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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A TEOLOGIA COMO REVERSO DA HISTÓRIA


albanosousanogueira@sapo.pt
http://operfumededeus.blogspot.com
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A história pode ser vista e contada do ponto de vista dos vencedores, do homem adulto, emancipado.
Mas há outro ponto de vista da história: o ponto de vista dos oprimidos, dos pobres, dos explorados.
Há uma história entendida como progresso, que marginaliza e despreza a história dos vencidos; mas há o reverso da história que faz memória e recorda os oprimidos, esquecida e não escrita tantas vezes, do seu presente de dor, de luta, de esperança, de sonho do seu futuro.
O sujeito desta outra história é o outro, o conjunto das não-pessoas, as classes exploradas, oprimidas, marginalizadas, desprezadas.
A Deus, em primeiro lugar, O contemplamos, ao mesmo tempo que pomos em prática a Sua vontade, seu Reino.
Somente depois se pensa nele.
O mistério de Deus vive na contemplação e vive na prática do seu desígnio sobre a história humana.
O momento inicial é o silêncio.
A etapa seguinte é o falar.
A teologia deve procurar a libertação das não-pessoas e ser o reverso da história, por meio da caridade como centro da vida cristã, que leva a ver a fé bíblia como um acto, uma saída de si mesmo, como um compromisso com Deus e com os ouros (próximo) …
Ter uma postura nova diante da vida.
Depois vem a espiritualidade que é uma espécie de síntese entre a contemplação e a acção e leva a descobrir o valor religioso e o profano e ao aprofundamento do agir cristão no mundo.
A vida da Igreja devia ser uma reflexão crítica da fé como um serviço concreto à comunidade e ao mundo.
Teologia dos sinais dos tempos tem a reflexão intelectual e uma exigência de acção pastoral, de compromisso, de serviço aos demais.
Sentido profundo da presença e da acção de Deus em todos os aspectos da vida.
A atenção à humanidade de Jesus, especialmente aos seus aspectos de debilidade e de sofrimento (presépio, paixão, cruz), de onde deriva um sentido cristão da dor, das privações e da morte.
O Filho de Deus desfigurado (Jesus Cristo) continua desfigurado em todos os filhos de Deus que sofrem, os pobres, os miseráveis, os não-pessoas.
O que dificulta falar de Deus a essas pessoas.
Como falar de um Deus que se revela como Amor, num ambiente marcado pela pobreza, pela opressão, pela miséria, pelo ódio, pela violência?
Como falar de um Deus que é Vida num ambiente de morte injusta e prematura?
Como reconhecer o dom gratuito do Seu amor e da sua justiça perante o sofrimento do inocente?
Como falar a pessoas que não são consideradas pessoas e dizer-lhes que são filhos e filhas de Deus?
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Bruno Forte, teólogo italiano
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Estas perguntas devem levar-nos a reflectir e saber que Deus conta connosco para ajudar os outros a sentirem-se pessoas amadas por Deus a partir do amor que lhes dedicamos...


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