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terça-feira, 10 de março de 2009

RECONCILIAR-SE

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albanosousanogueira@sapo.pt


Quaresma é tempo de cada um se reconciliar, pacificar, renovar, se comprometer com o Reino de Deus. Isso passa muito pelo sacramento da confissão, reconciliação ou penitência.
Confessamo-nos porque somos pecadores, como dizemos na confissão: “pequei muitas vezes por pensamentos, palavras, actos e omissões”.
Pecar é ofender a si mesmo, aos outros e a Deus.
A pessoa (homem e mulher) é um ser de relações. A sua identidade humana e cristã está no seu relacionamento com os outros e com Aquele que é Totalmente Outro (Deus) por ser totalmente diferente de nós.
A criança só se descobre a si mesma na medida em que se relaciona com a mãe, o pai, os irmãos, os outros, etc. Descobre o seu “EU” em contacto com os outros “EU”. Somos seres sociais que nos relacionamos uns com os outros.
O mesmo se diga em relação a Deus: o ser humano foi criado por Deus para se relacionar com Ele. Deus criou cada pessoa (por meio dos nossos pais), mas a vida é uma dádiva de Deus que ao criar-nos quer estabelecer laços de relação entre nós e Deus e a nossa identidade mais completa implica o relacionamento com Deus.
Estas relações comigo mesmo, com os outros e com Deus podem ser afectadas pelo pecado e eu deixo de ter uma relação harmoniosa e serena comigo, com os outros e com Deus e, pelo pecado, passo a ter uma relação de conflito ou até uma ruptura de relações.
Cada um devia progredir espiritualmente como quer progredir materialmente. Para haver progressão implica ascética, esforço, decisão, compromisso com o bem, luta contra o mal, propósito firme de emenda.
A nossa saúde espiritual é um pouco como a nossa saúde corporal: ou melhora ou piora. Quando vem uma doença, ou temos uma ferida, ou isso passa e melhoramos ou não passa e a doença agrava-se e pioramos.
O mesmo se diga na saúde espiritual. O pecado torna-nos doentes. A graça divina renova-nos. Se fazemos uma acção má, ou uma má palavra, ou um mau pensamento, se não melhoramos e cortamos com esse mal, o mal vai agravar-se e vamos passar a ter mais más palavras, maus pensamentos, más acções.
Por isso, é que não nos devíamos alegrar com a nossa mediocridade espiritual.
A Igreja apresenta sete pecados capitais: soberba, avareza (ganância), luxúria, ira, gula, inveja e preguiça.
1- Pecado da Soberba, orgulho, vaidade, considerar-se superior aos outros, não precisar deles, nem de Deus (máxima soberba)... Virtude da humildade…
2- Pecado da Avareza, ganância, egoísmo, nada partilhar com os outros, guerras entre famílias por heranças, guerras com vizinhos… Virtude da liberalidade, generosidade.
3- Pecado da Luxúria, abuso da sexualidade no namoro, no matrimónio, infidelidades, homossexualidade, aborto… Virtude da castidade, pureza…
4- Pecado da Ira, zangas permanentes, rivalidades, violências, guerras, vinganças, atentados à vida, homicídios, terrorismo… Virtude da paciência…
5- Pecado da Gula, abuso da comida, da bebida, dos bens materiais, das compras… Virtude da moderação, da temperança…
6- Pecado da Inveja. Rivalidade com os outros, sentir-se mal com o bem e o progresso dos outros, querer aquilo que é dos outros. Virtude da caridade, amor desinteressado aos outros.
7- Pecado da Preguiça. Não querer trabalhar, mediocridade de vida, indiferença. Virtude da diligência, do trabalho, do esforço pessoal.
Destes pecados capitais vêm todos os outros.

P. Albano Nogueira

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