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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

A ARTE DE NÃO ADOECER




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Se não quiser adoecer…
… Fale dos seus sentimentos.
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Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna.

Com o tempo a repressão dos sentimentos degenera até em cancro. Então vamos desabafar, confidenciar, partilhar a nossa intimidade, nossos “segredos”, nossos erros… O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia!
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Se não quiser adoecer…
… Tome decisões.
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A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia. A indecisão acumula problemas, preocupações, agressões. A história humana é feita de decisões. Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder vantagem e valores para ganhar outros. As pessoas indecisas são vítimas de doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.
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Se não quiser adoecer…
… Busque soluções.
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Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas. Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo. Melhor é acender o fósforo que lamentar a escuridão. Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce existe. Somos o que pensamos. O pensamento negativo gera energia negativa que se transforma em doenças.
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Se não quiser adoecer…
… Não viva de aparências.
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Quem esconde a realidade finge, faz pose, quer sempre dar a impressão que está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho etc… está acumular toneladas de peso… uma estátua de bronze, mas com pés de barro. Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas. São pessoas com muito verniz e pouca raiz. Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.
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Se não quiser adoecer…
… Aceite-se.
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A rejeição de si próprio, a ausência de auto-estima, faz com que sejamos algozes de nós mesmos. Ser eu mesmo é o núcleo de uma vida saudável. Os que não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos, destruidores. Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é sabedoria, bom senso e terapia.
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Se não quiser adoecer…
… Confie.
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Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se relaciona, não cria ligações profundas, não sabe fazer amizades verdadeiras.

Sem confiança, não há relacionamento.

A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em Deus.
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Se não quiser adoecer…
… Não viva sempre triste.
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O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida longa. A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive. “O bom humor nos salva das mãos do doutor.” Alegria é saúde e terapia!



Meu amigo e irmão procura seguir este caminho e a tua vida será muito mais feliz

Pe. Albano Nogueira

sábado, 12 de fevereiro de 2011

O DEUS DOS “MÍNIMOS” OU DOS “MÁXIMOS”?


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A fé em Deus é uma questão de amor, de esperança, de confiança.
Não há provas absolutas para provar a existência de Deus.
Há muitas razões, muitos sinais, muitos caminhos para se chegar à fé em Deus.
Mas há sempre a possibilidade da dúvida e da negação de Deus...
Quem acredita em Deus, ama a Deus, espera em Deus, confia em Deus.
Assim, a temperatura da fé mede-se pela temperatura do amor.
Ou seja quem tem uma fé grande, forte, firme, tem um amor grande e lembra-se muito de Deus que se torna um grande amor.
Quando a fé é pequena, o amor é pequeno e a pessoa vive uma fé em Deus dos mínimos.
Faz o menos que pode, limita-se ao mínimo.
É como quando duas pessoas se amam pouco: poucas vezes se falam, poucas vezes se comunicam, poucas vezes se encontram.
Quem ama muito, encontra-se muito, fala muito, comunica muito.
É a fé em Deus dos máximos.
Infelizmente, muitos cristãos católicos vivem a fé em Deus ao nível mínimo: ir à missa ao Domingo (o mínimo possível); confessar-se o mínimo, comungar o mínimo, rezar o mínimo, a não ser que venha uma doença, uma contrariedade, uma desgraça, uma morte…
Então aí a fé aumenta… Por interesse...
Quando se ama muito a Deus, faz-se muito mais que o mínimo.
Faz-se o máximo de oração, de sacramentos, de vida cristã.
Pensa-se muito em Deus, Ele anda constantemente no nosso pensamento como um amado pensa na sua amada.
Se Deus se torna o nosso amor, pensamos muito n’Ele.
O mínimo ou o máximo também se revela na vida de cada dia: cumprindo o mínimo da lei de Deus ou o máximo, sendo perfeito o mais possível, santo o mais possível, bom o mais possível.
Deus, ou se ama com entusiasmo, com intensidade, com amor e paixão e, desta forma ilumina e dá sentido à vida, ou então é um amor menor, insignificante que depressa se esquece e que não dá gosto nenhum na vida.
Amar o Deus dos mínimos não enche o coração humano, não dá aquela paz profunda e aquela felicidade pela qual suspira o coração e a alma humana.
O nosso Deus é o Deus dos máximos: máxima beleza, máxima bondade, máxima doçura, máximo perdão, máxima paciência, máximo amor, máxima misericórdia. Máxima verdade.
Máxima virtude, máxima santidade. Máxima felicidade.
O Homem é chamado a imitar este Deus dos máximos e a “ser o mais possível” em bondade, amor, doçura, perdão, beleza, paciência, virtude, paz, felicidade…
A ti meu irmão que me lês, aceita o meu desafio: procura perceber que a fé em Deus não pode ser vivida por medo, por interesse, por rotina, por tradição, por obrigação.
A fé em Deus tem de ser vivida como uma necessidade que vem de dentro de nós mesmos e me faz abrir a alma e o coração ao Deus da Vida, da Paz e do Amor.
A fé em Deus tem de ser uma questão de amor a quem tanto me ama.
Eu sinto-me amado imensamente por Deus e amo esse Deus em palavras e obras religiosas e no dia-a-dia numa vida cristã imitando o Divino Mestre- Jesus Cristo.

Pe. Albano Nogueira

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A TEOLOGIA COMO REVERSO DA HISTÓRIA


albanosousanogueira@sapo.pt
http://operfumededeus.blogspot.com
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A história pode ser vista e contada do ponto de vista dos vencedores, do homem adulto, emancipado.
Mas há outro ponto de vista da história: o ponto de vista dos oprimidos, dos pobres, dos explorados.
Há uma história entendida como progresso, que marginaliza e despreza a história dos vencidos; mas há o reverso da história que faz memória e recorda os oprimidos, esquecida e não escrita tantas vezes, do seu presente de dor, de luta, de esperança, de sonho do seu futuro.
O sujeito desta outra história é o outro, o conjunto das não-pessoas, as classes exploradas, oprimidas, marginalizadas, desprezadas.
A Deus, em primeiro lugar, O contemplamos, ao mesmo tempo que pomos em prática a Sua vontade, seu Reino.
Somente depois se pensa nele.
O mistério de Deus vive na contemplação e vive na prática do seu desígnio sobre a história humana.
O momento inicial é o silêncio.
A etapa seguinte é o falar.
A teologia deve procurar a libertação das não-pessoas e ser o reverso da história, por meio da caridade como centro da vida cristã, que leva a ver a fé bíblia como um acto, uma saída de si mesmo, como um compromisso com Deus e com os ouros (próximo) …
Ter uma postura nova diante da vida.
Depois vem a espiritualidade que é uma espécie de síntese entre a contemplação e a acção e leva a descobrir o valor religioso e o profano e ao aprofundamento do agir cristão no mundo.
A vida da Igreja devia ser uma reflexão crítica da fé como um serviço concreto à comunidade e ao mundo.
Teologia dos sinais dos tempos tem a reflexão intelectual e uma exigência de acção pastoral, de compromisso, de serviço aos demais.
Sentido profundo da presença e da acção de Deus em todos os aspectos da vida.
A atenção à humanidade de Jesus, especialmente aos seus aspectos de debilidade e de sofrimento (presépio, paixão, cruz), de onde deriva um sentido cristão da dor, das privações e da morte.
O Filho de Deus desfigurado (Jesus Cristo) continua desfigurado em todos os filhos de Deus que sofrem, os pobres, os miseráveis, os não-pessoas.
O que dificulta falar de Deus a essas pessoas.
Como falar de um Deus que se revela como Amor, num ambiente marcado pela pobreza, pela opressão, pela miséria, pelo ódio, pela violência?
Como falar de um Deus que é Vida num ambiente de morte injusta e prematura?
Como reconhecer o dom gratuito do Seu amor e da sua justiça perante o sofrimento do inocente?
Como falar a pessoas que não são consideradas pessoas e dizer-lhes que são filhos e filhas de Deus?
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Bruno Forte, teólogo italiano
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Estas perguntas devem levar-nos a reflectir e saber que Deus conta connosco para ajudar os outros a sentirem-se pessoas amadas por Deus a partir do amor que lhes dedicamos...


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A UNIDADE DE DEUS


Desde o princípio, o Deus bíblico aparece como único.
Javé é único e os falsos deuses não existem.
Javé é o Deus de Israel a partir de Abraão e sobretudo com Moisés com o qual renova no Monte Sinai a aliança feita com Abraão.
Dá-se um vínculo entre Deus e um Povo e não tem nada de comum com as limitações que imaginavam os pagãos.
Javé é o Deus dos israelitas por Sua eleição.
A iniciativa é de Deus.
Em Sua soberania quis revelar-se a eles.
Concluiu uma aliança com eles, e os escolheu para que fossem suas testemunhas.
Isto não significa que a Sua autoridade ficasse confiada aos que faziam parte de esta nação.
Ele é o Senhor de todas as nações.
No seio do povo de Israel houve alguns que atribuíam uma certa realidade aos falsos deuses até ao ponto de lhe prestar culto.
Até dentro da Igreja primitiva os havia que não estavam convencidos da vaidade (vazio, ilusão) dos ídolos.
Desde a primeira linha do Génesis, Deus é um só, Criador de todo o universo.
Os Dez Mandamentos começam com a exclusão de toda falsa divindade.
A confissão de fé de Israel encontra-se em Dt 6,4: “O Senhor é Nosso Deus, o Senhor é Único”. Fora dele não há outro deus.
É a doutrina do monoteísmo: a crença num só Deus.
Esta crença é relativamente recente: a partir de Abraão (séc XIX antes de Cristo), mas a humanidade já tem muitos séculos de existência.
Até Abraão os povos são quase todos politeístas, isto é, adoravam muitos deuses.
O Povo de Israel é primeiro povo monoteísta que reconhece e adora um só Deus.

domingo, 30 de janeiro de 2011

A CONSCIENCIA DE CADA UM


Frequentemente eu pergunto-me:
“O que cada um de nós está a fazer neste planeta”.
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Se a vida for somente tentar aproveitar o máximo possível as horas e os minutos, esse filme é bobo.
Tenho a certeza de que existe um sentido melhor em tudo o que vivemos.
Para mim, a nossa vinda ao planeta tem, basicamente, dois motivos: evoluir espiritualmente e aprender a amar melhor.
Todos os nossos bens, na verdade, não são nossos.
Somos apenas as nossas almas.
E devemos aproveitar todas as oportunidades que a vida nos dá para nos aprimorarmos como pessoas.
Portanto, lembre-se sempre que os seus fracassos são sempre os melhores professores e que é nos momentos difíceis que as pessoas precisam encontrar uma razão maior para continuar em frente.
As nossas acções, especialmente quando temos de nos superar, fazem de nós pessoas melhores.
A nossa capacidade de resistir às tentações, aos desânimos, para continuar o caminho, é que nos torna pessoas especiais.
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Ninguém veio a esta vida com a missão de juntar dinheiro e comer do bom e do melhor.
Ganhar dinheiro, ter bom padrão de vida e alimentar-se bem faz parte da vida, mas, não podem ser razão de viver.
Tenho a certeza de que pessoas como Martin Luther King, Mahatma Ghandi, Nelson Mandela, Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce, Chico Xavier, Betinho e tantos (as) outros (as) anónimos (as), que lutaram e lutam para melhorar a vida dos mais fracos e dos mais pobres, não estavam motivadas pela ideia de ganhar dinheiro.
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O que move, então, essas pessoas generosas a trabalhar diariamente, sem jamais desistir?
A resposta é uma só:
A CONSCIÊNCIA DE SUA MISSÃO NESTA VIDA:
Quando você tem a consciência de que, através do seu trabalho, está a realizar a sua missão, você desenvolve uma força extra, capaz de levá-lo ao cume da montanha mais alta do planeta.
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Infelizmente, muita gente se perde nesta viajem e distorce o sentido da sua existência, pensando que acumular bens materiais é o objectivo da vida.
E quando chega no final do caminho percebe que o caixão não tem gavetas e que só vai poder levar daqui o bem que fez às pessoas.
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Se você tem estado angustiado sem motivo aparente, está aí um aviso para parar e reflectir sobre o seu estilo de vida.

Responda com honestidade:
Como você vem tratando seus pais, seus irmãos, seus filhos, seus amores e seus amigos?
Como anda a sua disposição para “emprestar” sua atenção a quem precisa desabafar sua dor, a quem precisa receber um gesto de carinho?
Você está engajado em algum movimento voluntariado?
Você tem reservado pelo menos cinco minutos diários para ter um diálogo sincero com você mesmo?
Você tem agradecido a Deus pelo milagre de sua vida e por todos os “anjos” que Ele coloca em seu caminho?

Escute a sua alma:
Ela tem a orientação correcta sobre qual o caminho a seguir?

Tudo na vida é um convite para o avanço e a conquista de valores, na harmonia e na glória do bem.
E lembra-te: “Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão”.

Tenho sido, nesta vida, um buscador de minha luz.
Por isso tenho encontrado nesta caminhada, mais sombras internas do que a minha tão esperada Luz!
O passar dos anos, o tempo, a vivência do dia-a-dia vão me ensinando que por trás de toda a sombra que sempre aparece e enfrento, dá-se automaticamente o sentimento da libertação, a percepção da existência da minha plenitude, da minha parte melhor: o meu EU divino.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

MISTÉRIO DE DEUS – 16

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A minha alma tem sede de Vós, meu Deus”- Salmo 62,2

A REVELAÇÃO DE DEUS

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Logo no primeiro versículo, a Bíblia fala de Deus (Gn 1,1).
De um extremo ao outro, a Bíblia apresenta-se como a revelação que Deus deu de Si mesmo, revelação sem a qual nós pouco saberíamos acerca d’ Ele.
Antes de se revelar pela palavra escrita, Deus manifestou-se pela obra da criação.
A criação mostra a glória, a bondade, o poder, a harmonia, a grandeza e a divindade do Criador.
Pelas coisas criadas podemos chegar a Deus e a dar-lhe glória e acção de graças.
O mesmo se pode dizer acerca da consciência.
Os homens possuem uma certa noção da vontade de Deus.
Existe um mínimo de moralidade na sociedade humana e que os magistrados sejam, a sua maneira, servidores de Deus.
Deus tomou a iniciativa para que o homem pudesse chegar a conhecê-lo.
Deus revelou-se, primeiramente, a Abraão, Isaac e Jacob, depois com a mediação dos profetas, desde Moisés até Malaquias.
Seus escritos são palavra de Deus, uma palavra viva.
A revelação culmina na encarnação, já prevista no AT.
A nossa fonte válida de informação acerca de Deus é a Bíblia.
Para que podamos chegar a beneficiar da revelação das Escrituras faz falta a acção interior do Espírito Santo.
Tendo em conta a nossa natureza pecadora, somos impermeáveis à verdade, mesmo quando nos é apresentada em todo o seu esplendor.
Há uma total incompatibilidade entre a maneira de pensar de Deus e dos homens.
É preciso que mediante o Espírito, o Pai nos ilumine com a verdade e nos disponha para a aceitar.
Esta revelação não comporta nenhuma imperfeição.
Pode admitir-se una certa graduação entre a palavra transmitida pelos profetas e a do Filho.
Mas como o próprio Filho pôs o Seu selo sem reservas de nenhuma espécie sobre os escritos do AT, nós devemos aceitar o A.T

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

MISTÉRIO DE DEUS – 15

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“Se alguém tem sede, venha a Mim e beba” – Jesus Cristo

Deus fez-se homem na encarnação do Verbo para se comunicar connosco de forma humana que não somos puros espíritos, mas seres carnais.
Ora todo o amor humano precisa de sinais.
Um amor feito só de ideias ou palavras, sem gestos práticos pouco diz. Assim, dizer que se acredita em Deus, mas nada se faz para mostrar esse amor, a teoria sem a prática é oca, vazia, quase nada diz.
Nos sacramentos usamos o pão, o vinho, a água, o azeite, imposição das mãos, que não são nada em si próprios, mas são instrumentos do poder de Deus.
Deus é Todo-Poderoso no Amor; por isso, pode também ser todo fraqueza.
Deus realiza a Salvação, não através de obras de poder técnico ou mágico, mas por meio do amor que é fraqueza e a cruz manifesta até onde vai essa fraqueza do amor de Deus por nós.
O poder de Deus apenas se exerce à medida do nosso acolhimento.
Não é um poder mágico, negociável a nosso gosto.
É um segredo que temos de descobrir.
DEUS É AMOR. DEUS É VIDA QUE GERA VIDA. DEUS É CRIADOR.
Não é uma energia a captar, mas um amor a encontrar.
E o Seu poder vem, então, por acréscimo, como a ajuda de um amigo que partilha algo connosco.
É grande o poder de Deus quando sabemos encontrá-lo a este nível do amor.
Deus é Bom. Ele é Bom, é a própria Bondade porque é Amor.
Mas o amor é exigente.
Não pode aceitar o desprezo nem a indiferença.
A bondade e a benevolência de Deus não podem ser senão segundo a exigência do amor e não na vertente do pecado.
Não podemos tratar Deus como um bonacheirão que deixa passar tudo, que dá desconto a tudo ao nível da mediocridade ou do pecado e que se acomodaria ao nosso desprezo.
Toda a recusa de amor é coisa grave e a recusa do amor infinito é infinitamente grave.
A recusa do amor absoluto é absolutamente grave.
É isso que a revelação chama de “inferno”.
É o pecado do Homem que recusa, despreza ou blasfema o Amor de Deus.
A Bíblia manifesta a familiaridade com Deus de maneira tranquilizadora e fala de Deus à semelhança humana (antropomórfica): fala dos olhos, das mãos, dos ouvidos, do seu coração.
Tudo para dizer que Ele cuida de nós, nos ama, nos vê, nos escuta. Deus que é ternura suprema.
O amor de Deus é generoso, comunicativo, tanto hoje como ontem. Somos nós que não o sabemos acolher.
É um amor misericordioso.
Manifesta preferência pela ovelha perdida para a salvar, mas não é para encorajar a pecar.
Deus é indulgente para com o pecador, mas não com o pecado: “Vai em paz, mas não voltes a pecar”.
É compreensível para o pecador arrependido, mas não com o pecador orgulhoso que se justificas a si mesmo para continuar a pecar.
Deus é generoso, mas exigente.
Deus é santo e convida-nos a sermos santos para santificar o mundo. Isso implica vencer as estruturas de pecado para se construir a paz, a justiça, a ordem, para espalhar o Evangelho entre os homens.
É na medida em que se põe Deus em primeiro lugar e a sua vontade que a pessoa se santifica e santifica os outros no serviço, na caridade, no amor desinteressado.
A paz vem das profundezas de Deus e do coração.
Ela irradia do interior.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

EU PEDI A DEUS

albanosousanogueira@sapo.pt
http://operfumededeus.blogspot.com

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Eu pedi a Deus para retirar os meus vícios.
Deus disse: "Não.
Eles não são para eu os tirar, mas para você desistir deles".

Eu pedi a Deus para completar meu corpo.
Deus disse: "Não.
Seu espírito é completo, seu corpo é apenas temporário".

Eu pedi a Deus para me dar paciência.
Deus disse: "Não.
Paciência é um subproduto das tribulações; Ela não é dada, é aprendida".

Eu pedi a Deus para me dar felicidade.
Deus disse: "Não.
Eu dou bênçãos; Felicidade depende de você".

Eu pedi a Deus para me livrar da dor.
Deus disse: "Não.
Sofrer leva-te para longe do mundo e traz-te para perto de Mim".

Eu pedi a Deus para fazer meu espírito crescer.
Deus disse: "Não.
Você deve crescer em si próprio! Mas eu te podarei para que dês frutos".

Eu pedi a Deus todas as coisas que me fariam apreciar a vida.
Deus disse: "Não.
Eu te darei a vida, para que você aprecie todas as coisas".

Eu pedi a Deus para me ajudar a AMAR os outros, como Ele me ama.
Deus disse:… Ahhhh, finalmente você entendeu a ideia.

“Eu sou a luz do mundo, aquele que me segue jamais andará nas trevas.”
"EU TE AMO!" - Jesus Cristo

Este é o seu dia, não o lance fora.

Que Deus te abençoe.

“Para o mundo você pode ser uma pessoa, mas para uma pessoa você pode ser o mundo.”

Não julgue para não ser julgado. Entenda o que ocorre, assim serás abençoado.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

NÃO ESQUEÇAS O ESSENCIAL

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A lenda que certa mulher pobre, com uma criança ao colo, passando diante de uma caverna, escutou uma voz misteriosa que dizia lá de dentro:

' Entra e apanha tudo o que desejares, mas não te esqueças do principal.
Lembra-te, porém, de uma coisa:
Depois de saíres, a porta fechar-se-á para sempre.
Portanto, aproveita a oportunidade, mas não te esqueças do principal'.

A mulher entrou na caverna e encontrou muitas riquezas.
Fascinada pelo ouro e pelas jóias, pôs a criança no chão e começou a juntar, ansiosamente, tudo o que podia no avental.

A voz misteriosa falou novamente:
- ' Já só tens oito minutos.'
Esgotados os oito minutos, a mulher, carregada de ouro e de pedras preciosas, correu para fora da caverna e a porta fechou-se...
Lembrou-se, então, de que a criança ficara lá dentro.
Mas a porta já estava fechada... para sempre!
A riqueza durou pouco e o desespero, sempre!
Temos uns Oitenta (?) anos para viver, neste mundo, e há uma voz que sempre nos adverte, de vez em quando:
' Não te esqueças do principal! '
O principal são os valores espirituais, a família, os amigos, a vida!
Mas a ganância, a riqueza, os prazeres materiais fascinam-nos tanto que o principal vai ficando sempre de lado...
Assim, esgotamos o nosso tempo aqui e deixamos de lado o essencial:
'Os tesouros da alma! '
Quando a porta desta vida se fechar para nós, de nada valerão as lamentações... e as riquezas
Não te esqueças do principal...
Esta é uma mensagem de um amigo, que a recebeu de outro amigo, e que a enviará a outro...
Se tu não esqueces do principal envia essa mensagem a todos teus amigos.
Mensagem enviada por email

sábado, 8 de janeiro de 2011

MISTÉRIO DE DEUS – 14

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Há uma grande fome de Deus no mundo”- Madre Teresa de Calcutá
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Fé e religião
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A revelação mais profunda de Deus está inscrita na Encarnação, na crucifixão, mas também na Ressurreição de Cristo.
Mas porque é que Deus, em si próprio, nos permanece tão invisível aqui em baixo?
Porque é que não somos gratificados com uma intuição espiritual de Deus? Porque é que a Bíblia diz que não se pode ver a Deus aqui em baixo sem morrer?
É porque o percurso do nosso ser animal, rumo ao absoluto, exige tempo.
É porque Deus nos manda fazer a aprendizagem da comunhão com Ele, de maneira laboriosa, serviçal e não angélica.
É também porque Ele não quer impor o amor pela evidência da Sua suprema beleza, mas deixá-lo à escolha da nossa liberdade, na noite, onde se formam os laços de amor com Ele.
O caminho de Deus passa pela religião.
Religião vem da palavra “ligare”: ligar, religar.
A religião é algo que nos liga a Deus através do percurso da fé.
Não se deve opor a fé à religião.
A fé é essencial pois ela adere a Deus.
A fé é um dom de Deus, vem de Deus e atinge Deus com a certeza de Deus.
Apesar de Deus ser Invisível, a fé precisa de apoios nas realidades materiais, sinais visíveis, sensíveis adaptados à nossa natureza humana que é a religião.
A religião é formada por ritos, visíveis e sociais que nos conduzem a Deus, segundo a máxima: pelas coisas visíveis chegamos às invisíveis.
Esses sinais sensíveis da religião existem em todos os povos religiosos e são bem visíveis no Antigo Testamento nos seus ritos, cerimónias, holocaustos, sacrifícios. No N.T.
Deus Invisível fez-se visível em Jesus Cristo, Transcendente na sua divindade, mas adequadamente ao nosso nível, segundo a humanidade.
O próprio Jesus instaurou os sinais sensíveis pelos quais nós caminhamos em direcção a Ele pela oração e sacramentos: o baptismo e a Eucaristia, onde Ele se dá em alimento.
Jesus dá-se a nós através do acto mais elementar da vida humana: comer.
Comer é um gesto animal e social e Jesus Cristo dá-se a nós dessa maneira.
Aceitemos a humildade dos nossos actos com Deus, inerentes à nossa natureza.
Os sinais de Deus podem parecer banais e irrisórios, mas é a forma que Deus escolheu para se comunicar connosco e onde Cristo age se forma eficaz nos sacramentos.
Existem ainda os sacramentais: imagens, ritos, água benta, bênçãos, monumentos, objectos, ex-votos, devoções, peregrinações que o povo gosta de praticar.
A fé sem religião degrada-se, evapora-se, desaparece.
É fundamental a ligação entre fé e religião: uma sem a outra não basta. Praticar a religião sem fé não tem significado; é um gesto vazio, ritualismo sem vida.
Dizer que se tem fé e não se pratica a religião, é uma teoria que não se concretiza em actos.
São os ritos e sinais sensíveis praticados com é que ainda mais alimentam a nossa fé e prepararão o reencontro com Deus, que tem de ser sempre pessoal.

Pe. Albano Nogueira

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

MISTÉRIO DE DEUS – 13

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O que vem a Mim jamais terá fome,
o que acredita em Mim jamais terá sede
”. Jesus Cristo
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Pelas coisas visíveis às coisas invisíveis
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Deus é invisível.
Para o ser meramente carnal, como os animais, Deus não existe.
Se o homem moderno se tornar materialista, apenas conhece e reconhece aquilo que ele vê.
Alguém já disse: “a alma, o espírito não existe. Já operei muita gente e nunca via a alma de ninguém”.
Um astronauta disse: “Estive no espaço, na lua, não vi Deus por lá…”.
Triste ilusão e engano de quem só acredita no que vê e não percebe os limites e ilusão da nossa vista.
Nós vemos o sol a andar e ele está parado.
Deus é Invisível.
Deus é de outra ordem diferente das coisas naturais e materiais.
Deus é Transcendente, Ele é gratuito.
Não é uma super energia, ou radiação tipo raio X ou energias do átomo. Deus é de ordem espiritual e escapa às materializações e quantificações físicas e matemáticas.
Nós encontramo-l’O de maneira pessoal e espiritual, análogo aos encontros da amizade e do amor que são gratuitos e qualitativos.
Deus é a concentração do ser e as coisas materiais são uma participação desse Ser.
Deus é uma energia, uma força espiritual e a nossa energia física é uma pálida imagem d’Ele.
Deus é uma energia espiritual que nós podemos captar através de uma relação pessoal e da graça.
O Amor verdadeiro faz sair o homem de si mesmo pela comunicação, pelo dom e pela partilha.
Isso implica renunciar ao conforto da vida solitária.
Ele encontra-se perdendo-se.
Quem perder a sua vida, encontrá-la-á.
A procura de Deus não consiste em cada um contemplar-se a si mesmo; mas em contemplar a Deus, louvando o Criador pela beleza da Sua criação.
A procura de Deus convida a sair de si para ir ao Seu encontro, servindo-O, servindo os outros.
Neste serviço renunciamos a nós mesmos, ao nosso egoísmo e aí Deus revela-se na caridade (amor desinteressado a Deus e aos outros).
O despertar humano para a Transcendência faz-se pelo amor humano.
A descoberta do amor humano abre os homens para a descoberta de Deus.
Quantos pais encontram Deus amando e educando os seus filhos.
Na verdade o gerar dos filhos é uma outra abertura.
É o maior dom que Deus concedeu aos homens, um dom que eleva os homens acima dos anjos, pois os anjos não podem gerar um filho.
Pode ser pai o mãe à imagem de Deus, pois Deus tanto pode ser chamado de Pai como de Mãe.
Deus transcende a sexualidade.
Pela experiência fundamental da família, homem e mulher estão mais próximos de Deus do que nenhuma outra criatura.
Tal como poder de Deus é auto-comunicação e dom de si mesmo, assim os pais.
A mística cristã leva a uma oração que inspira e leva ao serviço dos mais pequenos: crianças, pobres, moribundos, abandonados.
Assim, o Filho de Deus, descendo ao nível dos homens quis nascer de uma Mãe, viver em família, numa aldeia, depois com discípulos, frente ao fervor, à indiferença e aos inimigos; com efeito, Ele permanecia frágil e desarmado em toda a verdade humana.
É esse mistério que celebramos em cada Natal.

Pe. Albano Nogueira



quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

MISTÉRIO DE DEUS – 12

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“Minha alma a Deus pediu maior altura”
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O caminho de um regresso a Deus
Deus Criador é primordial e o homem é-lhe completamente relativo, como criatura.
Como viver esta maravilhosa relação, na qual recebemos tudo de Deus?

A travessia do deserto
Não é fácil na nossa sociedade secularizada, materializada, muitas vezes ateizada.
Deus foi desvalorizado nela, marginalizado, desenraizado, dispensado.
O homem moderno matou a Deus no seu coração.
Todavia, o Criador permanece a nossa origem e o nosso futuro.
Importa redescobri-l’O, pois o homem tem a sua definição e identidade referida a esse princípio e a esse termo.
Vimos de Deus e vamos para Deus.
Nós não somos nada por nós próprios , somos tudo através de Deus, à Sua imagem.
Isso é-nos dado e dado pelo próprio Amor, pois Deus é Amor, mas a nossa civilização esqueceu-O demasiado.
Ela perdeu também a consciência do pecado.
Já não sabe o que é, já não tem necessidade de Salvador.
Cristo está reduzido a um mito para muitos ou a um despojo cultural.
Quantas pessoas visitam as catedrais, como um lugar artístico, mas sem sentir nelas a habitação de Deus, o lugar onde O encontramos, onde Ele nos escuta, onde a Sua presença real habita.
Importante é a descoberta do crente que diz:
“Jesus Cristo salva-me hoje”.
É esta consciência que penetra e transfigura concretamente toda a vida, em todas as suas zonas e em todos os seus momentos.
O amor de Deus torna-se, assim, vivo, dinâmico, efectivo, ele rectifica, dirige e transfigura as pulsões selvagens da nossa existência, reorientando o consciente e o inconsciente para o amor.
Isso é uma graça: a referência à presença viva de Jesus Cristo, à sua Majestade, ao Seu Poder efectivo de Salvador do mundo.
Essa é a grande atitude: a experiência de Cristo Salvador.
A certeza de que Jesus Cristo crucificado e ressuscitado me salva hoje, aqui e agora.
Isto é uma procura, a única que vale a pena: a procura de Deus; a procura de Deus Salvador do homem.
Só pela oração isso é possível.
Para quem reza, Deus é uma evidência profunda, às vezes difícil de reencontrar por muitos obstáculos a transpor.
Obstáculos culturais e morais.
O homem de hoje está atulhado, impedido de agir pela sua cultura, pelo seu pensamento, entrincheirado o mais longe de Deus possível.
Há muitos fossos e muros que separam o homem de Deus e que é preciso transpor, mas só o consegue com a ajuda do Espírito Santo.
Deus é ternura e misericórdia, como o podemos perceber no Natal.
Ele em para connosco um olhar de amor, mais simpático e mais tranquilizante do que o olhar, por vezes embaraçado que nós temos sobre nós mesmos.
(Continua)

Pe. Albano Nogueira

domingo, 19 de dezembro de 2010

SER SACERDOTE

Uma pessoa mandou um email a perguntar como se chega a sacerdote.
Pedia que, se o desejasse, me mandasse por email e assim, no segredo, conversarmos os dois.
Nao tenha medo.
Confie e eu poderei explicar o que souber.
Importante termos amigos e sabermos guardar segredos daquilo que ouvirmos.
SABER FAZER SILENCIO
NAO CRITICAR OS OUTROS
NAO MURMURAR DOS OUTROS, MESMO QUE SEJA VERDADE...
UM ABRACO
P. Albano Nogueira

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

MAIS UM ANO DE VIDA

albanosousanogueira@sapo.pt
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No dia 16 de Dezembro de 1960 nasceu um menino a quem deram o nome de Albano.
Ele cresceu, foi crianca, adolescente, jovem e hoje 'e sacerdote.
Agraceco a Deus a vida que me tem dado, a vocacao sacerdotal e todos os dons que tenho recebido, sobretudo a amizade das pessoas.
Agradeco tambem 'aqueles que nao gostam tanto de mim por causa dos meus defeitos e erros isso ajuda-me a ser melhor.
Quem nao gosta de n'os pode fazer-nos muito bem...
N'os 'e que nao sabemos aprender com a vida
e com as pessoas que nao gostam de n'os...
Agradeco todas as mensagens que tenho recebido neste dia
Que Deus a todos abencoe e ajude.
Um abraco
Nota- Este teclado nao 'e como o meu.
Tem falhas, por isso, nao estranhem...
Estou no estrangeiro...
Um grande abraco para todos os que leem o meu blogue.
Pe. Albano Nogueira

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

MISTÉRIO DE DEUS – 11


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“Porque será que temos fome e sede de infinito?…”

Virtudes que nos ligam a Deus

A fé,

A esperança,

A caridade.

Estas virtudes são realidades sobrenaturais que nos são dadas desde o dia do nosso baptismo, e que se procura desenvolver por meio de uma educação mais exigente do que a de um desportista ou de um músico.
Estas virtudes que nos relacionam com Deus e nos fazem atingir a Deus, apenas se podem desenvolver sobre os fundamentos das virtudes humanas cardiais:

- Prudência,

- Justiça,

- Fortaleza

- Temperança.
A temperança põe ordem nos impulsos da natureza humana, muitas vezes desordenados que podem degenerar em todas as espécies de loucuras: idolatrias, conquista insaciável do poder, divinização da autoridade; ganância, violência, droga, deboches (abusos de álcool, sexo), etc.
A Revelação não é um salto sem o TOTALMENTE OUTRO, como hoje se gosta de chamar a Deus. Não é uma abstracção imaginária. Deus fê-la de modo humano.
A Revelação apresenta-se como uma história, na qual Deus se fez homem para dar um modelo humano adequado ao homem que Ele quer salvar.
A graça (divina) não é um complemento sobrenatural, como um chapéu sobre uma cabeça; é um convite a viver humilde e generosamente humano, é a sua realização e a transformação conatural. É a sua vocação, foi criado e chamado para isso.

Deveres e direitos do homem
A Revelação coloca o acento nos deveres do homem, pois eles precedem os seus direitos e são o seu fundamento. Hoje coloca-se o carro à frente dos bois: parte-se dos direitos do sujeito e desequilibra, desse modo, o homem e a sociedade, pois quanto menos as pessoas cumprem os seus deveres, menos vêm satisfeitos os seus direitos.
O primeiro direito é o direito à vida, mas este direito hoje não é reconhecido a milhões de vidas humanas destruídas no seio materno pelo aborto, pelas pílulas abortivas. Os pais, a família e a sociedade perderam demasiadas vezes o sentido do seu dever para com a vida: uma vida criada por Deus e por eles próprios.
O ser humano começa no momento da sua concepção. A morte pré-natal é um crime horrível que se procura esconder e os seus efeitos tanto no feto, como nas mães.
A sociedade de hoje rejeita constrangimentos morais, em nome da liberdade (ou libertinagem) e aceitam um número crescente de constrangimentos mecânicos, técnicos e sociais: ao trânsito, à velocidade, à segurança, à administração estatal. Aceitam-se as exigências sociais, culturais, económicas, mas não se aceitam as exigências de Deus, não se aceitam as exigências morais.

Pe. Albano Nogueira

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

MISTÉRIO DE DEUS – 10

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Sobe do destino uma sede de Ti, ó Deus”.

Humanismo e humildade
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Ao querer recriar o homem de modo diferente do que ele foi criado, não se cria nem o equilíbrio, nem a felicidade.
Caricatura-se, desintegra-se.
Ao querer refazer a sociedade segundo modelos demasiado novos, esquecidos da natureza, criam-se sociedades aterradoras onde explode a violência, a insegurança (assaltos, roubos), o medo, a destruição, a morte.
Destruição da natureza e da humanidade.
Protege-se o direito de certas árvores, certos animais e de certas aves a reproduzirem-se, mas nega-se o direito a milhões de seres humanos o direito a nascer que têm o seu ninho no seio da mãe.
Este endeusamento da liberdade humana fez nascer morais aventureiras, sem ordem nem objectividade que aumentam a escravidão e a exploração humana em vez de a diminuírem ou abolir.
A revelação cristã implica a natureza humana.
Esta é ambígua porque aberta a Deus, mas enraizada na natureza animal e destinada a Deus.
O cristianismo atribui grande importância à humildade.
Humildade é a verdade, é lucidez; não é humilhação, nem degradação.
O homem apenas será feliz se reconhecer a sua condição em verdade: ele não é Deus, mas criatura limitada e pecadora.
Humildade vem de húmus, terra.
Um humano é um terreno.
O homem é terrestre, carnal, mas animado com um sopro divino, a sua alma, a sua respiração.
A humildade aceita a humilde condição humana, com um duplo reconhecimento para com o Criador e para com os pais, especialmente com a mãe que teve mais trabalho em o modelar física, afectiva e psicologicamente.
A humildade aceita a caminhada que vai da infância até à velhice e vive cada idade da melhor maneira, preparando-se para viver e morrer dignamente, olhando para a morte como a porta do novo nascimento para o Qual Deus nos chama.
A morte é dura pelo tempo da agonia, pelo sofrimento, pelo desconhecido; mas deve ser sempre encarada como entrega a Deus.

Modo humano de Deus se revelar
A revelação não é um ensinamento abstracto acerca de Deus.
Ela é a revelação de Deus feito homem, que convida o homem a partilhar da Sua divindade: é uma antropologia divina.
A revelação implica UM ENSINAMENTO SOBRE A CONDUTA HUMANA assim compreendida.
O amor de Deus não pode crescer senão na ordem da natureza humana, completada por uma cultura que tem também as suas leis orgânicas: leis da comunicação com os outros e com Deus, segundo uma ordem transcendente.

Pe. Albano Nogueria

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

MISTÉRIO DE DEUS – 9


+
“Quem sabe se este anseio de eternidade, não será já um sinal de Deus em mim?”

Apelo divino e natureza humana

Esta semelhança é a do amor que nos coloca em pé de igualdade com Deus, na partilha da Sua própria vida, pois o amor cria igualdade e partilha, sempre de acordo com a nossa natureza humana que Jesus partilhou, isto é, segundo os seus limites.

Deus criou o homem e a mulher com desejos imensos, mas medidos pela sua própria capacidade.

Tal é o paradoxo deste animal racional: ínfimo (pequeníssimo) e infinito, como dizia pascal:

“O Homem excede infinitamente o Homem”.
Nós temos uma natureza, uma estrutura específica.

Não somos nem anjos nem animais;

nem puros espíritos, nem simples animais, mas animais racionais:

um pouco de anjo e um pouco de animal; com a luz dos anjos e com a carga e a selvajaria dos animais.

Deus fez-nos capazes de um amor que pode ultrapassar o dos anjos.
Mas nós não estamos limitados ao instinto como os animais.

Temos o livre arbítrio, isto é, a possibilidade de escolher e construir livremente a nossa vida.
A nossa natureza humana é chamada a ser completada através da obra da razão.

A natureza torna-se apenas humana pela cultura.

A educação é um processo longo e deveria implicar uma abertura para a divinização que só Deus pode dar.
Alerta para a desnaturação, destruição da natureza humana
A filosofia materialista pretendeu tirar ao homem a sua natureza humana.

Alguns dizem: o homem não tem natureza.

É apenas uma liberdade. É o criador de si mesmo.
Mas esta filosofia condena o homem a criar tudo e isso é demasiado para o Homem, ultrapassa-o.

A inteligência é comprometida no sofisma (erro de pensamento em que, de má-fé, se usam argumentos falsos com aparência de verdade).

A criatividade é confundida com bizarrias (excentricidades, coisas estranhas).

A sexualidade torna-se deboche.

A vida torna-se uma desordem; o seu impulso vital é levado para a frente, para a novidade, mas sem finalidade, que vai de decepção em decepção.
O homem fechado sobre si próprio exalta-se na destruição e na violência, pois é nesse domínio apenas que se ele se pode vangloriar de ser a causa primeira (do mal).

Só Deus é Causa Primeira, criador do ser.

Mas o homem tem a capacidade de ser a causa primeira do mal: pode desviar, quebrar, amputar o ser.

Ele torna-se o pseudo-criador do não-ser.
Com Deus, o homem pode ser criador;

sem Deus pode destruir o ser por sua própria iniciativa e torna-se a causa primeira da criação do não-ser.
É o triste privilégio da liberdade criada.
Deus colocou no coração do homem uma sede infinita: a sede de Deus.

E essa sede subsiste, se ele desconhece Deus e procura saciá-lo noutro lugar.

Essa fé desviada levou os homens levou os homens de hoje a querer inventar um homem novo, completamente diferente e desfiguraram a figura humana.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

MISTÉRIO DE DEUS – 8

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“Há em mim uma sede inquietante de Infinito”
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A experiência de Deus
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A nossa experiência de Deus é dupla:
a) Presença transcendente e imanente de Deus Criador.
b) Presença misericordiosa, cujo amor total nos estabelece num pé de igualdade com Deus: “Já não vos chamo servos, mas amigos” (Jo 15,15), pois o amor cria igualdade: e o amor de Deus, sem limites, foi para isso até à morte e à Eucaristia.
Esta experiência de Deus é mais discreta que a experiência de Deus Criador, pois o amor de Deus esconde-se durante a peregrinação de fé em que Ele nos acompanha.
Ele está junto de nós como uma fonte escondida.
Se Ele se revelasse nós já não seríamos desta terra: “ninguém pode ver a Deus sem morrer”, diz a Bíblia
A experiência de Deus Criador, podemos de alguma maneira aceder a ela, através dos nossos recursos humanos, olhando para as coisas criadas; mas o Amor Salvador é o fruto de um dom gratuito.
Nós temos de realizar em nós a verdade do Amor Salvador.
- Isto supõe a ordem da nossa vida, a sua rectidão, pois os nossos pecados, obscurecem a experiência do Amor misericordioso que nos salva, donde a insistência de Cristo sobre a importância de realizar os seus mandamentos.
- Esta verdade realiza-se pela caridade, pelo serviço dos outros.
- Realiza-se nos actos de culto, onde Cristo constrói e alimenta o Seu Corpo que é a Igreja e o faz frutificar.
- Esta experiência de Deus realiza-se na experiência da fé e quem faz essa experiência aproxima-se da luz.
Deus é tudo.
Ele é suficiente e o único necessário.
Mas Ele criou-nos homens e toma-nos a sério… até à loucura.
O nascimento humano e a morte do Filho de Deus são a prova disso. Para o Homem, a resposta adequada às questões essenciais é Deus, mas, depois disso, é o Homem. Com efeito, nós somos apenas Homens.
É como Homem no belo quadro da natureza humana que Deus nos convida gratuitamente a sermos seus comensais.
O humanismo perdeu Deus e perdeu-se a si próprio pelo pecado.
É reencontrando Deus que o Homem se reencontrará, pois a sua identidade brota do próprio Deus, como Criador e como Salvador.
Ela brota do Amor Criador.
O Homem que nós somos apenas atinge Deus humanamente, nessa humanidade que é o nosso lugar, a nossa vida, a nossa medida.
Temos, portanto, de entrar em contacto com Deus como Homens, lenta e progressivamente e à medida de Deus, pois Deus diviniza-nos.
Diviniza-nos, mas segundo a nossa natureza humana.
Nós não somos chamados a ser um Super-Homem: um homem inchado, enfunado, com voltagem reforçada.
Somos divinizados na nossa pequenez e na nossa própria humildade, de acordo com a capacidade de amor que o Criador colocou em nós.
Nós somos divinizáveis, porque criados à imagem de Deus.
As nossas capacidades de conhecimento, de liberdade, a de amor, tornam-se capazes de aceder à imagem e semelhança de Deus pela graça divina.
Pe. Albano Nogueira

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

MISTÉRIO DE DEUS – 7

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“Tenho uma sede imensa, mas não de água”
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A experiência do Deus Salvador
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O Homem, rei da terra, falhou no seu destino pelo pecado.
Por isso, Deus Criador fez-se Deus Salvador.
Tudo isto sabemos não pela nossa razão, mas através da Revelação.
Nós perdemos muito esse sentido de Deus Salvador porque se perdeu o sentido de pecado e o sentido do novo nascimento para a vida de Deus.
Existe nos humanos a concupiscência, isto é, a atracção pelos desejos materiais ou sensuais, desejo sexual intenso, a desordem dos desejos, desorientados pelo pecado.
O homem traz em si os gérmenes (sementes) da sua própria perda.
Ele tem necessidade de um Salvador para emergirmos do afundamento do pecado, de sermos salvos da morte, de encontrar “a vida depois da vida”.
Para nos fazer partilhar da sua vida divina, depois de nos ter libertado do pecado, o próprio Criador fez-se criatura na pessoa de Jesus Cristo.
Ele deixou-se imergir, submergir, neste mundo de pecado, que Lhe deu a morte.
Ele fez brotar aqui em baixo a divina fonte de amor, capaz de resolver o drama humano de finitude, do pecado, da morte, da sede insaciável, portanto, infinita, inscrita no coração do homem.
A aventura de Cristo é um mistério de partilha e tem duas etapas: Encarnação e Redenção.
Deus assume a nossa vida humana e dá-nos a Sua vida divina.
Ele tomou sobre si a morte, preço do pecado, a dá-nos a Sua vida eterna. Este mistério da partilha de Cristo tem duas etapas: a Encarnação e a Redenção.
Ele tomou a nossa fraqueza, os nossos males, para nos dar o melhor de Si próprio.
a) Primeiramente, a “admirável permuta” da Encarnação.
O Filho de Deus quis nascer da Virgem Maria, para assumir a nossa humanidade e nos comunicar em troca a Sua divindade.
Tomou a nossa fraqueza, para nos dar a Sua força.
Partilha a nossa temporalidade para fazer aceder à Sua eternidade.
A pessoa divina encarnada tornou-se a célula regeneradora e cabeça da humanidade.
b) Mas era preciso uma outra permuta, um outro trabalho: a Redenção (salvação, libertação). Cristo fez-se pecado por nós, diz S. Paulo em 2 Cor 5, 21, para nos comunicar a Sua justiça, a Sua santidade divina: “sede santos como Eu sou santo” (Lv 19,2).
Cristo morreu de morte humana, para nos dar em troca a Sua vida divina.
Ele comprometeu a Sua Mãe nesta nova permuta.
Pela morte, Ela perdia esse Filho Santíssimo e recebia, em seu lugar, filhos pecadores.
Assim, a Mãe de Deus torna-se Mãe dos homens.
Nós acedemos, por pura bondade, a esse mistério: a nossa divinização.
É para alimentar essa vida, que o Salvador nos dá o Seu Corpo em alimento, numa nova e misteriosa permuta em que o nosso corpo assimila o sinal material do pão, enquanto o nosso ser é transformado, divinizado em Jesus Cristo, sem perda da sua personalidade.
Jesus Cristo inseriu-se no tronco genealógico dos homens e, depois disso, fez de nós, por meio da Sua morte de amor e da Sua Ressurreição, um só corpo místico: divino e humano.

Pe. Albano Nogueira

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

MISTÉRIO DE DEUS – 6

albanosousanogueira@sapo.pt

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“E quanto à fome que me fere como uma lança,
a mais funda é a fome de esperança…”.

DEUS CRIADOR
Eis a primeira verdade a que é preciso chegar:

Deus É Criador.
Quando dizemos Criador, não se entende como algo do passado, num determinado momento e que Deus tenha abandonado o mundo á sua existência e se tenha desinteressado por ele.
Neste caso seria como o Relojoeiro que faz o relógio, vende e não mais se interessa por ele.
A Criação é um processo e não apenas um momento.
A Criação continua, por que o Ser necessário faz existir a cada instante, tudo o que não tem em si a razão de ser.

(Tal como criar um filho não é um instante, mas um processo de muitos anos…).
Eu existo, neste momento, porque Deus me cria, me dá a existência, me sustenta a mim e a tudo aquilo que me rodeia.
“Eu sou Aquele que sou, Tu és aquele que não és…”
Mas nós não somos fantoches nas mãos de Deus.

Deus deu à sua criação uma existência coerente, permanente, autónoma, livre.
Nós não somos escravos.
Deus não tinha necessidade de escravos.
Ele não tinha necessidade de criar.
O Seu desígnio é a generosidade, é a comunicação da Sua bondade, do Seu próprio Amor, a parceiros criados à Sua imagem.
Deus criou criaturas inteligentes e livres, senhores da sua existência, com poder para gerar outros humanos, outras criaturas.
Deus não se fecha em si mesmo.

Ele é comunicação, efusão.
Mas porque é que Deus cria seres livres, rivais, algo perigoso para o homem e para Deus?

Perigoso para o homem que pode perder-se por meio dessa liberdade e perigoso para Deus pois o homem que Ele criou pode ignorá-l’O, negligenciá-l’O, degradar a Sua criação e até erguer-se contra Ele, blasfemá-l’O, desafiá-l’O, odiá-l’O.
O homem com a sua liberdade pode tornar-se deus de si próprio e o ídolo dos outros.

Como tolera Deus esse mal com o qual caminhamos lado a lado?
Eis-nos no centro do mistério.

Deus criou o homem livre, porque Ele cria por amor e para o amor.
Só o homem livre é capaz de amar.
Se Deus criasse robots não seriam capazes de amar.
Sem liberdade seriam capazes de prazer, mas não capazes de amar, pois não há amor sem uma certa autonomia e um dom de si mesmo.
Deus correu o risco de criar a liberdade.

É o risco do amor.
É o risco de Deus, é o nosso risco.
Devemos tomar consciência do nosso risco.

Deus concedeu-nos a escolha e deveríamos fazer uma boa escolha: escolher Deus = Amor.
Se nos crispamos egoisticamente sobre a nossa existência, para vivermos sem Deus, destruir-nos-emos a nós próprios: cortamos a raiz gratificante da nossa existência.

Se aceitarmos Deus Criador, então a nossa existência encontrará o seu sentido e irá de plenitude em plenitude.
Em Deus Criador que dá a Vida sabemos que somos criaturas, que temos um autor, uma origem e uma finalidade, uma meta: a comunhão de vida e de amor com esse Deus e com todos os redimidos.

Pe. Albano Nogueira

terça-feira, 26 de outubro de 2010

MISTÉRIO DE DEUS – 5

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Ando a gritar, morta de sede, pedindo a Deus a minha gota de água”.
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Deus Pai Criador
A maravilha da nossa existência é que ela nos vem de Deus que é Amor, a cada instante e temos, por isso, razão para nos enchermos de alegria.
Deus cria-nos com tantos recursos e tantos desejos que nos ultrapassam, porque Ele os quer satisfazer e só Ele os pode satisfazer.
Fora de Deus, contra Deus, nós dispersamo-nos, destruímo-nos, tornamo-nos escravos do pecado, vítimas da sua desintegração.
- Com Deus, em Deus (pois Ele está em nós e nós n’Ele), nós ficamos cheios, seguros de um futuro maravilhoso, para o qual Ele nos convida a todos.
Deus Criador, que nos fez existir, está mais próximo de nós do que nós estamos de nós mesmos.
E essa proximidade é Amor.
Se tomarmos consciência dela a resposta deverá ser a adoração do Criador, reconhecimento e a acção de graças por esse dom gratuito que nos foi concedido.
E ao dar acção de graças, não perdemos a graça que damos a Deus, pois Ele no-la devolve multiplicada.
Ele intensifica esse vínculo feliz da criatura com o Criador que desemboca também na súplica confiante daquilo que nos faz falta e que Ele nos quer dar.
Esse dom radical e permanente apela à oblação de nós mesmos, pois é dando-nos que nos realizamos.
O amor não se realiza senão no dom e na reciprocidade.
Deus é o nosso princípio, a nossa origem, Ele é a verdadeira raiz do nosso ser.
Somos carnais, animais e, por acréscimo, pecadores.
Deveríamos ter esta consciência ontológica d’Aquele que nos faz existir como nos conta a Bíblia e desperta em nós a oração, se nos deixarmos guiar pelo Espírito Santo.
- É importante tomar consciência luminosa e frutuosa do Criador que nos cumula dos seus bens.
- E pela graça, quando Deus nos comunica generosamente o Seu amor, quando lhe abrimos o coração.
A espiritualidade reequilibra o Homem e constrói a paz em Deus.
Hoje, muitos afastaram-se desses segredos de Deus por causa das ciências humanas.
Muitos cristãos deixam de fazer uma auto-análise: a que a luz da graça realmente suscita.
Fazendo esta auto-análise aprendemos melhor a viver esta relação com Deus Criador.
A experiência ontológica (interior) de Deus Criador é apenas uma primeira verdade e uma primeira etapa dessa mensagem.
Mas Deus não criou o homem apenas para a terra onde ele reina.
Ele convida-o para a sua refeição: para uma partilha eterna com Ele.
É uma festa, é o banquete de Deus, anuncia Jesus no evangelho.
Eis porque Ele nos criou.
E porque o homem, rei da terra, falhou no seu destino pelo pecado, Deus Criador fez-se Deus Salvador.
Tudo isto sabemos não pela nossa razão, mas através da Revelação.
Pe. Albano Nogueira

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

MISTÉRIO DE DEUS – 4

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Deus não fala, mas para quem tem fé, TUDO fala de Deus”.
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Porque é que Deus é tão esquecido?
O Homem sem fé em Deus fica desestabilizado, deformado, destronado, pois perdeu a sua raiz e o seu fim; a sua razão de ser o seu futuro.
O que há de mais essencial no Homem (a sua dimensão espiritual e religiosa) atrofiou-se pela cultura moderna e então, porque não pode viver sem isso, procuram-se substitutos para a falta de Deus: nas canções sensoriais, na música agressiva e violenta (hard-rock), nos divertimentos, no dinheiro, no consumismo, nas ideologias, no poder, nos prazeres excessivos, na droga, no sexo sem amor que leva à desilusão e à frustração, no alcoolismo, nos medicamentos, na violência, jogos de azar, etc.
O homem precisa de amor purificado, de poesia, de ternura, de carinho humano fruto da consciência do amor de Deus por nós.
Sem Deus que é Amor e sem o amor humano que se entende à luz do Amor de Deus, o homem é um super-animal, reduzido a tomar consciência do seu absurdo pela sua inteligência.
O amor subsiste, mas muitas vezes, é impulsivo, irracional. Uma vida sem amor tem sentido e torna-se um inferno para si e para os outros.
Mas hoje o amor é caricaturado, ridicularizado, desprezado, coisificado, deturpado e temos dificuldade em encontrá-lo nos dias de hoje.
Outros substitutos de Deus são as ideias bizarras, as modas, a obsessão pela novidade, a bruxaria, a astrologia, o espiritismo, os videntes, as superstições, as crendices, os horóscopos, etc.
O Homem, sem a sua dimensão metafísica, transcendente (o que vai para além da natureza física) relacionada com o ser e a sua dimensão religiosa, relacionada com Deus, seria um animal poderoso, acompanhado de uma infelicidade: o amargo privilégio de saber que vem do nada e que caminha para a morte (para o nada). A solução, desta maneira de pensar sem Deus) é fechar-se na sua felicidade animal, viver no instante sem procurar mais longe (sem futuro). O homem viveria apenas olhando para o seu umbigo, de forma egoísta, num activismo sem qualquer finalidade.
Uma busca imperiosa de sentido
O imaginário humano postula (requer, necessita) a vida eterna e o Amor na origem e no termo de todas as coisas, pois, Deus inscreveu em nós a Sua sede. Essa polarização (atracção) ultrapassa-nos, ela não tem sentido senão n’Ele.
A inteligência metafísica pode conhecer um certo tipo de conceito de Deus.
Existe o ser e o SER. O ser humano e o SER DIVINO.
O ser humano é contingente: existe, mas podia não existir.
O ser divino é necessário. Existe necessariamente. Não podia não existir.
Através da via humilde e real do realismo, pela sua inteligência, o homem pode reencontrar Deus, não para O “ver”, mas como a Necessidade primeira; como a Origem dinâmica e termo da viagem: Aquele que dá um sentido harmonioso a tudo o que existe.
O universo narra as maravilhas de Deus, diz a Bíblia.
A criação reflecte a luz original do Criador.
O homem inteligente pode chegar à evidência da existência de um Criador.
Porém, esta dimensão torna-se muito difícil no meio cultural em que vivemos, afirmar a existência dum criador, quando a ciência quer explicar tudo naturalmente.
A razão humana, orgulhosa e pretensiosa faz cada vez mais gala do seu agnosticismo e ateísmo.
Foi necessária a Revelação para tomar consciência disso.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

PARA QUÊ ACREDITAR

albanosousanogueira@sapo.pt

Na vida perguntamos: para que serve um automóvel, para que serve um micro-ondas?
Alguns podem perguntar: para que serve acreditar em Deus.
O que se ganha em ir à missa?
Acreditar em Deus não tem nada a ver com esta visão utilitarista, pois trata-se de uma questão de amor.
E o amor não se compra, não se vende, não tem preço e ninguém pergunta para que serve amar e ser amado.
O amor é algo gratuito, não se compra, não se vende, não aumenta a nossa conta bancária e se aumenta não é amor, mas interesse.
Porém, é grande o valor do amor.
Quem acredita em Deus e O ama, não é necessariamente melhor ou pior do que os outros que não acreditam.
Mas porque acredita que Deus existe e nos ama muito, percebe que a vida tem sentido e deseja viver ao jeito de Cristo.
A fé tira-nos de uma vida triste e dá-nos razões para a alegria.
Nos momentos de tristeza ou de angústia, acreditamos que temos Alguém está presente como o maior amigo, que nunca nos abandona na triste solidão.
A fé liberta-nos de uma vida egoísta, na qual o inferno são os outros e dá-nos uma vida nova na qual o paraíso são os outros.
Graças ao Espírito de Deus que nos foi dado, temos força e imaginação para amar como Jesus amou.
A fé tira-nos de uma vida sem esperança e abre-nos as janelas que dão para a casa de Deus.
Enquanto aguardamos em alegre esperança a entrada na pátria definitiva, empenhamo-nos em tornar belo este mundo mais fraterno e mais belo.
VALE A PENA ACREDITAR? SIM VALE.
Sim, há muitos motivos para acreditar em Deus, para viver como Jesus, para pertencer à Igreja Católica.
A fé não tem um preço material, mas dá-nos aquilo que buscamos: uma felicidade que nunca acaba.
(Tirado do Jornal "O cavaleiro da Imaculada" de Outubro)

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

APRENDER A PENSAR


Viemos num mundo de informação: pelos jornais, rádio, TV, internet, chegam-nos muitas notícias de acontecimentos de todo o mundo.
Infelizmente, as notícias mais passadas nos meios de comunicação social (MCS) são as negativas: os crimes, as desgraças, a maldade humana, o lado negro das pessoas e da sociedade.
Perante a informação nós deveríamos perguntar: “que mundo é este em que vivemos?”
Como devemos interpretar a informação que nos chega…
Como devemos comportar-nos numa determinada situação?
Há 3 níveis de entendimento:
A informação que nos apresenta os factos em si mesmos e o que aconteceu.
O conhecimento, que reflecte sobre a informação recebida, nos leva a perceber o que é mais ou menos importante e procura princípios gerais para a ordenar.
A sabedoria que nos ajuda a ligar o conhecimento com as opções vitais ou valores que podem escolher, tentando estabelecer como viver melhor de acordo com o que sabemos.
As ciências modernas dão-nos informação e conhecimento.
Mas isso não é suficiente para viver bem, com opções de vida correcta e com valores.
Precisamos de outros apoios como a filosofia, a teologia, a moral católica, para vivermos de forma sábia, isto é, com sabedoria.
Como diz o ditado, não basta viver.
É preciso saber viver…
Há gente que tem muita informação, muitos conhecimentos, muita cultura intelectual, mas falta-lhe sabedoria de vida, valores, opções de vida correctas.
Há gente com pouca informação, poucos conhecimentos, mas muita sabedoria de vida, muitos valores e opções correctas nas suas vidas.
Uma vida sem reflexão não vale a pena viver.
A pessoa deve fazer perguntas e procurar respostas.
Fazer perguntas sobre coisas essenciais da vida e deve procurar respostas completas e verdadeiras e saber que há muitas respostas falsas para problemas importantes da vida…
Muita gente não pergunta; outros perguntam, mas não procuram respostas.
Aceitam o que todos dizem, sem discutir, sem duvidar.
A Igreja Católica e o cristianismo têm respostas verdadeiras e completas para as perguntas mais profundas e essenciais que a pessoa humana faz.
Hoje é muito importante ensinar as pessoas a pensar.
Educar hoje é também ensinar a pensar e pensar ajuda a pessoa a humanizar-se.
Hoje tanta gente deixou de pensar!...
Vai com as modas, as ondas, na propaganda, na publicidade.
Viver e pensar.
Viver e perguntar.
Viver e responder.
Viver e saber.
SABER VIVER…

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

MISTÉRIO DE DEUS – 3



“Porque é que Deus, tão essencial, o único essencial,
o Único a existir por Ele próprio
e a Fonte permanente de toda a existência, é tão esquecido?”

O porquê do esquecimento de Deus?
Isto tem a ver com as ideias que se foram espalhando e com a cultura.
Eu penso, Eu existo –
Esta lógica tendia a fazer do homem a medida de todas as coisas, a esvaziar tudo aquilo que o transcende.
Assim, tudo descambou para o racionalismo: o que vale é a razão humana, a sua inteligência.
A razão pode alcançar toda a verdade.
Só se deve confiar na razão e não confiar nos dogmas religiosos.
Depois passa-se ao subjectivismo: o que conta é o sujeito.
As realidades são todas subjectivas quer para o sujeito, quer em si mesmas.
Não há realidades objectivas.
Depois segue-se o agnosticismo (diz que o ser humano não consegue alcançar um conhecimento absoluto sobre certos fenómenos, tal como Deus e o sobrenatural) ou ateísmo (nega a existência de Deus, valoriza só a vida terrestre) e materialismo dialéctico (tudo se reduz à matéria.
Os valores supremos são os bens materiais, o dinheiro, o prazer, o poder, o sucesso, a fama.
Toda esta mentalidade foi afastando Deus da vida das pessoas que passaram a dar mais importância à ciência, à técnica, ao progresso.
Tudo isso é bom e Deus quer que o homem progrida, que domine a terra e o universo com a inteligência que é um dom de Deus.
O problema é que a ciência e a técnica entusiasmaram ou concentraram o homem na matéria.
Toda a preocupação e sabedoria foram ter mais meios para dominar a matérias.
E só a sabedoria e ciência que dominam a matéria é que foi valorizada. Até o homem passou a ser entendido apenas no seu aspecto técnico, material.
A eficácia material desagregou o Homem porque lhe faltou uma Sabedoria.
Hoje há muita informação, muita formação humana;
muito conhecimento técnico e científico,
mas falta a SABEDORIA que é dom do Espírito Santo, dom de Deus.
O progresso tornou-se ambivalente (mistura de bem e de mal).
Os humanismos não criaram um paraíso na terra.
A violência, a insegurança, as guerras, o terrorismo, as doenças, a destruição da natureza (poluição dos mares, rios, lagos, incêndios, destruição da camada protectora do ozono, aquecimento global, destruição das florestas) aumentam cada vez mais.
O esforço e o progresso humano são admiráveis em muitos aspectos, mas são mesquinhos porque esquecem o essencial: Deus.
A nossa civilização ocupa-se dos “mecanismos”, mas esquece o “ser”. Ocupa-se do “como”, mas esquece o ”porquê”.
Porque é que existem as coisas em vez do nada.
Onde está a razão de ser do mundo e das pessoas?
Este mundo não tem a razão de ser nele mesmo.
Tudo nele é contingente, tudo nele é dependente.
Se este mundo vem do não-ser (não existia antes de existir).
Logo, alguém lhe deu o ser e Esse alguém nós católicos chamamos Deus; e vai para o não-ser através da degradação progressiva da energia.
A ciência moderna nunca chegará a perceber a perceber que o cosmos existe por acto de amor livre e gratuito de Deus que deu o ser ao não-ser.
O homem progride no aspecto científico, mas regride na sua referência ao essencial, a sua dimensão espiritual ligada a Deus.

P. Albano Nogueira
(continua)