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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

APRENDER A PENSAR


Viemos num mundo de informação: pelos jornais, rádio, TV, internet, chegam-nos muitas notícias de acontecimentos de todo o mundo.
Infelizmente, as notícias mais passadas nos meios de comunicação social (MCS) são as negativas: os crimes, as desgraças, a maldade humana, o lado negro das pessoas e da sociedade.
Perante a informação nós deveríamos perguntar: “que mundo é este em que vivemos?”
Como devemos interpretar a informação que nos chega…
Como devemos comportar-nos numa determinada situação?
Há 3 níveis de entendimento:
A informação que nos apresenta os factos em si mesmos e o que aconteceu.
O conhecimento, que reflecte sobre a informação recebida, nos leva a perceber o que é mais ou menos importante e procura princípios gerais para a ordenar.
A sabedoria que nos ajuda a ligar o conhecimento com as opções vitais ou valores que podem escolher, tentando estabelecer como viver melhor de acordo com o que sabemos.
As ciências modernas dão-nos informação e conhecimento.
Mas isso não é suficiente para viver bem, com opções de vida correcta e com valores.
Precisamos de outros apoios como a filosofia, a teologia, a moral católica, para vivermos de forma sábia, isto é, com sabedoria.
Como diz o ditado, não basta viver.
É preciso saber viver…
Há gente que tem muita informação, muitos conhecimentos, muita cultura intelectual, mas falta-lhe sabedoria de vida, valores, opções de vida correctas.
Há gente com pouca informação, poucos conhecimentos, mas muita sabedoria de vida, muitos valores e opções correctas nas suas vidas.
Uma vida sem reflexão não vale a pena viver.
A pessoa deve fazer perguntas e procurar respostas.
Fazer perguntas sobre coisas essenciais da vida e deve procurar respostas completas e verdadeiras e saber que há muitas respostas falsas para problemas importantes da vida…
Muita gente não pergunta; outros perguntam, mas não procuram respostas.
Aceitam o que todos dizem, sem discutir, sem duvidar.
A Igreja Católica e o cristianismo têm respostas verdadeiras e completas para as perguntas mais profundas e essenciais que a pessoa humana faz.
Hoje é muito importante ensinar as pessoas a pensar.
Educar hoje é também ensinar a pensar e pensar ajuda a pessoa a humanizar-se.
Hoje tanta gente deixou de pensar!...
Vai com as modas, as ondas, na propaganda, na publicidade.
Viver e pensar.
Viver e perguntar.
Viver e responder.
Viver e saber.
SABER VIVER…

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

MISTÉRIO DE DEUS – 3



“Porque é que Deus, tão essencial, o único essencial,
o Único a existir por Ele próprio
e a Fonte permanente de toda a existência, é tão esquecido?”

O porquê do esquecimento de Deus?
Isto tem a ver com as ideias que se foram espalhando e com a cultura.
Eu penso, Eu existo –
Esta lógica tendia a fazer do homem a medida de todas as coisas, a esvaziar tudo aquilo que o transcende.
Assim, tudo descambou para o racionalismo: o que vale é a razão humana, a sua inteligência.
A razão pode alcançar toda a verdade.
Só se deve confiar na razão e não confiar nos dogmas religiosos.
Depois passa-se ao subjectivismo: o que conta é o sujeito.
As realidades são todas subjectivas quer para o sujeito, quer em si mesmas.
Não há realidades objectivas.
Depois segue-se o agnosticismo (diz que o ser humano não consegue alcançar um conhecimento absoluto sobre certos fenómenos, tal como Deus e o sobrenatural) ou ateísmo (nega a existência de Deus, valoriza só a vida terrestre) e materialismo dialéctico (tudo se reduz à matéria.
Os valores supremos são os bens materiais, o dinheiro, o prazer, o poder, o sucesso, a fama.
Toda esta mentalidade foi afastando Deus da vida das pessoas que passaram a dar mais importância à ciência, à técnica, ao progresso.
Tudo isso é bom e Deus quer que o homem progrida, que domine a terra e o universo com a inteligência que é um dom de Deus.
O problema é que a ciência e a técnica entusiasmaram ou concentraram o homem na matéria.
Toda a preocupação e sabedoria foram ter mais meios para dominar a matérias.
E só a sabedoria e ciência que dominam a matéria é que foi valorizada. Até o homem passou a ser entendido apenas no seu aspecto técnico, material.
A eficácia material desagregou o Homem porque lhe faltou uma Sabedoria.
Hoje há muita informação, muita formação humana;
muito conhecimento técnico e científico,
mas falta a SABEDORIA que é dom do Espírito Santo, dom de Deus.
O progresso tornou-se ambivalente (mistura de bem e de mal).
Os humanismos não criaram um paraíso na terra.
A violência, a insegurança, as guerras, o terrorismo, as doenças, a destruição da natureza (poluição dos mares, rios, lagos, incêndios, destruição da camada protectora do ozono, aquecimento global, destruição das florestas) aumentam cada vez mais.
O esforço e o progresso humano são admiráveis em muitos aspectos, mas são mesquinhos porque esquecem o essencial: Deus.
A nossa civilização ocupa-se dos “mecanismos”, mas esquece o “ser”. Ocupa-se do “como”, mas esquece o ”porquê”.
Porque é que existem as coisas em vez do nada.
Onde está a razão de ser do mundo e das pessoas?
Este mundo não tem a razão de ser nele mesmo.
Tudo nele é contingente, tudo nele é dependente.
Se este mundo vem do não-ser (não existia antes de existir).
Logo, alguém lhe deu o ser e Esse alguém nós católicos chamamos Deus; e vai para o não-ser através da degradação progressiva da energia.
A ciência moderna nunca chegará a perceber a perceber que o cosmos existe por acto de amor livre e gratuito de Deus que deu o ser ao não-ser.
O homem progride no aspecto científico, mas regride na sua referência ao essencial, a sua dimensão espiritual ligada a Deus.

P. Albano Nogueira
(continua)

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

MISTÉRIO DE DEUS – 2



“À procura de Deus andamos todos…”

O homem, será a resposta para tudo?
Já no tempo do áureo da civilização grega, Protágoras, 492 a.C., um filósofo dizia que “o homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são."
Claro que esta afirmação foi feita por alguém cujo único horizonte é este mundo, em que o homem só conta com a sua opinião e nem sempre conta com a opinião dos outros.
É uma frase em o relativismo é aceite na sua expressão máxima.
Vale tudo, tudo está certo, tudo é bom.
É a ditadura do relativismo de que fala o Papa Bento XVI.
Se o homem é a medida de todas as coisas, as leis, as regras, as culturas podem ser determinadas pelos homens sem uma relação a um ser divino.
A mentalidade moderna é que o homem tem e é resposta para tudo.
Só o homem, diz a época moderna, libertado pela “morte de Deus”.
São os humanismos que já vêm do tempo da Renascença – séc. XIV-XVI. Deu-se um regresso ao paganismo.
Colocou o homem no centro do mundo (antropocentrismo) e não já Deus (teocentrismo).
Depois vem o séc. XVII e XVIII com novos filósofos que instalou a dúvida metódica, com o século das luzes, onde a Enciclopédia proclamou um novo saber universal que desembocou em violências irracionais, como a Revolução Francesa que proclamou os direitos do Homem, mas massacrou, sem escrúpulos, muitas vezes sem julgamento, os homens que pareciam incómodos a esta causa.
O século XIX é outra etapa na tentativa da “morte de Deus” com o marxismo.
Com a ideia da libertação de Deus e da religião a revolução marxista trouxe perseguições, prisões e morte a milhões de pessoas.
O homem moderno encerrou-se num humanismo fechado.
Libertou-se de Deus e tentou encontrar em si mesmo a resposta aos seus problemas.
O homem passou a adorar-se a si mesmo.
A nossa sociedade moderna dos meados do séc. XX e deste séc. XXI apresenta-nos até onde nos pode levar esta mentalidade humanista sem Deus, sem moral, sem ética, sem religião, sem valores profundos…
Toda a crise moderna tem a ver com uma sociedade centrada só na pessoa humana esquecendo as suas raízes judaico-cristãs, uma sociedade materialista, consumista, escrava do lucro onde o lucro, a especulação, o dinheiro ditam leis sem ter muito em conta os direitos e a dignidade das pessoas.
Como já ouvimos dizer muitas vezes: a crise dos tempos actuais não é só financeira, económica, mas também crise ética, crise moral, crise de valores humanos e cristãos.
A economia separou-se da ética; a política faz-se sem ética, a publicidade e a propaganda são agressivas, sem ética, sem verdade, sem vergonha e esmagam os mais distraídos que se deixam engolir pela propaganda.
A autonomia das realidades temporais é importante e necessária, mas não se pode absolutizar a ponte de escravizar as pessoas e não as respeitar nos seus direitos.

Pe. Albano Nogueira

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O MISTÉRIO DE DEUS – 1

albanosousanogueira@sapo.pt

“Queria encontrar Deus…
Tanto O procuro
Será que O encontro?”

Deus é um mistério que não se impõe por si mesmo a ninguém.
A Sua revelação é sempre indirecta e implica que a pessoa tenha uma certa pré-disposição para as realidades espirituais que ultrapassa a realidade material, visível, palpável e que se pode.
Hoje assiste-se a um certo vazio de Deus e quando se fala em Deus, fala de um Deus distorcido e deturpado pelo desconhecimento e ignorância.
Os cristãos deveriam ser ensinados a OLHAREM O MUNDO COM O OLHAR DE DEUS, que é bem diferente do homem entregue a si mesmo.
Só Deus nos concede a graça de contemplar a VERDADE segundo a Sua luz que é Amor.
Na verdade, tudo vem do Amor (Deus) e tudo se encaminha para o Amor (Deus):
Amor do Deus Criador (Deus Pai),
Amor do Deus Salvador (Deus Filho – Jesus Cristo) que deu a Sua vida pelos seus amigos;
Amor do Deus Santificador (Deus Espírito Santo) que actualiza em cada lugar e em cada tempo a salvação divina aplicada a cada pessoa.
Que faremos nós deste amor?
É a questão que Deus nos põe.
Um cristão tem de saber olhar o mundo e as pessoas como Deus os olha; mas, para isso, tem de saber olhar para Deus, na Sua relação connosco, com o mundo que Ele criou.
Porém, tudo isto é muito estranho ao nosso mundo e à nossa cultura, mas é algo de muito essencial: olhar o mundo com o olhar de Deus e olhar Deus, na sua relação connosco.
Deus não é um mito, uma abstracção, uma energia.
Ele é uma FORÇA, Ele é uma FONTE. Ele é ALGUÉM.
Ele está mais próximo de nós do que nós pensamos.
Ao reencontrá-l’O como Princípio (Origem) e Termo (Meta) de todas as coisas, nós alargamos a nossa perspectiva mesquinha até ao mais longínquo passado e até ao mais longínquo futuro para o qual Deus nos chamou.
O importante não é apenas ver e dizer (julgar) que o mundo está mal e que se afastou de Deus.
O importante não é só fazer o diagnóstico e dizer que uma pessoa está doente com tal doença.
Isso é importante, mas depois deve-se fazer todo o possível para se curar e salvar o doente.
O mesmo se diga do Homem de hoje que precisa de Cura e de Salvação.
O Homem está doente e, tantas vezes não se apercebe disso.
Está doente porque cortou com a raiz da vida e a raiz da vida é Deus.
Ao cortar com Deus, tantos homens e mulheres são como flores cortadas, destinadas a secar, a morrer, sem perceber o porquê.
Sem a ligação à VIDA e ao AMOR que é Deus, muitos não encontram o sentido, o rumo para a sua existência.
Acabam por não saberem plenamente qual a sua verdadeira identidade. Saber:
“Quem sou eu?
Que faço aqui neste mundo?
Para que serve a minha vida.
Que fazer para me realizar e ser feliz?
Para onde vou? Que me espera no fim da existência?
Qual o sentido do sofrimento?
Só a fé em Deus permite ajudar a pessoa a responder plenamente a estas perguntas que iluminam, dão sentido e gosto de viver.

P. Albano Nogueira.