MAIS AMOR…
Que haja fé, um lugar para Deus, oração, confiança.
Que o ANIVERSARIANTE (Jesus Cristo) seja convidado para a festa da noite de Natal.
Se o fizeres garanto-te que serás muito mais feliz e farás felizes os outros…
NATAL É ACOLHER JESUS CRISTO.
Natal é a Vida que nasce no Deus Menino e isso aconteceu a primeira vez há 2009 anos.
Natal é Paz, Vida, Verdade, Justiça, Solidariedade, Amor.
UM SANTO E FELIZ NATAL

Pe. Albano Nogueira

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

4. REENCONTRAR DEUS, ESSE DESCONHECIDO





Deus Criador

Eis a primeira verdade a que é preciso chegar: Deus Criador. Quando dizemos Criador, não se entende como algo do passado, num determinado momento e que Deus tenha abandonado o mundo á sua existência e se tenha desinteressado por ele.
Neste caso seria como o Relojoeiro que faz o relógio, vende e não mais se interessa por ele.
A Criação é um processo e não apenas um momento.
A Criação continua, por que o Ser necessário faz existir a cada instante, tudo o que não tem em si a razão de ser.
(Tal como criar um filho não é um instante, mas um processo de muitos anos…).
Eu existo, neste momento, porque Deus me cria, me dá a existência, me sustenta a mim e a tudo aquilo que me rodeia.
“Eu sou Aquele que sou, Tu és aquele que não és…”
Mas nós não somos fantoches nas mãos de Deus.
Deus deu à sua criação uma existência coerente, permanente, autónoma, livre.
Nós não somos escravos.
Deus não tinha necessidade de escravos.
Ele não tinha necessidade de criar.
O Seu desígnio é a generosidade, é a comunicação da Sua bondade, do Seu próprio Amor, a parceiros criados à Sua imagem.
Deus criou criaturas inteligentes e livres, senhores da sua existência, com poder para gerar outros humanos, outras criaturas.
Deus não se fecha em si mesmo.
Ele é comunicação, efusão.
Mas porque é que Deus cria seres livres, rivais, algo perigoso para o homem e para Deus?
Perigoso para o homem que pode perder-se por meio dessa liberdade e perigoso para Deus pois o homem que Ele criou pode ignorá-l’O, negligenciá-l’O, degradar a Sua criação e até erguer-se contra Ele, blasfemá-l’O, desafiá-l’O, odiá-l’O.
O homem com a sua liberdade pode tornar-se Deus de si próprio e o ídolo dos outros. Como tolera Deus esse mal com o qual caminhamos lado a lado?
Eis-nos no centro do mistério.
Deus criou o homem livre, porque Ele cria por amor e para o amor.
Só o homem livre é capaz de amar.
Se Deus criasse robots não seriam capazes de amar.
Sem liberdade seriam capazes de prazer, mas não capazes de amar, pois não há amor sem uma certa autonomia e um dom de si mesmo.
Deus correu o risco de criar a liberdade.
É o risco do amor. É o risco de Deus, é o nosso risco.
Devemos tomar consciência do nosso risco.
Deus concedeu-nos a escolha e deveríamos fazer uma boa escolha: escolher Deus = Amor.
Se nos crispamos egoisticamente sobre a nossa existência, para vivermos sem Deus, destruir-nos-emos a nós próprios: cortamos a raiz gratificante da nossa existência.
Se aceitarmos Deus Criador, então a nossa existência encontrará o seu sentido e irá de plenitude em plenitude.

Pe. Albano Nogueira

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

3. BUSCA DE SENTIDO PARA A VIDA



albanosousanogueira@sapo.pt


http://operfumededeus.blogspot.com/



O imaginário humano postula (requer, necessita) a vida eterna e o Amor na origem e no termo de todas as coisas, pois, Deus inscreveu em nós a Sua sede.


Essa polarização (atracção) ultrapassa-nos, ela não tem sentido senão em Deus.
A inteligência metafísica pode conhecer um certo tipo de conceito de Deus.
Existe o ser e o SER. O ser humano e o SER DIVINO.
Através da via humilde e real do realismo, pela sua inteligência, o homem pode reencontrar Deus, não para O “ver”, mas como a Necessidade primeira; como a Origem dinâmica e termo da viagem: Aquele que dá um sentido harmonioso a tudo o que existe.
Sim, alguma existe, há a existência e que maravilhosa que ela é.

A existência vem de longe, ela dá testemunho de um absoluto da EXISTÊNCIA a que se chama Deus.
O universo narra as maravilhas de Deus, diz a Bíblia.

Isto é bem verdadeiro. A criação reflecte a luz original do Criador.

O homem inteligente pode chegar à evidência da existência de um Criador. Se não tem fé, chama-lhe "Acaso..." ou outros nomes.


Porém, esta dimensão torna-se muito difícil no meio cultural em que vivemos, afirmar a existência dum criador, quando a ciência quer explicar tudo naturalmente.

A razão humana, orgulhosa e pretensiosa faz cada vez mais gala do seu agnosticismo e ateísmo.
A razão pode conhecer o Criador, mas as forças do homem pecador são medíocres e voam muito baixo e os filósofos só chegam a Deus muito imperfeitamente.
Foi necessária a Revelação para tomar consciência disso.

A Revelação é a iniciativa divina que nos vem dizer quem é Deus.

Revelação que Deus fez na Criação e Revelação que Deus fez na História Humana, especialmente na História da Salvação narrada na Bíblia.

História da Salvação que começa com Abraão séc XVIII a.C. e torna-se revelação plena na Encarnação do Verbo, o Filho de Deus que se torna carne na pessoa de Jesus de Nazaré e revelação plena na Redenção ou seja, na Paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo na ocasião da Páscoa e continuada na Vida da Igreja Católica, Apostólica, Romana, a Única Igreja fundada por Jesus Cristo.

Porém, sabemos que não basta a revelação divina para Deus ser aceite.

É preciso a aceitação humana que acolhe esta revelação e diz: "Eu creio", "eu acredito", "eu confio", "eu abandono-me a este Deus bíblico Criador e Salvador".
"Mas ter fé" não é só acreditar em Deus. Não é só acreditar na divindade de Jesus Cristo.
"Ter fé" é também deixar-se transformar pela graça divina que actua em nós pelo poder do Divino Espírito Santo.
Deixar que Deus transforme o nosso pensar, o nosso olhar, o nosso ouvir, o nosso sentir, o nosso falar, o nosso agir.
Isso permite-nos ver a realidade, os acontecimentos e as pessoas com um olhar sobrenatural, ou seja, ver tudo do ponto de vista de Deus.
VER TUDO COMO DEUS VÊ...
COM UM OLHAR DE BONDADE, DE DOÇURA...
UM OLHAR DE AMOR, DE COMPAIXÃO...
UM OLHAR DE TERNURA, DE SOLIDARIEDADE...

Pe. Albano Nogueira

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

ADVENTO







Advento tem dois aspectos: a vinda definitiva do Senhor e a preparação para o Natal, mantendo a tradição das 4 semanas.

A Igreja entendeu que não podia celebrar a
liturgia, sem levar em consideração a sua essencial dimensão escatológica - futuro.
Advento quer dizer: “VINDA” e esta vinda tem 3 dimensões:

Cristo veio (passado. Vinda histórica há 2009 anos),

Cristo vem (presente, espiritual na Palavra, na Comunhão, nos acontecimentos, nos irm ãos),

Cristo virá (futuro, Parusia, fim dos tempos...).

O tempo do advento e suas características
O tempo do Advento é para toda a Igreja, momento de forte mergulho na
liturgia e na mística cristã.
É tempo de espera e esperança, de estarmos atentos e vigilantes, preparando-nos alegremente para a vinda do Senhor, como uma noiva que se enfeita, se prepara para a chegada de seu noivo, seu amado.
O Advento começa às vésperas do Domingo mais próximo do dia 30 de Novembro e vai até as primeiras vésperas do Natal de Jesus contando quatro domingos.
Esse tempo possui duas características:

Nas duas primeiras semanas, a nossa expectativa se volta para a segunda vinda definitiva e gloriosa de Jesus Cristo,

Salvador e Senhor da história, no final dos tempos.
As duas últimas semanas, dos dias 17 a 24 de Dezembro, visam em especial, a preparação para a celebração do Natal, a primeira vinda de Jesus entre nós.

Por isto, o Tempo do Advento é um tempo de piedosa e alegre expectativa.

Teologia do advento
O Advento recorda a dimensão histórica da
salvação (passado),
Evidencia a dimensão escatológica do mistério cristão (futuro) e
Insere-nos no carácter
missionário da vinda de Cristo (presente).

Ao serem aprofundados os textos litúrgicos desse tempo, constata-se na história da humanidade o mistério da vinda do Senhor, Jesus, que de facto se encarna e se torna presença salvífica na história, confirmando a promessa e a aliança feita ao povo de Israel.

Deus que, ao fazer-se carne, plenifica o tempo (Gl 4,4) e torna presente o Reino de Deus(Mc 1,15).
O Advento recorda também o Deus da
Revelação.

Aquele que é, que era e que vem (Ap 1, 4-8), que está sempre realizando a salvação, mas cuja consumação se cumprirá no "dia do Senhor", no final dos tempos.
O carácter missionário do Advento se manifesta na
Igreja pelo anúncio do Reino e a sua acolhida pelo coração do homem até a manifestação gloriosa de Cristo.

As figuras de João Baptista e Maria são exemplos concretos da vida missionária de cada cristão, quer preparando o caminho do Senhor, quer levando o Cristo ao irmão para o santificar.

Não se pode esquecer que toda a humanidade e a criação vivem em clima de advento, de ansiosa espera da manifestação cada vez mais visível do Reino de Deus.
A celebração do Advento é, portanto, um meio precioso e indispensável para nos ensinar sobre o mistério da salvação e assim termos a Jesus como referência e fundamento, dispondo-nos a "perder" a vida em favor do anúncio e instalação do Reino.

Espiritualidade do advento
A liturgia do Advento nos impulsiona a reviver alguns dos
valores essenciais cristãos, como a alegria expectante e vigilante, a esperança, a pobreza, a conversão.


P. Albano Nogueira


terça-feira, 24 de novembro de 2009

2. PORQUÊ O ESQUECIMENTO DE DEUS?




2. A ciência moderna nunca chegará a perceber a perceber que o cosmos existe por acto de amor livre e gratuito de Deus que deu o ser ao não-ser.
O homem progride no aspecto científico, mas regride na sua referência ao essencial, a sua dimensão espiritual ligada a Deus.
O homem sem Deus (agnóstico ou ateu) é um homem desestabilizado, deformado, destronado, pois perdeu a sua raiz e o seu fim; a sua razão de ser o o seu futuro.
O que há de mais essencial no Homem (a sua dimensão espiritual e religiosa) atrofiou-se pela cultura moderna e então, porque não pode viver sem isso, procuram-se substitutos para a falta de Deus: nas canções sensoriais, na música agressiva e violenta (hard-rock), nos divertimentos, no dinheiro, no consumismo, nas ideologias, no poder, nos prazeres excessivos, na droga, no sexo sem amor que leva à desilusão e à frustração, no alcoolismo, nos medicamentos, na violência, jogos de azar, etc.
O homem precisa de amor purificado, de poesia, de ternura, de carinho humano fruto da consciência do amor de Deus por nós.
Sem Deus que é Amor e sem o amor humano que se entende à luz do Amor de Deus, o homem é um super-animal, reduzido a tomar consciência do seu absurdo pela sua inteligência.
O amor subsiste, mas muitas vezes, é impulsivo, irracional.

Uma vida sem amor não é possível e torna-se um inferno.
Mas hoje o amor é caricaturado, ridicularizado, desprezado, coisificado, deturpado e temos dificuldade em encontrá-lo nos dias de hoje.
Outros substitutos de Deus são as ideias bizarras, as modas, a obsessão pela novidade, a bruxaria, a astrologia, o espiritismo, os videntes, as superstições, as crendices, os horóscopos, etc.
São os novos mitos que a sociedade moderna criou para adorar em vês de adorar o verdadeiro Deus.
O homem, sem a sua dimensão metafísica, transcendente (o que vai para além da natureza física) relacionada com o ser e a sua dimensão religiosa, relacionada com Deus, seria um animal poderoso, acompanhado de uma infelicidade: o amargo privilégio de saber que vem do nada e que caminha para a morte (para o nada).

A solução, desta maneira de pensar sem Deus) é fechar-se na sua felicidade animal, viver no instante sem procurar mais longe (sem futuro).

O homem viveria apenas olhando para o seu umbigo, de forma egoísta, num activismo sem qualquer finalidade.

P. Albano Nogueira

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A EDUCAÇÃO DOS FILHOS





Há alguns anos a polícia de Houston, no Texas, Estados Unidos, publicou o que chamou de “Dez Regras Fáceis de Como Criar um Delinquente”.

É interessante reflectir sobre elas, especialmente os pais e os educadores. Para isso, vamos transcrevê-las:
1. Comece na infância a dar ao seu filho tudo o que ele quiser.

Assim, quando crescer, ele acreditará que o mundo tem obrigação de lhe dar tudo o que ele deseja.
2. Quando ele disser nomes feios, ache graça.

Isso o fará considerar-se interessante.
3. Nunca lhe dê qualquer orientação religiosa.

Espere até que ele chegue aos 21 anos, e “decida por si mesmo”.
4. Apanhe tudo o que ele deixar jogado: livros, sapatos, roupas.

Faça tudo para ele, para que aprenda a jogar sobre os outros toda a responsabilidade.
5. Discuta com frequência na presença dele.

Assim não ficará muito chocado quando o lar se desfizer mais tarde.
6. Dê-lhe todo o dinheiro que ele quiser.
7. Satisfaça todos os seus desejos de comida, bebida e conforto.

Negar pode acarretar frustrações prejudiciais.
8. Tome partido dele contra vizinhos, professores, policiais (Todos têm má vontade para com o seu filho).
9. Quando ele se meter em alguma encrenca séria, dê esta desculpa: Nunca consegui dominá-lo.
10. Prepare-se para uma vida de desgosto.


O aumento da delinquência juvenil é directamente proporcional à destruição dos lares e das famílias.

Na grande maioria dos casos, o “jovem problema” tem atrás de si “pais problemas”.
Quanto mais, portanto, as santas leis de Deus, em relação à família, forem desrespeitadas e pisadas pelos homens, tanto mais famílias destroçadas teremos, e tanto mais lágrimas rolarão dos olhos dos pais e dos filhos.
Ninguém será feliz desobedecendo às leis de Deus.

Antes de serem leis divinas elas são leis naturais.
E a natureza não sabe perdoar quem se põe contra ela.
Livro do Eclesiástico diz: “Aquele que ama o seu filho corrige-o com frequência, para que se alegre com isso mais tarde” (30,1).
Infelizmente são muitos os pais que não corrigem os seus filhos: ou porque são faltosos como pais ou porque também precisam de correcção, já que também não foram educados.
Mais à frente esse mesmo livro diz: “Aquele que estraga seus filhos com mimos terá que lhes curar as feridas” (30,7). Essa palavra é pesada: “estraga com mimos”.

A criança mimada torna-se problema; pensa que o mundo é dela e que todos devem servi-la. Não há coisa pior para um filho.

Isso ocorre muito com o filho único, objecto de “todas” as atenções e cuidados dos pais, avós e tios.
Não pode haver mal maior do que deixar uma criança abandonada, materialmente, mas principalmente na sua educação.
Muitos pais, vendo os filhos errarem, não os corrigem.

Temos que ensiná-los a usar a liberdade com responsabilidade.

E não lhes dar “toda” liberdade.
Se não conquistarmos os nossos filhos com amor, carinho e correcção sadia, eles poderão ir buscar isso nos braços de alguém que não convém. É preciso que cada lar seja acolhedor para o jovem, para que ele não seja levado a buscar consolo na rua, na droga, na violência... fora de casa.
O factor mais importante na educação é que os pais saibam conquistar os filhos; não com dinheiro, roupa da moda, ténis de marca, mas com aquilo que eles são; isto é, a sua conduta, a sua moral íntegra, a sua vida honrada e responsável. O filho precisa ter “orgulho” do pai, ter “admiração” pela mãe, ter prazer de estar com eles, ser amigo deles. Assim ele ouvirá os seus conselhos e as suas correcções com facilidade.
Sobretudo é importante o respeito para com os filhos; levá-los a sério, respeitar os seus amigos, as suas iniciativas boas.
Se você quer ser amigo do seu filho, então deve tornar-se amigo dos seus amigos e nunca rejeitá-los. Acolha-os em sua casa.
Diante dos filhos os pais não devem ser super-heróis que nunca erram. Ao contrário, os filhos devem saber que os seus pais também erram e que também têm o direito de ser perdoados.
E, para isso, os progenitores precisam aprender a pedir perdão para os filhos quando erram. Não há fraqueza nisso, e muito menos isso enfraquecerá a autoridade deles de pais.
Ao contrário, diante da humildade e da sinceridade dos pais, a admiração do filho por eles crescerá.
Tudo isso faz o pai “conquistar” o filho.
Os defeitos dos pais são os pais dos defeitos dos filhos.
As virtudes dos pais são os pais das virtudes dos filhos.
É importante que os pais saibam corrigir os filhos adequadamente, com firmeza é certo, mas sem os humilhar. Não se pode bater no filho, não se pode repreendê-lo com nervosismo nem o ofender na frente dos amigos e irmãos. Isso tudo humilha o filho e o faz odiar os pais.
Conquiste o filho, não com dinheiro, mas com amor, vida honrada e presença na sua vida. E, sobretudo, leve-o para Deus, consigo.

(tirado da net)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

PORQUÊ O ESQUECIMENTO DE DEUS?






2. O Porquê do esquecimento de Deus
Porque é que Deus, tão essencial, o único essencial, o Único a existir por Ele próprio e a Fonte permanente de toda a existência, é tão esquecido?
Isto tem a ver com as ideias que se foram espalhando e com a cultura.
Eu penso, Eu existo – Esta lógica tendia a fazer do homem a medida de todas as coisas, a esvaziar tudo aquilo que o transcende.

Assim, tudo descambou para o racionalismo: o que vale é a razão humana, a sua inteligência.

A razão pode alcançar toda a verdade.

Só se deve confiar na razão e não confiar nos dogmas religiosos. Depois passa-se ao subjectivismo: o que conta é o sujeito.

As realidades são todas subjectivas quer para o sujeito, quer em si mesmas. Não há realidades objectivas. Depois segue-se o agnosticismo (diz que o ser humano não consegue alcançar um conhecimento absoluto sobre certos fenómenos, tal como Deus e o sobrenatural) ou ateísmo (nega a existência de Deus, valoriza só a vida terrestre) e materialismo dialéctico (tudo se reduz à matéria.
Os valores supremos são os bens materiais, o dinheiro, o prazer).
Toda esta mentalidade foi afastando Deus da vida das pessoas que passaram a dar mais importância à ciência, à técnica, ao progresso.
Tudo isso é bom e Deus quer que o homem progrida, que domine a terra e o universo com a inteligência que é um dom de Deus.
O problema é que a ciência e a técnica entusiasmaram ou concentraram o homem na matéria.
Toda a preocupação e sabedoria foram ter mais meios para dominar a matérias. E só a sabedoria e ciência que dominam a matéria é que foi valorizada.
Até o homem passou a ser entendido apenas no seu aspecto técnico, material. A eficácia material desagregou o Homem porque lhe faltou uma Sabedoria.
O progresso tornou-se ambivalente (mistura de bem e de mal).
Os humanismos não criaram um paraíso na terra.
A violência, a insegurança, as guerras, o terrorismo, as doenças, a destruição da natureza (poluição dos mares, rios, lagos, incêndios, destruição da camada protectora do ozono, aquecimento global, destruição das florestas) aumentam cada vez mais.
O esforço e o progresso humano são admiráveis em muitos aspectos, mas são mesquinhos porque esquecem o essencial: Deus.
A nossa civilização ocupa-se dos “mecanismos”, mas esquece o “ser”. Ocupa-se do “como”, mas esquece o ”porquê”.
Porque é que existem as coisas em vez do nada. Onde está a razão de ser do mundo e das pessoas?
Este mundo não tem a razão de ser nele mesmo. Tudo nele é contingente, tudo nele é dependente.
Se este mundo vem do não-ser (não existia antes de existir).
Logo, alguém lhe deu o ser e Esse alguém nós católicos chamamos Deus; e vai para o não-ser através da degradação progressiva da energia.

P. Albano Nogueira

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

REENCONTRAR DEUS, ESSE DESCONHECIDO

René Laurentin, A Igreja do Futuro, ed Paulistas, Lisboa, 1991.

Hoje assiste-se a um certo vazio de Deus e quando se fala em Deus, fala de um Deus distorcido e deturpado pelo desconhecimento e ignorância.
Os cristãos deveriam ser ensinados a OLHAREM O MUNDO COM O OLHAR DE DEUS, que é bem diferente do homem entregue a si mesmo. Só Deus nos concede a graça de contemplar a VERDADE segundo a Sua luz que é Amor.
Na verdade, tudo vem do Amor (Deus) e tudo se encaminha para o Amor (Deus): Amor do Criador (Deus Pai), amor do Salvador (Deus Filho – Jesus Cristo) que deu a Sua vida pelos seus amigos.
Que faremos nós deste amor? É a questão que Deus nos põe.
Um cristão tem de saber olhar o mundo (e as pessoas) como Deus o olha, mas, para isso, tem de saber olhar para Deus, na Sua relação connosco, com o mundo que Ele criou.
Porém, tudo isto é muito estranho ao nosso mundo e à nossa cultura, mas é algo de muito essencial: olhar o mundo com o olhar de Deus e olhar Deus, na sua relação connosco.
Deus não é um mito, uma abstracção, uma energia.
Ele é uma FORÇA, Ele é uma FONTE. Ele é ALGUÉM.
Ele está mais próximo de nós do que nós pensamos.
Ao reencontrá-l’O como Princípio (Origem) e Termo (Meta) de todas as coisas, nós alargamos a nossa perspectiva mesquinha até ao mais longínquo passado e até ao mais longínquo futuro para o qual Deus nos chamou.

O importante não é apenas ver e dizer (julgar) que o mundo está mal e que se afastou de Deus. O importante não é só fazer o diagnóstico e dizer que uma pessoa está doente com tal doença. Isso é importante, mas depois deve-se fazer todo o possível para se curar e salvar o doente.
O mesmo se diga do Homem de hoje que precisa de Cura e de Salvação.

1- O homem, resposta para tudo?
A mentalidade moderna é que o homem tem e é resposta para tudo.
Só o homem, diz a época moderna, libertado pela “morte de Deus”.
São os humanismos que já vêm do tempo da Renascença – séc. XIV-XVI. Deu-se um regresso ao paganismo. Colocou o homem no centro do mundo (antropocentrismo) e não já Deus (teocentrismo).
Depois vem o séc. XVII e XVIII com novos filósofos que instalou a dúvida metódica, com o século das luzes, onde a Enciclopédia proclamou um novo saber universal que desembocou em violências irracionais, como a Revolução Francesa que proclamou os direitos do Homem, mas massacrou, sem escrúpulos, muitas vezes sem julgamento, os homens que pareciam incómodos a esta causa.
O século XIX é outra etapa na tentativa da “morte de Deus” com o marxismo. Com a ideia da libertação de Deus e da religião a revolução marxista trouxe, perseguições, prisões e morte aos milhões.
O homem moderno encerrou-se num humanismo fechado. Libertou-se de Deus e tentou encontrar em si mesmo a resposta aos seus problemas. O homem passou a adorar-se a si mesmo.
(continua)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

RAZÕES PARA ACREDITAR EM DEUS

albanosousanogueira@sapo.pt


São várias as razões que nos levam a acreditar que Deus existe.

Temos a natureza criada (criação), onde se inclui o Homem e temos a revelação bíblica.
A natureza, o cosmos, o universo, para quem tem fé, é uma revelação de que Deus existe.

O cosmos é uma criatura que reclama um criador.

Todas as criaturas reclamam um criador.

Uma criatura só pode existir se alguém a criou, alguém a originou.
A ciência diz que tudo começou com o big bang, uma grande explosão.
Wikipedia: “Em
cosmologia, Big Bang é a teoria científica que defende surgimento do universo a partir de um estado extremamente denso e quente há cerca de 13,7 bilhões de anos, já que toda a matéria e energia estariam comprimidas em um único ponto. Ela baseia-se em diversas observações que indicam que o universo está em expansão baseado na teoria da Relatividade Geral.
Em sentido mais estrito, o termo "Big Bang" designa a fase densa e quente pela qual passou o universo.
Não vamos entrar na compreensão científica do big bang que é muito complexa.
Mas fica a questão: o que é que explodiu? Se nada existia, como é que explodiu?

Foi uma singularidade que os cientistas não sabem dizer qual a especificidade dessa singularidade.
Os cientistas dizem que foi obra do acaso.

Antes do big bang nada existia, nem o tempo nem o espaço. Se nada existia, como é que explodiu? O nada não explode porque não existe.
Nenhum ser dá o “ser” a si mesmo. Nenhum ser existe por si mesmo.

Nenhum ser se cria a si mesmo. Nenhum ser se origina a si mesmo.

Um ser vem de outro ser, ainda que venha a evoluir para algo diferente.

Nenhum ser tem em si a razão de ser. Logo, a razão de ser e de existir de um ser tem de vir de fora de si mesmo.
Tem de haver um ser que não tenha noutro a sua razão de existir, que não dependa de outro para existir. A esse ser chamamos de “DEUS”.
Outra questão importante é esta: a ciência fala do “começo” do universo que teria acontecido há 13,7 biliões de anos. Mas falta a pergunta: onde está a “origem” do universo?

Quem é que deu origem ao universo. É que “começo” e “origem” não são a mesma coisa.
Eu tive um começo na primeira célula: ovo, mas a origem de mim não está em mim mesmo, mas fora de mim: está nos meus pais. Nenhum ser se gera a si mesmo, nenhuma ser dá o ser a si mesmo. O mesmo se diga do universo.

O Universo teve um começo, um início, mas a origem não está nele mesmo, mas fora dele mesmo. Toda a criatura (criada no tempo e no espaço) exige um criador.
Ora o criador do universo, para quem tem fé, não é obra do acaso, mas Deus.

Deus é o Criador que dá origem a todas as criaturas.
Tudo o que existe, não existe por si mesmo. Nada dá o ser a si mesmo.

O universo não se criou a si mesmo.

O universo é criatura, criado, tem um começo no tempo e no espaço.
Portanto, se é criatura, se teve um começo, alguém lhe deu origem e isso é uma “prova” (indirecta) de que Deus existe.

É uma reflexão que leva a uma conclusão lógica. Todas as criaturas exigem um criador.
A natureza, o universo criado é uma “prova” de que Deus existe.

Claro que quem quiser dizer que o big bang é obra do acaso, pode dizer…

Para quem não tem fé o universo não prova que Deus existe.
Além deste “livro” (o universo) que nos “fala” de Deus, existe a REVELAÇÃO BíBLICA que nos revela a acção de Deus, a presença de Deus no mundo e na história. Mas revela a quem tem fé… Porque a quem não tem fé, tudo é natural.
Cristo é Deus, mas foi morto porque não revelou de forma clara, evidente e irrefutável a sua natureza divina. Porque se por um lado Jesus revelou Deus, também escondeu Deus quando aceitou a sua fragilidade ao ser preso e morto na cruz.