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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

MISTÉRIO DE DEUS – 13

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O que vem a Mim jamais terá fome,
o que acredita em Mim jamais terá sede
”. Jesus Cristo
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Pelas coisas visíveis às coisas invisíveis
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Deus é invisível.
Para o ser meramente carnal, como os animais, Deus não existe.
Se o homem moderno se tornar materialista, apenas conhece e reconhece aquilo que ele vê.
Alguém já disse: “a alma, o espírito não existe. Já operei muita gente e nunca via a alma de ninguém”.
Um astronauta disse: “Estive no espaço, na lua, não vi Deus por lá…”.
Triste ilusão e engano de quem só acredita no que vê e não percebe os limites e ilusão da nossa vista.
Nós vemos o sol a andar e ele está parado.
Deus é Invisível.
Deus é de outra ordem diferente das coisas naturais e materiais.
Deus é Transcendente, Ele é gratuito.
Não é uma super energia, ou radiação tipo raio X ou energias do átomo. Deus é de ordem espiritual e escapa às materializações e quantificações físicas e matemáticas.
Nós encontramo-l’O de maneira pessoal e espiritual, análogo aos encontros da amizade e do amor que são gratuitos e qualitativos.
Deus é a concentração do ser e as coisas materiais são uma participação desse Ser.
Deus é uma energia, uma força espiritual e a nossa energia física é uma pálida imagem d’Ele.
Deus é uma energia espiritual que nós podemos captar através de uma relação pessoal e da graça.
O Amor verdadeiro faz sair o homem de si mesmo pela comunicação, pelo dom e pela partilha.
Isso implica renunciar ao conforto da vida solitária.
Ele encontra-se perdendo-se.
Quem perder a sua vida, encontrá-la-á.
A procura de Deus não consiste em cada um contemplar-se a si mesmo; mas em contemplar a Deus, louvando o Criador pela beleza da Sua criação.
A procura de Deus convida a sair de si para ir ao Seu encontro, servindo-O, servindo os outros.
Neste serviço renunciamos a nós mesmos, ao nosso egoísmo e aí Deus revela-se na caridade (amor desinteressado a Deus e aos outros).
O despertar humano para a Transcendência faz-se pelo amor humano.
A descoberta do amor humano abre os homens para a descoberta de Deus.
Quantos pais encontram Deus amando e educando os seus filhos.
Na verdade o gerar dos filhos é uma outra abertura.
É o maior dom que Deus concedeu aos homens, um dom que eleva os homens acima dos anjos, pois os anjos não podem gerar um filho.
Pode ser pai o mãe à imagem de Deus, pois Deus tanto pode ser chamado de Pai como de Mãe.
Deus transcende a sexualidade.
Pela experiência fundamental da família, homem e mulher estão mais próximos de Deus do que nenhuma outra criatura.
Tal como poder de Deus é auto-comunicação e dom de si mesmo, assim os pais.
A mística cristã leva a uma oração que inspira e leva ao serviço dos mais pequenos: crianças, pobres, moribundos, abandonados.
Assim, o Filho de Deus, descendo ao nível dos homens quis nascer de uma Mãe, viver em família, numa aldeia, depois com discípulos, frente ao fervor, à indiferença e aos inimigos; com efeito, Ele permanecia frágil e desarmado em toda a verdade humana.
É esse mistério que celebramos em cada Natal.

Pe. Albano Nogueira



quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

MISTÉRIO DE DEUS – 12

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“Minha alma a Deus pediu maior altura”
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O caminho de um regresso a Deus
Deus Criador é primordial e o homem é-lhe completamente relativo, como criatura.
Como viver esta maravilhosa relação, na qual recebemos tudo de Deus?

A travessia do deserto
Não é fácil na nossa sociedade secularizada, materializada, muitas vezes ateizada.
Deus foi desvalorizado nela, marginalizado, desenraizado, dispensado.
O homem moderno matou a Deus no seu coração.
Todavia, o Criador permanece a nossa origem e o nosso futuro.
Importa redescobri-l’O, pois o homem tem a sua definição e identidade referida a esse princípio e a esse termo.
Vimos de Deus e vamos para Deus.
Nós não somos nada por nós próprios , somos tudo através de Deus, à Sua imagem.
Isso é-nos dado e dado pelo próprio Amor, pois Deus é Amor, mas a nossa civilização esqueceu-O demasiado.
Ela perdeu também a consciência do pecado.
Já não sabe o que é, já não tem necessidade de Salvador.
Cristo está reduzido a um mito para muitos ou a um despojo cultural.
Quantas pessoas visitam as catedrais, como um lugar artístico, mas sem sentir nelas a habitação de Deus, o lugar onde O encontramos, onde Ele nos escuta, onde a Sua presença real habita.
Importante é a descoberta do crente que diz:
“Jesus Cristo salva-me hoje”.
É esta consciência que penetra e transfigura concretamente toda a vida, em todas as suas zonas e em todos os seus momentos.
O amor de Deus torna-se, assim, vivo, dinâmico, efectivo, ele rectifica, dirige e transfigura as pulsões selvagens da nossa existência, reorientando o consciente e o inconsciente para o amor.
Isso é uma graça: a referência à presença viva de Jesus Cristo, à sua Majestade, ao Seu Poder efectivo de Salvador do mundo.
Essa é a grande atitude: a experiência de Cristo Salvador.
A certeza de que Jesus Cristo crucificado e ressuscitado me salva hoje, aqui e agora.
Isto é uma procura, a única que vale a pena: a procura de Deus; a procura de Deus Salvador do homem.
Só pela oração isso é possível.
Para quem reza, Deus é uma evidência profunda, às vezes difícil de reencontrar por muitos obstáculos a transpor.
Obstáculos culturais e morais.
O homem de hoje está atulhado, impedido de agir pela sua cultura, pelo seu pensamento, entrincheirado o mais longe de Deus possível.
Há muitos fossos e muros que separam o homem de Deus e que é preciso transpor, mas só o consegue com a ajuda do Espírito Santo.
Deus é ternura e misericórdia, como o podemos perceber no Natal.
Ele em para connosco um olhar de amor, mais simpático e mais tranquilizante do que o olhar, por vezes embaraçado que nós temos sobre nós mesmos.
(Continua)

Pe. Albano Nogueira

domingo, 19 de dezembro de 2010

SER SACERDOTE

Uma pessoa mandou um email a perguntar como se chega a sacerdote.
Pedia que, se o desejasse, me mandasse por email e assim, no segredo, conversarmos os dois.
Nao tenha medo.
Confie e eu poderei explicar o que souber.
Importante termos amigos e sabermos guardar segredos daquilo que ouvirmos.
SABER FAZER SILENCIO
NAO CRITICAR OS OUTROS
NAO MURMURAR DOS OUTROS, MESMO QUE SEJA VERDADE...
UM ABRACO
P. Albano Nogueira

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

MAIS UM ANO DE VIDA

albanosousanogueira@sapo.pt
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No dia 16 de Dezembro de 1960 nasceu um menino a quem deram o nome de Albano.
Ele cresceu, foi crianca, adolescente, jovem e hoje 'e sacerdote.
Agraceco a Deus a vida que me tem dado, a vocacao sacerdotal e todos os dons que tenho recebido, sobretudo a amizade das pessoas.
Agradeco tambem 'aqueles que nao gostam tanto de mim por causa dos meus defeitos e erros isso ajuda-me a ser melhor.
Quem nao gosta de n'os pode fazer-nos muito bem...
N'os 'e que nao sabemos aprender com a vida
e com as pessoas que nao gostam de n'os...
Agradeco todas as mensagens que tenho recebido neste dia
Que Deus a todos abencoe e ajude.
Um abraco
Nota- Este teclado nao 'e como o meu.
Tem falhas, por isso, nao estranhem...
Estou no estrangeiro...
Um grande abraco para todos os que leem o meu blogue.
Pe. Albano Nogueira

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

MISTÉRIO DE DEUS – 11


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“Porque será que temos fome e sede de infinito?…”

Virtudes que nos ligam a Deus

A fé,

A esperança,

A caridade.

Estas virtudes são realidades sobrenaturais que nos são dadas desde o dia do nosso baptismo, e que se procura desenvolver por meio de uma educação mais exigente do que a de um desportista ou de um músico.
Estas virtudes que nos relacionam com Deus e nos fazem atingir a Deus, apenas se podem desenvolver sobre os fundamentos das virtudes humanas cardiais:

- Prudência,

- Justiça,

- Fortaleza

- Temperança.
A temperança põe ordem nos impulsos da natureza humana, muitas vezes desordenados que podem degenerar em todas as espécies de loucuras: idolatrias, conquista insaciável do poder, divinização da autoridade; ganância, violência, droga, deboches (abusos de álcool, sexo), etc.
A Revelação não é um salto sem o TOTALMENTE OUTRO, como hoje se gosta de chamar a Deus. Não é uma abstracção imaginária. Deus fê-la de modo humano.
A Revelação apresenta-se como uma história, na qual Deus se fez homem para dar um modelo humano adequado ao homem que Ele quer salvar.
A graça (divina) não é um complemento sobrenatural, como um chapéu sobre uma cabeça; é um convite a viver humilde e generosamente humano, é a sua realização e a transformação conatural. É a sua vocação, foi criado e chamado para isso.

Deveres e direitos do homem
A Revelação coloca o acento nos deveres do homem, pois eles precedem os seus direitos e são o seu fundamento. Hoje coloca-se o carro à frente dos bois: parte-se dos direitos do sujeito e desequilibra, desse modo, o homem e a sociedade, pois quanto menos as pessoas cumprem os seus deveres, menos vêm satisfeitos os seus direitos.
O primeiro direito é o direito à vida, mas este direito hoje não é reconhecido a milhões de vidas humanas destruídas no seio materno pelo aborto, pelas pílulas abortivas. Os pais, a família e a sociedade perderam demasiadas vezes o sentido do seu dever para com a vida: uma vida criada por Deus e por eles próprios.
O ser humano começa no momento da sua concepção. A morte pré-natal é um crime horrível que se procura esconder e os seus efeitos tanto no feto, como nas mães.
A sociedade de hoje rejeita constrangimentos morais, em nome da liberdade (ou libertinagem) e aceitam um número crescente de constrangimentos mecânicos, técnicos e sociais: ao trânsito, à velocidade, à segurança, à administração estatal. Aceitam-se as exigências sociais, culturais, económicas, mas não se aceitam as exigências de Deus, não se aceitam as exigências morais.

Pe. Albano Nogueira

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

MISTÉRIO DE DEUS – 10

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Sobe do destino uma sede de Ti, ó Deus”.

Humanismo e humildade
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Ao querer recriar o homem de modo diferente do que ele foi criado, não se cria nem o equilíbrio, nem a felicidade.
Caricatura-se, desintegra-se.
Ao querer refazer a sociedade segundo modelos demasiado novos, esquecidos da natureza, criam-se sociedades aterradoras onde explode a violência, a insegurança (assaltos, roubos), o medo, a destruição, a morte.
Destruição da natureza e da humanidade.
Protege-se o direito de certas árvores, certos animais e de certas aves a reproduzirem-se, mas nega-se o direito a milhões de seres humanos o direito a nascer que têm o seu ninho no seio da mãe.
Este endeusamento da liberdade humana fez nascer morais aventureiras, sem ordem nem objectividade que aumentam a escravidão e a exploração humana em vez de a diminuírem ou abolir.
A revelação cristã implica a natureza humana.
Esta é ambígua porque aberta a Deus, mas enraizada na natureza animal e destinada a Deus.
O cristianismo atribui grande importância à humildade.
Humildade é a verdade, é lucidez; não é humilhação, nem degradação.
O homem apenas será feliz se reconhecer a sua condição em verdade: ele não é Deus, mas criatura limitada e pecadora.
Humildade vem de húmus, terra.
Um humano é um terreno.
O homem é terrestre, carnal, mas animado com um sopro divino, a sua alma, a sua respiração.
A humildade aceita a humilde condição humana, com um duplo reconhecimento para com o Criador e para com os pais, especialmente com a mãe que teve mais trabalho em o modelar física, afectiva e psicologicamente.
A humildade aceita a caminhada que vai da infância até à velhice e vive cada idade da melhor maneira, preparando-se para viver e morrer dignamente, olhando para a morte como a porta do novo nascimento para o Qual Deus nos chama.
A morte é dura pelo tempo da agonia, pelo sofrimento, pelo desconhecido; mas deve ser sempre encarada como entrega a Deus.

Modo humano de Deus se revelar
A revelação não é um ensinamento abstracto acerca de Deus.
Ela é a revelação de Deus feito homem, que convida o homem a partilhar da Sua divindade: é uma antropologia divina.
A revelação implica UM ENSINAMENTO SOBRE A CONDUTA HUMANA assim compreendida.
O amor de Deus não pode crescer senão na ordem da natureza humana, completada por uma cultura que tem também as suas leis orgânicas: leis da comunicação com os outros e com Deus, segundo uma ordem transcendente.

Pe. Albano Nogueria

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

MISTÉRIO DE DEUS – 9


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“Quem sabe se este anseio de eternidade, não será já um sinal de Deus em mim?”

Apelo divino e natureza humana

Esta semelhança é a do amor que nos coloca em pé de igualdade com Deus, na partilha da Sua própria vida, pois o amor cria igualdade e partilha, sempre de acordo com a nossa natureza humana que Jesus partilhou, isto é, segundo os seus limites.

Deus criou o homem e a mulher com desejos imensos, mas medidos pela sua própria capacidade.

Tal é o paradoxo deste animal racional: ínfimo (pequeníssimo) e infinito, como dizia pascal:

“O Homem excede infinitamente o Homem”.
Nós temos uma natureza, uma estrutura específica.

Não somos nem anjos nem animais;

nem puros espíritos, nem simples animais, mas animais racionais:

um pouco de anjo e um pouco de animal; com a luz dos anjos e com a carga e a selvajaria dos animais.

Deus fez-nos capazes de um amor que pode ultrapassar o dos anjos.
Mas nós não estamos limitados ao instinto como os animais.

Temos o livre arbítrio, isto é, a possibilidade de escolher e construir livremente a nossa vida.
A nossa natureza humana é chamada a ser completada através da obra da razão.

A natureza torna-se apenas humana pela cultura.

A educação é um processo longo e deveria implicar uma abertura para a divinização que só Deus pode dar.
Alerta para a desnaturação, destruição da natureza humana
A filosofia materialista pretendeu tirar ao homem a sua natureza humana.

Alguns dizem: o homem não tem natureza.

É apenas uma liberdade. É o criador de si mesmo.
Mas esta filosofia condena o homem a criar tudo e isso é demasiado para o Homem, ultrapassa-o.

A inteligência é comprometida no sofisma (erro de pensamento em que, de má-fé, se usam argumentos falsos com aparência de verdade).

A criatividade é confundida com bizarrias (excentricidades, coisas estranhas).

A sexualidade torna-se deboche.

A vida torna-se uma desordem; o seu impulso vital é levado para a frente, para a novidade, mas sem finalidade, que vai de decepção em decepção.
O homem fechado sobre si próprio exalta-se na destruição e na violência, pois é nesse domínio apenas que se ele se pode vangloriar de ser a causa primeira (do mal).

Só Deus é Causa Primeira, criador do ser.

Mas o homem tem a capacidade de ser a causa primeira do mal: pode desviar, quebrar, amputar o ser.

Ele torna-se o pseudo-criador do não-ser.
Com Deus, o homem pode ser criador;

sem Deus pode destruir o ser por sua própria iniciativa e torna-se a causa primeira da criação do não-ser.
É o triste privilégio da liberdade criada.
Deus colocou no coração do homem uma sede infinita: a sede de Deus.

E essa sede subsiste, se ele desconhece Deus e procura saciá-lo noutro lugar.

Essa fé desviada levou os homens levou os homens de hoje a querer inventar um homem novo, completamente diferente e desfiguraram a figura humana.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

MISTÉRIO DE DEUS – 8

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“Há em mim uma sede inquietante de Infinito”
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A experiência de Deus
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A nossa experiência de Deus é dupla:
a) Presença transcendente e imanente de Deus Criador.
b) Presença misericordiosa, cujo amor total nos estabelece num pé de igualdade com Deus: “Já não vos chamo servos, mas amigos” (Jo 15,15), pois o amor cria igualdade: e o amor de Deus, sem limites, foi para isso até à morte e à Eucaristia.
Esta experiência de Deus é mais discreta que a experiência de Deus Criador, pois o amor de Deus esconde-se durante a peregrinação de fé em que Ele nos acompanha.
Ele está junto de nós como uma fonte escondida.
Se Ele se revelasse nós já não seríamos desta terra: “ninguém pode ver a Deus sem morrer”, diz a Bíblia
A experiência de Deus Criador, podemos de alguma maneira aceder a ela, através dos nossos recursos humanos, olhando para as coisas criadas; mas o Amor Salvador é o fruto de um dom gratuito.
Nós temos de realizar em nós a verdade do Amor Salvador.
- Isto supõe a ordem da nossa vida, a sua rectidão, pois os nossos pecados, obscurecem a experiência do Amor misericordioso que nos salva, donde a insistência de Cristo sobre a importância de realizar os seus mandamentos.
- Esta verdade realiza-se pela caridade, pelo serviço dos outros.
- Realiza-se nos actos de culto, onde Cristo constrói e alimenta o Seu Corpo que é a Igreja e o faz frutificar.
- Esta experiência de Deus realiza-se na experiência da fé e quem faz essa experiência aproxima-se da luz.
Deus é tudo.
Ele é suficiente e o único necessário.
Mas Ele criou-nos homens e toma-nos a sério… até à loucura.
O nascimento humano e a morte do Filho de Deus são a prova disso. Para o Homem, a resposta adequada às questões essenciais é Deus, mas, depois disso, é o Homem. Com efeito, nós somos apenas Homens.
É como Homem no belo quadro da natureza humana que Deus nos convida gratuitamente a sermos seus comensais.
O humanismo perdeu Deus e perdeu-se a si próprio pelo pecado.
É reencontrando Deus que o Homem se reencontrará, pois a sua identidade brota do próprio Deus, como Criador e como Salvador.
Ela brota do Amor Criador.
O Homem que nós somos apenas atinge Deus humanamente, nessa humanidade que é o nosso lugar, a nossa vida, a nossa medida.
Temos, portanto, de entrar em contacto com Deus como Homens, lenta e progressivamente e à medida de Deus, pois Deus diviniza-nos.
Diviniza-nos, mas segundo a nossa natureza humana.
Nós não somos chamados a ser um Super-Homem: um homem inchado, enfunado, com voltagem reforçada.
Somos divinizados na nossa pequenez e na nossa própria humildade, de acordo com a capacidade de amor que o Criador colocou em nós.
Nós somos divinizáveis, porque criados à imagem de Deus.
As nossas capacidades de conhecimento, de liberdade, a de amor, tornam-se capazes de aceder à imagem e semelhança de Deus pela graça divina.
Pe. Albano Nogueira

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

MISTÉRIO DE DEUS – 7

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“Tenho uma sede imensa, mas não de água”
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A experiência do Deus Salvador
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O Homem, rei da terra, falhou no seu destino pelo pecado.
Por isso, Deus Criador fez-se Deus Salvador.
Tudo isto sabemos não pela nossa razão, mas através da Revelação.
Nós perdemos muito esse sentido de Deus Salvador porque se perdeu o sentido de pecado e o sentido do novo nascimento para a vida de Deus.
Existe nos humanos a concupiscência, isto é, a atracção pelos desejos materiais ou sensuais, desejo sexual intenso, a desordem dos desejos, desorientados pelo pecado.
O homem traz em si os gérmenes (sementes) da sua própria perda.
Ele tem necessidade de um Salvador para emergirmos do afundamento do pecado, de sermos salvos da morte, de encontrar “a vida depois da vida”.
Para nos fazer partilhar da sua vida divina, depois de nos ter libertado do pecado, o próprio Criador fez-se criatura na pessoa de Jesus Cristo.
Ele deixou-se imergir, submergir, neste mundo de pecado, que Lhe deu a morte.
Ele fez brotar aqui em baixo a divina fonte de amor, capaz de resolver o drama humano de finitude, do pecado, da morte, da sede insaciável, portanto, infinita, inscrita no coração do homem.
A aventura de Cristo é um mistério de partilha e tem duas etapas: Encarnação e Redenção.
Deus assume a nossa vida humana e dá-nos a Sua vida divina.
Ele tomou sobre si a morte, preço do pecado, a dá-nos a Sua vida eterna. Este mistério da partilha de Cristo tem duas etapas: a Encarnação e a Redenção.
Ele tomou a nossa fraqueza, os nossos males, para nos dar o melhor de Si próprio.
a) Primeiramente, a “admirável permuta” da Encarnação.
O Filho de Deus quis nascer da Virgem Maria, para assumir a nossa humanidade e nos comunicar em troca a Sua divindade.
Tomou a nossa fraqueza, para nos dar a Sua força.
Partilha a nossa temporalidade para fazer aceder à Sua eternidade.
A pessoa divina encarnada tornou-se a célula regeneradora e cabeça da humanidade.
b) Mas era preciso uma outra permuta, um outro trabalho: a Redenção (salvação, libertação). Cristo fez-se pecado por nós, diz S. Paulo em 2 Cor 5, 21, para nos comunicar a Sua justiça, a Sua santidade divina: “sede santos como Eu sou santo” (Lv 19,2).
Cristo morreu de morte humana, para nos dar em troca a Sua vida divina.
Ele comprometeu a Sua Mãe nesta nova permuta.
Pela morte, Ela perdia esse Filho Santíssimo e recebia, em seu lugar, filhos pecadores.
Assim, a Mãe de Deus torna-se Mãe dos homens.
Nós acedemos, por pura bondade, a esse mistério: a nossa divinização.
É para alimentar essa vida, que o Salvador nos dá o Seu Corpo em alimento, numa nova e misteriosa permuta em que o nosso corpo assimila o sinal material do pão, enquanto o nosso ser é transformado, divinizado em Jesus Cristo, sem perda da sua personalidade.
Jesus Cristo inseriu-se no tronco genealógico dos homens e, depois disso, fez de nós, por meio da Sua morte de amor e da Sua Ressurreição, um só corpo místico: divino e humano.

Pe. Albano Nogueira

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

MISTÉRIO DE DEUS – 6

albanosousanogueira@sapo.pt

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“E quanto à fome que me fere como uma lança,
a mais funda é a fome de esperança…”.

DEUS CRIADOR
Eis a primeira verdade a que é preciso chegar:

Deus É Criador.
Quando dizemos Criador, não se entende como algo do passado, num determinado momento e que Deus tenha abandonado o mundo á sua existência e se tenha desinteressado por ele.
Neste caso seria como o Relojoeiro que faz o relógio, vende e não mais se interessa por ele.
A Criação é um processo e não apenas um momento.
A Criação continua, por que o Ser necessário faz existir a cada instante, tudo o que não tem em si a razão de ser.

(Tal como criar um filho não é um instante, mas um processo de muitos anos…).
Eu existo, neste momento, porque Deus me cria, me dá a existência, me sustenta a mim e a tudo aquilo que me rodeia.
“Eu sou Aquele que sou, Tu és aquele que não és…”
Mas nós não somos fantoches nas mãos de Deus.

Deus deu à sua criação uma existência coerente, permanente, autónoma, livre.
Nós não somos escravos.
Deus não tinha necessidade de escravos.
Ele não tinha necessidade de criar.
O Seu desígnio é a generosidade, é a comunicação da Sua bondade, do Seu próprio Amor, a parceiros criados à Sua imagem.
Deus criou criaturas inteligentes e livres, senhores da sua existência, com poder para gerar outros humanos, outras criaturas.
Deus não se fecha em si mesmo.

Ele é comunicação, efusão.
Mas porque é que Deus cria seres livres, rivais, algo perigoso para o homem e para Deus?

Perigoso para o homem que pode perder-se por meio dessa liberdade e perigoso para Deus pois o homem que Ele criou pode ignorá-l’O, negligenciá-l’O, degradar a Sua criação e até erguer-se contra Ele, blasfemá-l’O, desafiá-l’O, odiá-l’O.
O homem com a sua liberdade pode tornar-se deus de si próprio e o ídolo dos outros.

Como tolera Deus esse mal com o qual caminhamos lado a lado?
Eis-nos no centro do mistério.

Deus criou o homem livre, porque Ele cria por amor e para o amor.
Só o homem livre é capaz de amar.
Se Deus criasse robots não seriam capazes de amar.
Sem liberdade seriam capazes de prazer, mas não capazes de amar, pois não há amor sem uma certa autonomia e um dom de si mesmo.
Deus correu o risco de criar a liberdade.

É o risco do amor.
É o risco de Deus, é o nosso risco.
Devemos tomar consciência do nosso risco.

Deus concedeu-nos a escolha e deveríamos fazer uma boa escolha: escolher Deus = Amor.
Se nos crispamos egoisticamente sobre a nossa existência, para vivermos sem Deus, destruir-nos-emos a nós próprios: cortamos a raiz gratificante da nossa existência.

Se aceitarmos Deus Criador, então a nossa existência encontrará o seu sentido e irá de plenitude em plenitude.
Em Deus Criador que dá a Vida sabemos que somos criaturas, que temos um autor, uma origem e uma finalidade, uma meta: a comunhão de vida e de amor com esse Deus e com todos os redimidos.

Pe. Albano Nogueira

terça-feira, 26 de outubro de 2010

MISTÉRIO DE DEUS – 5

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Ando a gritar, morta de sede, pedindo a Deus a minha gota de água”.
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Deus Pai Criador
A maravilha da nossa existência é que ela nos vem de Deus que é Amor, a cada instante e temos, por isso, razão para nos enchermos de alegria.
Deus cria-nos com tantos recursos e tantos desejos que nos ultrapassam, porque Ele os quer satisfazer e só Ele os pode satisfazer.
Fora de Deus, contra Deus, nós dispersamo-nos, destruímo-nos, tornamo-nos escravos do pecado, vítimas da sua desintegração.
- Com Deus, em Deus (pois Ele está em nós e nós n’Ele), nós ficamos cheios, seguros de um futuro maravilhoso, para o qual Ele nos convida a todos.
Deus Criador, que nos fez existir, está mais próximo de nós do que nós estamos de nós mesmos.
E essa proximidade é Amor.
Se tomarmos consciência dela a resposta deverá ser a adoração do Criador, reconhecimento e a acção de graças por esse dom gratuito que nos foi concedido.
E ao dar acção de graças, não perdemos a graça que damos a Deus, pois Ele no-la devolve multiplicada.
Ele intensifica esse vínculo feliz da criatura com o Criador que desemboca também na súplica confiante daquilo que nos faz falta e que Ele nos quer dar.
Esse dom radical e permanente apela à oblação de nós mesmos, pois é dando-nos que nos realizamos.
O amor não se realiza senão no dom e na reciprocidade.
Deus é o nosso princípio, a nossa origem, Ele é a verdadeira raiz do nosso ser.
Somos carnais, animais e, por acréscimo, pecadores.
Deveríamos ter esta consciência ontológica d’Aquele que nos faz existir como nos conta a Bíblia e desperta em nós a oração, se nos deixarmos guiar pelo Espírito Santo.
- É importante tomar consciência luminosa e frutuosa do Criador que nos cumula dos seus bens.
- E pela graça, quando Deus nos comunica generosamente o Seu amor, quando lhe abrimos o coração.
A espiritualidade reequilibra o Homem e constrói a paz em Deus.
Hoje, muitos afastaram-se desses segredos de Deus por causa das ciências humanas.
Muitos cristãos deixam de fazer uma auto-análise: a que a luz da graça realmente suscita.
Fazendo esta auto-análise aprendemos melhor a viver esta relação com Deus Criador.
A experiência ontológica (interior) de Deus Criador é apenas uma primeira verdade e uma primeira etapa dessa mensagem.
Mas Deus não criou o homem apenas para a terra onde ele reina.
Ele convida-o para a sua refeição: para uma partilha eterna com Ele.
É uma festa, é o banquete de Deus, anuncia Jesus no evangelho.
Eis porque Ele nos criou.
E porque o homem, rei da terra, falhou no seu destino pelo pecado, Deus Criador fez-se Deus Salvador.
Tudo isto sabemos não pela nossa razão, mas através da Revelação.
Pe. Albano Nogueira

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

MISTÉRIO DE DEUS – 4

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Deus não fala, mas para quem tem fé, TUDO fala de Deus”.
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Porque é que Deus é tão esquecido?
O Homem sem fé em Deus fica desestabilizado, deformado, destronado, pois perdeu a sua raiz e o seu fim; a sua razão de ser o seu futuro.
O que há de mais essencial no Homem (a sua dimensão espiritual e religiosa) atrofiou-se pela cultura moderna e então, porque não pode viver sem isso, procuram-se substitutos para a falta de Deus: nas canções sensoriais, na música agressiva e violenta (hard-rock), nos divertimentos, no dinheiro, no consumismo, nas ideologias, no poder, nos prazeres excessivos, na droga, no sexo sem amor que leva à desilusão e à frustração, no alcoolismo, nos medicamentos, na violência, jogos de azar, etc.
O homem precisa de amor purificado, de poesia, de ternura, de carinho humano fruto da consciência do amor de Deus por nós.
Sem Deus que é Amor e sem o amor humano que se entende à luz do Amor de Deus, o homem é um super-animal, reduzido a tomar consciência do seu absurdo pela sua inteligência.
O amor subsiste, mas muitas vezes, é impulsivo, irracional. Uma vida sem amor tem sentido e torna-se um inferno para si e para os outros.
Mas hoje o amor é caricaturado, ridicularizado, desprezado, coisificado, deturpado e temos dificuldade em encontrá-lo nos dias de hoje.
Outros substitutos de Deus são as ideias bizarras, as modas, a obsessão pela novidade, a bruxaria, a astrologia, o espiritismo, os videntes, as superstições, as crendices, os horóscopos, etc.
O Homem, sem a sua dimensão metafísica, transcendente (o que vai para além da natureza física) relacionada com o ser e a sua dimensão religiosa, relacionada com Deus, seria um animal poderoso, acompanhado de uma infelicidade: o amargo privilégio de saber que vem do nada e que caminha para a morte (para o nada). A solução, desta maneira de pensar sem Deus) é fechar-se na sua felicidade animal, viver no instante sem procurar mais longe (sem futuro). O homem viveria apenas olhando para o seu umbigo, de forma egoísta, num activismo sem qualquer finalidade.
Uma busca imperiosa de sentido
O imaginário humano postula (requer, necessita) a vida eterna e o Amor na origem e no termo de todas as coisas, pois, Deus inscreveu em nós a Sua sede. Essa polarização (atracção) ultrapassa-nos, ela não tem sentido senão n’Ele.
A inteligência metafísica pode conhecer um certo tipo de conceito de Deus.
Existe o ser e o SER. O ser humano e o SER DIVINO.
O ser humano é contingente: existe, mas podia não existir.
O ser divino é necessário. Existe necessariamente. Não podia não existir.
Através da via humilde e real do realismo, pela sua inteligência, o homem pode reencontrar Deus, não para O “ver”, mas como a Necessidade primeira; como a Origem dinâmica e termo da viagem: Aquele que dá um sentido harmonioso a tudo o que existe.
O universo narra as maravilhas de Deus, diz a Bíblia.
A criação reflecte a luz original do Criador.
O homem inteligente pode chegar à evidência da existência de um Criador.
Porém, esta dimensão torna-se muito difícil no meio cultural em que vivemos, afirmar a existência dum criador, quando a ciência quer explicar tudo naturalmente.
A razão humana, orgulhosa e pretensiosa faz cada vez mais gala do seu agnosticismo e ateísmo.
Foi necessária a Revelação para tomar consciência disso.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

PARA QUÊ ACREDITAR

albanosousanogueira@sapo.pt

Na vida perguntamos: para que serve um automóvel, para que serve um micro-ondas?
Alguns podem perguntar: para que serve acreditar em Deus.
O que se ganha em ir à missa?
Acreditar em Deus não tem nada a ver com esta visão utilitarista, pois trata-se de uma questão de amor.
E o amor não se compra, não se vende, não tem preço e ninguém pergunta para que serve amar e ser amado.
O amor é algo gratuito, não se compra, não se vende, não aumenta a nossa conta bancária e se aumenta não é amor, mas interesse.
Porém, é grande o valor do amor.
Quem acredita em Deus e O ama, não é necessariamente melhor ou pior do que os outros que não acreditam.
Mas porque acredita que Deus existe e nos ama muito, percebe que a vida tem sentido e deseja viver ao jeito de Cristo.
A fé tira-nos de uma vida triste e dá-nos razões para a alegria.
Nos momentos de tristeza ou de angústia, acreditamos que temos Alguém está presente como o maior amigo, que nunca nos abandona na triste solidão.
A fé liberta-nos de uma vida egoísta, na qual o inferno são os outros e dá-nos uma vida nova na qual o paraíso são os outros.
Graças ao Espírito de Deus que nos foi dado, temos força e imaginação para amar como Jesus amou.
A fé tira-nos de uma vida sem esperança e abre-nos as janelas que dão para a casa de Deus.
Enquanto aguardamos em alegre esperança a entrada na pátria definitiva, empenhamo-nos em tornar belo este mundo mais fraterno e mais belo.
VALE A PENA ACREDITAR? SIM VALE.
Sim, há muitos motivos para acreditar em Deus, para viver como Jesus, para pertencer à Igreja Católica.
A fé não tem um preço material, mas dá-nos aquilo que buscamos: uma felicidade que nunca acaba.
(Tirado do Jornal "O cavaleiro da Imaculada" de Outubro)

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

APRENDER A PENSAR


Viemos num mundo de informação: pelos jornais, rádio, TV, internet, chegam-nos muitas notícias de acontecimentos de todo o mundo.
Infelizmente, as notícias mais passadas nos meios de comunicação social (MCS) são as negativas: os crimes, as desgraças, a maldade humana, o lado negro das pessoas e da sociedade.
Perante a informação nós deveríamos perguntar: “que mundo é este em que vivemos?”
Como devemos interpretar a informação que nos chega…
Como devemos comportar-nos numa determinada situação?
Há 3 níveis de entendimento:
A informação que nos apresenta os factos em si mesmos e o que aconteceu.
O conhecimento, que reflecte sobre a informação recebida, nos leva a perceber o que é mais ou menos importante e procura princípios gerais para a ordenar.
A sabedoria que nos ajuda a ligar o conhecimento com as opções vitais ou valores que podem escolher, tentando estabelecer como viver melhor de acordo com o que sabemos.
As ciências modernas dão-nos informação e conhecimento.
Mas isso não é suficiente para viver bem, com opções de vida correcta e com valores.
Precisamos de outros apoios como a filosofia, a teologia, a moral católica, para vivermos de forma sábia, isto é, com sabedoria.
Como diz o ditado, não basta viver.
É preciso saber viver…
Há gente que tem muita informação, muitos conhecimentos, muita cultura intelectual, mas falta-lhe sabedoria de vida, valores, opções de vida correctas.
Há gente com pouca informação, poucos conhecimentos, mas muita sabedoria de vida, muitos valores e opções correctas nas suas vidas.
Uma vida sem reflexão não vale a pena viver.
A pessoa deve fazer perguntas e procurar respostas.
Fazer perguntas sobre coisas essenciais da vida e deve procurar respostas completas e verdadeiras e saber que há muitas respostas falsas para problemas importantes da vida…
Muita gente não pergunta; outros perguntam, mas não procuram respostas.
Aceitam o que todos dizem, sem discutir, sem duvidar.
A Igreja Católica e o cristianismo têm respostas verdadeiras e completas para as perguntas mais profundas e essenciais que a pessoa humana faz.
Hoje é muito importante ensinar as pessoas a pensar.
Educar hoje é também ensinar a pensar e pensar ajuda a pessoa a humanizar-se.
Hoje tanta gente deixou de pensar!...
Vai com as modas, as ondas, na propaganda, na publicidade.
Viver e pensar.
Viver e perguntar.
Viver e responder.
Viver e saber.
SABER VIVER…

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

MISTÉRIO DE DEUS – 3



“Porque é que Deus, tão essencial, o único essencial,
o Único a existir por Ele próprio
e a Fonte permanente de toda a existência, é tão esquecido?”

O porquê do esquecimento de Deus?
Isto tem a ver com as ideias que se foram espalhando e com a cultura.
Eu penso, Eu existo –
Esta lógica tendia a fazer do homem a medida de todas as coisas, a esvaziar tudo aquilo que o transcende.
Assim, tudo descambou para o racionalismo: o que vale é a razão humana, a sua inteligência.
A razão pode alcançar toda a verdade.
Só se deve confiar na razão e não confiar nos dogmas religiosos.
Depois passa-se ao subjectivismo: o que conta é o sujeito.
As realidades são todas subjectivas quer para o sujeito, quer em si mesmas.
Não há realidades objectivas.
Depois segue-se o agnosticismo (diz que o ser humano não consegue alcançar um conhecimento absoluto sobre certos fenómenos, tal como Deus e o sobrenatural) ou ateísmo (nega a existência de Deus, valoriza só a vida terrestre) e materialismo dialéctico (tudo se reduz à matéria.
Os valores supremos são os bens materiais, o dinheiro, o prazer, o poder, o sucesso, a fama.
Toda esta mentalidade foi afastando Deus da vida das pessoas que passaram a dar mais importância à ciência, à técnica, ao progresso.
Tudo isso é bom e Deus quer que o homem progrida, que domine a terra e o universo com a inteligência que é um dom de Deus.
O problema é que a ciência e a técnica entusiasmaram ou concentraram o homem na matéria.
Toda a preocupação e sabedoria foram ter mais meios para dominar a matérias.
E só a sabedoria e ciência que dominam a matéria é que foi valorizada. Até o homem passou a ser entendido apenas no seu aspecto técnico, material.
A eficácia material desagregou o Homem porque lhe faltou uma Sabedoria.
Hoje há muita informação, muita formação humana;
muito conhecimento técnico e científico,
mas falta a SABEDORIA que é dom do Espírito Santo, dom de Deus.
O progresso tornou-se ambivalente (mistura de bem e de mal).
Os humanismos não criaram um paraíso na terra.
A violência, a insegurança, as guerras, o terrorismo, as doenças, a destruição da natureza (poluição dos mares, rios, lagos, incêndios, destruição da camada protectora do ozono, aquecimento global, destruição das florestas) aumentam cada vez mais.
O esforço e o progresso humano são admiráveis em muitos aspectos, mas são mesquinhos porque esquecem o essencial: Deus.
A nossa civilização ocupa-se dos “mecanismos”, mas esquece o “ser”. Ocupa-se do “como”, mas esquece o ”porquê”.
Porque é que existem as coisas em vez do nada.
Onde está a razão de ser do mundo e das pessoas?
Este mundo não tem a razão de ser nele mesmo.
Tudo nele é contingente, tudo nele é dependente.
Se este mundo vem do não-ser (não existia antes de existir).
Logo, alguém lhe deu o ser e Esse alguém nós católicos chamamos Deus; e vai para o não-ser através da degradação progressiva da energia.
A ciência moderna nunca chegará a perceber a perceber que o cosmos existe por acto de amor livre e gratuito de Deus que deu o ser ao não-ser.
O homem progride no aspecto científico, mas regride na sua referência ao essencial, a sua dimensão espiritual ligada a Deus.

P. Albano Nogueira
(continua)

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

MISTÉRIO DE DEUS – 2



“À procura de Deus andamos todos…”

O homem, será a resposta para tudo?
Já no tempo do áureo da civilização grega, Protágoras, 492 a.C., um filósofo dizia que “o homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são."
Claro que esta afirmação foi feita por alguém cujo único horizonte é este mundo, em que o homem só conta com a sua opinião e nem sempre conta com a opinião dos outros.
É uma frase em o relativismo é aceite na sua expressão máxima.
Vale tudo, tudo está certo, tudo é bom.
É a ditadura do relativismo de que fala o Papa Bento XVI.
Se o homem é a medida de todas as coisas, as leis, as regras, as culturas podem ser determinadas pelos homens sem uma relação a um ser divino.
A mentalidade moderna é que o homem tem e é resposta para tudo.
Só o homem, diz a época moderna, libertado pela “morte de Deus”.
São os humanismos que já vêm do tempo da Renascença – séc. XIV-XVI. Deu-se um regresso ao paganismo.
Colocou o homem no centro do mundo (antropocentrismo) e não já Deus (teocentrismo).
Depois vem o séc. XVII e XVIII com novos filósofos que instalou a dúvida metódica, com o século das luzes, onde a Enciclopédia proclamou um novo saber universal que desembocou em violências irracionais, como a Revolução Francesa que proclamou os direitos do Homem, mas massacrou, sem escrúpulos, muitas vezes sem julgamento, os homens que pareciam incómodos a esta causa.
O século XIX é outra etapa na tentativa da “morte de Deus” com o marxismo.
Com a ideia da libertação de Deus e da religião a revolução marxista trouxe perseguições, prisões e morte a milhões de pessoas.
O homem moderno encerrou-se num humanismo fechado.
Libertou-se de Deus e tentou encontrar em si mesmo a resposta aos seus problemas.
O homem passou a adorar-se a si mesmo.
A nossa sociedade moderna dos meados do séc. XX e deste séc. XXI apresenta-nos até onde nos pode levar esta mentalidade humanista sem Deus, sem moral, sem ética, sem religião, sem valores profundos…
Toda a crise moderna tem a ver com uma sociedade centrada só na pessoa humana esquecendo as suas raízes judaico-cristãs, uma sociedade materialista, consumista, escrava do lucro onde o lucro, a especulação, o dinheiro ditam leis sem ter muito em conta os direitos e a dignidade das pessoas.
Como já ouvimos dizer muitas vezes: a crise dos tempos actuais não é só financeira, económica, mas também crise ética, crise moral, crise de valores humanos e cristãos.
A economia separou-se da ética; a política faz-se sem ética, a publicidade e a propaganda são agressivas, sem ética, sem verdade, sem vergonha e esmagam os mais distraídos que se deixam engolir pela propaganda.
A autonomia das realidades temporais é importante e necessária, mas não se pode absolutizar a ponte de escravizar as pessoas e não as respeitar nos seus direitos.

Pe. Albano Nogueira

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O MISTÉRIO DE DEUS – 1

albanosousanogueira@sapo.pt

“Queria encontrar Deus…
Tanto O procuro
Será que O encontro?”

Deus é um mistério que não se impõe por si mesmo a ninguém.
A Sua revelação é sempre indirecta e implica que a pessoa tenha uma certa pré-disposição para as realidades espirituais que ultrapassa a realidade material, visível, palpável e que se pode.
Hoje assiste-se a um certo vazio de Deus e quando se fala em Deus, fala de um Deus distorcido e deturpado pelo desconhecimento e ignorância.
Os cristãos deveriam ser ensinados a OLHAREM O MUNDO COM O OLHAR DE DEUS, que é bem diferente do homem entregue a si mesmo.
Só Deus nos concede a graça de contemplar a VERDADE segundo a Sua luz que é Amor.
Na verdade, tudo vem do Amor (Deus) e tudo se encaminha para o Amor (Deus):
Amor do Deus Criador (Deus Pai),
Amor do Deus Salvador (Deus Filho – Jesus Cristo) que deu a Sua vida pelos seus amigos;
Amor do Deus Santificador (Deus Espírito Santo) que actualiza em cada lugar e em cada tempo a salvação divina aplicada a cada pessoa.
Que faremos nós deste amor?
É a questão que Deus nos põe.
Um cristão tem de saber olhar o mundo e as pessoas como Deus os olha; mas, para isso, tem de saber olhar para Deus, na Sua relação connosco, com o mundo que Ele criou.
Porém, tudo isto é muito estranho ao nosso mundo e à nossa cultura, mas é algo de muito essencial: olhar o mundo com o olhar de Deus e olhar Deus, na sua relação connosco.
Deus não é um mito, uma abstracção, uma energia.
Ele é uma FORÇA, Ele é uma FONTE. Ele é ALGUÉM.
Ele está mais próximo de nós do que nós pensamos.
Ao reencontrá-l’O como Princípio (Origem) e Termo (Meta) de todas as coisas, nós alargamos a nossa perspectiva mesquinha até ao mais longínquo passado e até ao mais longínquo futuro para o qual Deus nos chamou.
O importante não é apenas ver e dizer (julgar) que o mundo está mal e que se afastou de Deus.
O importante não é só fazer o diagnóstico e dizer que uma pessoa está doente com tal doença.
Isso é importante, mas depois deve-se fazer todo o possível para se curar e salvar o doente.
O mesmo se diga do Homem de hoje que precisa de Cura e de Salvação.
O Homem está doente e, tantas vezes não se apercebe disso.
Está doente porque cortou com a raiz da vida e a raiz da vida é Deus.
Ao cortar com Deus, tantos homens e mulheres são como flores cortadas, destinadas a secar, a morrer, sem perceber o porquê.
Sem a ligação à VIDA e ao AMOR que é Deus, muitos não encontram o sentido, o rumo para a sua existência.
Acabam por não saberem plenamente qual a sua verdadeira identidade. Saber:
“Quem sou eu?
Que faço aqui neste mundo?
Para que serve a minha vida.
Que fazer para me realizar e ser feliz?
Para onde vou? Que me espera no fim da existência?
Qual o sentido do sofrimento?
Só a fé em Deus permite ajudar a pessoa a responder plenamente a estas perguntas que iluminam, dão sentido e gosto de viver.

P. Albano Nogueira.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

HÁ CATÓLICOS QUE NUNCA REZAM

albanosousanogueira@sapo.pt

(P. Zezinho, Se eu pudesse falar aos jovens, ed Paulistas)

A oração de muitos católicos está em crise.
Há pessoas que nunca rezam.
Não acham necessário ou não se sentem dispostos a fazê-lo.
Há outros que só rezam nas aflições, nas desgraças, para pedir a Deus favores.
Esta fé é um pouco interesseira e quem assim procede tem de purificar a sua forma de rezar.
Há ainda aqueles que rezam todos os dias e se sentem muito bem e são um instrumento de paz para os outros.
Rezam pelos outros e procuram viver como Jesus desejava que os seus amigos vivessem.
A oração não deve ficar apenas nos lábios.
Tem de ir ao fundo do coração para trazer à pessoa a libertação que Jesus deseja.
Muitos homens e mulheres modernos apenas acreditam em si.
Já não acreditam em Deus.
Por isso, não rezam.
Ninguém reza a si mesmo.
Rezar é um acto de adesão a Deus, a um ser pessoal.
É diálogo entre a criatura e o Criador.
Diálogo entre um filho(a) e seu Pai do Céu.
Quem reza, fá-lo porque acredita e acredita porque sente a sua limitação e o Ilimitado d’Aquele a quem reza.
Quando dialogas e partilhas a tua vida com Deus, assumes uma posição mais de humildade, de esperança, de confiança.
A oração aumenta as tuas potencialidades e faz de ti uma nova realidade e te ajuda a recomeçar tudo de novo.
Se não rezas nunca, corres o risco de te transformares numa lâmpada apagada.
Enfeita, mas não resolve, não brilha, não dá luz.
Parece, mas não é.
Há cristãos do faz de conta…
Parece que são cristãos católicos, mas na realidade não são.
Não são porque não têm vida espiritual, não rezam, não praticam a sua fé, não recebem sacramentos.
Há cristãos que só vão à igreja no dia do seu baptismo, algumas vezes na infância até à primeira comunhão.
Sem oração não há verdadeira vida cristã.
Sem oração não há identificação com Jesus Cristo.
- Se conhecesses o dom de Deus... Rezarias, falarias com o teu Pai do Céu todos os dias, como filho adoptivo de Deus que és.
- Se conhecesses o amor de Jesus Cristo por ti, falarias com Ele, escutá-lo-ias na Sua Palavra, especialmente na Eucaristia Dominical e recebe-lo-ias na sagrada comunhão. Ele seria o teu grande amigo de todas as horas...
- Se conhecesses a presença do Espírito Santo em Ti, terias intimidade com Ele no silêncio do teu quarto e na tua vida de cada dia...
A oração é a respiração espiritual da alma unida a Deus...
Pe. Albano Nogueira

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

VIDA INTERIOR


albanosousanogueira@sapo.pt

(Tirado de P. Zezinho, Se eu pudesse falar aos jovens, ed Paulistas)

VIDA INTERIOR PARA QUEM QUER VIVER PLENAMENTE

Há pessoas cujo esquema de vida não vai além da flor da pele.
Vivem para as coisas exteriores e nem sequer chegam a entender que seja possível viver interiormente.
As suas preocupações são quase sempre as mesmas: dinheiro, roupa, sapatos, carro, melhor emprego, sexo, infidelidade, futebol, mulher/marido de outra, filme sujo, teatro de revista, comida, férias, totobola, euro - milhões, crendices, superstições, posição, fortuna, namorados (as), homens, etc…
Dizer a esta gente que rezas, que conversas com Deus, que lês a Bíblia, que meditas, que procuras ter paz interior, é o mesmo que sentar-se num muro e falar a tijolos sobre filosofia e teologia…
Os nossos sentimentos precisam de ser educados e é preciso crescer interiormente para se atingir a dimensão de adultos.
Há muitos adultos formados em muitos ramos do saber, mas continuam sem vida plena, abundante de que fala Jesus no evangelho.
Não há muita coisa dentro deles.
São vazios, superficiais, banais.
Se não rezas, se não pensas em Deus, é possível que estejas a viver, mas muito pouco.
Há pessoas que são como os carros: andam ao baixo, mas não têm gasolina no seu interior, não avançam a subir…
Há indivíduos espectaculares…
O tempo é que se encarrega de provar se a sua graça vem de fora ou vem de dentro.
Jesus Cristo tinha uma vida intensa interior.
E se queres ser chamado de seu amigo, tens de ter também uma vida interior intensa.
Uma vida interior que é oração, diálogo pessoal com Deus, fé, adesão à Igreja Católica, prática sacramental: Missa de Domingo, Confissão, Comunhão, oração pessoal diária, oração comunitária.
A Igreja Católica é única Igreja (comunidade) fundada por Jesus Cristo, as outras foram fundadas por outros homens.
Vida interior que é estar em união espiritual a Jesus Cristo e à sua doutrina = estar na graça de Deus, na sua amizade, viver de acordo com a sua lei.
“Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”, disse Jesus Cristo.
Hoje muita gente vive: come, bebe, dorme, trabalha, casa-se, tem filhos, mas pode-lhe faltar a vida interior, a vida espiritual, aquela vida que nos eleva acima nos animais irracionais.
Sem vida interior, somos como um tambor: podemos fazer muito barulho, mas estamos ocos por dentro.
Esse é o risco que correm muitos homens e mulheres do nosso tempo: fazem barulho, dão nas vistas, mas estão vazios por dentro…
Porque lhes falta a dimensão espiritual e superior que dá à vida um rumo, um sentido, uma significado novo não só para a vida neste mundo, mas também a vida depois deste mundo.

Pe. Albano Nogueira

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

INSPIRAÇÃO DOS LIVROS DA BÍBLIA

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Cada livro sagrado tem duplo autor:
-
1 - Deus é o autor principal da Bíblia.
-
Aí não há erros quanto às verdades de fé ou de moral.
Pela inspiração, Deus é o responsável por essas verdades de fé.
Nunca esquecer que a Bíblia não tem verdades científicas.
Apenas verdades da fé que conduzem o Homem e conhecer, amar e seguir a vontade e o plano de Deus para ser feliz e se salvar...
Foi Deus quem moveu aqueles homens a que escrevessem sem erro tais verdades.
Esses livros merecem-nos crédito e possuem essencialmente um ensino religioso.
Transmitem verdades religiosas.
Não transmitem de verdades científicas
-
2 - O escritor sagrado ou inspirado.
-
É o homem que escreveu, é o autor secundário.
Continua sempre livre e usa os seus conhecimentos humanos, grandes ou pequenos, certos ou errados.
Segue o seu gosto literário e apresenta escritos narrativos, poéticos, dramáticos, históricos...
Neste aspecto humano, pode errar como qualquer homem.
Assim, quando aborda questões meramente humanas, sejam de História ou de Ciências ou de Filosofia, merece o crédito de todo o escritor sério e consciencioso, onde há as marcas do tempo.

Para interpretar um livro inspirado, isto é, para saber o que Deus comunicou aos homens por esse escrito, a Igreja manda atender:
- à língua em que esse livro foi escrito e às suas leis gramaticais;
- ao tempo em que tal livro foi escrito,
- à cultura, aos mitos ou lendas desse tempo: para falar ao homem de sempre, Deus serviu-se de um homem de uma época; assim, nos seus escritos há coisas que são da época e outras que são de sempre, sendo estas muitas vezes expostas por aquelas;
- ao género literário do livro: um poema é diferente de um relato histórico; uma parábola ou uma imagem ensinam de forma diferente de uma frase directa e clara;
- à qualidade do autor inspirado e ao seu saber.
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Não se devem ler todas as passagens da Bíblia à letra.
Temos de procurar a MENSAGEM de Deus para todos os tempos.
Uma mensagem que é sempre actual e nunca passa, como as modas...
A Palavra de Deus é sempre actual.
Não se engana, nem nos engana.
É uma Palavra que ilumina a nossa vida e o nosso caminhar neste mundo.

sábado, 31 de julho de 2010

TUDO É VAIDADE

Este Domingo 18º do Tempo Comum do Ano C vamos ouvir na Eucaristia:
"Vaidade das vaidades, tudo é vaidade" (Eclesiastes ou Coeleth 1,2).
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Procuramos a felicidade nas coisas materiais... Mas isso não basta para sermos felizes.
Procuramos a felicidade nas pessoas...
Veja-se a promessa de amor no matrimónio.
Mas as pessoas, tantas vezes, nos decepcionam e nós também as desiludimos.
Esta é uma grande verdade.
Tudo é vão, tudo passa.
Só Deus permanece...
Apegar-se demasiado a coisas materiais e pessoas é uma ilusão, pois tudo passa...
Apegar-se a Deus, pois Ele permanece.
As coisas materiais desiludem.
As pessoas desiludem-nos e nós desiludimos os outros...
Só Deus não desilude...
A fonte da vida está só em Deus
Só Deus nos pode tornar plenamente felizes.
Não tanto do jeito que nós queremos.
Mas ser felizes do jeito que Deus quer.
Aspirar às coisas do Alto, às coisas espirituais, divinas.
Não aspirar a poder, honras, riquezas, grandezas, fama, pois tudo isso é vão, ilusão, espuma do mar.
O nosso coração foi feito para Deus e só em Deus encontrará a felicidade.
Deus é Comunhão, Deus é Amor e só na comunhão e nos amor seremos felizes.
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Ensina-me, Senhor, esta lição, esta sabedoria,
que é dom do Espírito Santo.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

AS VERDADES DA FÉ


albanosousanogueira@sapo.pt
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As verdades reveladas por Deus não estão em desacordo com as outras verdades adquiridas pelo trabalho da inteligência em qualquer investigação.
Mas essas verdades são mais importantes, pois relacionam-se:
- com o porquê do Homem sobre a Terra;
- com o valor da vida e de tudo quanto nos rodeia;
- com o fim para que nos encontramos sobre a Terra, sujeitos a todas as circunstâncias da nossa existência.
Não entendemos perfeitamente essas verdades?
Ficam sempre misteriosas para nós? Talvez.
E isso deve-se ao facto de a nossa inteligência ser pequenina relativamente a Deus, embora muito grande comparada com os instintos dos animais.
Mas não julguemos que, no mistério, tudo nos é inacessível, pois não é verdade. Embora a inteligência hu¬mana nunca possa igualar a Inteligência Divina, de que é simples reflexo ou imagem, essa inteligência humana, quando se debruça sobre as verdades reveladas, esclarece muitos pontos. É este o trabalho dos Teólogos, os sábios ou cientistas que estudam Deus, o que Deus nos revelou e como o revelou.

A INSPIRAÇÃO
A Revelação de Deus aos homens foi feita durante muitos anos e directamente a alguns homens ou a um Povo, o Povo de Deus.
Esta Revelação divina chegou até nós por dois caminhos:
- pela tradição escrita;
- pela tradição oral.
Tendo Deus falado a alguém, essa pessoa comunicava-o aos outros de viva voz. Esse era, antigamente, o processo normal.
Mas quando a escrita foi generalizando, houve quem escrevesse essas verdades em papiros, pergaminhos, dos quais possuímos hoje cópias nas diferentes edições da Bíblia.
Mas não podiam os autores que escreviam essas verdades falsear o pensamento divino?
Não. Trata-se de autores inspirados por Deus:
Deus assistiu aos escritores sagrados de tal forma que, reservando eles as suas qualidades e defeitos de escritores humanos, não errassem na comunicação das verdades divinas.
Esta acção divina chama-se INSPIRAÇÃO.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

DAR AS MÃOS

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albanosousanogueira@sapo.pt
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Estive de férias no estrangeiro- Espanha.
Não tinha acesso aos jornais portugueses.
Terça-feira comecei a receber muitos telefonemas e sms a dizerem-me que o que tinha escrito no meu blog estava a ser citado nos jornais.
Como não sabia a forma como o jornalista estava a usar os meus textos, decidi usar a internet do hotel para tirar os meus textos do blogue.
Além disso, umas frases tiradas do contexto podem ser mal interpretadas...
Foi essa a razão pela qual tirei os textos do meu blogue.
Diz a sabedoria: há tempo para falar e tempo para calar.
Eu disse o que achei que devia dizer,
mas agora chegou o tempo de me calar.
Não convém deitar mais lenha na fogueira.
A decisão está tomada, o Sr. Arcebispo Primaz de Braga não volta atrás.
É tempo de interiorzarmos todos a nomeação dos novos párocos de Fafe, colaborar com eles e todos aceitarem os novos párocos, tal como o Padre José Lopes já disse.
Depois da tempestade, tem de vir a bonança...
Todos temos a ganhar com a paz na Igreja Católica de Fafe e ajudar a dar um novo dinamismo à cidade de Fafe em comunhão e união com os novos párocos de Fafe.
É tempo de darmos as mãos aos novos párocos de Fafe...
Já discordámos, já protestámos, já dissemos ao Sr. Arcebispo a nossa revolta, agora é preciso acalmar as águas.
Precisamos de Paz na Igreja Católica de Fafe e todos temos de dar as mãos para o conseguirmos.
Deus escreve direito por linhas tortas.
O que foi um mal (a remoção do Pe. Lopes) pode ser usada por todos para o bem: dar mais dinamismo à cidade de Fafe a nível religioso...
Obrigado a todos pelo apoio que deram ao Pe. Lopes e a mim também que fui solidário com ele e fiz tudo o que dependia de mim (antes da nomeação) para dar outro rumo a esta situação, mas nada consegui...
Seria bom que as pessoas parassem com todas as manifestações contra a decisão de remover o padre Lopes de Fafe.
A partir de agora, se as manifestações de protesto continuarem, quem vai ficar prejudicado ainda mais, vai ser o Padre Lopes.
Quanto mais tempo arder a fogueira da revolta, mais as pessoas (todas) se queimam...
Espero que entendam esta minha mensagem...
Vamos todos aceitar educadamente a nova situação.
Deus seja louvado.
Que Ele nos abençoe a todos e nos ajude a viver no seu amor e no amor ao próximo.
Pe. Albano Nogueira

terça-feira, 20 de julho de 2010

DEUS É AMOR

DEUS É AMOR,
DEUS É VIDA,
DEUS É CRIADOR,
DEUS É SALVADOR
DEUS É SANTIFICADOR.
++++++++++++++++++++

SER CRISTAO CATÓLICO É CONSTRUIR COMUNHAO...
AMAR A DEUS,
AMAR AOS OUTROS,
AMAR A SI MESMO
AMAR A NATUREZA...
AMAR E PERDOAR...
QUEM AMA MUITO PERDOA MUITO...
QUEM AMA POUCO PERDOA POUCO...
TODOS TEMOS DE AMAR MUITO E PERDOAR MUITO...
JESUS CRISTO É O NOSSO MODELO DE AMOR E DE PERDAO
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PE. ALBANO NOGUEIRA

sábado, 17 de julho de 2010

- ESPIRITUALIDADE (6)



O acto pelo qual acreditamos em Deus chama-se Acto de Fé.
Mas aqui já não se trata de fé humana, isto é, de acreditar nos homens.
Agora, acreditamos em Deus e nas verdades por Ele reveladas.
Tudo quanto sabemos pela fé humana o podíamos saber directamente por nosso esforço, se tivéssemos tempo, instrumentos próprios, sabedoria, etc.
Mas quando se trata das verdades divinas reveladas por Deus, o que é objecto de Fé divina, já tudo é diferente: por mais tempo que possuíssemos, por mais sábios que fôssemos, nunca lá chegaríamos.
Nesse caso, Deus tem de conceder ao homem uma nova faculdade, por assim dizer.
Deus concede-nos a Fé, uma virtude sobrenatural pela qual acreditamos em Deus e nas verdades que Ele nos revelou e as vemos relacionadas com a nossa vida.
Porque a Fé ajuda-nos a aceitar e a compreender as verdades que Deus nos revelou e a pôr em prática os seus ensinamentos.
A Fé é um dom de Deus, que devemos pedir, embora nunca o mereçamos.
Mas Deus dá-nos o dom da fé que devemos pedir cada dia.
E pela fé vemos o que se encontra para além do que a nossa inteligência descobre e nunca se opõe a ela, antes a prolonga.
A Fé prolonga os conhecimentos adquiridos pela inteligência.
Quem vive da Fé possui um conhecimento novo.
Sabe que Deus se encontra em tudo, que tudo fala de Deus, que tudo conduz a Deus. Sabe que a História, quer do Universo com os seus astros, quer do Homem sobre a Terra, se desenrola na presença de Deus e que Deus está em todas as transformações materiais ou sociais.
Não vamos entender esta presença de Deus à maneira de um pedreiro que junta as pedras de um edifício. Nem ao modo de um chefe militar a dar ordens aos exércitos. A presença de Deus é normalmente Providência:
Deus está em tudo pelas leis que tudo regem;
Deus só extraordinariamente interfere com acções especiais, denominadas milagres.
Deus é discreto, escondido e dificilmente se mostra de forma directa.
Temos de O perceber de forma indirecta, como uma pegada que aponta para quem a fez.
Não vimos quem foi, mas dizemos que alguém foi: homem ou animal…
A nossa sociedade vive em crise de Fé porque se tornou materialista, escrava do que vê, do que percebe, do que ouve e Deus não se vê, não se entende, não se ouve directamente. Por isso, se abandona a fé e a prática religiosa.
A nossa sociedade é utilitarista. Só vê as coisas e as pessoas pelo lado útil.
Rezar, praticar a religião, acreditar, não é “útil” segundo a mentalidade deste mundo… a não ser que Deus faça um “milagre”, uma “cura” e então já é “útil”…
A fé é um dom de Deus que ilumina e dá sentido á vida, mas só na medida em que a pessoa descobre esse Deus Vivo na sua vida e se relaciona com Ele na oração pessoal, individual, familiar e comunitária.
A oração é fundamental para a vida de um cristão e de um sacerdote.

terça-feira, 6 de julho de 2010

- ESPIRITUALIDADE (5)



Deus pode comunicar ao Homem algumas verdades desde que o faça de acordo com o mesmo Homem, para ele as entender.
Comunicará as verdades que achar convenientes ao Homem e quando o achar conveniente: também Deus usou o processo de comunicar lentamente o conjunto da Revelação.
Estas verdades tanto podem ter sido transmitidas a um homem isolado como a um povo.
Mas não se destinam apenas para esse homem isolado, nem para esse povo.
Um e outro são instrumentos que Deus usa para Se revelar a toda a Humanidade: à humanidade contemporânea desses homens isolados ou desse povo, assim como à humanidade que viria depois deles.
Aqueles que Deus escolheu para comunicar as suas verdades à Humanidade devem possuir sinais positivos:
Deus não ia falar através de pessoas que não possuíssem virtudes e boas qualidades.
Aqui está um sinal para se conhecer se alguém fala em nome de Deus: Pelos frutos se conhecem as árvores.
Também pelas acções se conhecem aqueles que dizem falar em nome de Deus.
Quando um professor ensina, tendo em conta o respeito pelo aluno, nunca este aluno sai diminuído.
Antes pelo contrário.
Também quando Deus ensina certas verdades, tendo em conta os legítimos direitos do Homem, nunca diminui o Homem nem o impede de desenvolver as suas qualidades naturais.
Pelo contrário: para o Homem entender bem o que Deus quis revelar-lhe, deve desenvolver mais e mais as suas qualidades humanas e estudar o meio em que tem vivido e vive.
Deus vem auxílio da pessoa dando-lhe talentos que valorizam as suas capacidades.
Talento é aquilo de bom que recebemos de Deus e que devemos desenvolver: a fé, a esperança, o amor, a bondade, a solidariedade.
É legítimo acreditar nos homens verdadeiros, embora também eles se enganem.
É mais legítimo acreditar em Deus.
Deus é a própria Verdade.
Deus não nos engana.
Deus não Se engana.