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terça-feira, 24 de novembro de 2009

2. PORQUÊ O ESQUECIMENTO DE DEUS?




2. A ciência moderna nunca chegará a perceber a perceber que o cosmos existe por acto de amor livre e gratuito de Deus que deu o ser ao não-ser.
O homem progride no aspecto científico, mas regride na sua referência ao essencial, a sua dimensão espiritual ligada a Deus.
O homem sem Deus (agnóstico ou ateu) é um homem desestabilizado, deformado, destronado, pois perdeu a sua raiz e o seu fim; a sua razão de ser o o seu futuro.
O que há de mais essencial no Homem (a sua dimensão espiritual e religiosa) atrofiou-se pela cultura moderna e então, porque não pode viver sem isso, procuram-se substitutos para a falta de Deus: nas canções sensoriais, na música agressiva e violenta (hard-rock), nos divertimentos, no dinheiro, no consumismo, nas ideologias, no poder, nos prazeres excessivos, na droga, no sexo sem amor que leva à desilusão e à frustração, no alcoolismo, nos medicamentos, na violência, jogos de azar, etc.
O homem precisa de amor purificado, de poesia, de ternura, de carinho humano fruto da consciência do amor de Deus por nós.
Sem Deus que é Amor e sem o amor humano que se entende à luz do Amor de Deus, o homem é um super-animal, reduzido a tomar consciência do seu absurdo pela sua inteligência.
O amor subsiste, mas muitas vezes, é impulsivo, irracional.

Uma vida sem amor não é possível e torna-se um inferno.
Mas hoje o amor é caricaturado, ridicularizado, desprezado, coisificado, deturpado e temos dificuldade em encontrá-lo nos dias de hoje.
Outros substitutos de Deus são as ideias bizarras, as modas, a obsessão pela novidade, a bruxaria, a astrologia, o espiritismo, os videntes, as superstições, as crendices, os horóscopos, etc.
São os novos mitos que a sociedade moderna criou para adorar em vês de adorar o verdadeiro Deus.
O homem, sem a sua dimensão metafísica, transcendente (o que vai para além da natureza física) relacionada com o ser e a sua dimensão religiosa, relacionada com Deus, seria um animal poderoso, acompanhado de uma infelicidade: o amargo privilégio de saber que vem do nada e que caminha para a morte (para o nada).

A solução, desta maneira de pensar sem Deus) é fechar-se na sua felicidade animal, viver no instante sem procurar mais longe (sem futuro).

O homem viveria apenas olhando para o seu umbigo, de forma egoísta, num activismo sem qualquer finalidade.

P. Albano Nogueira

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A EDUCAÇÃO DOS FILHOS





Há alguns anos a polícia de Houston, no Texas, Estados Unidos, publicou o que chamou de “Dez Regras Fáceis de Como Criar um Delinquente”.

É interessante reflectir sobre elas, especialmente os pais e os educadores. Para isso, vamos transcrevê-las:
1. Comece na infância a dar ao seu filho tudo o que ele quiser.

Assim, quando crescer, ele acreditará que o mundo tem obrigação de lhe dar tudo o que ele deseja.
2. Quando ele disser nomes feios, ache graça.

Isso o fará considerar-se interessante.
3. Nunca lhe dê qualquer orientação religiosa.

Espere até que ele chegue aos 21 anos, e “decida por si mesmo”.
4. Apanhe tudo o que ele deixar jogado: livros, sapatos, roupas.

Faça tudo para ele, para que aprenda a jogar sobre os outros toda a responsabilidade.
5. Discuta com frequência na presença dele.

Assim não ficará muito chocado quando o lar se desfizer mais tarde.
6. Dê-lhe todo o dinheiro que ele quiser.
7. Satisfaça todos os seus desejos de comida, bebida e conforto.

Negar pode acarretar frustrações prejudiciais.
8. Tome partido dele contra vizinhos, professores, policiais (Todos têm má vontade para com o seu filho).
9. Quando ele se meter em alguma encrenca séria, dê esta desculpa: Nunca consegui dominá-lo.
10. Prepare-se para uma vida de desgosto.


O aumento da delinquência juvenil é directamente proporcional à destruição dos lares e das famílias.

Na grande maioria dos casos, o “jovem problema” tem atrás de si “pais problemas”.
Quanto mais, portanto, as santas leis de Deus, em relação à família, forem desrespeitadas e pisadas pelos homens, tanto mais famílias destroçadas teremos, e tanto mais lágrimas rolarão dos olhos dos pais e dos filhos.
Ninguém será feliz desobedecendo às leis de Deus.

Antes de serem leis divinas elas são leis naturais.
E a natureza não sabe perdoar quem se põe contra ela.
Livro do Eclesiástico diz: “Aquele que ama o seu filho corrige-o com frequência, para que se alegre com isso mais tarde” (30,1).
Infelizmente são muitos os pais que não corrigem os seus filhos: ou porque são faltosos como pais ou porque também precisam de correcção, já que também não foram educados.
Mais à frente esse mesmo livro diz: “Aquele que estraga seus filhos com mimos terá que lhes curar as feridas” (30,7). Essa palavra é pesada: “estraga com mimos”.

A criança mimada torna-se problema; pensa que o mundo é dela e que todos devem servi-la. Não há coisa pior para um filho.

Isso ocorre muito com o filho único, objecto de “todas” as atenções e cuidados dos pais, avós e tios.
Não pode haver mal maior do que deixar uma criança abandonada, materialmente, mas principalmente na sua educação.
Muitos pais, vendo os filhos errarem, não os corrigem.

Temos que ensiná-los a usar a liberdade com responsabilidade.

E não lhes dar “toda” liberdade.
Se não conquistarmos os nossos filhos com amor, carinho e correcção sadia, eles poderão ir buscar isso nos braços de alguém que não convém. É preciso que cada lar seja acolhedor para o jovem, para que ele não seja levado a buscar consolo na rua, na droga, na violência... fora de casa.
O factor mais importante na educação é que os pais saibam conquistar os filhos; não com dinheiro, roupa da moda, ténis de marca, mas com aquilo que eles são; isto é, a sua conduta, a sua moral íntegra, a sua vida honrada e responsável. O filho precisa ter “orgulho” do pai, ter “admiração” pela mãe, ter prazer de estar com eles, ser amigo deles. Assim ele ouvirá os seus conselhos e as suas correcções com facilidade.
Sobretudo é importante o respeito para com os filhos; levá-los a sério, respeitar os seus amigos, as suas iniciativas boas.
Se você quer ser amigo do seu filho, então deve tornar-se amigo dos seus amigos e nunca rejeitá-los. Acolha-os em sua casa.
Diante dos filhos os pais não devem ser super-heróis que nunca erram. Ao contrário, os filhos devem saber que os seus pais também erram e que também têm o direito de ser perdoados.
E, para isso, os progenitores precisam aprender a pedir perdão para os filhos quando erram. Não há fraqueza nisso, e muito menos isso enfraquecerá a autoridade deles de pais.
Ao contrário, diante da humildade e da sinceridade dos pais, a admiração do filho por eles crescerá.
Tudo isso faz o pai “conquistar” o filho.
Os defeitos dos pais são os pais dos defeitos dos filhos.
As virtudes dos pais são os pais das virtudes dos filhos.
É importante que os pais saibam corrigir os filhos adequadamente, com firmeza é certo, mas sem os humilhar. Não se pode bater no filho, não se pode repreendê-lo com nervosismo nem o ofender na frente dos amigos e irmãos. Isso tudo humilha o filho e o faz odiar os pais.
Conquiste o filho, não com dinheiro, mas com amor, vida honrada e presença na sua vida. E, sobretudo, leve-o para Deus, consigo.

(tirado da net)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

PORQUÊ O ESQUECIMENTO DE DEUS?






2. O Porquê do esquecimento de Deus
Porque é que Deus, tão essencial, o único essencial, o Único a existir por Ele próprio e a Fonte permanente de toda a existência, é tão esquecido?
Isto tem a ver com as ideias que se foram espalhando e com a cultura.
Eu penso, Eu existo – Esta lógica tendia a fazer do homem a medida de todas as coisas, a esvaziar tudo aquilo que o transcende.

Assim, tudo descambou para o racionalismo: o que vale é a razão humana, a sua inteligência.

A razão pode alcançar toda a verdade.

Só se deve confiar na razão e não confiar nos dogmas religiosos. Depois passa-se ao subjectivismo: o que conta é o sujeito.

As realidades são todas subjectivas quer para o sujeito, quer em si mesmas. Não há realidades objectivas. Depois segue-se o agnosticismo (diz que o ser humano não consegue alcançar um conhecimento absoluto sobre certos fenómenos, tal como Deus e o sobrenatural) ou ateísmo (nega a existência de Deus, valoriza só a vida terrestre) e materialismo dialéctico (tudo se reduz à matéria.
Os valores supremos são os bens materiais, o dinheiro, o prazer).
Toda esta mentalidade foi afastando Deus da vida das pessoas que passaram a dar mais importância à ciência, à técnica, ao progresso.
Tudo isso é bom e Deus quer que o homem progrida, que domine a terra e o universo com a inteligência que é um dom de Deus.
O problema é que a ciência e a técnica entusiasmaram ou concentraram o homem na matéria.
Toda a preocupação e sabedoria foram ter mais meios para dominar a matérias. E só a sabedoria e ciência que dominam a matéria é que foi valorizada.
Até o homem passou a ser entendido apenas no seu aspecto técnico, material. A eficácia material desagregou o Homem porque lhe faltou uma Sabedoria.
O progresso tornou-se ambivalente (mistura de bem e de mal).
Os humanismos não criaram um paraíso na terra.
A violência, a insegurança, as guerras, o terrorismo, as doenças, a destruição da natureza (poluição dos mares, rios, lagos, incêndios, destruição da camada protectora do ozono, aquecimento global, destruição das florestas) aumentam cada vez mais.
O esforço e o progresso humano são admiráveis em muitos aspectos, mas são mesquinhos porque esquecem o essencial: Deus.
A nossa civilização ocupa-se dos “mecanismos”, mas esquece o “ser”. Ocupa-se do “como”, mas esquece o ”porquê”.
Porque é que existem as coisas em vez do nada. Onde está a razão de ser do mundo e das pessoas?
Este mundo não tem a razão de ser nele mesmo. Tudo nele é contingente, tudo nele é dependente.
Se este mundo vem do não-ser (não existia antes de existir).
Logo, alguém lhe deu o ser e Esse alguém nós católicos chamamos Deus; e vai para o não-ser através da degradação progressiva da energia.

P. Albano Nogueira

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

REENCONTRAR DEUS, ESSE DESCONHECIDO

René Laurentin, A Igreja do Futuro, ed Paulistas, Lisboa, 1991.

Hoje assiste-se a um certo vazio de Deus e quando se fala em Deus, fala de um Deus distorcido e deturpado pelo desconhecimento e ignorância.
Os cristãos deveriam ser ensinados a OLHAREM O MUNDO COM O OLHAR DE DEUS, que é bem diferente do homem entregue a si mesmo. Só Deus nos concede a graça de contemplar a VERDADE segundo a Sua luz que é Amor.
Na verdade, tudo vem do Amor (Deus) e tudo se encaminha para o Amor (Deus): Amor do Criador (Deus Pai), amor do Salvador (Deus Filho – Jesus Cristo) que deu a Sua vida pelos seus amigos.
Que faremos nós deste amor? É a questão que Deus nos põe.
Um cristão tem de saber olhar o mundo (e as pessoas) como Deus o olha, mas, para isso, tem de saber olhar para Deus, na Sua relação connosco, com o mundo que Ele criou.
Porém, tudo isto é muito estranho ao nosso mundo e à nossa cultura, mas é algo de muito essencial: olhar o mundo com o olhar de Deus e olhar Deus, na sua relação connosco.
Deus não é um mito, uma abstracção, uma energia.
Ele é uma FORÇA, Ele é uma FONTE. Ele é ALGUÉM.
Ele está mais próximo de nós do que nós pensamos.
Ao reencontrá-l’O como Princípio (Origem) e Termo (Meta) de todas as coisas, nós alargamos a nossa perspectiva mesquinha até ao mais longínquo passado e até ao mais longínquo futuro para o qual Deus nos chamou.

O importante não é apenas ver e dizer (julgar) que o mundo está mal e que se afastou de Deus. O importante não é só fazer o diagnóstico e dizer que uma pessoa está doente com tal doença. Isso é importante, mas depois deve-se fazer todo o possível para se curar e salvar o doente.
O mesmo se diga do Homem de hoje que precisa de Cura e de Salvação.

1- O homem, resposta para tudo?
A mentalidade moderna é que o homem tem e é resposta para tudo.
Só o homem, diz a época moderna, libertado pela “morte de Deus”.
São os humanismos que já vêm do tempo da Renascença – séc. XIV-XVI. Deu-se um regresso ao paganismo. Colocou o homem no centro do mundo (antropocentrismo) e não já Deus (teocentrismo).
Depois vem o séc. XVII e XVIII com novos filósofos que instalou a dúvida metódica, com o século das luzes, onde a Enciclopédia proclamou um novo saber universal que desembocou em violências irracionais, como a Revolução Francesa que proclamou os direitos do Homem, mas massacrou, sem escrúpulos, muitas vezes sem julgamento, os homens que pareciam incómodos a esta causa.
O século XIX é outra etapa na tentativa da “morte de Deus” com o marxismo. Com a ideia da libertação de Deus e da religião a revolução marxista trouxe, perseguições, prisões e morte aos milhões.
O homem moderno encerrou-se num humanismo fechado. Libertou-se de Deus e tentou encontrar em si mesmo a resposta aos seus problemas. O homem passou a adorar-se a si mesmo.
(continua)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

RAZÕES PARA ACREDITAR EM DEUS

albanosousanogueira@sapo.pt


São várias as razões que nos levam a acreditar que Deus existe.

Temos a natureza criada (criação), onde se inclui o Homem e temos a revelação bíblica.
A natureza, o cosmos, o universo, para quem tem fé, é uma revelação de que Deus existe.

O cosmos é uma criatura que reclama um criador.

Todas as criaturas reclamam um criador.

Uma criatura só pode existir se alguém a criou, alguém a originou.
A ciência diz que tudo começou com o big bang, uma grande explosão.
Wikipedia: “Em
cosmologia, Big Bang é a teoria científica que defende surgimento do universo a partir de um estado extremamente denso e quente há cerca de 13,7 bilhões de anos, já que toda a matéria e energia estariam comprimidas em um único ponto. Ela baseia-se em diversas observações que indicam que o universo está em expansão baseado na teoria da Relatividade Geral.
Em sentido mais estrito, o termo "Big Bang" designa a fase densa e quente pela qual passou o universo.
Não vamos entrar na compreensão científica do big bang que é muito complexa.
Mas fica a questão: o que é que explodiu? Se nada existia, como é que explodiu?

Foi uma singularidade que os cientistas não sabem dizer qual a especificidade dessa singularidade.
Os cientistas dizem que foi obra do acaso.

Antes do big bang nada existia, nem o tempo nem o espaço. Se nada existia, como é que explodiu? O nada não explode porque não existe.
Nenhum ser dá o “ser” a si mesmo. Nenhum ser existe por si mesmo.

Nenhum ser se cria a si mesmo. Nenhum ser se origina a si mesmo.

Um ser vem de outro ser, ainda que venha a evoluir para algo diferente.

Nenhum ser tem em si a razão de ser. Logo, a razão de ser e de existir de um ser tem de vir de fora de si mesmo.
Tem de haver um ser que não tenha noutro a sua razão de existir, que não dependa de outro para existir. A esse ser chamamos de “DEUS”.
Outra questão importante é esta: a ciência fala do “começo” do universo que teria acontecido há 13,7 biliões de anos. Mas falta a pergunta: onde está a “origem” do universo?

Quem é que deu origem ao universo. É que “começo” e “origem” não são a mesma coisa.
Eu tive um começo na primeira célula: ovo, mas a origem de mim não está em mim mesmo, mas fora de mim: está nos meus pais. Nenhum ser se gera a si mesmo, nenhuma ser dá o ser a si mesmo. O mesmo se diga do universo.

O Universo teve um começo, um início, mas a origem não está nele mesmo, mas fora dele mesmo. Toda a criatura (criada no tempo e no espaço) exige um criador.
Ora o criador do universo, para quem tem fé, não é obra do acaso, mas Deus.

Deus é o Criador que dá origem a todas as criaturas.
Tudo o que existe, não existe por si mesmo. Nada dá o ser a si mesmo.

O universo não se criou a si mesmo.

O universo é criatura, criado, tem um começo no tempo e no espaço.
Portanto, se é criatura, se teve um começo, alguém lhe deu origem e isso é uma “prova” (indirecta) de que Deus existe.

É uma reflexão que leva a uma conclusão lógica. Todas as criaturas exigem um criador.
A natureza, o universo criado é uma “prova” de que Deus existe.

Claro que quem quiser dizer que o big bang é obra do acaso, pode dizer…

Para quem não tem fé o universo não prova que Deus existe.
Além deste “livro” (o universo) que nos “fala” de Deus, existe a REVELAÇÃO BíBLICA que nos revela a acção de Deus, a presença de Deus no mundo e na história. Mas revela a quem tem fé… Porque a quem não tem fé, tudo é natural.
Cristo é Deus, mas foi morto porque não revelou de forma clara, evidente e irrefutável a sua natureza divina. Porque se por um lado Jesus revelou Deus, também escondeu Deus quando aceitou a sua fragilidade ao ser preso e morto na cruz.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

IMAGENS DISTORCIDAS DE DEUS


Sete imagens distorcidas de Deus

Escrito por Neves Amado – Enviado por Rosa Maria Silva

“Deus”. Quando dizemos esta palavra temos alguma ideia na cabeça, uma “imagem” de Deus. Claro que qualquer ideia que tivermos de Deus, por melhor que ela seja, será sempre incompleta (Deus é sempre muito maior que a nossa cabeça). Mas, por vezes, para além de incompleta, a ideia que temos de Deus está distorcida. Aqui vão algumas dessas imagens distorcidas de Deus:
1. O DEUS-ENERGIA.
Algumas pessoas pensam que Deus é uma “energia positiva”, talvez a energia do amor. De facto, Deus dá muita energia a quantos dele se aproximam. Mas a energia não é Deus. A energia é impessoal - e Deus é pessoal.
Ou seja: Deus é um Alguém que nos conhece e com quem podemos falar e ter uma relação de amizade. Ninguém fala com a energia eléctrica! (a não ser num hospital psiquiátrico!).
2. O DEUS-UNIVERSO.
Algumas pessoas pensam que Deus é o conjunto do universo. De facto, o universo reflecte um pouco de quem é Deus. Mas Deus não é o universo: Deus é o criador do universo.
O universo reflecte quem é Deus - tanto quanto uma obra de arte reflecte a personalidade do artista que a criou. Uma coisa é o quadro que representa a Mona Lisa e outra é Leonardo Da Vinci, o autor do quadro.
3. O DEUS DAS MARIONETAS.
Algumas pessoas pensam que Deus é como um manipulador de marionetas. As marionetas seríamos nós!! Ou seja: pensam que o nosso destino está traçado e controlado por Deus. Mas não é assim: Deus dá e respeita a liberdade que deu ao mundo e a cada um de nós.
Está sempre connosco mas não nos controla, nem mesmo quando nós decidimos negá-Lo ou não Lhe dar importância.
4. O DEUS-POLÍCIA.
Algumas pessoas pensam que Deus anda atrás de nós como um polícia, para ter a certeza de que é cumprida a lei (a ordem moral, os mandamentos).
De facto, Deus anda atrás de nós e persegue-nos - mas não por causa de lei, apenas porque nos ama. Ele anda atrás de nós como um rapaz apaixonado anda atrás da rapariga por quem se apaixonou. Não está interessado em que a lei seja mantida, Deus está interessado em nós porque nos ama. Se nos dá mandamentos é para nos indicar o caminho da nossa verdadeira felicidade. Essa é a única coisa que lhe interessa…
5. O DEUS-COMPANHIA-DE-SEGUROS.
Algumas pessoas esperam que a sua fé funcione como um seguro: se tiverem “as contas em dia” com Deus ficarão protegidas dos perigos e problemas que mais temem (a doença, o fim do namoro ou casamento, etc). De facto, uma boa relação com Deus dá-nos força e um sentimento grande de “abrigo” - mas não nos protege das dificuldades da vida.
Mais: uma relação séria com Deus desafia-nos, puxa por nós e convida-nos a ir mais longe na maneira de estarmos na vida. Leva-nos até, por vezes, a enfrentar riscos que não teríamos sem Ele (como aconteceu aos primeiros cristãos no circo de Roma).
6. O DEUS RELOJOEIRO.
Algumas pessoas pensam que - há muito, muito tempo - Deus criou o mundo e depois ficou simplesmente a observar. Como um relojoeiro depois de ter acabado de fabricar um relógio ao qual já deu corda…
De facto o mundo tem a sua autonomia mas Deus não Se limita a observar: está sempre presente e activo, encontrando mil e uma maneiras discretas de nos bater à porta para intervir na nossa vida.
Ou seja: continua a criar-nos (tal como um pai anda a criar um filho) falando-nos e dando-nos continuamente oportunidades e meios de crescimento.
7. O DEUS PRINCIPEZINHO.
Algumas pessoas associam Deus ao lado adolescente da vida: às emoções fortes, à poesia, à intimidade, à música, ao “pôr-do-sol”…
É um Deus que só está presente nos “momentos mágicos”. De facto, há momentos “mágicos” e poéticos na vida de quem tem fé. Mas também há momentos duros. E Deus continua a estar lá…
O mesmo Deus que criou o pôr-do-sol também deu a Sua vida por nós numa cruz.
Deus revela-se na poesia mas também está presente nos momentos duros, inspirando-nos fidelidade e capacidade de superação de nós mesmos.…
É assim o Deus que Jesus revelou e tratava por “Pai”.
Pe Nuno Tovar de Lemos, sj