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terça-feira, 26 de outubro de 2010

MISTÉRIO DE DEUS – 5

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Ando a gritar, morta de sede, pedindo a Deus a minha gota de água”.
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Deus Pai Criador
A maravilha da nossa existência é que ela nos vem de Deus que é Amor, a cada instante e temos, por isso, razão para nos enchermos de alegria.
Deus cria-nos com tantos recursos e tantos desejos que nos ultrapassam, porque Ele os quer satisfazer e só Ele os pode satisfazer.
Fora de Deus, contra Deus, nós dispersamo-nos, destruímo-nos, tornamo-nos escravos do pecado, vítimas da sua desintegração.
- Com Deus, em Deus (pois Ele está em nós e nós n’Ele), nós ficamos cheios, seguros de um futuro maravilhoso, para o qual Ele nos convida a todos.
Deus Criador, que nos fez existir, está mais próximo de nós do que nós estamos de nós mesmos.
E essa proximidade é Amor.
Se tomarmos consciência dela a resposta deverá ser a adoração do Criador, reconhecimento e a acção de graças por esse dom gratuito que nos foi concedido.
E ao dar acção de graças, não perdemos a graça que damos a Deus, pois Ele no-la devolve multiplicada.
Ele intensifica esse vínculo feliz da criatura com o Criador que desemboca também na súplica confiante daquilo que nos faz falta e que Ele nos quer dar.
Esse dom radical e permanente apela à oblação de nós mesmos, pois é dando-nos que nos realizamos.
O amor não se realiza senão no dom e na reciprocidade.
Deus é o nosso princípio, a nossa origem, Ele é a verdadeira raiz do nosso ser.
Somos carnais, animais e, por acréscimo, pecadores.
Deveríamos ter esta consciência ontológica d’Aquele que nos faz existir como nos conta a Bíblia e desperta em nós a oração, se nos deixarmos guiar pelo Espírito Santo.
- É importante tomar consciência luminosa e frutuosa do Criador que nos cumula dos seus bens.
- E pela graça, quando Deus nos comunica generosamente o Seu amor, quando lhe abrimos o coração.
A espiritualidade reequilibra o Homem e constrói a paz em Deus.
Hoje, muitos afastaram-se desses segredos de Deus por causa das ciências humanas.
Muitos cristãos deixam de fazer uma auto-análise: a que a luz da graça realmente suscita.
Fazendo esta auto-análise aprendemos melhor a viver esta relação com Deus Criador.
A experiência ontológica (interior) de Deus Criador é apenas uma primeira verdade e uma primeira etapa dessa mensagem.
Mas Deus não criou o homem apenas para a terra onde ele reina.
Ele convida-o para a sua refeição: para uma partilha eterna com Ele.
É uma festa, é o banquete de Deus, anuncia Jesus no evangelho.
Eis porque Ele nos criou.
E porque o homem, rei da terra, falhou no seu destino pelo pecado, Deus Criador fez-se Deus Salvador.
Tudo isto sabemos não pela nossa razão, mas através da Revelação.
Pe. Albano Nogueira

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

MISTÉRIO DE DEUS – 4

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Deus não fala, mas para quem tem fé, TUDO fala de Deus”.
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Porque é que Deus é tão esquecido?
O Homem sem fé em Deus fica desestabilizado, deformado, destronado, pois perdeu a sua raiz e o seu fim; a sua razão de ser o seu futuro.
O que há de mais essencial no Homem (a sua dimensão espiritual e religiosa) atrofiou-se pela cultura moderna e então, porque não pode viver sem isso, procuram-se substitutos para a falta de Deus: nas canções sensoriais, na música agressiva e violenta (hard-rock), nos divertimentos, no dinheiro, no consumismo, nas ideologias, no poder, nos prazeres excessivos, na droga, no sexo sem amor que leva à desilusão e à frustração, no alcoolismo, nos medicamentos, na violência, jogos de azar, etc.
O homem precisa de amor purificado, de poesia, de ternura, de carinho humano fruto da consciência do amor de Deus por nós.
Sem Deus que é Amor e sem o amor humano que se entende à luz do Amor de Deus, o homem é um super-animal, reduzido a tomar consciência do seu absurdo pela sua inteligência.
O amor subsiste, mas muitas vezes, é impulsivo, irracional. Uma vida sem amor tem sentido e torna-se um inferno para si e para os outros.
Mas hoje o amor é caricaturado, ridicularizado, desprezado, coisificado, deturpado e temos dificuldade em encontrá-lo nos dias de hoje.
Outros substitutos de Deus são as ideias bizarras, as modas, a obsessão pela novidade, a bruxaria, a astrologia, o espiritismo, os videntes, as superstições, as crendices, os horóscopos, etc.
O Homem, sem a sua dimensão metafísica, transcendente (o que vai para além da natureza física) relacionada com o ser e a sua dimensão religiosa, relacionada com Deus, seria um animal poderoso, acompanhado de uma infelicidade: o amargo privilégio de saber que vem do nada e que caminha para a morte (para o nada). A solução, desta maneira de pensar sem Deus) é fechar-se na sua felicidade animal, viver no instante sem procurar mais longe (sem futuro). O homem viveria apenas olhando para o seu umbigo, de forma egoísta, num activismo sem qualquer finalidade.
Uma busca imperiosa de sentido
O imaginário humano postula (requer, necessita) a vida eterna e o Amor na origem e no termo de todas as coisas, pois, Deus inscreveu em nós a Sua sede. Essa polarização (atracção) ultrapassa-nos, ela não tem sentido senão n’Ele.
A inteligência metafísica pode conhecer um certo tipo de conceito de Deus.
Existe o ser e o SER. O ser humano e o SER DIVINO.
O ser humano é contingente: existe, mas podia não existir.
O ser divino é necessário. Existe necessariamente. Não podia não existir.
Através da via humilde e real do realismo, pela sua inteligência, o homem pode reencontrar Deus, não para O “ver”, mas como a Necessidade primeira; como a Origem dinâmica e termo da viagem: Aquele que dá um sentido harmonioso a tudo o que existe.
O universo narra as maravilhas de Deus, diz a Bíblia.
A criação reflecte a luz original do Criador.
O homem inteligente pode chegar à evidência da existência de um Criador.
Porém, esta dimensão torna-se muito difícil no meio cultural em que vivemos, afirmar a existência dum criador, quando a ciência quer explicar tudo naturalmente.
A razão humana, orgulhosa e pretensiosa faz cada vez mais gala do seu agnosticismo e ateísmo.
Foi necessária a Revelação para tomar consciência disso.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

PARA QUÊ ACREDITAR

albanosousanogueira@sapo.pt

Na vida perguntamos: para que serve um automóvel, para que serve um micro-ondas?
Alguns podem perguntar: para que serve acreditar em Deus.
O que se ganha em ir à missa?
Acreditar em Deus não tem nada a ver com esta visão utilitarista, pois trata-se de uma questão de amor.
E o amor não se compra, não se vende, não tem preço e ninguém pergunta para que serve amar e ser amado.
O amor é algo gratuito, não se compra, não se vende, não aumenta a nossa conta bancária e se aumenta não é amor, mas interesse.
Porém, é grande o valor do amor.
Quem acredita em Deus e O ama, não é necessariamente melhor ou pior do que os outros que não acreditam.
Mas porque acredita que Deus existe e nos ama muito, percebe que a vida tem sentido e deseja viver ao jeito de Cristo.
A fé tira-nos de uma vida triste e dá-nos razões para a alegria.
Nos momentos de tristeza ou de angústia, acreditamos que temos Alguém está presente como o maior amigo, que nunca nos abandona na triste solidão.
A fé liberta-nos de uma vida egoísta, na qual o inferno são os outros e dá-nos uma vida nova na qual o paraíso são os outros.
Graças ao Espírito de Deus que nos foi dado, temos força e imaginação para amar como Jesus amou.
A fé tira-nos de uma vida sem esperança e abre-nos as janelas que dão para a casa de Deus.
Enquanto aguardamos em alegre esperança a entrada na pátria definitiva, empenhamo-nos em tornar belo este mundo mais fraterno e mais belo.
VALE A PENA ACREDITAR? SIM VALE.
Sim, há muitos motivos para acreditar em Deus, para viver como Jesus, para pertencer à Igreja Católica.
A fé não tem um preço material, mas dá-nos aquilo que buscamos: uma felicidade que nunca acaba.
(Tirado do Jornal "O cavaleiro da Imaculada" de Outubro)

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

APRENDER A PENSAR


Viemos num mundo de informação: pelos jornais, rádio, TV, internet, chegam-nos muitas notícias de acontecimentos de todo o mundo.
Infelizmente, as notícias mais passadas nos meios de comunicação social (MCS) são as negativas: os crimes, as desgraças, a maldade humana, o lado negro das pessoas e da sociedade.
Perante a informação nós deveríamos perguntar: “que mundo é este em que vivemos?”
Como devemos interpretar a informação que nos chega…
Como devemos comportar-nos numa determinada situação?
Há 3 níveis de entendimento:
A informação que nos apresenta os factos em si mesmos e o que aconteceu.
O conhecimento, que reflecte sobre a informação recebida, nos leva a perceber o que é mais ou menos importante e procura princípios gerais para a ordenar.
A sabedoria que nos ajuda a ligar o conhecimento com as opções vitais ou valores que podem escolher, tentando estabelecer como viver melhor de acordo com o que sabemos.
As ciências modernas dão-nos informação e conhecimento.
Mas isso não é suficiente para viver bem, com opções de vida correcta e com valores.
Precisamos de outros apoios como a filosofia, a teologia, a moral católica, para vivermos de forma sábia, isto é, com sabedoria.
Como diz o ditado, não basta viver.
É preciso saber viver…
Há gente que tem muita informação, muitos conhecimentos, muita cultura intelectual, mas falta-lhe sabedoria de vida, valores, opções de vida correctas.
Há gente com pouca informação, poucos conhecimentos, mas muita sabedoria de vida, muitos valores e opções correctas nas suas vidas.
Uma vida sem reflexão não vale a pena viver.
A pessoa deve fazer perguntas e procurar respostas.
Fazer perguntas sobre coisas essenciais da vida e deve procurar respostas completas e verdadeiras e saber que há muitas respostas falsas para problemas importantes da vida…
Muita gente não pergunta; outros perguntam, mas não procuram respostas.
Aceitam o que todos dizem, sem discutir, sem duvidar.
A Igreja Católica e o cristianismo têm respostas verdadeiras e completas para as perguntas mais profundas e essenciais que a pessoa humana faz.
Hoje é muito importante ensinar as pessoas a pensar.
Educar hoje é também ensinar a pensar e pensar ajuda a pessoa a humanizar-se.
Hoje tanta gente deixou de pensar!...
Vai com as modas, as ondas, na propaganda, na publicidade.
Viver e pensar.
Viver e perguntar.
Viver e responder.
Viver e saber.
SABER VIVER…

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

MISTÉRIO DE DEUS – 3



“Porque é que Deus, tão essencial, o único essencial,
o Único a existir por Ele próprio
e a Fonte permanente de toda a existência, é tão esquecido?”

O porquê do esquecimento de Deus?
Isto tem a ver com as ideias que se foram espalhando e com a cultura.
Eu penso, Eu existo –
Esta lógica tendia a fazer do homem a medida de todas as coisas, a esvaziar tudo aquilo que o transcende.
Assim, tudo descambou para o racionalismo: o que vale é a razão humana, a sua inteligência.
A razão pode alcançar toda a verdade.
Só se deve confiar na razão e não confiar nos dogmas religiosos.
Depois passa-se ao subjectivismo: o que conta é o sujeito.
As realidades são todas subjectivas quer para o sujeito, quer em si mesmas.
Não há realidades objectivas.
Depois segue-se o agnosticismo (diz que o ser humano não consegue alcançar um conhecimento absoluto sobre certos fenómenos, tal como Deus e o sobrenatural) ou ateísmo (nega a existência de Deus, valoriza só a vida terrestre) e materialismo dialéctico (tudo se reduz à matéria.
Os valores supremos são os bens materiais, o dinheiro, o prazer, o poder, o sucesso, a fama.
Toda esta mentalidade foi afastando Deus da vida das pessoas que passaram a dar mais importância à ciência, à técnica, ao progresso.
Tudo isso é bom e Deus quer que o homem progrida, que domine a terra e o universo com a inteligência que é um dom de Deus.
O problema é que a ciência e a técnica entusiasmaram ou concentraram o homem na matéria.
Toda a preocupação e sabedoria foram ter mais meios para dominar a matérias.
E só a sabedoria e ciência que dominam a matéria é que foi valorizada. Até o homem passou a ser entendido apenas no seu aspecto técnico, material.
A eficácia material desagregou o Homem porque lhe faltou uma Sabedoria.
Hoje há muita informação, muita formação humana;
muito conhecimento técnico e científico,
mas falta a SABEDORIA que é dom do Espírito Santo, dom de Deus.
O progresso tornou-se ambivalente (mistura de bem e de mal).
Os humanismos não criaram um paraíso na terra.
A violência, a insegurança, as guerras, o terrorismo, as doenças, a destruição da natureza (poluição dos mares, rios, lagos, incêndios, destruição da camada protectora do ozono, aquecimento global, destruição das florestas) aumentam cada vez mais.
O esforço e o progresso humano são admiráveis em muitos aspectos, mas são mesquinhos porque esquecem o essencial: Deus.
A nossa civilização ocupa-se dos “mecanismos”, mas esquece o “ser”. Ocupa-se do “como”, mas esquece o ”porquê”.
Porque é que existem as coisas em vez do nada.
Onde está a razão de ser do mundo e das pessoas?
Este mundo não tem a razão de ser nele mesmo.
Tudo nele é contingente, tudo nele é dependente.
Se este mundo vem do não-ser (não existia antes de existir).
Logo, alguém lhe deu o ser e Esse alguém nós católicos chamamos Deus; e vai para o não-ser através da degradação progressiva da energia.
A ciência moderna nunca chegará a perceber a perceber que o cosmos existe por acto de amor livre e gratuito de Deus que deu o ser ao não-ser.
O homem progride no aspecto científico, mas regride na sua referência ao essencial, a sua dimensão espiritual ligada a Deus.

P. Albano Nogueira
(continua)

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

MISTÉRIO DE DEUS – 2



“À procura de Deus andamos todos…”

O homem, será a resposta para tudo?
Já no tempo do áureo da civilização grega, Protágoras, 492 a.C., um filósofo dizia que “o homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são."
Claro que esta afirmação foi feita por alguém cujo único horizonte é este mundo, em que o homem só conta com a sua opinião e nem sempre conta com a opinião dos outros.
É uma frase em o relativismo é aceite na sua expressão máxima.
Vale tudo, tudo está certo, tudo é bom.
É a ditadura do relativismo de que fala o Papa Bento XVI.
Se o homem é a medida de todas as coisas, as leis, as regras, as culturas podem ser determinadas pelos homens sem uma relação a um ser divino.
A mentalidade moderna é que o homem tem e é resposta para tudo.
Só o homem, diz a época moderna, libertado pela “morte de Deus”.
São os humanismos que já vêm do tempo da Renascença – séc. XIV-XVI. Deu-se um regresso ao paganismo.
Colocou o homem no centro do mundo (antropocentrismo) e não já Deus (teocentrismo).
Depois vem o séc. XVII e XVIII com novos filósofos que instalou a dúvida metódica, com o século das luzes, onde a Enciclopédia proclamou um novo saber universal que desembocou em violências irracionais, como a Revolução Francesa que proclamou os direitos do Homem, mas massacrou, sem escrúpulos, muitas vezes sem julgamento, os homens que pareciam incómodos a esta causa.
O século XIX é outra etapa na tentativa da “morte de Deus” com o marxismo.
Com a ideia da libertação de Deus e da religião a revolução marxista trouxe perseguições, prisões e morte a milhões de pessoas.
O homem moderno encerrou-se num humanismo fechado.
Libertou-se de Deus e tentou encontrar em si mesmo a resposta aos seus problemas.
O homem passou a adorar-se a si mesmo.
A nossa sociedade moderna dos meados do séc. XX e deste séc. XXI apresenta-nos até onde nos pode levar esta mentalidade humanista sem Deus, sem moral, sem ética, sem religião, sem valores profundos…
Toda a crise moderna tem a ver com uma sociedade centrada só na pessoa humana esquecendo as suas raízes judaico-cristãs, uma sociedade materialista, consumista, escrava do lucro onde o lucro, a especulação, o dinheiro ditam leis sem ter muito em conta os direitos e a dignidade das pessoas.
Como já ouvimos dizer muitas vezes: a crise dos tempos actuais não é só financeira, económica, mas também crise ética, crise moral, crise de valores humanos e cristãos.
A economia separou-se da ética; a política faz-se sem ética, a publicidade e a propaganda são agressivas, sem ética, sem verdade, sem vergonha e esmagam os mais distraídos que se deixam engolir pela propaganda.
A autonomia das realidades temporais é importante e necessária, mas não se pode absolutizar a ponte de escravizar as pessoas e não as respeitar nos seus direitos.

Pe. Albano Nogueira

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O MISTÉRIO DE DEUS – 1

albanosousanogueira@sapo.pt

“Queria encontrar Deus…
Tanto O procuro
Será que O encontro?”

Deus é um mistério que não se impõe por si mesmo a ninguém.
A Sua revelação é sempre indirecta e implica que a pessoa tenha uma certa pré-disposição para as realidades espirituais que ultrapassa a realidade material, visível, palpável e que se pode.
Hoje assiste-se a um certo vazio de Deus e quando se fala em Deus, fala de um Deus distorcido e deturpado pelo desconhecimento e ignorância.
Os cristãos deveriam ser ensinados a OLHAREM O MUNDO COM O OLHAR DE DEUS, que é bem diferente do homem entregue a si mesmo.
Só Deus nos concede a graça de contemplar a VERDADE segundo a Sua luz que é Amor.
Na verdade, tudo vem do Amor (Deus) e tudo se encaminha para o Amor (Deus):
Amor do Deus Criador (Deus Pai),
Amor do Deus Salvador (Deus Filho – Jesus Cristo) que deu a Sua vida pelos seus amigos;
Amor do Deus Santificador (Deus Espírito Santo) que actualiza em cada lugar e em cada tempo a salvação divina aplicada a cada pessoa.
Que faremos nós deste amor?
É a questão que Deus nos põe.
Um cristão tem de saber olhar o mundo e as pessoas como Deus os olha; mas, para isso, tem de saber olhar para Deus, na Sua relação connosco, com o mundo que Ele criou.
Porém, tudo isto é muito estranho ao nosso mundo e à nossa cultura, mas é algo de muito essencial: olhar o mundo com o olhar de Deus e olhar Deus, na sua relação connosco.
Deus não é um mito, uma abstracção, uma energia.
Ele é uma FORÇA, Ele é uma FONTE. Ele é ALGUÉM.
Ele está mais próximo de nós do que nós pensamos.
Ao reencontrá-l’O como Princípio (Origem) e Termo (Meta) de todas as coisas, nós alargamos a nossa perspectiva mesquinha até ao mais longínquo passado e até ao mais longínquo futuro para o qual Deus nos chamou.
O importante não é apenas ver e dizer (julgar) que o mundo está mal e que se afastou de Deus.
O importante não é só fazer o diagnóstico e dizer que uma pessoa está doente com tal doença.
Isso é importante, mas depois deve-se fazer todo o possível para se curar e salvar o doente.
O mesmo se diga do Homem de hoje que precisa de Cura e de Salvação.
O Homem está doente e, tantas vezes não se apercebe disso.
Está doente porque cortou com a raiz da vida e a raiz da vida é Deus.
Ao cortar com Deus, tantos homens e mulheres são como flores cortadas, destinadas a secar, a morrer, sem perceber o porquê.
Sem a ligação à VIDA e ao AMOR que é Deus, muitos não encontram o sentido, o rumo para a sua existência.
Acabam por não saberem plenamente qual a sua verdadeira identidade. Saber:
“Quem sou eu?
Que faço aqui neste mundo?
Para que serve a minha vida.
Que fazer para me realizar e ser feliz?
Para onde vou? Que me espera no fim da existência?
Qual o sentido do sofrimento?
Só a fé em Deus permite ajudar a pessoa a responder plenamente a estas perguntas que iluminam, dão sentido e gosto de viver.

P. Albano Nogueira.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

HÁ CATÓLICOS QUE NUNCA REZAM

albanosousanogueira@sapo.pt

(P. Zezinho, Se eu pudesse falar aos jovens, ed Paulistas)

A oração de muitos católicos está em crise.
Há pessoas que nunca rezam.
Não acham necessário ou não se sentem dispostos a fazê-lo.
Há outros que só rezam nas aflições, nas desgraças, para pedir a Deus favores.
Esta fé é um pouco interesseira e quem assim procede tem de purificar a sua forma de rezar.
Há ainda aqueles que rezam todos os dias e se sentem muito bem e são um instrumento de paz para os outros.
Rezam pelos outros e procuram viver como Jesus desejava que os seus amigos vivessem.
A oração não deve ficar apenas nos lábios.
Tem de ir ao fundo do coração para trazer à pessoa a libertação que Jesus deseja.
Muitos homens e mulheres modernos apenas acreditam em si.
Já não acreditam em Deus.
Por isso, não rezam.
Ninguém reza a si mesmo.
Rezar é um acto de adesão a Deus, a um ser pessoal.
É diálogo entre a criatura e o Criador.
Diálogo entre um filho(a) e seu Pai do Céu.
Quem reza, fá-lo porque acredita e acredita porque sente a sua limitação e o Ilimitado d’Aquele a quem reza.
Quando dialogas e partilhas a tua vida com Deus, assumes uma posição mais de humildade, de esperança, de confiança.
A oração aumenta as tuas potencialidades e faz de ti uma nova realidade e te ajuda a recomeçar tudo de novo.
Se não rezas nunca, corres o risco de te transformares numa lâmpada apagada.
Enfeita, mas não resolve, não brilha, não dá luz.
Parece, mas não é.
Há cristãos do faz de conta…
Parece que são cristãos católicos, mas na realidade não são.
Não são porque não têm vida espiritual, não rezam, não praticam a sua fé, não recebem sacramentos.
Há cristãos que só vão à igreja no dia do seu baptismo, algumas vezes na infância até à primeira comunhão.
Sem oração não há verdadeira vida cristã.
Sem oração não há identificação com Jesus Cristo.
- Se conhecesses o dom de Deus... Rezarias, falarias com o teu Pai do Céu todos os dias, como filho adoptivo de Deus que és.
- Se conhecesses o amor de Jesus Cristo por ti, falarias com Ele, escutá-lo-ias na Sua Palavra, especialmente na Eucaristia Dominical e recebe-lo-ias na sagrada comunhão. Ele seria o teu grande amigo de todas as horas...
- Se conhecesses a presença do Espírito Santo em Ti, terias intimidade com Ele no silêncio do teu quarto e na tua vida de cada dia...
A oração é a respiração espiritual da alma unida a Deus...
Pe. Albano Nogueira

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

VIDA INTERIOR


albanosousanogueira@sapo.pt

(Tirado de P. Zezinho, Se eu pudesse falar aos jovens, ed Paulistas)

VIDA INTERIOR PARA QUEM QUER VIVER PLENAMENTE

Há pessoas cujo esquema de vida não vai além da flor da pele.
Vivem para as coisas exteriores e nem sequer chegam a entender que seja possível viver interiormente.
As suas preocupações são quase sempre as mesmas: dinheiro, roupa, sapatos, carro, melhor emprego, sexo, infidelidade, futebol, mulher/marido de outra, filme sujo, teatro de revista, comida, férias, totobola, euro - milhões, crendices, superstições, posição, fortuna, namorados (as), homens, etc…
Dizer a esta gente que rezas, que conversas com Deus, que lês a Bíblia, que meditas, que procuras ter paz interior, é o mesmo que sentar-se num muro e falar a tijolos sobre filosofia e teologia…
Os nossos sentimentos precisam de ser educados e é preciso crescer interiormente para se atingir a dimensão de adultos.
Há muitos adultos formados em muitos ramos do saber, mas continuam sem vida plena, abundante de que fala Jesus no evangelho.
Não há muita coisa dentro deles.
São vazios, superficiais, banais.
Se não rezas, se não pensas em Deus, é possível que estejas a viver, mas muito pouco.
Há pessoas que são como os carros: andam ao baixo, mas não têm gasolina no seu interior, não avançam a subir…
Há indivíduos espectaculares…
O tempo é que se encarrega de provar se a sua graça vem de fora ou vem de dentro.
Jesus Cristo tinha uma vida intensa interior.
E se queres ser chamado de seu amigo, tens de ter também uma vida interior intensa.
Uma vida interior que é oração, diálogo pessoal com Deus, fé, adesão à Igreja Católica, prática sacramental: Missa de Domingo, Confissão, Comunhão, oração pessoal diária, oração comunitária.
A Igreja Católica é única Igreja (comunidade) fundada por Jesus Cristo, as outras foram fundadas por outros homens.
Vida interior que é estar em união espiritual a Jesus Cristo e à sua doutrina = estar na graça de Deus, na sua amizade, viver de acordo com a sua lei.
“Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”, disse Jesus Cristo.
Hoje muita gente vive: come, bebe, dorme, trabalha, casa-se, tem filhos, mas pode-lhe faltar a vida interior, a vida espiritual, aquela vida que nos eleva acima nos animais irracionais.
Sem vida interior, somos como um tambor: podemos fazer muito barulho, mas estamos ocos por dentro.
Esse é o risco que correm muitos homens e mulheres do nosso tempo: fazem barulho, dão nas vistas, mas estão vazios por dentro…
Porque lhes falta a dimensão espiritual e superior que dá à vida um rumo, um sentido, uma significado novo não só para a vida neste mundo, mas também a vida depois deste mundo.

Pe. Albano Nogueira

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

INSPIRAÇÃO DOS LIVROS DA BÍBLIA

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Cada livro sagrado tem duplo autor:
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1 - Deus é o autor principal da Bíblia.
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Aí não há erros quanto às verdades de fé ou de moral.
Pela inspiração, Deus é o responsável por essas verdades de fé.
Nunca esquecer que a Bíblia não tem verdades científicas.
Apenas verdades da fé que conduzem o Homem e conhecer, amar e seguir a vontade e o plano de Deus para ser feliz e se salvar...
Foi Deus quem moveu aqueles homens a que escrevessem sem erro tais verdades.
Esses livros merecem-nos crédito e possuem essencialmente um ensino religioso.
Transmitem verdades religiosas.
Não transmitem de verdades científicas
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2 - O escritor sagrado ou inspirado.
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É o homem que escreveu, é o autor secundário.
Continua sempre livre e usa os seus conhecimentos humanos, grandes ou pequenos, certos ou errados.
Segue o seu gosto literário e apresenta escritos narrativos, poéticos, dramáticos, históricos...
Neste aspecto humano, pode errar como qualquer homem.
Assim, quando aborda questões meramente humanas, sejam de História ou de Ciências ou de Filosofia, merece o crédito de todo o escritor sério e consciencioso, onde há as marcas do tempo.

Para interpretar um livro inspirado, isto é, para saber o que Deus comunicou aos homens por esse escrito, a Igreja manda atender:
- à língua em que esse livro foi escrito e às suas leis gramaticais;
- ao tempo em que tal livro foi escrito,
- à cultura, aos mitos ou lendas desse tempo: para falar ao homem de sempre, Deus serviu-se de um homem de uma época; assim, nos seus escritos há coisas que são da época e outras que são de sempre, sendo estas muitas vezes expostas por aquelas;
- ao género literário do livro: um poema é diferente de um relato histórico; uma parábola ou uma imagem ensinam de forma diferente de uma frase directa e clara;
- à qualidade do autor inspirado e ao seu saber.
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Não se devem ler todas as passagens da Bíblia à letra.
Temos de procurar a MENSAGEM de Deus para todos os tempos.
Uma mensagem que é sempre actual e nunca passa, como as modas...
A Palavra de Deus é sempre actual.
Não se engana, nem nos engana.
É uma Palavra que ilumina a nossa vida e o nosso caminhar neste mundo.

sábado, 31 de julho de 2010

TUDO É VAIDADE

Este Domingo 18º do Tempo Comum do Ano C vamos ouvir na Eucaristia:
"Vaidade das vaidades, tudo é vaidade" (Eclesiastes ou Coeleth 1,2).
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Procuramos a felicidade nas coisas materiais... Mas isso não basta para sermos felizes.
Procuramos a felicidade nas pessoas...
Veja-se a promessa de amor no matrimónio.
Mas as pessoas, tantas vezes, nos decepcionam e nós também as desiludimos.
Esta é uma grande verdade.
Tudo é vão, tudo passa.
Só Deus permanece...
Apegar-se demasiado a coisas materiais e pessoas é uma ilusão, pois tudo passa...
Apegar-se a Deus, pois Ele permanece.
As coisas materiais desiludem.
As pessoas desiludem-nos e nós desiludimos os outros...
Só Deus não desilude...
A fonte da vida está só em Deus
Só Deus nos pode tornar plenamente felizes.
Não tanto do jeito que nós queremos.
Mas ser felizes do jeito que Deus quer.
Aspirar às coisas do Alto, às coisas espirituais, divinas.
Não aspirar a poder, honras, riquezas, grandezas, fama, pois tudo isso é vão, ilusão, espuma do mar.
O nosso coração foi feito para Deus e só em Deus encontrará a felicidade.
Deus é Comunhão, Deus é Amor e só na comunhão e nos amor seremos felizes.
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Ensina-me, Senhor, esta lição, esta sabedoria,
que é dom do Espírito Santo.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

AS VERDADES DA FÉ


albanosousanogueira@sapo.pt
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As verdades reveladas por Deus não estão em desacordo com as outras verdades adquiridas pelo trabalho da inteligência em qualquer investigação.
Mas essas verdades são mais importantes, pois relacionam-se:
- com o porquê do Homem sobre a Terra;
- com o valor da vida e de tudo quanto nos rodeia;
- com o fim para que nos encontramos sobre a Terra, sujeitos a todas as circunstâncias da nossa existência.
Não entendemos perfeitamente essas verdades?
Ficam sempre misteriosas para nós? Talvez.
E isso deve-se ao facto de a nossa inteligência ser pequenina relativamente a Deus, embora muito grande comparada com os instintos dos animais.
Mas não julguemos que, no mistério, tudo nos é inacessível, pois não é verdade. Embora a inteligência hu¬mana nunca possa igualar a Inteligência Divina, de que é simples reflexo ou imagem, essa inteligência humana, quando se debruça sobre as verdades reveladas, esclarece muitos pontos. É este o trabalho dos Teólogos, os sábios ou cientistas que estudam Deus, o que Deus nos revelou e como o revelou.

A INSPIRAÇÃO
A Revelação de Deus aos homens foi feita durante muitos anos e directamente a alguns homens ou a um Povo, o Povo de Deus.
Esta Revelação divina chegou até nós por dois caminhos:
- pela tradição escrita;
- pela tradição oral.
Tendo Deus falado a alguém, essa pessoa comunicava-o aos outros de viva voz. Esse era, antigamente, o processo normal.
Mas quando a escrita foi generalizando, houve quem escrevesse essas verdades em papiros, pergaminhos, dos quais possuímos hoje cópias nas diferentes edições da Bíblia.
Mas não podiam os autores que escreviam essas verdades falsear o pensamento divino?
Não. Trata-se de autores inspirados por Deus:
Deus assistiu aos escritores sagrados de tal forma que, reservando eles as suas qualidades e defeitos de escritores humanos, não errassem na comunicação das verdades divinas.
Esta acção divina chama-se INSPIRAÇÃO.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

DAR AS MÃOS

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albanosousanogueira@sapo.pt
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Estive de férias no estrangeiro- Espanha.
Não tinha acesso aos jornais portugueses.
Terça-feira comecei a receber muitos telefonemas e sms a dizerem-me que o que tinha escrito no meu blog estava a ser citado nos jornais.
Como não sabia a forma como o jornalista estava a usar os meus textos, decidi usar a internet do hotel para tirar os meus textos do blogue.
Além disso, umas frases tiradas do contexto podem ser mal interpretadas...
Foi essa a razão pela qual tirei os textos do meu blogue.
Diz a sabedoria: há tempo para falar e tempo para calar.
Eu disse o que achei que devia dizer,
mas agora chegou o tempo de me calar.
Não convém deitar mais lenha na fogueira.
A decisão está tomada, o Sr. Arcebispo Primaz de Braga não volta atrás.
É tempo de interiorzarmos todos a nomeação dos novos párocos de Fafe, colaborar com eles e todos aceitarem os novos párocos, tal como o Padre José Lopes já disse.
Depois da tempestade, tem de vir a bonança...
Todos temos a ganhar com a paz na Igreja Católica de Fafe e ajudar a dar um novo dinamismo à cidade de Fafe em comunhão e união com os novos párocos de Fafe.
É tempo de darmos as mãos aos novos párocos de Fafe...
Já discordámos, já protestámos, já dissemos ao Sr. Arcebispo a nossa revolta, agora é preciso acalmar as águas.
Precisamos de Paz na Igreja Católica de Fafe e todos temos de dar as mãos para o conseguirmos.
Deus escreve direito por linhas tortas.
O que foi um mal (a remoção do Pe. Lopes) pode ser usada por todos para o bem: dar mais dinamismo à cidade de Fafe a nível religioso...
Obrigado a todos pelo apoio que deram ao Pe. Lopes e a mim também que fui solidário com ele e fiz tudo o que dependia de mim (antes da nomeação) para dar outro rumo a esta situação, mas nada consegui...
Seria bom que as pessoas parassem com todas as manifestações contra a decisão de remover o padre Lopes de Fafe.
A partir de agora, se as manifestações de protesto continuarem, quem vai ficar prejudicado ainda mais, vai ser o Padre Lopes.
Quanto mais tempo arder a fogueira da revolta, mais as pessoas (todas) se queimam...
Espero que entendam esta minha mensagem...
Vamos todos aceitar educadamente a nova situação.
Deus seja louvado.
Que Ele nos abençoe a todos e nos ajude a viver no seu amor e no amor ao próximo.
Pe. Albano Nogueira

terça-feira, 20 de julho de 2010

DEUS É AMOR

DEUS É AMOR,
DEUS É VIDA,
DEUS É CRIADOR,
DEUS É SALVADOR
DEUS É SANTIFICADOR.
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SER CRISTAO CATÓLICO É CONSTRUIR COMUNHAO...
AMAR A DEUS,
AMAR AOS OUTROS,
AMAR A SI MESMO
AMAR A NATUREZA...
AMAR E PERDOAR...
QUEM AMA MUITO PERDOA MUITO...
QUEM AMA POUCO PERDOA POUCO...
TODOS TEMOS DE AMAR MUITO E PERDOAR MUITO...
JESUS CRISTO É O NOSSO MODELO DE AMOR E DE PERDAO
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PE. ALBANO NOGUEIRA

sábado, 17 de julho de 2010

- ESPIRITUALIDADE (6)



O acto pelo qual acreditamos em Deus chama-se Acto de Fé.
Mas aqui já não se trata de fé humana, isto é, de acreditar nos homens.
Agora, acreditamos em Deus e nas verdades por Ele reveladas.
Tudo quanto sabemos pela fé humana o podíamos saber directamente por nosso esforço, se tivéssemos tempo, instrumentos próprios, sabedoria, etc.
Mas quando se trata das verdades divinas reveladas por Deus, o que é objecto de Fé divina, já tudo é diferente: por mais tempo que possuíssemos, por mais sábios que fôssemos, nunca lá chegaríamos.
Nesse caso, Deus tem de conceder ao homem uma nova faculdade, por assim dizer.
Deus concede-nos a Fé, uma virtude sobrenatural pela qual acreditamos em Deus e nas verdades que Ele nos revelou e as vemos relacionadas com a nossa vida.
Porque a Fé ajuda-nos a aceitar e a compreender as verdades que Deus nos revelou e a pôr em prática os seus ensinamentos.
A Fé é um dom de Deus, que devemos pedir, embora nunca o mereçamos.
Mas Deus dá-nos o dom da fé que devemos pedir cada dia.
E pela fé vemos o que se encontra para além do que a nossa inteligência descobre e nunca se opõe a ela, antes a prolonga.
A Fé prolonga os conhecimentos adquiridos pela inteligência.
Quem vive da Fé possui um conhecimento novo.
Sabe que Deus se encontra em tudo, que tudo fala de Deus, que tudo conduz a Deus. Sabe que a História, quer do Universo com os seus astros, quer do Homem sobre a Terra, se desenrola na presença de Deus e que Deus está em todas as transformações materiais ou sociais.
Não vamos entender esta presença de Deus à maneira de um pedreiro que junta as pedras de um edifício. Nem ao modo de um chefe militar a dar ordens aos exércitos. A presença de Deus é normalmente Providência:
Deus está em tudo pelas leis que tudo regem;
Deus só extraordinariamente interfere com acções especiais, denominadas milagres.
Deus é discreto, escondido e dificilmente se mostra de forma directa.
Temos de O perceber de forma indirecta, como uma pegada que aponta para quem a fez.
Não vimos quem foi, mas dizemos que alguém foi: homem ou animal…
A nossa sociedade vive em crise de Fé porque se tornou materialista, escrava do que vê, do que percebe, do que ouve e Deus não se vê, não se entende, não se ouve directamente. Por isso, se abandona a fé e a prática religiosa.
A nossa sociedade é utilitarista. Só vê as coisas e as pessoas pelo lado útil.
Rezar, praticar a religião, acreditar, não é “útil” segundo a mentalidade deste mundo… a não ser que Deus faça um “milagre”, uma “cura” e então já é “útil”…
A fé é um dom de Deus que ilumina e dá sentido á vida, mas só na medida em que a pessoa descobre esse Deus Vivo na sua vida e se relaciona com Ele na oração pessoal, individual, familiar e comunitária.
A oração é fundamental para a vida de um cristão e de um sacerdote.

terça-feira, 6 de julho de 2010

- ESPIRITUALIDADE (5)



Deus pode comunicar ao Homem algumas verdades desde que o faça de acordo com o mesmo Homem, para ele as entender.
Comunicará as verdades que achar convenientes ao Homem e quando o achar conveniente: também Deus usou o processo de comunicar lentamente o conjunto da Revelação.
Estas verdades tanto podem ter sido transmitidas a um homem isolado como a um povo.
Mas não se destinam apenas para esse homem isolado, nem para esse povo.
Um e outro são instrumentos que Deus usa para Se revelar a toda a Humanidade: à humanidade contemporânea desses homens isolados ou desse povo, assim como à humanidade que viria depois deles.
Aqueles que Deus escolheu para comunicar as suas verdades à Humanidade devem possuir sinais positivos:
Deus não ia falar através de pessoas que não possuíssem virtudes e boas qualidades.
Aqui está um sinal para se conhecer se alguém fala em nome de Deus: Pelos frutos se conhecem as árvores.
Também pelas acções se conhecem aqueles que dizem falar em nome de Deus.
Quando um professor ensina, tendo em conta o respeito pelo aluno, nunca este aluno sai diminuído.
Antes pelo contrário.
Também quando Deus ensina certas verdades, tendo em conta os legítimos direitos do Homem, nunca diminui o Homem nem o impede de desenvolver as suas qualidades naturais.
Pelo contrário: para o Homem entender bem o que Deus quis revelar-lhe, deve desenvolver mais e mais as suas qualidades humanas e estudar o meio em que tem vivido e vive.
Deus vem auxílio da pessoa dando-lhe talentos que valorizam as suas capacidades.
Talento é aquilo de bom que recebemos de Deus e que devemos desenvolver: a fé, a esperança, o amor, a bondade, a solidariedade.
É legítimo acreditar nos homens verdadeiros, embora também eles se enganem.
É mais legítimo acreditar em Deus.
Deus é a própria Verdade.
Deus não nos engana.
Deus não Se engana.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

SER SANTO = SER SEPARADO


Um dia destes ouvi um senhor Bispo a dizer que “ser santo” significa “ser separado”.
Todos os cristãos devem ser santos…
Quando se fala em “ser santo” a gente pensa quase sempre em pessoa exemplar, perfeita, sem pecados, sem vícios, sem defeitos, gente de oração…
O senhor bispo explicou que “ser santo” significa “ser separado…”.
Muita gente pensou que santo é aquele que se separa do “mundo”,
vai para um convento, separa-se dos outros, etc…
Mas não foi isso que o senhor bispo quis dizer.
Ser santo significa ser separado ……………… de si mesmo…
Com esta muitos não esperavam. “Separar-se de si mesmo…”.
Mas antes de morrer, porque aí já não temos possibilidade de escolher…
Separar-se de si mesmo, neste mundo…
Vou tentar dizer por minhas palavras…
Cada um pode ser santo se se separar de si mesmo, isto é, do seu egoísmo, da sua soberba, da sua vaidade, dos seus caprichos, dos seus instintos, dos seus desejos, da sua avareza, da sua luxúria, da sua ira, da sua gula, da sua inveja, da sua preguiça…
É aquilo que Jesus dizia no Evangelho: “Renunciar a si mesmo…”.
Esvaziar-se de si mesmo, para se encher de Deus e dos outros, para aceitar Deus e a Sua vontade na nossa vida e aceitar os outros.
Quem está cheio de si mesmo, não tem lugar para Deus, nem para os outros.
Quem se esvazia de si mesmo, não peca, por isso, é santo…
A nossa falta de fé em Deus e as lutas com os outros, rivalidades, invejas, vinganças, ódios, desgostos existem porque não somos santos, isto é, não estamos separados de nós, na humildade, na mansidão, na generosidade.
Esse está cheio de si mesmo, em vez de estar vazio de si mesmo…
Quem está cheio de si mesmo, torna-se um deus para si mesmo…
E, desse modo, Deus e a Sua vontade não contam, nem os outros de quem devia ser irmão e se torna um lobo…
Ser santo é ser separado de si.
E ser separado de si mesmo é ser humilde, simples, manso, bom, doce, generoso, servidor.

Padre Albano Nogueira

quarta-feira, 23 de junho de 2010

- ESPIRITUALIDADE (4)

albanosousanogueira@sapo.pt
http://operfumededeus.blogspot.com

O Homem é um ser espiritual, isto é, tem uma ligação a uma realidade sobrenatural, transcendente, que vai para além da dimensão visível, material, sensível. Tem uma ligação com Deus.
Além da natureza que aponta para um autor; além de todas as pessoas sentirem em si um desejo de infinito (no saber, no gozar, no amor, no viver, um desejo infinito de felicidade), temos o próprio Deus que se revelou, isto é, se deu a conhecer.
Vejamos então o que é a revelação.

A REVELAÇÃO
A criança vai interrogando quanto a rodeia.
E chega a algumas conclusões.
Mas não fica satisfeita: tantos mistérios se escapam à sua inteligência ainda em formação, pouco enriquecida e desenvolvida!
A criança espera pelo pai.
O pai é amigo e sabe explicar as dúvidas do filho.
E ainda vai mais longe: explica outras coisas em que o filho ainda nem tinha reparado.

DEUS REVELOU- SE
Deus entregou-nos a inteligência para que fôssemos desvendando alguns mistérios da Natureza.
E quer que usemos sempre a nossa inteligência.
Só na medida em que desenvolvemos a nossa inteligência é que entenderemos melhor a Deus, como só na medida em que a criança se esforça entende o pai.
O Homem não pode descobrir toda a Verdade só com o esforço da sua inteligência.
E que essa inteligência é muito limitada, principalmente quando se debruça sobre verdades divinas.
Nem admira: a inteligência humana possui dimensões humanas.
Deus quis manifestar-se a Si mesmo e dignou-Se revelar-nos várias verdades sobre a origem das coisas, sobre quem é o Homem e sobre o porquê da sua vida na Terra.
O conjunto dessas verdades enunciadas por Deus (incluindo a manifestação de Si mesmo), chama-se Revelação.

A FÉ EM DEUS
Temos dentro de nós um conhecimento próprio. É a Consciência.
Esta pronuncia-se sobre tudo quanto pensamos ou fazemos.
Ela pode distinguir o que é bem e o que é mal.
O que nos vem da parte de Deus, e possui o sinal do bem, e o que não vem de Deus, e anda marcado pelo mal.
Por outro lado, todos podemos aprender com os outros.
Acreditar nos outros, quando eles apresentam provas de que falam verdade, enriquece-nos e evita muitos trabalhos.
O filho acredita nos pais, o aluno nos professores, o investigador acredita nos documentos históricos.
E então um bom, legítimo e humano processo de saber este de aceitar o que os outros nos comunicam.
Conhecer pela fé é adquirir verdades transmitidas pelos outros, seja por palavras, seja por escrito ou outro processo de comunicação: imagens, desenhos, histórias, parábolas...

Pe. Albano Nogueira
(continua)

quarta-feira, 16 de junho de 2010

ESPIRITUALIDADE (3)


INTERROGANDO O HOMEM
O Homem é o único ser pensante sobre a Terra.
Os instintos dos irracionais andam longe da inteligência humana, sempre em progresso, sempre em busca da novidade, a construir e a reconstruir.
Os favos das abelhas são uma bela obra de arquitectura.
Também ninguém faria ninhos tão belos como os de certas aves. Entretanto, as abelhas sempre construíram assim os favos e do mesmo modo voaram de flor em flor.
E as aves não modificam a estrutura do seu ninho
Só o Homem ensaia casas diferentes e objectos artísticos diversos.
O Homem é um ser activo, imagem distante de Deus.
A inteligência do Homem busca a verdade.
A Verdade autêntica encontra-se nele em bocadinhos pequeninos.
O Homem pensa em essa verdade maravilhosa que se lhe escapa.
O Homem pensa em Deus.
A vida do Homem sobre a Terra é limitada por um tempo escasso.
E o Homem sente em si vontade de viver para sempre.
O Homem, embora limitado pelo tempo e pela morte, sabe que existe a eternidade e a Vida sem fim.
Sobre a Terra, quanto sofrimento bate às portas da humanidade!
E o Homem quer ser feliz.
Mais: sabe que nasceu para ser feliz.
Aceitando que os seus pés poisem sobre a Terra, o Homem olha para além da Terra e para além do Universo.
É que nem o Universo inteiro o satisfaz.
O Homem é pequenino relativamente a esse Universo.
Mas é capaz de o conter em si pelo conhecimento, é capaz de lhe estudar as leis e a formação e de o dominar
Quem pôs no coração do Homem o desejo de ser feliz?
E um desejo tão grande que se não contenta com o próprio Universo?
Que realidade tranquilizará o coração do Homem? DEUS!
O Homem extasia-se perante as belezas da Terra e do Cosmos. Contempla, admira e pretende logo reproduzir: o Homem ama a Beleza.
Quando o Homem entra em relações quer com os outros homens quer com a Natureza, nem sempre segue um caminho recto.
E logo uma voz fala dentro dele: a voz da Consciência, que lhe diz o que é bem ou mal.
Quem escreveu no interior do Homem essa Lei, que tantas vezes o inquieta e se ergue contra os seus interesses imediatos? DEUS!
E o desejo de ser justo?
E a vontade de que o amor una a todos?
E a grande aspiração a que a paz envolva os povos?
A resposta é sempre a mesma: DEUS!
O Homem é um ser misterioso que deve ser estudado de muitas maneiras.
Mas a sua grande explicação encontra-se fora dele.
Não na Terra nem em qualquer parte do Cosmos.
A explicação do Homem encontra-se em Deus.
O Homem é um ser religioso, com uma dimensão sobrenatural.

QUANTO MAIS EXTERIORIDADE, MENOS PESSOAS SOMOS
E MAIS OBJECTO (COISA) SOMOS.
QUANTO MAIS INTERIORIDADE, MAIS PESSOA SOMOS.

Pe. Albano Nogueira
(continua)

quinta-feira, 10 de junho de 2010

ESPIRITUALIDADE (2)

albanosousanogueira@sapo.pt
http://operfumededeus.blogspot.com

Falando de Deus, Jesus disse um dia para os Apóstolos:
"Ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar".
Nesse caso, como sabemos que Deus existe?
E como sabemos quem é Deus?
Os nossos sentidos entram em contacto com os objectos, transmissões as suas impressões ao cérebro e tomamos conhecimento da existência desses objectos sensíveis: a cor, o relevo, a distância, o som, o aroma, o sabor, a sensação de frio ou quente, de agradável ou doloroso.
Mas há também muitas outras realidades que se escapam aos sentidos. Por exemplo: como sabemos que uma pessoa é boa ou má?
Conhece muitas coisas ou é ignorante?
Aqui, não são os sentidos que entram em contacto directo com a verdade. Mas eles também transmitem certas reacções.
Por exemplo: as obras de uma pessoa. Depois, a inteligência trabalha, medita, descobreu a verdade.
E o raciocínio. É pensar.
O primeiro caminho para encontrar Deus é pensar.
Em quê?
Em tudo o que nos rodeia.
Um filho, para conhecer quanto seu pai o ama, deve pensar no que o pai tem feito e faz por ele.
E assim descobre as dimensões do amor do pai.
Há muitos mistérios, muitas coisas escondidas por toda a parte.
A nossa inteligência põe-se a trabalhar e esclarece alguns mistérios.
Pelo menos, diz se são possíveis ou não certas afirmações.
Olhando a natureza com olhos espirituais, nós vemos um mundo muito grande, muito belo, muito harmonioso, muito ordenado.
Há muitas outras Galáxias, algumas das quais vemos à maneira de poeira brilhante no espaço, a que chamamos Nebulosas.
Montados no nosso foguetão fantástico, um foguetão que fosse um raio do Sol, demoraríamos milhões de anos para atingir algumas dessas Nebulosas.
No espaço, parecem-nos pequeninas as estrelas.
Mas como são grandes!
A massa do Sol é milhares de vezes superior à da Terra e o Sol é uma das mais pequeninas estrelas.
E são tantas, tantas as estrelas, com seus movimentos rápidos e certos!
Há leis nos espaços cósmicos, leis que os sábios estudam para as aplicarem aos seus inventos.
Para que um foguetão espacial suba no espaço, ande em torno da Terra ou se dirija para o Sol, é preciso que obedeça às leis da Natureza.
E como surgiu o Universo?
Os sábios discutem e apresentam uma hipótese: todos esses corpos celestes encontravam-se, no início da história do nosso Universo, reunidos num átomo primitivo; depois, esse átomo desintegrou-se, explodiu, expandiu-se, cresceu, mantendo-se como agora está (ou crescendo ainda mais?), sempre obediente às leis que a Astronomia estuda.
De onde veio a matéria daquele hipotético átomo primitivo?
- De onde surgiram as leis que os sábios vão desvendando com admiração e entusiasmo?
- Para quê esses Corpos Celestes?
Para quem tem fé, tudo veio de Deus
Os céus proclamam a glória de Deus e o Firmamento manifesta o poder das Suas mãos! (Sal 18, 2).

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QUANTO MAIS EXTERIORIDADE, MENOS PESSOAS SOMOS
E MAIS OBJECTO (COISA) SOMOS.
QUANTO MAIS INTERIORIDADE, MAIS PESSOA SOMOS.
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Pe. Albano Nogueira
(continua)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

PENSAMENTOS DE FELICIDADE


http://operfumededeus.blogspot.com

1- A maior parte do sofrimento humano é um produto subjectivo, elaborado na nossa mente.
A maioria dos nossos temores, medos, sobressaltos e ansiedades brotam do fundo escuro da alma humana.
O fracasso, muitas vezes, é um produto mental.
Não são setas disparadas do exterior, mas é a nossa mente que as dispara e nos faz sofrer.
2- Também há setas exteriores disparadas contra nós, pois somos seres de relação com os outros.
Viver de mal com os outros também pode ser fonte de sofrimento.
2.1. A inveja é a erva daninha e a que mais estraga as relações humanas. A Inveja é a grande causa de sofrimento de muita gente, mas poucos se dão conta da sua presença, por ela andar tão disfarçada.
2.2. Local de trabalho também pode ser fonte de sofrimento.
2.3. A vizinhança com as críticas, murmurações, boatos, exageros, invejas, ganância de querer o que é dos outros, é um lugar de sofrimento.
2.4. A própria família pode ser também um inferno de sofrimento. Relação entre marido e esposa, entre pais e filhos que fracassam nos estudos, no casamento, pela droga, marginalidade, etc…
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SALVA-TE A TI MESMO
Salvação aqui não é no sentido teológico, a salvação já obtida por Jesus Cristo. Aqui significa libertação, salvar-se do medo, da angústia, do tédio, do sofrimento.
Só tu te podes salvar a ti mesmo eliminando a angústia, recuperando a tranquilidade de espírito e a alegria de viver.
Acredita em ti mesmo(a) e na tua capacidade de te salvares a ti mesmo(a): sentires segurança plena, nada de temor, de medos, ter calma, firmeza, liberdade.
Isto, ninguém pode fazer por ti; só tu podes ser o salvador de ti mesmo(a) neste sentido.
A salvação não está nos consultórios dos psiquiatras nem nas farmácias, nem nos medicamentos (podem temporariamente ajudar). A solução está em teres fé em ti mesmo(a). Acredita em ti mesmo(a).
Só quem é amado tem capacidade de amar.
Só quem é livre consegue libertar.
Só pode ser instrumento de paz quem vive em paz consigo mesmo.
Os que sofrem fazem sofrer os demais.
Os fracassados têm tendência a fazer fracassar os outros.
Os ressentidos semeiam violência em seu redor.
Quem foi posto em conflito, põe em conflito.
Quem está em guerra consigo espalha guerra à sua volta
Quem não se aceita a si mesmo, não aceita ninguém.
Os que a si mesmos se rejeitam, rejeitam a todos.
Não podemos tornar os outros felizes se nós mesmos não formos felizes.
A nossa contribuição para a felicidade dos outros é proporcional à nossa própria felicidade.
Amaremos o próximo na medida em que aceitarmos e amarmos a nossa própria pessoa e a nossa história.
Amar o próximo COMO A SI MESMO.
««««
SÊ FELIZ E CONTRIBUIRÁS
PARA A FELICIDADE DOS TEUS IRMÃOS
E TODOS OS OUTROS.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

JESUS CRISTO POR DENTRO

albanosousanogueira@sapo.pt
http://operfumededeus.blogspot.com

O mês de Junho é dedicado ao Sagrado Coração de Jesus.
Por isso, esta reflexão pode ajudar os meus leitores a entrar nesta dinâmica da fé neste símbolo do amor tão conhecido: o coração


O Coração de Jesus é Cristo por dentro.
Sua misericórdia sem limites.
Seu Amor eterno e infinito.
Sua bondade infinita.
Seu perdão sempre maior que as nossas fraquezas e pecados.
Seu Coração aberto, terno, clemente, puro, desarmado, fornalha ardente de caridade.
Coração que vibra, pulsa, sente, conquista, envolve, sorri, padece, aplaude, chora e entristece-se.
Humano e divino; desejoso de irradiar as suas chamas pelo mundo, aquecendo almas, envolvendo nossas vidas.
O Coração de Jesus é Cristo por dentro.
E quem descobre Cristo por dentro faz a grande descoberta da sua vida.
Milhões de cristãos e de Católicos desconhecem Cristo por dentro.
Seus interesses são outros. Seus ideais, seus programas, seus objectivos e seus caminhos são outros.
Os barcos das suas vidas navegam em outras águas.
Onde estiver o teu tesouro, aí estará teu coração.
Multidões de crentes conhecem Jesus apenas superficialmente. Pela rama, pela casca.
Conhecem um pouco da sua vida, da sua história, talvez conheçam o drama do Calvário.
Mas apenas um conhecimento intelectual, superficial.
Mas não O amam, não vivem Jesus Cristo. Estão por fora, presos a paisagens laterais.
Alguns até dizem que amam Jesus Cristo, mas esquecem-se dele.
Não lhe rezam, não falam com Ele; não vão à Igreja, nem à Missa, nem se confessam, nem comungam.
Dizem que amam, mas não pensam, não falam nem visitam a pessoa amada.
Amar e conhecer Jesus Cristo implica actos concretos, gestos, sinais de amor, vivência, compromisso, adesão interior da mente, da vontade, do coração, da vida.
Amar Jesus Cristo implica
---- Conhecê-lo,
---- Orar,
---- Celebrar a fé pelos Sacramentos,
especialmente a missa TODOS OS Domingos
---- Viver o Evangelho na vida concreta de cada dia.
Amor a Cristo de verdade e não apenas palavras.
Cristão verdadeiro é aquele que mergulha nas águas profundas de Cristo, para depois voltar à tona, transmitindo aos outros um pouco de tudo isso que nosso Cristo é.
Cristo não foi… Cristo é.
Cristo voltou ao Pai, mas continua connosco.
Ele vive, actua, irradia, perdura. Hoje e sempre pelos séculos sem fim. Amigo. Irmão. Glorioso. Imortal. Salvador. Libertador.
Para Conhecer melhor a Jesus Cristo temos de entrar no seu Coração, aproximarmo-nos da Eucaristia, o pão dos fortes, o alimento dos fracos.
Amar a Cristo implica amar a Igreja (Católica ou outra) e amar os outros.
Na bondade que existe à face da terra, percebemos os reflexos do Seu Amor.
Amá-lo, segui-lo, reverenciá-lo, acolhê-lo dentro do nosso coração é um risco e um desafio. Implica renúncia, despojamento, morte ao egoísmo, cruz às costas.
Mas traz alegria, crescimento e paz.
Aquela alegria que não se descreve porque é muito profunda.
Aquele crescimento que realiza a pessoa plenamente que traz o Céu à terra.
Aquela paz e serenidade que enfrenta as tempestades sem sucumbir.
O crescimento traz sempre alguma dor.
Mas há também alegria. Uma pessoa que queira crescer, tem de sofrer, mas isso também lhe trará alegria.
Seguir o Evangelho e a vida de Cristo a sério é correr riscos, traz-nos sempre alguns incómodos, contrariedades, sofrimentos, pode até trazer a morte ao pecado e ao egoísmo, mas traz uma vida maior a quem o conseguir; traz uma esperança maior e uma felicidade que o mundo não pode dar.
E traz-nos, sobretudo a certeza da vitória final chamada Ressurreição.
A verdadeira felicidade passa pelo caminho do sofrimento.
A paz, a luz e a serenidade que o Coração de Jesus irradia, compensam a dor no crescimento e os cansaços do dia-a-dia.

Roque Schneider, S.J

sexta-feira, 28 de maio de 2010

ESPIRITUALIDADE (1)

albanosousanogueira@sapo.pt
http://operfumededeus.blogspot.com


Uma dimensão muito importante da vida humana é a espiritualidade, a ligação ao divino, ao transcendente, a fé e a prática religiosa.
Esta é uma “sala” que tantos homens e mulheres nunca usam.
Talvez seja a mais bela “sala” da nossa vida e que tantos e tantos, desgraçadamente, nunca usam e vivem com uma riqueza dentro de si que nunca beneficiam.
Vivem sem interioridade, sem fé, sem dimensão religiosa.
Deus é uma realidade essencial para dar sentido à vida humana na sua totalidade: à vida corporal, à vida intelectual, à vida afectiva, à vida pessoal, familiar, comunitária, nacional, internacional;
e a dar sentido à morte.
A fé em Deus é fonte de vida abundante, fonte de esperança, fonte de amor. E faltando Deus, falta essa vida mais abundante,
falta esperança, falta AMOR.
A oração é uma dimensão fundamental
que ilumina e dá sentido à vida e à morte.
Mas a oração não pode ser feita por obrigação.
A oração tem de ser feita por necessidade:
eu preciso de Deus, eu preciso de rezar.
Eu preciso de acreditar e acreditar bem, de forma correcta.
Não seguir crendices, superstições, magias,
feitiçarias, horóscopos, videntes, bruxarias.
Tudo isso é fantasia, ilusões, mentiras.
Acreditar no Deus vivo e verdadeiro
revelado por Jesus Cristo
e transmitido de geração em geração pela Igreja Católica,
fundada por Jesus Cristo.
Entrar no quarto, numa sala, numa igreja
e ter esse encontro pessoal e individual com Deus Pai,
com Jesus Cristo e sentir-se amado por Deus.

E quem é Deus?
Eis a grande pergunta que se põe a todos os homens:
Quem é Deus?
A resposta a esta pergunta será a grande resposta.
Pedimos a colaboração da inteligência humana:
sábios e sábios pensaram em Deus.
Pedimos a colaboração da Revelação e da Fé.
E respondemos à grande pergunta:
Deus é o Princípio e o Fim de tudo. E alfa e ómega.
Deus é o Imutável e o Eterno. É Aquele que é.
Em Deus, há toda a perfeição e não precisa de mais perfeição.
Deus é a Santidade, a Bondade, a Justiça, a Beleza, o Amor.
Deus é VIVO e possui Vida em si.
Deus é o Criador e Senhor do Universo.
Tudo quanto existe, existe por Ele e por Ele continua a existir.
Sem Deus, tudo desapareceria.
Deus é o insondável, o Mistério (ninguém, enquanto simples homem existente na Terra, O viu a não ser Jesus).
Jesus é a revelação de Deus.
Jesus ensinou-nos a chamar a Deus Pai.
Deus é a Verdade para a inteligência,
mas a Verdade que se aceita enquanto se vive.
Deus dá um sentido diferente à vida do Homem.
Deus é Amor.
Anda interessado com a humanidade,
quer o bem da humanidade, chama a todo para Si.
Podemos pensar no que é belo, santo, justo e bom...
Deus é mais que isso.
Deus não se pode esculpir, nem pintar ou desenhar.
Deus é Espírito.
Mas cada um possui dentro de a imagem de Deus.
Por isso, quando falamos de Deus, sabemos de quem falamos.
Lentamente, Deus se nos irá revelando já na Terra.
Vê-Lo-emos face face no Céu.

«««««««««««««««««««««««««««««««««
QUANTO MAIS INTERIORIDADE,
MAIS PESSOA SOMOS.
________________
Pe. Albano Nogueira
(continua)

quarta-feira, 19 de maio de 2010

4- A MARAVILHA CHAMADA CORPO

(P. Zezinho, Se eu pudesse falar aos jovens, ed Paulistas)

O corpo humano é importante e maravilhoso e pode ser estudado pela biologia, física, química, psicologia, filosofia, antropologia, teologia, etc…
O corpo é uma parte importante de ti. Não se deve sobre valorizar, nem desvalorizar, mas aceitá-lo na justa medida.
Se lhe pedes excessos aceitará, por alguns dias, semanas ou meses. Depois começará reagir, a cobrar impostos e juros que podem ser bem altos se os abusos forem muitos.
Bebidas alcoólicas, drogas, tabaco, noites em claro, sexo desregrado, abuso na alimentação, esforço excessivo, comodidades demasiadas, preguiça, tudo isso, mais tarde ou mais cedo exige equilíbrios.
Se não tiveres juízo, acabarás por desrespeitar o teu corpo e com isso correrás o risco de sofrer muito por causa dele.
O corpo não pode ser visto como um objecto, porque está relacionado com o espírito que o deve governar; mas também não deve ser tratado como um deus porque é carnal e terreno.
Quando tu, menina, transformas o teu corpo em objecto ou aceitas o jogo da moda ou da época, o teu corpo pode tirar-te a beleza interior. Muitas pensam que o corpo (beleza exterior) é suficiente para vencer na vida, mas essas depressa ficam sozinhas porque os homens não querem viver muito tempo com uma mulher que só tivesse um corpo para oferecer…
O teu corpo é um óptimo servidor e um péssimo patrão. Se o valorizares demais, depressa te sentirás desvalorizado; se o desprezares, acabarás por te sentires aniquilado em pouco tempo.
RESPEITA O TEU CORPO E SERÁS GENTE.
O erro de muita gente é pensar que o Homem é apenas um corpo.
O valor da pessoa não está na aparência física…
Há jovens (e adultos) insatisfeitos com o seu corpo: pensam que não são bonitos, que são muito gordos ou muito magros; ou que têm algum defeito físico; pensam e vivem segundo os critérios mundanos e os padrões artificiais de beleza criados pela sociedade e pelas modas… Gente assim nunca vai ser feliz na sua profundidade.
Em vez disso, os jovens, e adultos, deviam era valorizar o seu interior: amor, bondade, amizade, compreensão, ternura, perdão, diálogo, serviço, dedicação, fidelidade, humildade.
A felicidade não está tanto no corpo físico exterior, mas naquilo que é interior.
É com tristeza que oiço certas conversas entre as pessoas onde se valoriza apenas o exterior, a aparência, a superficialidade…
Essa gente não entende o evangelho, não entende a mensagem de Jesus Cristo, apenas vive no vazio da sociedade materialista e consumista de aparências e superficialidades, como quem aprecia uma maçã apenas pela aparência, e não se preocupa se ela está sã ou apodrecida por dentro…
Quantas vezes uma peça de fruta parece tão bonita por fora, mas por dentro está verde, estragada e não presta.
Assim um cristão católico deve aprender a valorizar os valores e qualidades do seu interior e do interior dos outros.

(P. Zezinho, Se eu pudesse falar aos jovens, ed Paulistas)

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A UM CASAL DE NAMORADOS QUE ESTÁ A PRECISAR DE MENTIR


(P. Zezinho, Se eu pudesse falar aos jovens, ed Paulistas)

Muitos jovens têm muitos namorados antes de casar.
Namoram, separam, namoram com outro(a), etc, muitas vezes…
Têm envolvimento sexual com (quase) todos.
Os pais não sabem… Iriam complicar, dar sermão, não entenderiam…
Os jovens não contam a verdade aos pais…
Dizem que se amam, que fazem tudo por amor, mas acham que os pais iriam recriminar.
Vivem como se estivessem casados, dizem que o importante não é o papel…
O importante é o amor…
Têm relações sexuais antes do casamento e acham que o amor que têm um pelo outro justifica tudo.
É tudo natural porque, dizem eles, que se amam muito…
Mas não querem casar…
Mas se se amam assim tanto, porque é que não casam, porque não se comprometem?!...
Há namorados que se envolvem por amor, mas há outros que o fazem por egoísmo, por imaturidade, infantilismo.
Muitos estão convencidos que se amam mutuamente e, por isso, entregaram-se totalmente um ao outro.
O que diz a doutrina cristã? Esse tipo de relacionamento, o cristianismo, seguindo os ensinamentos de Jesus Cristo, desaprova-o e Jesus Cristo não o tolerava.
Sexo antes do casamento, por mais livre e puro que pareça, contém uma boa dose de egoísmo e alguns riscos.
É bom que os namorados estejam preparados para isso. Há muitas consequências de um relacionamento entre namorados como se estivessem casados: gravidez, aborto, casamento apressado, namoro desfeito, desgosto de uma entrega fora de horas e à pessoa errada, falta de preparação para o futuro, falta de diálogo espiritual substituído pela ilusão do sexo.
Se, contudo, vós não conseguis mesmo esperar, deixai de mentir aos vossos pais.
Os pais têm o direito de saber o que se passa com os seus filhos e filhas. Eles têm sonhos, projectos, esperanças para os seus filhos e se se esconde algo aos pais é sinal de que esse amor não é tão puro, tão sincero, tão livre como vós, namorados dizeis…
Sexo também é questão de honestidade e quando os jovens escondem dos pais a situação em que se encontram podemos estar perante uma desonestidade, uma falsidade para com os pais…
Sei que esta linguagem não agrada a muitos filhos, nem a muitos pais, mas pouco me importa com isso.
Há coisas que se podem e devem falar na hora certa, ainda que isso vá contra a corrente, contra a onda da maioria.
Neste aspecto a doutrina da Igreja Católica vai contra a corrente, contra a maioria.
Mas em matéria de moral, a Igreja não segue a ideia da maioria.
A maioria pode estar errada e a Igreja católica não segue as estatísticas, as correntes sociais…
Procura seguir Jesus Cristo e ser fiel ao evangelho ainda que também ela cometa erros e tenha pecados…
Deus, Jesus Cristo e a Igreja Católica querem o melhor para os seus filhos, por isso, dizem NÃO a certas coisas que parecem boas, mas muitas vezes, não são. O que a Igreja Católica proclama não parece bom, mas é mesmo...
A Igreja Católica não ensina o que parece ser bom, mas o que é mesmo bom, o melhor... E no campo da sexualidade isso acontece mesmo...
(P. Zezinho, Se eu pudesse falar aos jovens, ed Paulistas)
P. Albano Nogueira

quinta-feira, 6 de maio de 2010

NAMORO CRISTÃO


(P. Zezinho, Se eu pudesse falar aos jovens, ed Paulistas)

Hoje os jovens começam a namorar muito cedo.
Alguns aos 13, 14 anos já começam aos beijos, aos abraços, a ter intimidade com pessoas do sexo oposto numa amizade cada vez mais profunda, indo, tantas vezes, longe demais por serem muito precoces.
A adolescência é o tempo da descoberta do amor, das emoções, das paixões, da atracção pelo sexo oposto.
Isso é normal.
O problema é quando os jovens se isolam num relacionamento a dois sem o devido acompanhamento pelos pais.
Muitas vezes o primeiro namoro não é a pessoa ideal, por isso, as devidas cautelas que os jovens deviam ter, mas não têm.
Tudo começa pela curiosidade, a ilusão, a fantasia, a ingenuidade, surpresa e chega-se tantas vezes à decepção por coisas que não se deviam fazer e se têm de esconder certas atitudes dos pais.
Os jovens vivem um tempo de sonho, de ilusão e entregam-se a quem não deviam e depois vem a realidade, a desilusão e, tantas vezes, a separação.
O primeiro amor leva os jovens a viver loucamente essa paixão, a fazer dessa pessoa o “tudo” da sua vida e tudo o resto se torna secundário, sonha-se com um(a) namorado(a), mas a realidade torna-se bem diferente e bem dura.
A vida vai ensinando aos jovens que namoram que amar nem sempre é ficar perdidamente louco por alguém, mas aprender a conviver inteligentemente com uma pessoa amada, mas com falhas, sujeita a mudança.
Os tempos antigos mudaram, mas as consequências são muito mais negativas do que positivas.
O importante no namoro, não são os momentos de intimidade que se trocam entre homem e mulher, mas os momentos de diálogo em que um valoriza o outro, ajuda o outro a aperfeiçoar-se, a conhecer-se melhor, a valorizar-se mais e a melhorar a sua forma de pensar, agir e ser.
O namoro devia ser para ajudar a tornar o outro melhor, cada um que se conhece, dá a conhecer ao outro e conhece o outro.
EM VERDADE…
Hoje sabemos que entre namorados HÁ MUITA MENTIRA, MUITOS SEGREDOS, muitas coisas que se fazem e que se escondem ao outro(a).
Um relacionamento rodeado de mentiras não vai dar certo no futuro…
O mal está em que tantas meninas e rapazes que ainda são adolescentes e já estão a assumir atitudes de gente adulta. Há um tempo para tudo…
Muitos dizem: QUE É QUE TEM? TODA A GENTE FAZ ISSO HOJE EM DIA…
Se é mal, ainda que toda a gente faça, mal é mal...
A vida costuma exigir indemnização do mau uso das suas potencialidades.
Há limites e os limites certos não são os que os jovens estabelecem.
O namoro cristão devia ser puro e inteligente, sério, responsável.
Nada se perde com o fazer bem as coisas e muito se perde ao fazer mal as coisas.
Antigamente havia muitas proibições, agora, nada é proibido, vale tudo…
O problema é que os jovens com este comportamento de libertinagem sexual, não são mais felizes. Podem ter mais prazer, mas são mais infelizes, têm mais desgostos, mais desilusões, mais fracassos nos seus relacionamentos, mais “bandalheira”, mais promiscuidade, mais vazio interior.