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segunda-feira, 7 de junho de 2010

PENSAMENTOS DE FELICIDADE


http://operfumededeus.blogspot.com

1- A maior parte do sofrimento humano é um produto subjectivo, elaborado na nossa mente.
A maioria dos nossos temores, medos, sobressaltos e ansiedades brotam do fundo escuro da alma humana.
O fracasso, muitas vezes, é um produto mental.
Não são setas disparadas do exterior, mas é a nossa mente que as dispara e nos faz sofrer.
2- Também há setas exteriores disparadas contra nós, pois somos seres de relação com os outros.
Viver de mal com os outros também pode ser fonte de sofrimento.
2.1. A inveja é a erva daninha e a que mais estraga as relações humanas. A Inveja é a grande causa de sofrimento de muita gente, mas poucos se dão conta da sua presença, por ela andar tão disfarçada.
2.2. Local de trabalho também pode ser fonte de sofrimento.
2.3. A vizinhança com as críticas, murmurações, boatos, exageros, invejas, ganância de querer o que é dos outros, é um lugar de sofrimento.
2.4. A própria família pode ser também um inferno de sofrimento. Relação entre marido e esposa, entre pais e filhos que fracassam nos estudos, no casamento, pela droga, marginalidade, etc…
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SALVA-TE A TI MESMO
Salvação aqui não é no sentido teológico, a salvação já obtida por Jesus Cristo. Aqui significa libertação, salvar-se do medo, da angústia, do tédio, do sofrimento.
Só tu te podes salvar a ti mesmo eliminando a angústia, recuperando a tranquilidade de espírito e a alegria de viver.
Acredita em ti mesmo(a) e na tua capacidade de te salvares a ti mesmo(a): sentires segurança plena, nada de temor, de medos, ter calma, firmeza, liberdade.
Isto, ninguém pode fazer por ti; só tu podes ser o salvador de ti mesmo(a) neste sentido.
A salvação não está nos consultórios dos psiquiatras nem nas farmácias, nem nos medicamentos (podem temporariamente ajudar). A solução está em teres fé em ti mesmo(a). Acredita em ti mesmo(a).
Só quem é amado tem capacidade de amar.
Só quem é livre consegue libertar.
Só pode ser instrumento de paz quem vive em paz consigo mesmo.
Os que sofrem fazem sofrer os demais.
Os fracassados têm tendência a fazer fracassar os outros.
Os ressentidos semeiam violência em seu redor.
Quem foi posto em conflito, põe em conflito.
Quem está em guerra consigo espalha guerra à sua volta
Quem não se aceita a si mesmo, não aceita ninguém.
Os que a si mesmos se rejeitam, rejeitam a todos.
Não podemos tornar os outros felizes se nós mesmos não formos felizes.
A nossa contribuição para a felicidade dos outros é proporcional à nossa própria felicidade.
Amaremos o próximo na medida em que aceitarmos e amarmos a nossa própria pessoa e a nossa história.
Amar o próximo COMO A SI MESMO.
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SÊ FELIZ E CONTRIBUIRÁS
PARA A FELICIDADE DOS TEUS IRMÃOS
E TODOS OS OUTROS.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

JESUS CRISTO POR DENTRO

albanosousanogueira@sapo.pt
http://operfumededeus.blogspot.com

O mês de Junho é dedicado ao Sagrado Coração de Jesus.
Por isso, esta reflexão pode ajudar os meus leitores a entrar nesta dinâmica da fé neste símbolo do amor tão conhecido: o coração


O Coração de Jesus é Cristo por dentro.
Sua misericórdia sem limites.
Seu Amor eterno e infinito.
Sua bondade infinita.
Seu perdão sempre maior que as nossas fraquezas e pecados.
Seu Coração aberto, terno, clemente, puro, desarmado, fornalha ardente de caridade.
Coração que vibra, pulsa, sente, conquista, envolve, sorri, padece, aplaude, chora e entristece-se.
Humano e divino; desejoso de irradiar as suas chamas pelo mundo, aquecendo almas, envolvendo nossas vidas.
O Coração de Jesus é Cristo por dentro.
E quem descobre Cristo por dentro faz a grande descoberta da sua vida.
Milhões de cristãos e de Católicos desconhecem Cristo por dentro.
Seus interesses são outros. Seus ideais, seus programas, seus objectivos e seus caminhos são outros.
Os barcos das suas vidas navegam em outras águas.
Onde estiver o teu tesouro, aí estará teu coração.
Multidões de crentes conhecem Jesus apenas superficialmente. Pela rama, pela casca.
Conhecem um pouco da sua vida, da sua história, talvez conheçam o drama do Calvário.
Mas apenas um conhecimento intelectual, superficial.
Mas não O amam, não vivem Jesus Cristo. Estão por fora, presos a paisagens laterais.
Alguns até dizem que amam Jesus Cristo, mas esquecem-se dele.
Não lhe rezam, não falam com Ele; não vão à Igreja, nem à Missa, nem se confessam, nem comungam.
Dizem que amam, mas não pensam, não falam nem visitam a pessoa amada.
Amar e conhecer Jesus Cristo implica actos concretos, gestos, sinais de amor, vivência, compromisso, adesão interior da mente, da vontade, do coração, da vida.
Amar Jesus Cristo implica
---- Conhecê-lo,
---- Orar,
---- Celebrar a fé pelos Sacramentos,
especialmente a missa TODOS OS Domingos
---- Viver o Evangelho na vida concreta de cada dia.
Amor a Cristo de verdade e não apenas palavras.
Cristão verdadeiro é aquele que mergulha nas águas profundas de Cristo, para depois voltar à tona, transmitindo aos outros um pouco de tudo isso que nosso Cristo é.
Cristo não foi… Cristo é.
Cristo voltou ao Pai, mas continua connosco.
Ele vive, actua, irradia, perdura. Hoje e sempre pelos séculos sem fim. Amigo. Irmão. Glorioso. Imortal. Salvador. Libertador.
Para Conhecer melhor a Jesus Cristo temos de entrar no seu Coração, aproximarmo-nos da Eucaristia, o pão dos fortes, o alimento dos fracos.
Amar a Cristo implica amar a Igreja (Católica ou outra) e amar os outros.
Na bondade que existe à face da terra, percebemos os reflexos do Seu Amor.
Amá-lo, segui-lo, reverenciá-lo, acolhê-lo dentro do nosso coração é um risco e um desafio. Implica renúncia, despojamento, morte ao egoísmo, cruz às costas.
Mas traz alegria, crescimento e paz.
Aquela alegria que não se descreve porque é muito profunda.
Aquele crescimento que realiza a pessoa plenamente que traz o Céu à terra.
Aquela paz e serenidade que enfrenta as tempestades sem sucumbir.
O crescimento traz sempre alguma dor.
Mas há também alegria. Uma pessoa que queira crescer, tem de sofrer, mas isso também lhe trará alegria.
Seguir o Evangelho e a vida de Cristo a sério é correr riscos, traz-nos sempre alguns incómodos, contrariedades, sofrimentos, pode até trazer a morte ao pecado e ao egoísmo, mas traz uma vida maior a quem o conseguir; traz uma esperança maior e uma felicidade que o mundo não pode dar.
E traz-nos, sobretudo a certeza da vitória final chamada Ressurreição.
A verdadeira felicidade passa pelo caminho do sofrimento.
A paz, a luz e a serenidade que o Coração de Jesus irradia, compensam a dor no crescimento e os cansaços do dia-a-dia.

Roque Schneider, S.J

sexta-feira, 28 de maio de 2010

ESPIRITUALIDADE (1)

albanosousanogueira@sapo.pt
http://operfumededeus.blogspot.com


Uma dimensão muito importante da vida humana é a espiritualidade, a ligação ao divino, ao transcendente, a fé e a prática religiosa.
Esta é uma “sala” que tantos homens e mulheres nunca usam.
Talvez seja a mais bela “sala” da nossa vida e que tantos e tantos, desgraçadamente, nunca usam e vivem com uma riqueza dentro de si que nunca beneficiam.
Vivem sem interioridade, sem fé, sem dimensão religiosa.
Deus é uma realidade essencial para dar sentido à vida humana na sua totalidade: à vida corporal, à vida intelectual, à vida afectiva, à vida pessoal, familiar, comunitária, nacional, internacional;
e a dar sentido à morte.
A fé em Deus é fonte de vida abundante, fonte de esperança, fonte de amor. E faltando Deus, falta essa vida mais abundante,
falta esperança, falta AMOR.
A oração é uma dimensão fundamental
que ilumina e dá sentido à vida e à morte.
Mas a oração não pode ser feita por obrigação.
A oração tem de ser feita por necessidade:
eu preciso de Deus, eu preciso de rezar.
Eu preciso de acreditar e acreditar bem, de forma correcta.
Não seguir crendices, superstições, magias,
feitiçarias, horóscopos, videntes, bruxarias.
Tudo isso é fantasia, ilusões, mentiras.
Acreditar no Deus vivo e verdadeiro
revelado por Jesus Cristo
e transmitido de geração em geração pela Igreja Católica,
fundada por Jesus Cristo.
Entrar no quarto, numa sala, numa igreja
e ter esse encontro pessoal e individual com Deus Pai,
com Jesus Cristo e sentir-se amado por Deus.

E quem é Deus?
Eis a grande pergunta que se põe a todos os homens:
Quem é Deus?
A resposta a esta pergunta será a grande resposta.
Pedimos a colaboração da inteligência humana:
sábios e sábios pensaram em Deus.
Pedimos a colaboração da Revelação e da Fé.
E respondemos à grande pergunta:
Deus é o Princípio e o Fim de tudo. E alfa e ómega.
Deus é o Imutável e o Eterno. É Aquele que é.
Em Deus, há toda a perfeição e não precisa de mais perfeição.
Deus é a Santidade, a Bondade, a Justiça, a Beleza, o Amor.
Deus é VIVO e possui Vida em si.
Deus é o Criador e Senhor do Universo.
Tudo quanto existe, existe por Ele e por Ele continua a existir.
Sem Deus, tudo desapareceria.
Deus é o insondável, o Mistério (ninguém, enquanto simples homem existente na Terra, O viu a não ser Jesus).
Jesus é a revelação de Deus.
Jesus ensinou-nos a chamar a Deus Pai.
Deus é a Verdade para a inteligência,
mas a Verdade que se aceita enquanto se vive.
Deus dá um sentido diferente à vida do Homem.
Deus é Amor.
Anda interessado com a humanidade,
quer o bem da humanidade, chama a todo para Si.
Podemos pensar no que é belo, santo, justo e bom...
Deus é mais que isso.
Deus não se pode esculpir, nem pintar ou desenhar.
Deus é Espírito.
Mas cada um possui dentro de a imagem de Deus.
Por isso, quando falamos de Deus, sabemos de quem falamos.
Lentamente, Deus se nos irá revelando já na Terra.
Vê-Lo-emos face face no Céu.

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QUANTO MAIS INTERIORIDADE,
MAIS PESSOA SOMOS.
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Pe. Albano Nogueira
(continua)

quarta-feira, 19 de maio de 2010

4- A MARAVILHA CHAMADA CORPO

(P. Zezinho, Se eu pudesse falar aos jovens, ed Paulistas)

O corpo humano é importante e maravilhoso e pode ser estudado pela biologia, física, química, psicologia, filosofia, antropologia, teologia, etc…
O corpo é uma parte importante de ti. Não se deve sobre valorizar, nem desvalorizar, mas aceitá-lo na justa medida.
Se lhe pedes excessos aceitará, por alguns dias, semanas ou meses. Depois começará reagir, a cobrar impostos e juros que podem ser bem altos se os abusos forem muitos.
Bebidas alcoólicas, drogas, tabaco, noites em claro, sexo desregrado, abuso na alimentação, esforço excessivo, comodidades demasiadas, preguiça, tudo isso, mais tarde ou mais cedo exige equilíbrios.
Se não tiveres juízo, acabarás por desrespeitar o teu corpo e com isso correrás o risco de sofrer muito por causa dele.
O corpo não pode ser visto como um objecto, porque está relacionado com o espírito que o deve governar; mas também não deve ser tratado como um deus porque é carnal e terreno.
Quando tu, menina, transformas o teu corpo em objecto ou aceitas o jogo da moda ou da época, o teu corpo pode tirar-te a beleza interior. Muitas pensam que o corpo (beleza exterior) é suficiente para vencer na vida, mas essas depressa ficam sozinhas porque os homens não querem viver muito tempo com uma mulher que só tivesse um corpo para oferecer…
O teu corpo é um óptimo servidor e um péssimo patrão. Se o valorizares demais, depressa te sentirás desvalorizado; se o desprezares, acabarás por te sentires aniquilado em pouco tempo.
RESPEITA O TEU CORPO E SERÁS GENTE.
O erro de muita gente é pensar que o Homem é apenas um corpo.
O valor da pessoa não está na aparência física…
Há jovens (e adultos) insatisfeitos com o seu corpo: pensam que não são bonitos, que são muito gordos ou muito magros; ou que têm algum defeito físico; pensam e vivem segundo os critérios mundanos e os padrões artificiais de beleza criados pela sociedade e pelas modas… Gente assim nunca vai ser feliz na sua profundidade.
Em vez disso, os jovens, e adultos, deviam era valorizar o seu interior: amor, bondade, amizade, compreensão, ternura, perdão, diálogo, serviço, dedicação, fidelidade, humildade.
A felicidade não está tanto no corpo físico exterior, mas naquilo que é interior.
É com tristeza que oiço certas conversas entre as pessoas onde se valoriza apenas o exterior, a aparência, a superficialidade…
Essa gente não entende o evangelho, não entende a mensagem de Jesus Cristo, apenas vive no vazio da sociedade materialista e consumista de aparências e superficialidades, como quem aprecia uma maçã apenas pela aparência, e não se preocupa se ela está sã ou apodrecida por dentro…
Quantas vezes uma peça de fruta parece tão bonita por fora, mas por dentro está verde, estragada e não presta.
Assim um cristão católico deve aprender a valorizar os valores e qualidades do seu interior e do interior dos outros.

(P. Zezinho, Se eu pudesse falar aos jovens, ed Paulistas)

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A UM CASAL DE NAMORADOS QUE ESTÁ A PRECISAR DE MENTIR


(P. Zezinho, Se eu pudesse falar aos jovens, ed Paulistas)

Muitos jovens têm muitos namorados antes de casar.
Namoram, separam, namoram com outro(a), etc, muitas vezes…
Têm envolvimento sexual com (quase) todos.
Os pais não sabem… Iriam complicar, dar sermão, não entenderiam…
Os jovens não contam a verdade aos pais…
Dizem que se amam, que fazem tudo por amor, mas acham que os pais iriam recriminar.
Vivem como se estivessem casados, dizem que o importante não é o papel…
O importante é o amor…
Têm relações sexuais antes do casamento e acham que o amor que têm um pelo outro justifica tudo.
É tudo natural porque, dizem eles, que se amam muito…
Mas não querem casar…
Mas se se amam assim tanto, porque é que não casam, porque não se comprometem?!...
Há namorados que se envolvem por amor, mas há outros que o fazem por egoísmo, por imaturidade, infantilismo.
Muitos estão convencidos que se amam mutuamente e, por isso, entregaram-se totalmente um ao outro.
O que diz a doutrina cristã? Esse tipo de relacionamento, o cristianismo, seguindo os ensinamentos de Jesus Cristo, desaprova-o e Jesus Cristo não o tolerava.
Sexo antes do casamento, por mais livre e puro que pareça, contém uma boa dose de egoísmo e alguns riscos.
É bom que os namorados estejam preparados para isso. Há muitas consequências de um relacionamento entre namorados como se estivessem casados: gravidez, aborto, casamento apressado, namoro desfeito, desgosto de uma entrega fora de horas e à pessoa errada, falta de preparação para o futuro, falta de diálogo espiritual substituído pela ilusão do sexo.
Se, contudo, vós não conseguis mesmo esperar, deixai de mentir aos vossos pais.
Os pais têm o direito de saber o que se passa com os seus filhos e filhas. Eles têm sonhos, projectos, esperanças para os seus filhos e se se esconde algo aos pais é sinal de que esse amor não é tão puro, tão sincero, tão livre como vós, namorados dizeis…
Sexo também é questão de honestidade e quando os jovens escondem dos pais a situação em que se encontram podemos estar perante uma desonestidade, uma falsidade para com os pais…
Sei que esta linguagem não agrada a muitos filhos, nem a muitos pais, mas pouco me importa com isso.
Há coisas que se podem e devem falar na hora certa, ainda que isso vá contra a corrente, contra a onda da maioria.
Neste aspecto a doutrina da Igreja Católica vai contra a corrente, contra a maioria.
Mas em matéria de moral, a Igreja não segue a ideia da maioria.
A maioria pode estar errada e a Igreja católica não segue as estatísticas, as correntes sociais…
Procura seguir Jesus Cristo e ser fiel ao evangelho ainda que também ela cometa erros e tenha pecados…
Deus, Jesus Cristo e a Igreja Católica querem o melhor para os seus filhos, por isso, dizem NÃO a certas coisas que parecem boas, mas muitas vezes, não são. O que a Igreja Católica proclama não parece bom, mas é mesmo...
A Igreja Católica não ensina o que parece ser bom, mas o que é mesmo bom, o melhor... E no campo da sexualidade isso acontece mesmo...
(P. Zezinho, Se eu pudesse falar aos jovens, ed Paulistas)
P. Albano Nogueira

quinta-feira, 6 de maio de 2010

NAMORO CRISTÃO


(P. Zezinho, Se eu pudesse falar aos jovens, ed Paulistas)

Hoje os jovens começam a namorar muito cedo.
Alguns aos 13, 14 anos já começam aos beijos, aos abraços, a ter intimidade com pessoas do sexo oposto numa amizade cada vez mais profunda, indo, tantas vezes, longe demais por serem muito precoces.
A adolescência é o tempo da descoberta do amor, das emoções, das paixões, da atracção pelo sexo oposto.
Isso é normal.
O problema é quando os jovens se isolam num relacionamento a dois sem o devido acompanhamento pelos pais.
Muitas vezes o primeiro namoro não é a pessoa ideal, por isso, as devidas cautelas que os jovens deviam ter, mas não têm.
Tudo começa pela curiosidade, a ilusão, a fantasia, a ingenuidade, surpresa e chega-se tantas vezes à decepção por coisas que não se deviam fazer e se têm de esconder certas atitudes dos pais.
Os jovens vivem um tempo de sonho, de ilusão e entregam-se a quem não deviam e depois vem a realidade, a desilusão e, tantas vezes, a separação.
O primeiro amor leva os jovens a viver loucamente essa paixão, a fazer dessa pessoa o “tudo” da sua vida e tudo o resto se torna secundário, sonha-se com um(a) namorado(a), mas a realidade torna-se bem diferente e bem dura.
A vida vai ensinando aos jovens que namoram que amar nem sempre é ficar perdidamente louco por alguém, mas aprender a conviver inteligentemente com uma pessoa amada, mas com falhas, sujeita a mudança.
Os tempos antigos mudaram, mas as consequências são muito mais negativas do que positivas.
O importante no namoro, não são os momentos de intimidade que se trocam entre homem e mulher, mas os momentos de diálogo em que um valoriza o outro, ajuda o outro a aperfeiçoar-se, a conhecer-se melhor, a valorizar-se mais e a melhorar a sua forma de pensar, agir e ser.
O namoro devia ser para ajudar a tornar o outro melhor, cada um que se conhece, dá a conhecer ao outro e conhece o outro.
EM VERDADE…
Hoje sabemos que entre namorados HÁ MUITA MENTIRA, MUITOS SEGREDOS, muitas coisas que se fazem e que se escondem ao outro(a).
Um relacionamento rodeado de mentiras não vai dar certo no futuro…
O mal está em que tantas meninas e rapazes que ainda são adolescentes e já estão a assumir atitudes de gente adulta. Há um tempo para tudo…
Muitos dizem: QUE É QUE TEM? TODA A GENTE FAZ ISSO HOJE EM DIA…
Se é mal, ainda que toda a gente faça, mal é mal...
A vida costuma exigir indemnização do mau uso das suas potencialidades.
Há limites e os limites certos não são os que os jovens estabelecem.
O namoro cristão devia ser puro e inteligente, sério, responsável.
Nada se perde com o fazer bem as coisas e muito se perde ao fazer mal as coisas.
Antigamente havia muitas proibições, agora, nada é proibido, vale tudo…
O problema é que os jovens com este comportamento de libertinagem sexual, não são mais felizes. Podem ter mais prazer, mas são mais infelizes, têm mais desgostos, mais desilusões, mais fracassos nos seus relacionamentos, mais “bandalheira”, mais promiscuidade, mais vazio interior.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

3- AFECTIVIDADE E A SEXUALIDADE


(P. Zezinho, Se eu pudesse falar aos jovens, ed Paulistas)
Vivemos numa sociedade que usa e abusa da sexualidade e criou pessoas muito desequilibradas e neuróticas porque separou o sexo e a sexualidade do amor, do compromisso, da seriedade de vida.
O tema do sexo vende, por isso, é tão usado e rebaixado e isso leva as pessoas, especialmente os jovens (se calhar a maioria) que o importante é gozar, é curtir, é divertir-se, é praticar relações sexuais.
Foi preciso vir doenças sexualmente transmissíveis, como a SIDA para as pessoas terem mais um pouco de cautela…
Muitos perderam o sentido e o valor da sexualidade quando reduzem as suas vidas a isso e pouco mais.
Rapazes que só pensam em “mulheres”, moças que só pensam em “homens”…
Isso levou muita gente a perder a serenidade e a deixar de usar correctamente as coisas ao serviço do amor.
A sexualidade tem de estar ao serviço do amor e não apenas ao serviço do prazer, do gozo, do curtir, do divertir-se…
Mulher de verdade é aquela que se revela o dia inteiro para além do corpo e da cama.
"Não faltam mulheres para alguém se deitar. O problema é arranjar uma mulher como deve ser alguém se levantar e ter durante o dia.................... ".
Muitos homens pensam que mulher só serve para a cama, para ser objecto de prazer, sem respeito, sem amor, sem delicadeza.
Com tempo acabam por não entenderem nada da vida, do amor, do serviço.
Só entendem de sexo, por isso, o casamento acaba tantas vezes em divórcio. Separações, divórcio, aborto, amor livre, prostituição, tudo isso e muito mais, devido ao facto de as pessoas não entenderem o verdadeiro fim e objectivo da sexualidade.
Sexo é muito mais que um rapaz e rapariga a entregarem seus corpos em momentos de paixão ardente.
Não basta satisfazer o corpo com o prazer sexual.
É preciso satisfazer a mente e o coração para que haja homem e mulher se completem se sejam a felicidade um do outro e para outro.
Não basta encontrar satisfação nos órgãos genitais para ter paz, alegria, felicidade. Pode ter-se prazer e não se ter felicidade…
É que prazer sexual não quer dizer felicidade pessoal e familiar.
A felicidade vem quando um homem encontra uma mulher, que sintam juntos, amem juntos, chorem, dialoguem, vivam a aventura de um amor e de uma vida comprometida com um projecto de vida em comum.
Nenhum corpo tomado e usado te pode dar a paz e a felicidade interiores.
Esse é o grande drama dos tempos de hoje: temos farturas de bens exteriores, de prazeres, mas as pessoas não são felizes na sua profundidade, porque falta a união e homem e mulher nos seus corações, nas suas mentes, nos seus espíritos…
Hoje vive-se muito dos instintos: instinto de comer, de beber, prazer sexual, descanso.
Mas a pessoas não se pode reduzir a seguir os seus instintos porque isso é descer ao nível do animal que é meramente instintivo.
NÃO USES O SEXO À IMAGEM E SEMELHANÇA DO ANIMAL…
O ser humano pensa, é racional; mas também é IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS. Ora isto muda todo o significado do nosso ser e a forma como devemos usar os dons de Deus e entre les está a sexualidade.
Pede a Deus que te dê uma atitude correcta com a sexualidade, uma atitude adulta, madura, responsável, comprometida, capaz de amar e ser amado(a).
Pede a Jesus Cristo te dê a liberdade dos filhos de Deus que olham para a sexualidade como um dom de Deus, que não te escraviza, mas que te torna digno.
(P. Zezinho, Se eu pudesse falar aos jovens, ed Paulistas)

quarta-feira, 21 de abril de 2010

3- - AFECTIVIDADE E A PUREZA (6)


A AFECTIVIDADE E A VIRTUDE DA PUREZA

A pureza sexual é uma virtude muito mal vista na sociedade de hoje. Pureza é uma entrega e uma aceitação.
Ser puro não quer dizer, deixar de usar o sexo, pois quem o usa também precisa de ser puro.
A pureza é uma virtude que também os cristãos casados devem praticar.
Para Jesus Cristo e para a Sua Igreja, a Igreja Católica, o sexo não é sujo, não é impuro.
A impureza começa quando o sexo perde o seu significado e não é acompanhado de respeito pela pessoa amada, nem das responsabilidades que este exige.
A pureza pode ser praticada por quem escolhe o celibato, a vida consagrada a Deus e ao Seu Reino, mas também por quem segue a vocação matrimonial.
Vives a pureza quando consegues respeitar as pessoas, o namorado, a namorada, os ensinamentos de Jesus a respeito da dignidade humana e quando não foges da sexualidade, nem mergulhas nela como um fim em si mesma.
O egoísmo é o precursor da impureza.
O carinho puro, o diálogo interior e profundo sobre cada pessoa prepara as pessoas para a comunhão física da vida matrimonial.
A pessoa deve ser senhora do sexo e não escrava do sexo.
Para muitos o sexo é o senhor que comanda os relacionamentos e as pessoas são coisas a usar…
Há jovens que, de tanto usarem o sexo sem amor, já se sentem enfastiados da vida por causa da comercialização do sexo e do seu esvaziamento afectivo.
A sexualidade pede às pessoas equilíbrio, harmonia, sabedoria para a usarem bem. É que ela reflecte uma fome de infinito e uma sede de perpetuar o amor.
Precisamos de saber o que devemos fazer com ele.
A questão não é o fazer, mas o que se deve fazer com o sexo…
Ou respeitamos as suas limitações, ou nos ferimos interiormente;
ou respeitamos as suas possibilidades, ou ficamos presos aos seus aspectos menos compensadores.
Muitos pensam que por saberem usar o sexo com satisfação pessoal para ambos que já entendem tudo de sexo…
O mundo de hoje olha para o sexo como um brinquedo novo e complicado que se deve descobrir, explorar e experimentar em todos os sentidos e dimensões…
Daqui as aberrações que todos ouvimos falar…
Por causa desta visão errada do sexo, há cada vez mais pessoas neuróticas.
Antigamente havia recalques, hoje há libertinagem.
Há rapazes que só pensam em mulheres…
Há mulheres que só pensam em homens…
Estas pessoas perderam o sentido e o valor da sexualidade.
Falta serenidade a estas pessoas…
Falta o correcto uso das coisas ao serviço do amor
Pessoa completa é aquela que não pensa só no corpo ou só na cama…
O sexo, para muitos hoje, é algo tão natural como comer, beber, dormir…
Já não pensam na moralidade ou imoralidade da sua vida sexual…
Para muitos, sexo são dois corpos rolando numa cama, numa praia, num prado…
Para muitos, sexo é o mesmo que relação sexual, mas isso revela apenas desconhecimento, ignorância desta palavra tão poderosa que se chama “sexualidade”.

(Continua)
(P. Zezinho, Se eu pudesse falar aos jovens, ed Paulistas)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

3- AFECTIVIDADE (5)


albanosousanogueira@sapo.pt

O que significa para os jovens e menos jovens namorar hoje?
Hoje, alguns começam a namorar no começo da puberdade e da adolescência: 12, 13, 14 anos…
Chegam a namorar, às vezes com a mesma pessoa, 10 ou mais anos...
Isto é queimar etapas no crescimento do adolescente e ficar verde e imaturo…
As relações sexuais vêm pouco tempo depois…
Muitos jovens entregam-se ao outro de qualquer forma, sem pensar no que significa envolver-se sexualmente com outra pessoa…
No que isso significa psicologicamente e o quanto afecta a outra parte, sobretudo a mulher que é muito mais sensível e investe e arrisca muito mais do que o rapaz.
Ora começando tão cedo, corre-se o risco de acabar muito depressa, até porque não têm maturidade para aceitar crises, divergências, compromissos, etc...
Acaba-se um namoro e alguns e algumas no dia seguinte recomeçam a namorar com outro…
Namorar significa novamente envolver-se sexualmente com a outra parte e depois da primeira vez, tudo se torna fácil, relativo e vai-se com qualquer um (a) sem ter em conta a degradação a que a pessoa está a fazer de si mesma…
Vai para a cama com o primeiro namorado, com o segundo, e se se zangar com esse, vai com o terceiro, etc…
Até casar ou não casar mais e ser uma mulher desqualificada que só serve para sexo…
Há mulheres que correm o risco de não servirem para casar, mas só servirem para terem sexo com os “ditos” namorados…
Elas assim o querem…
Então, tornam-se objectos de prazer sexual, tornam-se coisas e degradam-se a si mesmas na ilusão de encontrar um homem com quem se juntem ou casem…
Os jovens têm os colegas de escola (conhecidos) e não têm amigos.
Além dos colegas da escola, só têm um(a) namorado(a).
Muitos nem irmãos têm…
Isso fecha logo o círculo dos relacionamentos, dos possíveis amigos e empobrece o adolescente e o jovem.
Hoje tudo é namorar.
Além dos colegas da escola, não há grupo de amigos onde se fala, se dialoga se cresce, se amadurece, se aprende a conhecer o outro sexo.
Hoje namorar é quase o mesmo de ter um parceiro sexual, para sexo e pouco mais e muitos nem se querem comprometer.
Se um fala de casar ao outro, espanta logo a caça e ele ou ela ameaça ir-se embora.
O que prova que este namoro não é sério, é brincadeira; é querer ter apenas um(a) parceiro(a) para gozar sexualmente, divertir-se, ter prazer egoísta e nada de sacrifício, nada de exigências, de vida a dois.
A mulher colaborou com a sua própria degradação e na ânsia de encontrar o amor, na maioria dos casos, o que encontrou foi apenas sexo, exterior, mecânico, sem amor.
E sexo sem amor degrada, rebaixa, humilha, desqualifica a pessoa, seja homem, seja mulher…
Hoje usa-se muito a “sala” do sexo, a dimensão sexual da pessoa desligada do amor e esquece-se que ela tem de estar ligada à dimensão do amor.
Sexo sem amor esvazia e degrada.
Sexo com amor sério e comprometido eleva, dignifica e realiza a pessoa.

QUANTO MAIS EXTERIORIDADE, MENOS PESSOAS SOMOS
E MAIS OBJECTO (COISA) SOMOS.
QUANTO MAIS INTERIORIDADE, MAIS PESSOA SOMOS.

Pe. Albano Nogueira
(continua)

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Páscoa quer dizer= passagem

Espero que a Páscoa de Jesus seja um tempo de alegria, paz e
felicidade, meditando no amor de Jesus por nós.

Ele sofreu para dar sentido ao nosso sofrimento.

Ele morreu para dar sentido à nossa morte.

Ele ressuscitou para que a gente tenha esperança de um mundo melhor.

Não é o sofrimento de Jesus na cruz que nos salva, mas o amor com
que sofreu que nos salva

Uma Santa e Feliz Páscoa vos deseja este amigo

terça-feira, 30 de março de 2010

3- AFECTIVIDADE -4



Que significa namorar numa linha mais tradicional?

Antigamente namorar era conhecer-se um ao outro, dialogar, abrir o coração e a alma, fazer projectos de vida, sonhar com o futuro, com os filhos, com o apoio na doença e na velhice, preparação para um compromisso público (casamento e matrimónio).
O namoro não começava muito cedo: 17, 18 anos, 20, conforme os casos e era visto como uma preparação próxima para o matrimónio.
O namoro não deve ser muito longo: 2 ou 3 anos...
Antigamente, o namoro era algo que se levava muito a sério.
Hoje, muitos jovens vivem o namoro para curtir, para se divertir, para tirar prazer do outro, de forma egoísta para receber, não para dar...
Já não falo dos tempos bastante recuados em que um rapaz que tivesse relações sexuais e engravidasse uma moça tinha de casar com ela…
Antigamente, havia mais seriedade no namoro…
Havia consciência que ambos estavam a planear um futuro a dois para toda a vida…
Hoje os jovens não querem sair da casa dos pais muito cedo porque não há conflito com os pais que deixam os filhos fazer quase tudo; aí têm o que comer, casa onde morar, têm dinheiro que os pais vão dando, ou eles vão ganhando, se trabalharem; têm um ou mais parceiros sexuais, gozam a vida sem compromissos, sem objectivos, sem planos para o futuro de casar, sem ter filhos porque isso implica muitas limitações, muitos sacrifícios, muitas renúncias…
Querem apenas as coisas boas da vida, os prazeres da vida, as doçuras da vida. Isso não é um amor sério, amadurecido, comprometido.
Muitos jovens de hoje, não têm projecto de vida, não planeiam a vida.
Não vivem… Vão vivendo, às vezes nos limites, nos excessos de droga, sexo, álcool, divertimentos, jogos, velocidades…
Com jovens assim, sem compromisso, sem seriedade, sem projecto de vida, que sociedade e que governantes teremos nós daqui a alguns anos?!...
Eu sei que nem todos os jovens são assim, mas há muitos que o são...
A educação dos jovens tem de ser feito em grande parte pelos pais, pela família...
A escola dá instrução, conhecimentos, mas tantas vezes não dá educação, não dá sabedoria de viver...
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QUANTO MAIS EXTERIORIDADE,
MENOS PESSOAS SOMOS
E MAIS OBJECTO (COISA) SOMOS.
QUANTO MAIS INTERIORIDADE,
MAIS PESSOA SOMOS.
(continua)
Padre Albano Nogueria

terça-feira, 23 de março de 2010

3- A AFECTIVIDADE - 3

A AFECTIVIDADE / SEXUALIDADE
albanosousanogueira@sapo.pt

Continuando a abordar o tema da afectividade como uma das “salas” ou andar que compõem o ser humano e continuando o tema publicado há dias, eu diria de forma rude, directa e algo grosseira que muitos jovens e menos jovens hoje “sabem ter relações sexuais”, ao nível instintivo, biológico, sabem usar o sexo, mas “não sabem fazer amor”; não sabem “sentir” o amor, a ternura, o carinho, a delicadeza, respeitar o outro, escutar o outro, cultivar o silêncio para ouvir, ter um amor comprometido, acolher e perceber o que se passa com o outro, a outra…
Hoje vive-se a ditadura do corpo, do prazer próprio, do relativismo, do egoísmo.
A afectividade (capacidade de amar e ser amado) é uma aprendizagem que se tem de fazer ao longo da vida e os pais têm de ser os primeiros mestres dos filhos a ensinar a amar pela palavra e pelo exemplo de amor entre eles.
Amar é dar e receber, melhor dizendo, dar-se e receber-se.
É abertura e acolhimento do outro.
Aceitação de si mesmo e aceitação do outro.
Amar é uma união entre dois seres sem confusão, sem anulação do outro.
Amar é diálogo: saber falar e saber ouvir.
Amar é acolher a diferença que há no outro, não querendo que ele seja igual a mim, mas igual a ele mesmo.
Amar é estar atento ao que o outro tem para nos dizer e desejar ouvi-lo.
Amar é esquecer-se de si mesmo(a) para pôr o outro em primeiro lugar.
Amar é uma dimensão espiritual e interior da pessoa humana, mas, infelizmente, tantos e tantos já não frequentam essa “sala” da sua casa, do seu interior, pois só ligam ao material, materialismo, consumismo, hedonismo (procura só do que dá prazer).
Todos estes “ismos” correm o risco de transformar a pessoa num “objecto” que usa, que se usa, que consome, que compra, que vende… e que se põe de lado, deita fora...
Esta é a pobreza afectiva e espiritual a que assistimos nos dias de hoje.
É este vazio que se nota em tantas conversas, nos diálogos, com os outros: banalidades, superficialidades.
Falta interioridade.
Hoje a ligação entre muitos homens e mulheres, entre rapazes e raparigas é mais uma ligação entre objectos do que entre pessoas.
E o pior é que muitas pessoas não se apercebem isso e embarcam nesta degradação da pessoa.
Quando dois jovens (rapaz, rapariga) sem amor, sem projecto de vida, sem perspectiva de futuro, sem compromisso se entregam sexualmente um ao outro, eles estão apenas a ser um “objecto de prazer sexual” um para outro.
São duas pessoas, mas rebaixadas ao nível de objectos, duas máquinas de prazer sexual que se usa e põe de parte quando já não interessa. Como quem usa umas meias, umas calças, uma camisola…
É o rebaixamento da pessoa e infelizmente tantos e tantas não se apercebem disso.
Andam um com o outro (a) como quem experimenta um carro, um instrumento musical, como quem experimenta um objecto…
Há uma visão cristã da vida, da família, da sociedade, da sexualidade, que infelizmente tantos católicos já não aceitam...
A consequência é o rebaixamento, a degradação da vida, das famílias, das pessoas, da sociedade, da sexualidade, etc...
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QUANTO MAIS EXTERIORIDADE,
MENOS PESSOAS SOMOS
E MAIS OBJECTO (COISA) SOMOS.
QUANTO MAIS INTERIORIDADE,
MAIS PESSOA SOMOS.

Pe. Albano Nogueira
(continua)

terça-feira, 16 de março de 2010

3- A AFECTIVIDADE - 2

http://deixadeusentrar.blogspot.com

Deus quer a nossa felicidade e até nos diz que “o meu jugo é suave e a minha carga é leve”.
Mas as pessoas não acreditam nestas palavras verdadeiras.
Preferem acreditar nas mentiras do mundo, da sociedade e nas vozes interiores egoístas que falam mais alto do que a Palavra de Deus.
A consequência é só olhar para a sociedade a nível sexual: luxúria, divórcios, infidelidades, adultérios, separação dos esposos, relações pré-matrimoniais, abortos, homossexualismo, prostituição, pedofilia, abusos sexuais, incesto, pornografia, violação, fornicação, uniões livres, permissividades de costumes.
Tudo isto assente numa ideia errada de liberdade humana.
Para ser correcta, a liberdade, precisa de ser educada pela lei moral.
Os jovens devem ser educados no respeito da verdade, das qualidades do coração e da dignidade moral e espiritual do Homem

A LIBERDADE DO HOMEM
Deus criou o homem racional, conferindo-lhe a dignidade de pessoa dotada de iniciativa e do domínio dos seus próprios actos. «Deus quis "deixar o homem entregue à sua própria decisão" (Sir 15, 14), de tal modo que procure por si mesmo o seu Criador e, aderindo livremente a Ele, chegue à total e beatífica perfeição»:
«O homem é racional e, por isso, semelhante a Deus, criado livre e senhor dos seus actos».
Liberdade e responsabilidade
A liberdade é o poder de agir ou não agir, de fazer isto ou aquilo, praticando assim, por si mesmo, acções deliberadas.
A liberdade é, no homem, uma força de crescimento e de maturação na verdade e na bondade. E atinge a sua perfeição quando está ordenada para Deus, nossa bem-aventurança.
Enquanto se não fixa definitivamente no seu bem último, que é Deus, a liberdade implica a possibilidade de escolher entre o bem e o mal, e portanto, de crescer na perfeição ou de falhar e pecar.
Torna-se fonte de louvor ou de censura, de mérito ou de demérito.
Quanto mais o homem fizer o bem, mais livre se torna.
Não há verdadeira liberdade senão no serviço do bem e da justiça.
A opção pela desobediência e pelo mal é um abuso da liberdade e conduz à escravidão do pecado.
A liberdade torna o homem responsável pelos seus actos, na medida em que são voluntários.
O progresso na virtude, o conhecimento do bem e a ascese aumentam o domínio da vontade sobre os próprios actos.
A liberdade exercita-se nas relações entre seres humanos. Toda a pessoa humana, criada à imagem de Deus, tem o direito natural de ser reconhecida como ser livre e responsável.
Todos devem a todos este dever do respeito.
O direito ao exercício da liberdade é uma exigência inseparável da dignidade da pessoa humana, nomeadamente em matéria moral e religiosa. Este direito deve ser civilmente reconhecido e protegido dentro dos limites do bem comum e da ordem pública.
(Catecismo da Igreja Católica)
A liberdade cristã é um liberdade libertada, é libertação. A liberdade que a sociedade falta é uma liberdade escrava de vícios e dependências.
Todos temos que bater com a mão no peito e pedir perdão ao Senhor pelo mau uso que tantas vezes fazemos da nossa liberdade aprisionada pelos nossos caprichos, vaidades, egoísmos, sensualismos, concupiscência.

QUANTO MAIS EXTERIORIDADE, MENOS PESSOAS SOMOS
E MAIS OBJECTO (COISA) SOMOS.
QUANTO MAIS INTERIORIDADE, MAIS PESSOA SOMOS.

Pe. Albano Nogueira
(continua)

terça-feira, 9 de março de 2010

SAÚDE MENTAL DOS PORTUGUESES

albanosousanogueira@sapo.pt

A saúde física dos portugueses está melhor do que há alguns anos atrás.
A saúde mental está pior:
- MAIS SUICÍDIOS
- MAIS DEPRESSÕES
- MAIS CONSUMO DE REMÉDIOS (ANTIDEPRESSIVOS).
1- A fé em Deus, a prática e a cultura religiosa são preciosas ajudas para ultrapassar estas doenças.
2- A auto-estima= amor a si mesmo(a) também ajuda.
Aceitar-se como se é, o que se tem, o que se faz. Viver em paz com a vida.
3- Não valorizar as críticas negativas e destrutivas dos outros. O meu valor não depende das críticas que os outros me fazem; não depende do que eu tenho ou do que eu faço.
O meu valor depende do que eu sou...
Sou pessoa, sou Filho(a) de Deus.
Sou amado(a) profundamente por Deus Pai e isso é fonte de paz, de segurança, de bem estar psíquico e de felicidade.
Muita gente fica doente porque o seu EU IDEAL anda muito longe do seu EU REAL . É um, mas sonha que é outro e vive nessa ilusão de um EU IDEAL que não existe, a não ser na sua cabeça.
Como dizem os brasileiros: "Cai na real...".
Cai na realidade e vais ver que tudo muda.
Muita gente faz para si uma imagem muito idealizada, muito elevada. Vive num mundo de ilusão e fica doente por esse desfasamento.
Então, quando algo corre mal, quando é criticado, quando vem um desgosto, uma contrariedade, uma desilusão, uma doença, uma ruptura amorosa, uma morte, o seu mundo ideal desfaz-se, cai como um castelo e a pessoa fica debaixo de ruínas...
Aí pode suicidar-se, entrar em depressão, enfrascar-se de comprimidos antidepressivos que podem criar dependências e levar a pessoa a ficar escrava dos remédios...
Nós ficamos muitas vezes doentes e deprimidos(as) porque damos valor a coisas que não devíamos dar...
Ser inteligente e nada ligar a críticas, murmurações.
Encontrar em Deus, na fé, na oração, na religião, na amizade fraterna o apoio nas horas mais duras e difíceis...
P. Albano Nogueira

segunda-feira, 8 de março de 2010

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

8 DE MARÇO

A mulher é uma figura muito importante na sociedade, na família e na Igreja Católica.
“Dai-me boas mães e dar-vos-ei um mundo melhor”.
Esta frase não é minha. Li-a em algum livro.
Penso que tem muita sabedoria e muita verdade.
Se as mães forem boas mães, o mundo será melhor porque isso é sinal que ela está a cumprir bem a sua missão de educadora, de esposa, de mãe.
O mundo seria melhor se as mães transmitissem mais valores aos filhos pela palavra e pelo exemplo.
Na sociedade ocidental, valores cristãos que dignificam a família, as pessoas, que dignificam a mulher.
Quando a mãe falha, quase sempre, toda a família falha…
Falha o marido, falha a esposa e falham os filhos…
Quando a mãe acerta e cumpre, isso leva a que outros acertem: acerta a mulher, pode ser que o marido acerte, pode ser que os filhos acertem também…
A mulher tem ganho valor na sociedade, sobretudo no aspecto profissional, mas tem perdido muito da sua dignidade quando entende mal o conceito de liberdade.
Família problemática leva a criar filhos problemáticos
Famílias destruídas, levam a filhos abandonados e candidatos a marginais e criminosos…
É com alguma tristeza que oiço muitas mulheres dizerem que “as mulheres hoje são piores que os homens.
Eu até tenho vergonha de ser mulher”, dizia-me uma senhora.
Antigamente, os homens é que iam atrás das mulheres para namorar e casar…
Agora há mulheres que fazem o mesmo papel, andam atrás de homens para namorar e, quem sabe, casar…
Mulheres casadas que não assumem os seus compromissos matrimoniais…
Que atraiçoam os seus maridos de ânimo leve…
Mulheres (jovens e menos jovens) que vão a uma discoteca, conhecem um homem apenas nessa noite (e se calhar nunca mais vão ver) e se deitam com ele tendo relações sexuais (às vezes até sem estarem protegidas)… Não sabem nem sequer o seu nome...
Isto revela bem a que ponto muitas mulheres se degradaram e se tornaram um objecto que se usa e deita fora…
Claro que os homens também são responsáveis por esta degradação…
Eu sei que os tempos mudaram, só que, a meu ver, mudaram para pior…
E quem se vai safando com esta mentalidade… São os homens…
Antigamente os jovens para terem sexo tinham de casar ou gastarem dinheiro em prostitutas…
Hoje, não precisam de casar… Têm tudo e de graça...
Hoje casa-se menos porque as pessoas só querem desfrutar do prazer (sexual), mas não querem os sacrifícios que implica casar…
Querem apenas o bom, o que agrada, o que dá prazer e recusam as exigências de um amor sério, honesto, comprometido numa vida a dois e depois a mais, com os filhos… Vivem com os pais (que são criados dos filhos...) e gozam com o(a) namorado(a), sem qualquer compromisso.
No meu ponto de vista (que é o da Igreja Católica, algo tradicional para muitos e não me importo de o reconhecer) quem mais tem ficado a perder são as mulheres… Porque, se eles têm sexo, para que vão casar? E se não se entendem, cada um vai à sua vida e acaba tudo…
Muitos juntam-se à experiência, sem se casar, como se experimenta um objecto, um carro, um aparelho…
O problema é que muitas mulheres ainda não perceberam que os homens não as querem para casar, mas apenas para sexo…
Se falam em casamento, muitos desaparecem e acabam o relacionamento.
Isto não é amor… Isto não é uma relação saudável.
Isto é egoísmo do homem, é usar e deitar fora… como se fosse uma chiclete… Ser objecto, tornar-se objecto…
««««««««««««««««««««««««««««««««««««««
MULHER, SÊ O QUE ÉS: Imagem e Semelhança de Deus…
Reconhece a tua dignidade…
MULHER, não te deixes degradar a troco de uns momentos de prazer ou a troco de benefícios materiais…
O prazer não é pecado. O pecado é quando o prazer se desliga do amor e da dignidade humana, segundo a vontade de Deus.
Os bens materiais não são pecado. O pecado é quando a pessoa vende a sua dignidade por dinheiro…
MULHER, NÃO CONTRIBUAS PARA A DEGRADAÇÃO DA TUA PRÓPRIA IMAGEM, COMO QUEM ATIRA LAMA A SI MESMA...
Pe. Albano Nogueira

quarta-feira, 3 de março de 2010

A SEXUALIDADE HUMANA

3- AFECTIVIDADE -1

albanosousanogueira@sapo.pt

Outra dimensão importante da nossa vida é a dimensão afectiva.
Quando digo afecto digo o carinho, a ternura, a amizade, o amor (onde pode entrar ou não a sexualidade).
Hoje vive-se num pansexualismo, erotismo e pornografia desenfreada.
Em todas as situações se explora a sexualidade no que ela tem de mecânico (como uma máquina que se usa para ter prazer) e pouco no que ela tem de amor, de intimidade, de compromisso, de projecto de vida para o futuro.
Hoje, muitos jovens entregam-se uns aos outros apenas para ter sexo, prazer, sem amor, sem intimidade, sem compromisso, sem projecto de vida para o futuro.
Entregam-se a um(a), a outro(a) explorando apenas os instintos mais próprios de animais do que de seres humanos racionais, afectivos e dignos.
É o culto do hedonismo = procura obcecada do prazer pelo prazer…
Hoje sabe-se o que é o SEXO (genitalidade), mas não se sabe o que é a sexualidade, que é muito mais que órgãos genitais e que envolve e compromete toda a pessoa.
Hoje pede-se e fala-se de educação sexual nas escolas, mas o que a maioria entende e quer é relações sexuais sem compromissos, seguras, como um divertimento, como quem bebe uma bebida ou come uma sanduíche.
Sexo como uma brincadeira.
Sem dignidade, sem amor, sem profundidade.
Só exterioridade, sexo mecânico. Nada de interioridade, nada de amor, nem compromisso, nem seriedade, nem projecto de vida para o futuro…
É o que se passa a nível sexual nos tempos modernos.
Há uma visão redutora, materialista e consumista da sexualidade que transforma as pessoas em bestas, esvazia e degrada a pessoa e a torna um objecto de uso, de abuso e de deitar fora.
É o egoísmo desenfreado nas relações entre as pessoas…
Um inquérito feito na Inglaterra disse que a maioria das mulheres inglesas prefere perder o namorado a perder o telemóvel.
Isto revela que as relações humanas afectivas e íntimas entre namorados está ao nível de coisas, de objectos.
Cada pessoa é como uma coisa que se pode perder ou não e se compara com coisas.
Logo, cada um é um objecto para o outro, uma coisa que se usa, abusa e põe de parte quando não interessa e que há coisas mais valiosas que o amor a outra pessoa a quem se dá o que de melhor se tem: corpo, alma, sexualidade…
Quando se pensa e se age assim, não admira que o matrimónio tenha pouco valor para as pessoas… E cada se pessoa se torna descartável como quem usa uma coisa, um casaco, umas calças, uma saia, uma chiclete
Isto é a degradação máxima da pessoa.
Ela se degrada a si mesma. Se rebaixa e rebaixa os outros…
Triste sociedade que leva as pessoas a degradarem-se a si mesmas…
Em nome de uma falsa liberdade que é mais libertinagem, escravidão, dependências do que verdadeira liberdade libertada.
É preciso libertar a liberdade… Ser livre é obra de toda a vida…
Nem todos vivem assim, mas a degradação aumenta cada vez mais.
A sexualidade é bela, querida por Deus, mas deve estar unida ao amor, ao compromisso (casamento, matrimónio), a um projecto de vida a dois: homem e mulher.
Há uma visão cristã da sexualidade. Infelizmente cada vez a nossa sociedade segue menos a visão cristãs das coisas e das pessoas e a consequência é a degradação cada vez maior da pessoa e a sua desadaptação, amargura, vazio, decepção da vida, traições, desilusões e infelicidades.

QUANTO MAIS EXTERIORIDADE, MENOS PESSOAS SOMOS
E MAIS OBJECTO (COISA) SOMOS.
QUANTO MAIS INTERIORIDADE, MAIS PESSOA SOMOS.

(continua)

p. ALBANO NOGUEIRA

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A SALA QUE POUCO USAMOS (4)

albanosousanogueira@sapo.pt
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2- A INTELIGÊNCIA HUMANA E A RESPONSABILIDADE (3)
A propósito da liberdade humana, vejamos o que nos diz o Catecismo da Igreja Católica: Deus criou o homem racional, conferindo-lhe a dignidade de pessoa dotada de iniciativa e do domínio dos seus próprios actos. «Deus quis deixar o homem entregue à sua própria decisão, de tal modo que procure por si mesmo o seu Criador e, aderindo livremente a Ele, chegue à total e beatífica perfeição».

I.Liberdade e responsabilidade
A liberdade é o poder, radicado na razão e na vontade, de agir ou não agir, de fazer isto ou aquilo, praticando assim, por si mesmo, acções deliberadas. A liberdade é, no homem, uma força de crescimento e de maturação na verdade e na bondade. E atinge a sua perfeição quando está ordenada para Deus, nossa bem-aventurança.
Enquanto se não fixa definitivamente no seu bem último, que é Deus, a liberdade implica a possibilidade de escolher entre o bem e o mal, e portanto, de crescer na perfeição ou de falhar e pecar. É ela que caracteriza os actos propriamente humanos. Torna-se fonte de louvor ou de censura, de mérito ou de demérito.
Quanto mais o homem fizer o bem, mais livre se torna. Não há verdadeira liberdade senão no serviço do bem e da justiça. A opção pela desobediência e pelo mal é um abuso da liberdade e conduz à escravidão do pecado.
A liberdade torna o homem responsável pelos seus actos, na medida em que são voluntários. O progresso na virtude, o conhecimento do bem e a ascese aumentam o domínio da vontade sobre os próprios actos.
Toda a pessoa humana, criada à imagem de Deus, tem o direito natural de ser reconhecida como ser livre e responsável.

II. A liberdade humana e pecado
A liberdade do homem é finita e falível. E, de facto, o homem falhou. Livremente, pecou. Rejeitando o projecto divino de amor, enganou-se a si mesmo; tornou-se escravo do pecado. Esta primeira alienação gerou uma multidão de outras. A história da humanidade, desde as suas origens, dá testemunho de desgraças e opressões nascidas do coração do homem, como consequência de um mau uso da liberdade.
O exercício da liberdade não implica o direito de tudo dizer e fazer. É falso pretender que «o homem, sujeito da liberdade, se basta a si mesmo, tendo por fim a satisfação do seu interesse próprio no gozo dos bens terrenos».
Afastando-se da lei moral, o homem atenta contra a sua própria liberdade, agrilhoa-se a si mesmo, quebra os laços de fraternidade com os seus semelhantes e rebela-se contra a verdade divina.
Libertação e salvação. Pela sua cruz gloriosa, Cristo obteve a salvação de todos os homens. Resgatou-os do pecado, que os retinha numa situação de escravatura. «Foi para a liberdade que Cristo nos libertou».
Foi-nos dado o Espírito Santo e, como ensina o Apóstolo, «onde está o Espírito, aí está a liberdade» (2 Cor 3, 17). Já desde agora nos gloriamos da «liberdade dos filhos de Deus».
Liberdade e graça. A graça de Cristo não faz concorrência de modo nenhum, à nossa liberdade, quando esta corresponde ao sentido da verdade e do bem que Deus colocou no coração do homem. Pelo contrário, e como o certifica a experiência cristã sobretudo na oração, quanto mais dóceis formos aos impulsos da graça, tanto mais crescem a nossa liberdade interior e a nossa segurança nas provações, como também perante as pressões e constrangimentos do mundo exterior. Pela acção da graça, o Espírito Santo educa-nos para a liberdade espiritual, para fazer de nós colaboradores livres da sua obra na Igreja e no mundo:

(continua)
Padre Albano Nogueira

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A SALA QUE (QUASE) NUNCA USAMOS 3

2.2. A INTELIGÊNCIA (2)
htt://operfumededeus.blogspot.com
Há uma visão cristã do corpo humano como templo, morada do Espírito Santo.
O corpo como algo de sagrado, de muito digno.
S. Paulo, nas suas cartas, diz que o corpo não é para a imoralidade, mas merece todo o respeito porque é um lugar onde Deus mora, onde Deus habita.
Infelizmente, há muitas situações em que a pessoa não reconhece nem a sua própria dignidade, nem a dignidade dos outros.
Não reconhece que Deus mora em nós e nos outros.
Em muitos casos não se respeita a vida, não se respeita a saúde, a integridade física, não se respeitam os idosos, não se respeitam os bens dos outros, não se respeita a dignidade humana, não se respeitam os direitos humanos, etc.
Há uma visão cristã do corpo e uma visão cristã da inteligência.
Esta tanto pode ser usada para o bem, como para o mal.
É a fé cristã e o evangelho que iluminam a pessoa e o seu pensar para que ele seja usado para o bem.
No sinal da cruz fazemos uma cruz na testa.
Nessa altura estamos a pedir a Deus que nos ajude a ter boas ideias, bons pensamentos, para escolhermos o melhor bem.
A filosofia diz: “O Homem é um animal racional”.
É uma definição insuficiente, pobre, limitada.
O que é que ajuda a distinguir e a perceber quando se usa a inteligência para o bem ou a inteligência para o mal?
A inteligência humana só por si, não consegue distinguir o bem e o mal.
Ela precisa de uma luz superior que a ética e a moral (cristã) dão para se saber usar a inteligência para o bem e não para o mal.
A pessoa é naturalmente egoísta, centrada em si mesma, preocupada em primeiro lugar consigo mesma.
A preocupação pelos outros não é natural. Fazer bem aos outros e esquecer-se de si mesmo, não é natural. Há uma tendência ontológica, essencial para o egoísmo, para a sobrevivência e a luta por si mesmo, por vezes, passando por cima dos direitos dos outros.
A Bíblia diz: “O Homem é uma imagem e semelhança de Deus”.
Ou seja, não basta ser racional, inteligente.
Não basta desenvolver o corpo e a inteligência.
É preciso ser imagem e semelhança de Deus, parecido com Deus, com Jesus Cristo que passou a vida fazendo o bem.
É preciso ser mais que inteligente: SER SÁBIO, ter a sabedoria da vida, ter a sabedoria cristã que leva a entender a vida e a pessoa humana mais profundamente como imagem e semelhança de Deus.
Meu irmão, minha irmã, estamos a começar a quaresma.
Aproveita este tempo favorável para te absteres do mais importante.
O mais importante não é abster-se de carne às sextas-feiras da quaresma.
O mais importante é a abstinência do egoísmo, do pecado, de todo o mal.
Usa a tua inteligência para o bem, não apenas o teu próprio bem, porque isso é egoísmo, mas para o bem comum e o bem dos outros.
Lê a Bíblia, a Palavra de Deus, lê bons livros de formação humana e cristã para seres inteligente, culto, mas também para ganhares sabedoria que te leva a compreender a tua pessoa e a pessoa dos outros, compreender a tua vida e a vida dos outros.
Para compreenderes que precisas de Deus, da fé, do divino Espírito Santo, da Igreja Católica para te saberes conduzires nos caminhos da vida de forma verdadeiramente LIVRE…
Não como a sociedade diz, mas como Jesus Cristo diz: não basta ter liberdade.
É preciso que sejas LIVRE.
Usa a tua inteligência para perceberes sabiamente esta distinção.
Esse é uma dos maiores desejos de Deus a teu respeito: quer que tu sejas VERDADEIRAMENTE SÁBIO E VERDADEIRAMENTE LIVRE.

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Não te esqueças:
QUANTO MAIS EXTERIORIDADE, MENOS PESSOAS SOMOS
E MAIS OBJECTO (COISA) SOMOS OU NOS TORNAMOS.
QUANTO MAIS INTERIORIDADE, MAIS PESSOA SOMOS.
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(continua)
Padre Albano Nogueira

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A SALA QUE (QUASE) NUNCA USAMOS 2


2- A INTELIGÊNCIA

Uma das características do ser humano é ser racional, inteligente, criador e criativo, inovador.
O seu cérebro é uma maravilha difícil de compreender.
Além de ser corpo, o ser humano é inteligente, pensa, raciocina.
É outro “andar” do edifício humano, outra “sala” da casa única que é cada pessoa.
O ser humano deve desenvolver a inteligência.
Aprender, ler, estudar.
Mas não se devia só estudar por obrigação, ler por obrigação, aprende por obrigação.
Devia desenvolver-se a inteligência, o conhecimento, de forma livre, voluntária e aprender a conhecer a pessoa humana.
Estudar para conhecer a sua psicologia, a sua forma de ser e pensar como homem, como mulher nos seus momentos e idades de diferentes desenvolvimentos.
Seria bom que as pessoas lessem livros e revistas boas de ciências humanas e religiosas.
Conhecer a fé, a religião, o Deus revelado, etc.
Ler livros e revistas de espiritualidade, ler a Bíblia.
Ter cultura religiosa. Há tanta ignorância religiosa.
Esta é uma “sala”, uma dimensão da nossa vida da qual se usa apenas uma parte. Estuda-se na escola para passar, por obrigação, de forma contrariada.
O que eu sugiro é que as pessoas aproveitem este tempo litúrgico da Quaresma para leir bons livros de formação integral ao longo de toda a vida. Não ler apenas as revistecas baixas e ditas “cor-de-rosa” que vasculham a vida da pessoa.
Ler livros e revistas que elevem a pessoa e não aquelas que despem a pessoa da sua dignidade e a degradam cada vez mais.
Ler, estudar, meditar no silêncio do seu quarto, da sua sala.
As pessoas têm cada vez mais cultura científica, escolar, mas têm cada vez menos conhecimento de si mesmo, dos outros e de Deus, da religião, da fé cristã católica.
Há muita ignorância de coisas essenciais, fundamentais e muitos conhecimentos exteriores, do mundo.
Há gente que passa pela vida sem saber "quem é ele mesmo", “quem é o outro”, sem saber como “funciona” (como é, pensa, age e reage) um homem, sem saber como “funciona” (como é, pensa, age e reage) uma mulher, sem saber “quem é Deus”, “quem é Jesus Cristo”, “quem é a Igreja”, etc…
Um das descobertas mais fascinantes da nossa vida é CONHECERMO-NOS A NÓS MESMOS.
Hoje há muita INFORMAÇÃO nas pessoas, mas pouca FORMAÇÃO.
Então a nível religioso, há uma grande ignorância e desconhecimento nos cristãos católicos do que é ser cristão, seguidor de Jesus Cristo veiculado, transmitido pela Igreja Católica.
A Inteligência é um dom de Deus e fruto do desenvolvimento da pessoa humana. Participação da inteligência divina e, como tal, devia ser usada sempre para o bem.
Meu irmão, minha irmã, aproveita o teu corpo e a tua inteligência durante este tempo da quaresma e da tua vida
PARA FAZERES SEMPRE O BEM SEGUNDO A VONTADE DE DEUS E O EVANGELHO e não tanto segundo a tua vontade.

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Não te esqueças:
QUANTO MAIS EXTERIORIDADE, MENOS PESSOAS SOMOS
E MAIS OBJECTO (COISA) SOMOS OU NOS TORNAMOS.
QUANTO MAIS INTERIORIDADE, MAIS PESSOA SOMOS.
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Padre Albano Nogueira

sábado, 13 de fevereiro de 2010

CARNAVAL

CARNAVAL – A CARA QUE SE ESCONDE, O CORPO QUE SE MOSTRA

O Carnaval é uma festa pagã e como tal, tem muito sucesso.
Tudo o que é tradição pagã é cada vez mais recordado, vivido e desenvolvido pelas pessoas.
É que o paganismo não tinha respeito pelo corpo, pela pessoa, por Deus.
O paganismo é uma crença em diversos deuses, tal como nos tempos do Império Grego e Império Romano.
Crença essa que levava, tantas vezes, a comportamentos que mais tarde foram rejeitados e condenados pelo cristianismo porque não conheciam a novidade trazida por Jesus Cristo que ensinava que o Homem é uma imagem e semelhança de Deus, com uma dignidade excepcional.
O paganismo era um sistema de crenças em deuses cheio de defeitos e pecados (à semelhança dos humanos) que permitiam todos os excessos humanos em todos os campos: excessos no comer, no beber, nos divertimentos, no campo sexual…
O Carnaval são 3 dias de excessos, orgias, escondidos atrás das máscaras. Esconde-se a cara, mas mostra-se o corpo, como se faz, sobretudo nos países quentes.
A festa do Carnaval não é uma festa típica do Brasil. Toda essa farra existe desde a Antiguidade e vem de muito longe.
O Carnaval originário tem início nos cultos agrários da Grécia, de 605 a 527 a.C. Com o surgimento da agricultura, os homens passaram a comemorar a fertilidade e produtividade do solo.
O Carnaval Pagão começa quando Pisistráto oficializa o culto a Dioniso na Grécia, no século VII a.C. e, termina, quando a Igreja Católica adopta a festa em 590 d.C.
O primeiro foco de concentração carnavalesca se localizava no Egipto.
A festa era nada mais que dança e cantoria em volta de fogueiras.
Os foliões usavam máscaras e disfarces simbolizando a inexistência de classes sociais.
Depois, a tradição se espalhou por Grécia e Roma, entre o século VII a.C. e VI d.C. A separação da sociedade em classes fazia com que houvesse a necessidade de válvulas de escape.
É nessa época que sexo e bebidas se fazem presentes na festa.
Em seguida, o Carnaval chega em Veneza para, então, se espalhar pelo mundo. Diz-se que foi lá que a festa tomou as características actuais: máscaras, fantasias, carros alegóricos, desfiles...
O Carnaval Cristão passa a existir quando a Igreja Católica oficializa a festa, em 590 d.C. Antes, a instituição condenava a festa por seu carácter “pecaminoso”.
No entanto, as autoridades eclesiásticas da época se viram num beco sem saída.
Não era mais possível proibir o Carnaval.
Foi então que houve a imposição de cerimónias oficiais sérias para conter a libertinagem.
Mas esse tipo de festa batia de frente com a principal característica do Carnaval: o riso, a brincadeira...
É só em 1545, no Concílio de Trento, que o Carnaval é reconhecido como uma manifestação popular de rua. Em 1582, o Papa Gregório XIII transforma o Calendário Juliano em Gregoriano e estabelece as datas do Carnaval.
O motivo da mobilidade da data é não coincidir com a Páscoa Católica.
Carnaval: carne + vale, quer dizer que se ia entrar num tempo (a Quaresma) em que ia embora a carne, uma vez que era proibido comer carne durante a Quaresma.
Então comia-se em três dias muita carne (daqui Domingo gordo) para depois de fazer abstinência.
Brincar não faz mal. Faz até bem.
O problema é quando as pessoas jogam o Carnaval o tempo todo… Usando máscaras… Escondendo o bem (tendo vergonha do bem) e mostrando o mal (sem vergonha de fazer o mal) …

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QUANTO MAIS EXTERIORIDADE,
MENOS PESSOAS SOMOS E MAIS OBJECTO SOMOS.
QUANTO MAIS INTERIORIDADE, MAIS PESSOA SOMOS.
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p. Albano Nogueira

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A SALA QUE (QUASE) NUNCA USAMOS


CONHECER-SE A SI MESMO(A)

Em quase todas as casas há uma divisão bonita, bem mobilada, larga, espaçosa, com luz solar, boa mobília, boa loiça, bons cortinados, bons quadros, televisão, música, sofás, etc.
Mas há muitas famílias que quase nunca usam essa divisão: é a sala de jantar.
Usa-se a cozinha, os quartos, a garagem, às vezes o sótão, mas raramente usam a sala.
Se calhar é a sala mais bonita, mais cómoda, mas fica quase sempre vazia, por usar…
Temos, mas não usamos…
Somos ricos, mas não usamos a riqueza que temos…
Não damos valor ao que temos e ao que somos…
Este exemplo, nós podemos passá-lo para a nossa vida, para a nossa pessoa.
Na nossa vida pode passar-se algo um pouco parecido.
A nossa pessoa é como uma casa com várias divisões, vários andares, várias dimensões, mas há algumas que usamos pouco ou nada e se calhar falta-nos usar as melhores, mas mais bonitas.

Nós somos corpo (matéria), pensamento, afectividade, interioridade, espiritualidade.

1- O CORPO é a expressão visível de todas as outras dimensões.
Vivemos num mundo muito materialista que valoriza muito (até demais) o corpo: comer, beber, dormir, trabalhar, divertir-se, prazer, desporto, gozar (onde entra a sexualidade, a droga), beleza.
Mas em relação ao corpo esquece-se a dimensão mais espiritual do corpo: a linguagem do corpo de forma mais profunda: olhar, sorriso, carinho, ternura.
Hoje, adora-se o corpo, faz-se tudo para bem do corpo na sua dimensão materialista.
Procura-se os prazeres corporais, tantas vezes até ao excesso que correm o risco de degradar a pessoa humana e a tornar dependente de vícios.
O corpo é importante, devemos cuidar dele se estiver doente, devemos protegê-lo, defendê-lo, evitar os vícios e as dependências, mas não se pode fazer sempre a vontade ao corpo.
Muitas vezes tem de se contrariar os apetites corporais.
Não podemos ser escravos do corpo e dos seus apetites.
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QUANTO MAIS EXTERIORIDADE,
MENOS PESSOAS SOMOS E MAIS OBJECTO SOMOS.
QUANTO MAIS INTERIORIDADE, MAIS PESSOA SOMOS.
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(CONTINUA)

Pe. Albano Nogueira

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

6. A EXPERIÊNCIA DE DEUS


A nossa experiência de Deus é dupla:
a) Presença transcendente e imanente de Deus Criador.
b) Presença misericordiosa, cujo amor total nos estabelece num pé de igualdade com Deus: “Já não vos chamo servos, mas amigos” (Jo 15,15), pois o amor cria igualdade: e o amor de Deus, sem limites, foi para isso até à morte e à Eucaristia.
Esta experiência de Deus é mais discreta que a experiência de Deus Criador, pois o amor de Deus esconde-se durante a peregrinação de fé em que Ele nos acompanha.
Ele está junto de nós como uma fonte escondida.
Se Ele se revelasse nós já não seríamos desta terra: “ninguém pode ver a Deus sem morrer”, diz a Bíblia
A experiência de Deus Criador, podemos de alguma maneira aceder a ela, através dos nossos recursos humanos; mas o Amor Salvador é o fruto de um dom gratuito.
Nós temos de realizar em nós a verdade do Amor Salvador.
- Isto supõe a ordem da nossa vida, a sua rectidão, pois os nossos pecados, obscurecem a experiência do Amor misericordioso que nos salva, donde a insistência de Cristo sobre a importância de realizar os seus mandamentos.
- Esta verdade realiza-se pela caridade, pelo serviço dos outros.
- Realiza-se nos actos de culto, onde Cristo constrói e alimenta o Seu Corpo que é a Igreja e o faz frutificar.
- Esta experiência de Deus realiza-se na experiência da fé e quem faz essa experiência aproxima-se da luz.

René Laurentin, A Igreja do Futuro, ed Paulistas, Lisboa, 1991.

sábado, 23 de janeiro de 2010

5. A EXPERIÊNCIA DO DEUS SALVADOR (2)

albanosousanogueira@sapo.pt

a) Primeiramente, a “admirável permuta” da Encarnação.

O Filho de Deus quis nascer da Virgem Maria, para assumir a nossa humanidade e nos comunicar em troca a Sua divindade.
Tomou a nossa fraqueza, para nos dar a Sua força.
Partilha a nossa temporalidade para fazer aceder à Sua eternidade.
A pessoa divina encarnada tornou-se a célula regeneradora e cabeça da humanidade.
b) Mas era preciso uma outra permuta, um outro trabalho: a Redenção (salvação, libertação).

Cristo fez-se pecado por nós, diz S. Paulo em 2 Cor 5, 21, para nos comunicar a Sua justiça, a Sua santidade divina: “sede santos como Eu sou santo” (Lv 19,2).
Cristo morreu de morte humana, para nos dar em troca a Sua vida divina.
Ele comprometeu a Sua Mãe nesta nova permuta.
Pela morte, Ela perdia esse Filho Santíssimo e recebia, em seu lugar, filhos pecadores. Assim, a Mãe de Deus torna-se Mãe dos homens.
Nós acedemos, por pura bondade, a esse mistério: a nossa divinização.
É para alimentar essa vida, que o Salvador nos dá o Seu Corpo em alimento, numa nova e misteriosa permuta em que o nosso corpo assimila o sinal material do pão, enquanto o nosso ser é transformado, divinizado em Jesus Cristo, sem perda da sua personalidade.
Jesus Cristo inseriu-se no tronco genealógico dos homens e, depois disso, fez de nós, por meio da Sua morte de amor e da Sua Ressurreição, um só corpo místico: divino e humano.


René Laurentin, A Igreja do Futuro, ed Paulistas, Lisboa, 1991.


domingo, 17 de janeiro de 2010

5. A EXPERIENCIA DO DEUS SALVADOR






A experiência ontológica (interior) de Deus Criador é apenas uma primeira verdade e uma primeira etapa da mensagem revelada.

Mas Deus não criou o homem apenas para a terra onde ele reina.

Ele convida-o para a sua refeição: para uma partilha eterna com Ele.

É uma festa, é o banquete de Deus, anuncia Jesus no evangelho.

Eis porque Ele nos criou.
E porque o homem, rei da terra, falhou no seu destino pelo pecado, Deus Criador fez-se Deus Salvador.

Tudo isto sabemos não pela nossa razão, mas através da Revelação.
Nós perdemos muito esse sentido de Deus Salvador porque se perdeu o sentido de pecado e o sentido do novo nascimento para a vida de Deus.
Existe nos humanos a concupiscência, isto é, a atracção pelos desejos materiais ou sensuais, desejo sexual intenso, a desordem dos desejos, desorientados pelo pecado.

O homem traz em si os gérmenes (sementes) da sua própria perda.

Ele tem necessidade de um Salvador para emergirmos do afundamento do pecado, de sermos salvos da morte, de encontrar “a vida depois da vida”.
Para nos fazer partilhar da sua vida divina, depois de nos ter libertado do pecado, o próprio Criador fez-se criatura.

Ele deixou-se imergir, submergir, neste mundo de pecado, que Lhe deu a morte.

Ele fez brotar aqui em baixo a divina fonte de amor, capaz de resolver o drama humano de finitude, do pecado, da morte, da sede insaciável, portanto, infinita, inscrita no coração do homem.
A aventura de Cristo é um mistério de partilha e tem duas etapas: Encarnação e Redenção.

Deus assume a nossa vida humana e dá-nos a Sua vida divina.

Ele tomou sobre si a morte, preço do pecado, a dá-nos a Sua vida eterna. Este mistério da partilha de Cristo tem duas etapas: a Encarnação e a Redenção.

Ele tomou a nossa fraqueza, os nossos males, para nos dar o melhor de Si próprio.


René Laurentin, A Igreja do Futuro.