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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A SALA QUE POUCO USAMOS (4)

albanosousanogueira@sapo.pt
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2- A INTELIGÊNCIA HUMANA E A RESPONSABILIDADE (3)
A propósito da liberdade humana, vejamos o que nos diz o Catecismo da Igreja Católica: Deus criou o homem racional, conferindo-lhe a dignidade de pessoa dotada de iniciativa e do domínio dos seus próprios actos. «Deus quis deixar o homem entregue à sua própria decisão, de tal modo que procure por si mesmo o seu Criador e, aderindo livremente a Ele, chegue à total e beatífica perfeição».

I.Liberdade e responsabilidade
A liberdade é o poder, radicado na razão e na vontade, de agir ou não agir, de fazer isto ou aquilo, praticando assim, por si mesmo, acções deliberadas. A liberdade é, no homem, uma força de crescimento e de maturação na verdade e na bondade. E atinge a sua perfeição quando está ordenada para Deus, nossa bem-aventurança.
Enquanto se não fixa definitivamente no seu bem último, que é Deus, a liberdade implica a possibilidade de escolher entre o bem e o mal, e portanto, de crescer na perfeição ou de falhar e pecar. É ela que caracteriza os actos propriamente humanos. Torna-se fonte de louvor ou de censura, de mérito ou de demérito.
Quanto mais o homem fizer o bem, mais livre se torna. Não há verdadeira liberdade senão no serviço do bem e da justiça. A opção pela desobediência e pelo mal é um abuso da liberdade e conduz à escravidão do pecado.
A liberdade torna o homem responsável pelos seus actos, na medida em que são voluntários. O progresso na virtude, o conhecimento do bem e a ascese aumentam o domínio da vontade sobre os próprios actos.
Toda a pessoa humana, criada à imagem de Deus, tem o direito natural de ser reconhecida como ser livre e responsável.

II. A liberdade humana e pecado
A liberdade do homem é finita e falível. E, de facto, o homem falhou. Livremente, pecou. Rejeitando o projecto divino de amor, enganou-se a si mesmo; tornou-se escravo do pecado. Esta primeira alienação gerou uma multidão de outras. A história da humanidade, desde as suas origens, dá testemunho de desgraças e opressões nascidas do coração do homem, como consequência de um mau uso da liberdade.
O exercício da liberdade não implica o direito de tudo dizer e fazer. É falso pretender que «o homem, sujeito da liberdade, se basta a si mesmo, tendo por fim a satisfação do seu interesse próprio no gozo dos bens terrenos».
Afastando-se da lei moral, o homem atenta contra a sua própria liberdade, agrilhoa-se a si mesmo, quebra os laços de fraternidade com os seus semelhantes e rebela-se contra a verdade divina.
Libertação e salvação. Pela sua cruz gloriosa, Cristo obteve a salvação de todos os homens. Resgatou-os do pecado, que os retinha numa situação de escravatura. «Foi para a liberdade que Cristo nos libertou».
Foi-nos dado o Espírito Santo e, como ensina o Apóstolo, «onde está o Espírito, aí está a liberdade» (2 Cor 3, 17). Já desde agora nos gloriamos da «liberdade dos filhos de Deus».
Liberdade e graça. A graça de Cristo não faz concorrência de modo nenhum, à nossa liberdade, quando esta corresponde ao sentido da verdade e do bem que Deus colocou no coração do homem. Pelo contrário, e como o certifica a experiência cristã sobretudo na oração, quanto mais dóceis formos aos impulsos da graça, tanto mais crescem a nossa liberdade interior e a nossa segurança nas provações, como também perante as pressões e constrangimentos do mundo exterior. Pela acção da graça, o Espírito Santo educa-nos para a liberdade espiritual, para fazer de nós colaboradores livres da sua obra na Igreja e no mundo:

(continua)
Padre Albano Nogueira

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A SALA QUE (QUASE) NUNCA USAMOS 3

2.2. A INTELIGÊNCIA (2)
htt://operfumededeus.blogspot.com
Há uma visão cristã do corpo humano como templo, morada do Espírito Santo.
O corpo como algo de sagrado, de muito digno.
S. Paulo, nas suas cartas, diz que o corpo não é para a imoralidade, mas merece todo o respeito porque é um lugar onde Deus mora, onde Deus habita.
Infelizmente, há muitas situações em que a pessoa não reconhece nem a sua própria dignidade, nem a dignidade dos outros.
Não reconhece que Deus mora em nós e nos outros.
Em muitos casos não se respeita a vida, não se respeita a saúde, a integridade física, não se respeitam os idosos, não se respeitam os bens dos outros, não se respeita a dignidade humana, não se respeitam os direitos humanos, etc.
Há uma visão cristã do corpo e uma visão cristã da inteligência.
Esta tanto pode ser usada para o bem, como para o mal.
É a fé cristã e o evangelho que iluminam a pessoa e o seu pensar para que ele seja usado para o bem.
No sinal da cruz fazemos uma cruz na testa.
Nessa altura estamos a pedir a Deus que nos ajude a ter boas ideias, bons pensamentos, para escolhermos o melhor bem.
A filosofia diz: “O Homem é um animal racional”.
É uma definição insuficiente, pobre, limitada.
O que é que ajuda a distinguir e a perceber quando se usa a inteligência para o bem ou a inteligência para o mal?
A inteligência humana só por si, não consegue distinguir o bem e o mal.
Ela precisa de uma luz superior que a ética e a moral (cristã) dão para se saber usar a inteligência para o bem e não para o mal.
A pessoa é naturalmente egoísta, centrada em si mesma, preocupada em primeiro lugar consigo mesma.
A preocupação pelos outros não é natural. Fazer bem aos outros e esquecer-se de si mesmo, não é natural. Há uma tendência ontológica, essencial para o egoísmo, para a sobrevivência e a luta por si mesmo, por vezes, passando por cima dos direitos dos outros.
A Bíblia diz: “O Homem é uma imagem e semelhança de Deus”.
Ou seja, não basta ser racional, inteligente.
Não basta desenvolver o corpo e a inteligência.
É preciso ser imagem e semelhança de Deus, parecido com Deus, com Jesus Cristo que passou a vida fazendo o bem.
É preciso ser mais que inteligente: SER SÁBIO, ter a sabedoria da vida, ter a sabedoria cristã que leva a entender a vida e a pessoa humana mais profundamente como imagem e semelhança de Deus.
Meu irmão, minha irmã, estamos a começar a quaresma.
Aproveita este tempo favorável para te absteres do mais importante.
O mais importante não é abster-se de carne às sextas-feiras da quaresma.
O mais importante é a abstinência do egoísmo, do pecado, de todo o mal.
Usa a tua inteligência para o bem, não apenas o teu próprio bem, porque isso é egoísmo, mas para o bem comum e o bem dos outros.
Lê a Bíblia, a Palavra de Deus, lê bons livros de formação humana e cristã para seres inteligente, culto, mas também para ganhares sabedoria que te leva a compreender a tua pessoa e a pessoa dos outros, compreender a tua vida e a vida dos outros.
Para compreenderes que precisas de Deus, da fé, do divino Espírito Santo, da Igreja Católica para te saberes conduzires nos caminhos da vida de forma verdadeiramente LIVRE…
Não como a sociedade diz, mas como Jesus Cristo diz: não basta ter liberdade.
É preciso que sejas LIVRE.
Usa a tua inteligência para perceberes sabiamente esta distinção.
Esse é uma dos maiores desejos de Deus a teu respeito: quer que tu sejas VERDADEIRAMENTE SÁBIO E VERDADEIRAMENTE LIVRE.

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Não te esqueças:
QUANTO MAIS EXTERIORIDADE, MENOS PESSOAS SOMOS
E MAIS OBJECTO (COISA) SOMOS OU NOS TORNAMOS.
QUANTO MAIS INTERIORIDADE, MAIS PESSOA SOMOS.
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(continua)
Padre Albano Nogueira

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A SALA QUE (QUASE) NUNCA USAMOS 2


2- A INTELIGÊNCIA

Uma das características do ser humano é ser racional, inteligente, criador e criativo, inovador.
O seu cérebro é uma maravilha difícil de compreender.
Além de ser corpo, o ser humano é inteligente, pensa, raciocina.
É outro “andar” do edifício humano, outra “sala” da casa única que é cada pessoa.
O ser humano deve desenvolver a inteligência.
Aprender, ler, estudar.
Mas não se devia só estudar por obrigação, ler por obrigação, aprende por obrigação.
Devia desenvolver-se a inteligência, o conhecimento, de forma livre, voluntária e aprender a conhecer a pessoa humana.
Estudar para conhecer a sua psicologia, a sua forma de ser e pensar como homem, como mulher nos seus momentos e idades de diferentes desenvolvimentos.
Seria bom que as pessoas lessem livros e revistas boas de ciências humanas e religiosas.
Conhecer a fé, a religião, o Deus revelado, etc.
Ler livros e revistas de espiritualidade, ler a Bíblia.
Ter cultura religiosa. Há tanta ignorância religiosa.
Esta é uma “sala”, uma dimensão da nossa vida da qual se usa apenas uma parte. Estuda-se na escola para passar, por obrigação, de forma contrariada.
O que eu sugiro é que as pessoas aproveitem este tempo litúrgico da Quaresma para leir bons livros de formação integral ao longo de toda a vida. Não ler apenas as revistecas baixas e ditas “cor-de-rosa” que vasculham a vida da pessoa.
Ler livros e revistas que elevem a pessoa e não aquelas que despem a pessoa da sua dignidade e a degradam cada vez mais.
Ler, estudar, meditar no silêncio do seu quarto, da sua sala.
As pessoas têm cada vez mais cultura científica, escolar, mas têm cada vez menos conhecimento de si mesmo, dos outros e de Deus, da religião, da fé cristã católica.
Há muita ignorância de coisas essenciais, fundamentais e muitos conhecimentos exteriores, do mundo.
Há gente que passa pela vida sem saber "quem é ele mesmo", “quem é o outro”, sem saber como “funciona” (como é, pensa, age e reage) um homem, sem saber como “funciona” (como é, pensa, age e reage) uma mulher, sem saber “quem é Deus”, “quem é Jesus Cristo”, “quem é a Igreja”, etc…
Um das descobertas mais fascinantes da nossa vida é CONHECERMO-NOS A NÓS MESMOS.
Hoje há muita INFORMAÇÃO nas pessoas, mas pouca FORMAÇÃO.
Então a nível religioso, há uma grande ignorância e desconhecimento nos cristãos católicos do que é ser cristão, seguidor de Jesus Cristo veiculado, transmitido pela Igreja Católica.
A Inteligência é um dom de Deus e fruto do desenvolvimento da pessoa humana. Participação da inteligência divina e, como tal, devia ser usada sempre para o bem.
Meu irmão, minha irmã, aproveita o teu corpo e a tua inteligência durante este tempo da quaresma e da tua vida
PARA FAZERES SEMPRE O BEM SEGUNDO A VONTADE DE DEUS E O EVANGELHO e não tanto segundo a tua vontade.

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Não te esqueças:
QUANTO MAIS EXTERIORIDADE, MENOS PESSOAS SOMOS
E MAIS OBJECTO (COISA) SOMOS OU NOS TORNAMOS.
QUANTO MAIS INTERIORIDADE, MAIS PESSOA SOMOS.
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Padre Albano Nogueira

sábado, 13 de fevereiro de 2010

CARNAVAL

CARNAVAL – A CARA QUE SE ESCONDE, O CORPO QUE SE MOSTRA

O Carnaval é uma festa pagã e como tal, tem muito sucesso.
Tudo o que é tradição pagã é cada vez mais recordado, vivido e desenvolvido pelas pessoas.
É que o paganismo não tinha respeito pelo corpo, pela pessoa, por Deus.
O paganismo é uma crença em diversos deuses, tal como nos tempos do Império Grego e Império Romano.
Crença essa que levava, tantas vezes, a comportamentos que mais tarde foram rejeitados e condenados pelo cristianismo porque não conheciam a novidade trazida por Jesus Cristo que ensinava que o Homem é uma imagem e semelhança de Deus, com uma dignidade excepcional.
O paganismo era um sistema de crenças em deuses cheio de defeitos e pecados (à semelhança dos humanos) que permitiam todos os excessos humanos em todos os campos: excessos no comer, no beber, nos divertimentos, no campo sexual…
O Carnaval são 3 dias de excessos, orgias, escondidos atrás das máscaras. Esconde-se a cara, mas mostra-se o corpo, como se faz, sobretudo nos países quentes.
A festa do Carnaval não é uma festa típica do Brasil. Toda essa farra existe desde a Antiguidade e vem de muito longe.
O Carnaval originário tem início nos cultos agrários da Grécia, de 605 a 527 a.C. Com o surgimento da agricultura, os homens passaram a comemorar a fertilidade e produtividade do solo.
O Carnaval Pagão começa quando Pisistráto oficializa o culto a Dioniso na Grécia, no século VII a.C. e, termina, quando a Igreja Católica adopta a festa em 590 d.C.
O primeiro foco de concentração carnavalesca se localizava no Egipto.
A festa era nada mais que dança e cantoria em volta de fogueiras.
Os foliões usavam máscaras e disfarces simbolizando a inexistência de classes sociais.
Depois, a tradição se espalhou por Grécia e Roma, entre o século VII a.C. e VI d.C. A separação da sociedade em classes fazia com que houvesse a necessidade de válvulas de escape.
É nessa época que sexo e bebidas se fazem presentes na festa.
Em seguida, o Carnaval chega em Veneza para, então, se espalhar pelo mundo. Diz-se que foi lá que a festa tomou as características actuais: máscaras, fantasias, carros alegóricos, desfiles...
O Carnaval Cristão passa a existir quando a Igreja Católica oficializa a festa, em 590 d.C. Antes, a instituição condenava a festa por seu carácter “pecaminoso”.
No entanto, as autoridades eclesiásticas da época se viram num beco sem saída.
Não era mais possível proibir o Carnaval.
Foi então que houve a imposição de cerimónias oficiais sérias para conter a libertinagem.
Mas esse tipo de festa batia de frente com a principal característica do Carnaval: o riso, a brincadeira...
É só em 1545, no Concílio de Trento, que o Carnaval é reconhecido como uma manifestação popular de rua. Em 1582, o Papa Gregório XIII transforma o Calendário Juliano em Gregoriano e estabelece as datas do Carnaval.
O motivo da mobilidade da data é não coincidir com a Páscoa Católica.
Carnaval: carne + vale, quer dizer que se ia entrar num tempo (a Quaresma) em que ia embora a carne, uma vez que era proibido comer carne durante a Quaresma.
Então comia-se em três dias muita carne (daqui Domingo gordo) para depois de fazer abstinência.
Brincar não faz mal. Faz até bem.
O problema é quando as pessoas jogam o Carnaval o tempo todo… Usando máscaras… Escondendo o bem (tendo vergonha do bem) e mostrando o mal (sem vergonha de fazer o mal) …

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QUANTO MAIS EXTERIORIDADE,
MENOS PESSOAS SOMOS E MAIS OBJECTO SOMOS.
QUANTO MAIS INTERIORIDADE, MAIS PESSOA SOMOS.
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p. Albano Nogueira

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A SALA QUE (QUASE) NUNCA USAMOS


CONHECER-SE A SI MESMO(A)

Em quase todas as casas há uma divisão bonita, bem mobilada, larga, espaçosa, com luz solar, boa mobília, boa loiça, bons cortinados, bons quadros, televisão, música, sofás, etc.
Mas há muitas famílias que quase nunca usam essa divisão: é a sala de jantar.
Usa-se a cozinha, os quartos, a garagem, às vezes o sótão, mas raramente usam a sala.
Se calhar é a sala mais bonita, mais cómoda, mas fica quase sempre vazia, por usar…
Temos, mas não usamos…
Somos ricos, mas não usamos a riqueza que temos…
Não damos valor ao que temos e ao que somos…
Este exemplo, nós podemos passá-lo para a nossa vida, para a nossa pessoa.
Na nossa vida pode passar-se algo um pouco parecido.
A nossa pessoa é como uma casa com várias divisões, vários andares, várias dimensões, mas há algumas que usamos pouco ou nada e se calhar falta-nos usar as melhores, mas mais bonitas.

Nós somos corpo (matéria), pensamento, afectividade, interioridade, espiritualidade.

1- O CORPO é a expressão visível de todas as outras dimensões.
Vivemos num mundo muito materialista que valoriza muito (até demais) o corpo: comer, beber, dormir, trabalhar, divertir-se, prazer, desporto, gozar (onde entra a sexualidade, a droga), beleza.
Mas em relação ao corpo esquece-se a dimensão mais espiritual do corpo: a linguagem do corpo de forma mais profunda: olhar, sorriso, carinho, ternura.
Hoje, adora-se o corpo, faz-se tudo para bem do corpo na sua dimensão materialista.
Procura-se os prazeres corporais, tantas vezes até ao excesso que correm o risco de degradar a pessoa humana e a tornar dependente de vícios.
O corpo é importante, devemos cuidar dele se estiver doente, devemos protegê-lo, defendê-lo, evitar os vícios e as dependências, mas não se pode fazer sempre a vontade ao corpo.
Muitas vezes tem de se contrariar os apetites corporais.
Não podemos ser escravos do corpo e dos seus apetites.
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QUANTO MAIS EXTERIORIDADE,
MENOS PESSOAS SOMOS E MAIS OBJECTO SOMOS.
QUANTO MAIS INTERIORIDADE, MAIS PESSOA SOMOS.
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(CONTINUA)

Pe. Albano Nogueira

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

6. A EXPERIÊNCIA DE DEUS


A nossa experiência de Deus é dupla:
a) Presença transcendente e imanente de Deus Criador.
b) Presença misericordiosa, cujo amor total nos estabelece num pé de igualdade com Deus: “Já não vos chamo servos, mas amigos” (Jo 15,15), pois o amor cria igualdade: e o amor de Deus, sem limites, foi para isso até à morte e à Eucaristia.
Esta experiência de Deus é mais discreta que a experiência de Deus Criador, pois o amor de Deus esconde-se durante a peregrinação de fé em que Ele nos acompanha.
Ele está junto de nós como uma fonte escondida.
Se Ele se revelasse nós já não seríamos desta terra: “ninguém pode ver a Deus sem morrer”, diz a Bíblia
A experiência de Deus Criador, podemos de alguma maneira aceder a ela, através dos nossos recursos humanos; mas o Amor Salvador é o fruto de um dom gratuito.
Nós temos de realizar em nós a verdade do Amor Salvador.
- Isto supõe a ordem da nossa vida, a sua rectidão, pois os nossos pecados, obscurecem a experiência do Amor misericordioso que nos salva, donde a insistência de Cristo sobre a importância de realizar os seus mandamentos.
- Esta verdade realiza-se pela caridade, pelo serviço dos outros.
- Realiza-se nos actos de culto, onde Cristo constrói e alimenta o Seu Corpo que é a Igreja e o faz frutificar.
- Esta experiência de Deus realiza-se na experiência da fé e quem faz essa experiência aproxima-se da luz.

René Laurentin, A Igreja do Futuro, ed Paulistas, Lisboa, 1991.