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sábado, 28 de fevereiro de 2009

QUARESMA, PECADO E CONFISSÃO

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A quaresma é um tempo especial para a Igreja Católica como caminho de preparação para a grande festa cristã católica- a Páscoa.
O centro de toda a fé cristã é a PÁSCOA: passagem da morte para a vida de Jesus Cristo. Libertação de todos os males humanos. É daí que vem toda a nossa fé, toda a nossa esperança e toda a nossa caridade.
A quaresma é um tempo de preparação interior de libertação e aperfeiçoamento cristão.
Os católicos são convidados a fazer um corte com tudo o que é mau: egoísmo, vícios, defeitos, falhas, pecados. Recorrendo ao sacramento da confissão (ou reconciliação ou penitência), fazendo um propósito firme de emenda para tentar mudar o rumo da sua vida e remediar (compensar) o mal que se fez, caso tenhamos prejudicado alguém.
O mais importante não é a abstinência de carne às sextas-feiras da quaresma (cortar com a carne), mas a conversão da alma e do coração, cortar com o pecado, com o que não presta, como se podam nas videiras os ramos que não deixam a árvore dar bom fruto. O sacramento da confissão pode ajudar a essa mudança de vida seguindo os critérios do Reino de Deus.
O problema é que hoje, muitos católicos já não sabem o que é pecado e para alguns nada é pecado, tudo é permitido, tudo é lícito, tudo se pode fazer… Perdeu-se a consciência do pecado.
O maior pecado da humanidade é ter perdido a noção de pecado.
Segundo o Novo Testamento, o pecado é uma falta de amor em quatro direcções:
1- Pecado é falta de amor a Deus. Não rezar, não praticar a religião. Faltar à missa ao sábado ou ao domingo. Não dialogar com Deus. Ignorar Deus. Viver como se Deus não existisse, sem a Sua influência na nossa vida.
2- Pecado é falta de amor aos outros. Palavrão que ofende os outros, indelicadezas, ingratidões, criticar, desobedecer, murmurar, mentir, magoar, insultar, roubar, prejudicar, explorar, abusar, infidelidades sexuais, destruir, vingar-se, odiar, matar.
3- Pecado é falta de amor a mim mesmo. Palavrão, abusar de comidas, bebidas, vícios e excessos que põem em risco a saúde e a vida nossa e a dos outros, abusar da sexualidade. Estragar, distorcer ou sujar a imagem e semelhança que eu devia ser de Deus e não sou.
4- Pecado é falta de amor à natureza. Poluição, atentados contra o ambiente, incendiar a natureza.
Não se trata de uma lista completa, mas apenas muitos exemplos.
PECAR É NÃO AMAR. Falo de AMOR de verdade. Hoje quando se fala em amor, muitos pensam logo em sexo.
Quando eu não amo a Deus, não amo os outros, não me amo a mim mesmo e não amo a natureza, estou a pecar.
Claro que o pecado tem graus, como uma ferida pode ser mais ou menos grave.
Pecado venial ou leve, pecado grave e pecado mortal.
Diz-se mortal porque corta (mata) a relação com Deus, com os outros, comigo mesmo e com a natureza.
Quem começa por pecar de forma venial, se não se corrigir, corre o risco de pecar de forma grave e até mortal. Uma ferida ou sara ou tende a agravar-se e degenerar em cancro e ser mortal. O mesmo se passa no campo da moral.
Quem começa com um palavrão ou se corrige, ou vai aumentar. O mesmo se diga de quem rouba, de quem mente, de quem engana, de quem abusa.
Meu irmão e minha irmã católicos, procuremos aproveitar este tempo favorável da quaresma. Aproximemo-nos de um sacerdote, reconciliemo-nos, confessemo-nos, façamos um propósito firme de emenda, remendemos o mal feito aos outros (compensando-os ou restituindo se for caso disso) e ficaremos aliviados de tanto lixo que carregamos dentro de nós, que nos intoxica e não nos deixa ter alegria, nem ser felizes. Não nos deixa sermos imagens da beleza, da bondade e da santidade de Deus.


P. Albano Sousa Nogueira

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

OLHAR A QUARESMA POR DENTRO

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A sociedade de hoje e muitos cristãos católicos não conseguem ver por dentro as orientações da Igreja Católica e só conseguem ver por fora certos ensinamentos e práticas religiosas porque vivemos numa sociedade muito superficial e banal.
É uma visão e um entendimento muito pobre de quem não consegue passar do exterior, do visível, para o interior das coisas e das pessoas.
“É por dentro que as coisas e as pessoas são o que são”.
Esta introdução vem a propósito do tempo litúrgico da quaresma que se inicia nesta quarta feira de cinzas: “lembra-te Homem que és pó da terra e ao pó da terra hás-de voltar…”.
As cinzas são um símbolo visível que apontam para outra realidade mais profunda: o Homem é caduco, passageiro, mortal. Não é Deus, não é imortal, não poder de dizer tudo, não pode fazer tudo, não pode experimentar tudo. Há coisas que pode, mas não deve fazer...
Há limites porque o ser humano é limitado.
Hoje muita gente não admite limites ao ser humano, pensa que tudo se pode experimentar, tudo se pode fazer, tudo se pode pensar… Muita gente admite que o Homem é como Deus, todo-poderoso, que tem direito a fazer todas as leis que quiser, seguir todos os comportamentos que quiser, a experimentar tudo o que quiser, sem limites. Muitos dizem: Não há limites. Tudo é permitido, vale tudo… Todos os meios servem para se atingirem os fins…
Quem falar em limites do ser humano, é criticado, mal interpretado, rejeitado, rotulado de antiquado, conservador, ultrapassado, retrógrado, etc… (veja-se agora a lei que querem fazer permitindo o casamento entre pessoas do mesmo sexo...).
Esta ideia de não haver limites ao ser humano tem trazido muitas desgraças para a humanidade.
As cinzas são um símbolo de que o homem é mortal e apontam para Alguém que é Imortal, Infinito, Eterno – Deus.
Quarta-feira de cinzas. Dia de jejum e abstinência. Jejum consiste em tomar uma refeição principal e na outra tomar algo de muito ligeiro. A abstinência na tradição da Igreja consiste em não comer carne na quarta-feira de cinzas e nas sextas-feiras da quaresma. O jejum e a abstinência são um símbolo visível que aponta para outra realidade invisível: domínio de si mesmo, domínio dos apetites, dos desejos, domínio das tentações, domínio de excessos e vícios…
A saúde começa na boca...
A minha opinião é que os católicos devem conservar esta tradição de não comer carne na quarta-feira de cinzas e nas sextas-feiras da quaresma, embora haja outras formas de se fazer abstinência.
Uma pessoa, nas sextas-feiras da quaresma, pode, por exemplo, não beber bebidas alcoólicas, não fumar, reduzir o tempo dado à TV, não tomar café, diminuir uso e dependência do telemóvel, ler bons livros, ler a Bíblia, rezar mais, visitar doentes, idosos, fazer voluntariado, etc.
Outras pessoas podem abster-se do palavrão, da crítica, da murmuração, da mentira, das injustiças, de outros pecados.
Não se trata apenas de não comer carne, mas de dominar o mal que há em nós…
O que se trata é de DOMINAR-SE, não ser escravo da boca, da barriga, dos apetites, dos desejos, das coisas que usamos no dia-a-dia. A razão de ser destas práticas penitenciais da quaresma pretendem levar a pessoa a dominar-se, a controlar-se, a não ser escravo da boca, nem da barriga, das coisas, mas ser senhor das coisas…
Cortar o mal, como se podam as videiras e deixar ficar apenas o bem em nós.
Estas práticas pretendem ajudar os católicos a fazerem um esforço de se dominarem, de se aperfeiçoarem, de serem mais livres, de serem mais perfeitos, mais santos, para chegarem ao dia de Páscoa (passagem) tendo feito esta passagem do mal para o bem.

Pe. Albano Nogueira

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

A IGREJA CATÓLICA E O CASAMENTO ENTRE HOMOSEXUAIS

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Começou a discussão acerca do casamento dos homosexuais. Aparecem os que estão a favor e os que estão contra.
A posição da Igreja Católica é clara (contra), como é clara a posição em relação ao aborto (contra).
A posição da Igreja Católica é a favor da pessoa humana e defende a pessoa humana como imagem e semelhança de Deus. Uma imagem digna, bela, elevada, justa, harmoniosa. Por isso, defende a vida contra o aborto (violência e morte de uma vida humana) e defende o casamento entre um homem e uma mulher.
A Igreja vai buscar o fundamento para as suas posições em dois lugares, ambos vindos de Deus que é a base, o alicerce, o fundamento de tudo o que ensina. Esses dois lugares são a lei natural e a lei revelada (Bíblia e tradição).
Por aquilo que é a Lei Natural e a Lei revelada (cuja origem os cristãos reconhecem como ambas vindas de Deus) a posição da Igreja só podia ser contra o casamento entre homosexuais.
1- A Lei Natural, para a Igreja Católica é de origem divina está gravada intimamente nos seres (como que no código genético). Deus é o Supremo Legislador e ao criar os seres fez com que os seres vivos precisem do masculino e do feminino para se atraírem, seduzirem, se apaixonarem, se completarem e se reproduzirem. Até no magnetismo (íman) há a atracção entre o positivo e o negativo. Pólos iguais repelem-se. A atracção é entre os diferentes.
A Lei Natural diz que é o masculino que atrai o feminino, isto é, são os diferentes que se atraem tanto no magnetismo (positivo e negativo), como nas plantas (androceu e gineceu), como nos animais (macho e fêmea), como nos humanos (homem e mulher).
Por isso, a lei que poderá permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo está a violentar e a violar a Lei Natural que o ser humano não deveria alterar, mas deveria respeitar. Esta lei que a existir, vai legalizar a atracção sexual entre os iguais do mesmo sexo, vai contra a natureza das coisas, é contra a natureza.
São os opostos, os contrários, os diferentes, que, segundo a lei natural, se atraem, se seduzem, se apaixonam, se completam e permitem a procriação.
Dois homens não se completam, não procriam; duas mulheres também não.
Quando o ser humano quer contrariar a lei natural está a exercer uma violência: veja-se, por exemplo a lei natural da gravidade e a violência que se tem de fazer para que um corpo não caia, mas suba, contrariando a lei da gravidade. Precisa de um motor violento, como os foguetes, os foguetões, os aviões e similares…
O mesmo se dá aqui: fazer e aceitar a lei que permite o casamento entre os homosexuais é contrariar a lei da natureza e significa exercer uma certa violência, tal como a lei do aborto implica uma violência contra a vida de um ser humano indefeso…
A violência que o humano exerce (qualquer que seja o contexto) é o contrário da lei divina que é doçura e amor e é a revelação de que o homem se está a deixar dominar pela animalidade que há em si e que o rebaixa e degrada em vez de o elevar e dignificar…
Esta é outra questão: a Igreja Católica prega e aponta o caminho que eleva a pessoa humana como imagem e semelhança de Deus; a sociedade segue e aponta, tantas vezes, caminhos inversos que rebaixam e degradam a pessoa humana.
2- A revelação divina é o segundo lugar onde a Igreja Católica vai buscar o fundamento para as suas posições: Bíblia e tradição. Ora tanto a Bíblia, como a Tradição dizem abertamente que o casamento é entre um homem e uma mulher. A atracção, a sedução e o envolvimento sexual dos iguais é condenada sem qualquer margem para dúvida.
O homem pode fazer muitas coisas, mas não deve, nem tudo lhe convém… Aqui entra a ética, a moral. Uma sociedade sem Deus é uma sociedade sem ética, sem moral. É a lei da selva, a lei do mais forte: vale tudo…
Quando se rejeita a base, o fundamento, o alicerce sólido que é Deus e a revelação divina na Lei Natural e na Bíblia, os alicerces seguros da sociedade são destruídos e depressa a casa vem abaixo: é o que estamos a assistir na derrocada da nossa sociedade sem Deus, sem ética, sem moral, sem valores.
Porque se não se respeita esta e outras leis naturais, tudo se torna relativo, tudo se torna permitido e não há moral, nem ética para se respeitar a verdade, a justiça, os bens dos outros, o bom nome dos outros, etc.
Se se viola esta lei natural, perde-se a razão para defender outras leis naturais e por isso, é que a sociedade é cada vez mais uma selva em que os homens são lobos para os outros homens porque não se respeitam nem sequer as leis naturais…
O Homem destrona Deus fazendo leis contrárias à Lei Natural e coloca-se ele mesmo no lugar de Deus dizendo o que está bem e o que está mal. Deus não conta, só conta o Homem. O problema é que o Homem com Deus diviniza-se, eleva-se, engrandece-se. O Homem sem Deus, rebaixa-se, degrada-se, animaliza-se, bestializa-se…
P. Albano Nogueira

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

SE NÃO QUISER ADOECER

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A ARTE DE NÃO ADOECER

1. Se não quiser adoecer… FALE DE SEUS SENTIMENTOS
Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna. Com o tempo a repressão dos sentimentos degenera até em câncer.
Então vamos desabafar, confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos “segredos”, nossos erros... mas com a(s) pessoa(s) certa(s)… O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia!

2. Se não quiser adoecer… TOME DECISÕES
A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia. A indecisão acumula problemas, preocupações, agressões. A história humana é feita de decisões.
Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder vantagem e valores para ganhar outros. As pessoas indecisas são vítimas de doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.

3. Se não quiser adoecer… BUSQUE SOLUÇÕES
Pessoas negativas não encontram soluções e aumentam os problemas. Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo. Melhor é acender o fósforo que lamentar a escuridão.
Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce existe. Somos o que pensamos. O pensamento negativo gera energia negativa que se transforma em doença.

4. Se não quiser adoecer… NÃO VIVA DE APARÊNCIAS
Quem esconde a realidade finge, faz pose, quer sempre dar a impressão que está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho etc., está acumulando toneladas de peso... uma estátua de bronze, mas com pés de barro.
Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas. São pessoas com muito verniz e pouca raiz. Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.

5. Se não quiser adoecer… ACEITE-SE… GOSTE DE SI MESMO (A)
A rejeição de si próprio, a ausência de auto-estima, faz com que sejamos algozes de nós mesmos. Ser eu mesmo é o núcleo de uma vida saudável.Os que não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos, destruidores. Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é sabedoria, bom senso e terapia.

6. Se não quiser adoecer… CONFIE
Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se relaciona, não cria ligações profundas, não sabe fazer amizades verdadeiras.
Sem confiança, não há relacionamento. A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em Deus.

7. Se não quiser adoecer… NÃO VIVA TRISTE… SORRIA
O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida longa. A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive. "O bom humor nos salva das mãos do doutor". Alegria é saúde e terapia!

P. Albano Nogueira

sábado, 7 de fevereiro de 2009

VALE A PENA CONFIAR EM DEUS?














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Cristiane disse:

É verdade Elisa. É muito difícil. Eu, no meu problema, estou me sentindo envergonhada por confiar em Deus e estar sofrendo tanto agora. Pensei que quem confiasse não passaria por estes tipos de sofrimentos. Parece tão fácil entregar tudo a Deus e deixar que Ele cuide. Mas não foi verdade, senão estaria tudo perfeito. Não sei o que pensar de tudo isso, é tão contraditório...”.

Cristiane, eu compreendo a tua posição. Quem sofre pode ficar um pouco desiludido(a) por rezar, confiar em Deus, pedir ajuda e solução para o seu problema e não ver solução, não ver melhorias.
Vou falar em geral porque não sei qual o problema da Cristiane, nem o da Elisa, pois só falaram em abstracto.

1- Uma regra de vida para todos: “faz as coisas como se tudo dependesse de ti e, depois, confia como se tudo dependesse de Deus”.

Não esperes que a solução caia do Céu. Procura tu a solução dos problemas. Não sejas passivo(a). Não te limites a rezar... Sê activo(a).

2- Por vezes, o mal acontece-nos porque nós (ou os outros) temos a culpa, a responsabilidade quando tomamos opções pouco correctas.
E, neste caso, a culpa não é de Deus, mas nossa. Por isso, também temos de ser responsáveis por encontrar a solução para os problemas que nós ou os outros criaram. Não esperar que seja Deus e resolver os nossos problemas. O que nós pudermos fazer, Deus não o fará.

3- Os fracassos da vida e até as doenças são, muitas vezes, da nossa responsabilidade. Não devemos culpar Deus de absolutamente nada. Deus é puro AMOR, não tem culpa de nada.

4- Nem tudo o que nos parece mal num determinado momento é, de facto, um mal no conjunto da nossa vida. E nem tudo o que nos parece ser um bem num determinado momento, é um bem no conjunto da nossa vida… Por isso, não devemos ficar tão desanimados com o mal que nos acontece. Tudo passa. Há certos males que purificam a pessoa, amadurecem-na, levam-na a ter mais energia, a lutar mais, a ser mais activa e a encontrar uma energia interior que a leva a um crescimento que não aconteceria se tudo corresse bem…

Até do mal podemos tirar o bem, aprender, crescer, amadurecer…

5- Por vezes, temos de PURIFICAR A NOSSA IDEIA DE DEUS. O problema não está em Deus, mas na ideia que temos de Deus. Quantas vezes a ideia que temos de Deus é errada, é a ideia de um ídolo e não do Deus verdadeiro revelado por Jesus Cristo. Então temos de purificar a nossa ideia de Deus, lendo, conhecendo, sabendo mais, rezando...

Deus não existe para resolver TODOS os nossos problemas. Deu-nos sabedoria, inteligência, força, poder para nós os resolvermos. Somos e responsáveis...

A fé em Deus não resolve os nossos problemas. Eu direi até que quem quiser levar a sério a sua fé no Deus de Jesus Cristo, tem muitos mais problemas, do que quem não tem essa fé...

A fé em Deus não resolve problemas, a fé em Deus traz ainda mais problemas... Os problemas de quem quer seguir o Deus do Evangelho e de Jesus Cristo, aumentam… Porque Deus é exigente, é radical, não se contenta com meias palavras, meio termos, meias medidas. Aponta a perfeição, a plenitude, a santidade e nós sabemos que para alcançarmos a plenitude, a perfeição e a santidade humana temos de lutar muito, cortar com muita coisa, vencer muitos vícios e defeitos em nós. Significa fazer da vida uma luta contínua contra os meus defeitos, vícios e pecados e isso não resolve os nosso problemas, pelo contrário, se quisermos seguir a Deus 100% aumentam mais os nossos problemas...
Veja-se os atletas de 1º lugar o que eles têm de sofrer…

6- Deus também não impediu que seu filho morresse na cruz injustamente. Não resolveu os seus problemas... Jesus curou algumas pessoas, sarou, fez milagres, mas não veio ao mundo para resolver os nossos problemas. Os milagres de Jesus eram "sinais" do poder de Deus, sinais do amor de Deus e do Seu Reino, convites para acreditar, convites à fé. Jesus não fez milagres para nos desresponsabilizar, nos tornar passivos e esperar que Deus resolva todos os nossos problemas. Esse não é o Deus da Bíblia. Essa é a ideia de um ídolo, um deus criado por nós.

7- Jesus não veio resolver todos os males da humanidade. Ele próprio foi um inocente morto na cruz, vítima do mal, do ódio, da inveja, da vingança.

QUE FEZ JESUS?

Jesus fez-se solidário connosco: nasceu como nós, chorou, cansou-se, teve fome, frio, sede, sofreu muito mais que nós (na paixão e morte) para dizer que o sofrimento pode ter sentido, pode ter o seu valor, o seu significado. Veio combater o mal e o sofrimento curando, sarando, perdoando, ajudando, aliviando. Veio ser solidário connosco.

8- Penso que a nossa atitude deve ser igual à de Jesus: lutar contra o mal, fazer o bem, fazer as melhores escolhas não apenas para nós, mas para todos, escolher o bem comum e se algo correu mal, recomeçar, não cruzar os braços, resistir, não desanimar, não desesperar, ser solidário e ajudar os que sofrem com a nossa presença e a nossa amizade.
E continuar a confiar em Deus rezando como Jesus: “Pai, se for possível, afasta de mim este cálice, mas não se faça como eu quero, mas como Tu queres…”.

9- Aquilo que eu puder mudar para melhorar a minha vida, eu devo fazer tudo para mudar. O que eu não puder mudar (se é uma doença incurável, por exemplo), devo aceitar, recorrer à ajuda da medicina e entregar-me nas mãos de Deus como Sua criatura.

DEUS AMA-ME COMO O MELHOR DOS PAIS E A MELHOR DAS MÃES.
Deus ama-me e quer o melhor para mi. Isso nunca eu deveria duvidar, ainda que eu sofra e tenha problemas ao longo da vida.
Deus não existe para resolver os nossos problemas, embora nos possa ajudar e ajuda dando-nos sabedoria, inteligência, poder, força, meios para melhorar a nossa vida confiando em nós e nos outros e também confiando em Deus.
Deus está sempre presente na nossa vida, vê-nos, conhece-nos, ama-nos, mas não interfere tanto na nossa vida como nós gostaríamos e temos de aceitar a vontade de Deus. Não é Deus que tem de aceitar a nossa vontade... É ao contrário: eu é que tenho de aceitar o querer de Deus.
Que Deus te abençoe, meu irmão de Fevereiro

P. Albano Nogueira



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

FALAR DE DEUS HOJE



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Falar do mistério de Deus é dizer sempre imperfeições porque quando nós compreendêssemos Deus, Deus deixaria de ser Deus.
A inteligência humana é limitada e o seu falar de Deus pode ser comparado ao falar da criança que poucas palavras sabe dizer.
Nós aplicamos a Deus categorias e conceitos humanos porque são os que temos, mas Deus ultrapassa todos esses conceitos e categorias.
Deus existe, mas não existe como nós. O seu existir é necessário, o nosso é contingente (existimos, mas podíamos não existir). Deus é a Vida, mas não é vida como nós. Deus é vida necessariamente, nós temos vida, mas podemos deixar de ter (pelo menos a vida biológica); Deus é Amor, mas não ama como nós. O seu Amor é infinito, gratuito, universal, o nosso amor é muito limitado; Deus é bom, mas não é bom como nós. Deus é a própria bondade, nós somos umas vezes bons, outras vezes maus. Deus é todo-poderoso, mas não do jeito que nós entendemos este conceito.
Se dissermos que alguém é todo-poderoso, imaginamos alguém prepotente, autoritário, ditador, vingativo, que subjuga e domina os outros, com poder absoluto. Deus é todo-poderoso mas não desta maneira. O seu poder é o poder do Amor que pede correspondência do amor humano, mas não impõe o seu amor, nem obriga a amá-lo, como fazem os senhores deste mundo.
O Deus todo-poderoso tornou-se todo fraqueza na pessoa do Seu Filho que encarnou, se fez criança frágil (sem poder), se deixou matar na cruz (sem poder e humilhado). Este é o Deus todo-poderoso em quem eu creio: o Deus encarnado em Jesus Cristo.
Deus é um mistério muito grande que se revela e se esconde. E revela-se sobretudo na fé, na confiança e no amor de quem acredita.
1- Deus revelou o Seu poder na Criação quando deu origem a todo o universo que depois foi evoluindo e se transformou.
2- Deus revelou o seu poder na Encarnação do Verbo no seio da Virgem Maria, fez-se homem sem o concurso de um varão. Encarnou por obra do poder de Deus que fez gerar Jesus no seio da Maria Virgem.
Jesus Cristo revelou o poder de Deus não impondo-se, mas amando e perdoando.
3- Deus revela o Seu poder na Redenção em que o ser humano é reconciliado, recriado e renovado pela morte e ressurreição de Jesus Cristo e pode ser o Homem Novo, fiel à graça e ao amor de Deus.
A ressurreição de Jesus revela o poder de Deus, mas apenas para quem acredita, pois para quem não acredita, não se pode provar nada.
Se Deus se pudesse provar, a pessoa humana tinha que aceitar Deus necessariamente, deixava de ter liberdade para dizer SIM e dizer NÃO, deixava de ter mérito. Ao ter liberdade (porque Deus apesar de ser todo-poderoso não se impõe), a pessoa também fica com a responsabilidade da sua opção em acreditar ou não acreditar.
Se acreditar em Deus e viver de acordo com a sua fé, pode ganhar tudo.
Se não acreditar em Deus e fizer o mal, pode perder tudo…

P. Albano Nogueira